Faces do Design

Faces do Design - Capa

Eu estava no segundo ano do Curso Superior de Design Digital, em 2003, quando os professores da instituição que eu estudava, a Universidade Anhembi Morumbi, lançaram o primeiro livro da série Faces do Design (depois lançaram o Faces do Design 2), pela Edições Rosari, mas só fui estudar o livro todo há pouco tempo. Uma pena. Os oito textos, um de cada  professor, informam e opinam a respeito de história do design, arte, hipermídia e tipografia.

Os capítulos:
O processo de criação em expressão tridimensional, por Adriana Valese
Bauhaus – um pouco da história de um projeto pedagógico, por Ana Lúcia Ribeiro Lupinacci
Tékne e design: uma relação entre o conceito aristotélico de arte e o conceito contemporâneo do design, por Carlos Alberto Barbosa
Tipografia experimental, por Cecília Abs
A influência do objeto industrial na arte, por Gisela Berlluzzo de Campos
Texto na web, por Marcelo Prioste
Design Digital: universo da cultura e da hipermídia, por Mônica Moura
As fronteiras entre o design e a arte, por Priscila Arantes e Jorge Luís Antonio

Faces do Design - Quarta capa

Mesmo um texto mais datado como o de “Texto na Web” tem seu valor pois foram escritos entre 2000 e 2001. Os valores atribuídos e questionamentos sobre o uso do Macromedia Flash e da popularização da internet banda larga nos fazem perceber como os interesses e preocupações com os projetos eram muito diferentes dos atuais. Os demais textos não tem “data de validade” e questionam e estudam pontos interessantes, como o valor e importância da referência na hora de desenvolver um projeto, como o design e a arte podem andar mais próximos para beneficiar um ao outro, como era a Bauhaus e qual a função do seu projeto de ensino, a riqueza da relação design e tecnologia etc.

Acredito que os textos atinjam diversos públicos-alvos no campo do design, desde estudantes, profissionais da área e professores (ou aspirantes de), pois os estudos e pesquisas envolvem diversas disciplinas e possuem diferentes níveis de aprofundamento.

Tipografia Comparada [Claudio Rocha]

Tipografia Comparada - Capa

Acredito que todo designer, uma vez na vida pelo menos, procurou detalhes nas tipografias favoritas para reconhecê-las e saber diferenciá-las entre tantas outras. É uma haste diferente aqui, uma barra horizontal mais esticada ali, uma perna mais grossa acolá. Aí chega o Claudio Rocha e “estraga a brincadeira”! Em mais espetacular de seus livros, o Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas ele detalha praticamente letra por letra de cada uma dessas tipografias, maiúsculas e minúsculas. Além do tipógrafo, ano, typefoundry e variações, também pode-se encontrar comparações entre a “mesma” fonte, mas criadas por typefoundries diferentes,   como a ADOBE Garamond e a ITC Garamond, por exemplo.

O livro é dividido em serif, slab serif e sans serif. Além das 108 fontes comparadas, tem também uma relação de anatomia das fontes, com todas as partes dos tipos nomeada.

Alguns exemplos:

Tipografia Comparada - Interna 1

Tipografia Comparada - Interna 2

Tipografia Comparada - Interna 3

Do maíz à MAIZENA – Tadeu Costa

Capa do livro Do Maíz à MAIZENA, de Tadeu Costa

Agradável foi a minha surpresa quando, no Lançamento da Revista TIPOITALIA, encontrei tanto meu ex-professor Tadeu Costa quanto o seu livro, Do Maíz à MAIZENA®, da Edições Rosari. E lá mesmo resolvi comprá-lo. O Tadeu fez essa pesquisa por muito tempo, 15 anos, e a utilizou em 2001, na sua pós-graduação na Cásper Líbero, em 2001. Em 2005 saiu o livro.

A leitura é rápida (em torno de 4 ou 5 horas) e gostosa. A ideia principal do livro é mostrar o layout que se mantém o mesmo há mais de 140 anos e mostrar o pouco que mudou, seja uma tipografia aqui, seja um detalhe na ilustração dos índios ali. O autor detalha e explica tudinho, desde a história do início do amido de milho, passa pelas referências das plantações brasileiras como o Visconde de Sabugosa de Monteiro Lobato e em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Dezenove comerciais de TV são analisados e relacionados com a marca MAIZENA, além dos cartazes, anúncios de revistas, calendários de receitas e embalagens. É um trabalho bem completo, cheio de curiosidades e características do forte projeto de identidade da MAIZENA.

A única coisa que achei chata é que diversas imagens a editora não deve ter conseguido os direitos de mostrar (eu imagino isso, não penso em outra explicação), então tem uma ilustra meio rafeada da embalagem, cartaz, comercial de tv. Fora que as imagens poderiam ser maiores para facilitar a análise visual de cada uma. Uma pena, mas não tira os méritos do conteúdo.

Ok, ok… Eu confesso: Depois de ler o livro a primeira coisa que fiz foi tomar um mingau de MAIZENA ®… É claro que eu teria que comprar a embalagem vigente pra comparar com a última do livro, que é de 2005:

Embalagem de Maizena em 2010

É engraçado como a gente as vezes “não nota” a mudança das embalagens ou então não sabe falar o que mudou. Também é curioso analisar como algumas marcas ficam com a mesma base da embalagem, como a MAIZENA®. Quem sabe até valeria a pena uma pesquisa, um estudo mais aprofundado em cada uma delas.

Embalagens do Chocolate "do Padre", do Antisséptico Granado, sopa Campbell's e Creme Nívea

Aliás, agradecimentos para Luciene Antunes (@luci_n) pela embalagem do Creme Nívea e para a Carol Hungria pela embalagem do antisséptico Granado.

E aí, alguém lembra de mais embalagens que seguem essa linha de “identidade imortal”? Pode deixar nos comentários, eu não ligo! 🙂