Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

É no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, que acontece a oitava edição de um evento importantíssimo, diria essencial para todos os designers gráficos e digitais, afinal a tipografia deve acompanhar todas as necessidades do design que se faz presente em tantos suportes diferentes.

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Foram mais de 400 trabalhos inscritos, 73 selecionados e, desses, 15 de designers brasileiros. Dessa vez foram abertas as inscrições apenas para type designers, diferente das outras edições, onde também havia categoria para aplicações tipográficas. Outra novidade é a categoria Emergentes, com projetos de designers que nunca haviam publicado seus tipos previamente. Aliás, vale dizer, um percentual altíssimo de mulheres (olha, que legal!) desenhando alfabetos lindos nessa categoria. As subcategorias foram Texto, Título, Manuscritas, Superfamílias, Experimentais e Miscelâneas.

Logo na entrada da exposição, depois do painel com o título, uma linda homenagem ao Alexandre Wollner, que faleceu em 4 de maio de 2018, aos 89 anos.

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

A seguir alguns trabalhos expostos:

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana

Além da exposição, claro, também tem o acervo do Museu da Casa Brasileira e o jardim, no fundo, que vale uma pausa pra contemplar.

Tipos Latinos – 8ª Bienal de Tipografia Latino-Americana (2018)

De 23 de junho à 26 de agosto
Museu da Casa Brasileira
Av. Brig. Faria Lima, 2705 – Jd. Paulistano (ver no Google Maps)
Tel.: (11) 3032-3727 | www.mcb.org.br

Infográfico: Como os micreiros prejudicam os designers

Eu até gostaria de colocar um belo info aqui, cheio de ilustras bacanas e texturas minunciosamente bem feitas. Tudo com o acabamento mais incrível que já fiz. Não coloquei porque não achei esses valores comparativos. Nem gráficos. Nem tabelas. Nem números.  Nunca tem nada. São centenas de pessoas reclamando por algo que, até hoje, nunca vi uma prova sequer.

Bem me lembro que durante meu curso superior de Design Digital alguns professores falaram e teve até um que deu um texto para ser interpretado, que atacava os micreiros (no texto eles chamavam “sobrinhos”) e basicamente falava que eles eram o pior terror para a profissão do designer. Pois é… E cadê a prova disso tudo?

Pra mim é tudo balela. Se eu estiver errado, então me prove com números. Os micreiros ficam lá, os designers ficam cá. Tem sempre um que fala “Ah, mas eles tiram meu emprego”. Tiram, é? Quantas vezes a Agência Click, por exemplo, contratou um micreiro pra fazer suas peças que concorreriam ao Cannes? A AlmapBBDO trouxe um grupo de micreiros pra conseguir a conta de algum cliente importante? A Editora Globo terceirizou micreiros pra fazer a identidade da revista X ou Y? Não, né? Então… Talvez o micreiro tenha feito por R$ 325,00 o site da papelaria que tem perto da sua casa (até porque eles não teriam os 2 ou 3.000 que você cobraria para fazê-lo). Talvez o sobrinho do amigo tio que sabe mexer no Corel Draw tenha cobrado R$ 8,50 pra fazer o cartaz de “Vende-se ovos” para a quitanda da amiga da sua tia. É com esses caras que você quer competir no mercado? É esse tipo de trabalho que você quer? São esses os caras que você compete numa entrevista? Ah, bom…

Micreiros x Postura profissional: Quem (ou o que) prejudica mais a profissão?

Muitas vezes me questiono da posição do designer dentro de uma empresa. Sempre me lembro de um passado remoto, quando eu era office-boy, junto de outros oito ou nove adolescentes. Pra eles não bastava ser office-boy, também era necessário se portar como. Todas as gírias de periferia possíveis, roupas largas e extravagantes, boné de basquete norte-americano, pouca cautela pra falar… Enfim. E não era da natureza deles, não. Era algo que contagiava quem começasse a trabalhar lá (e também nas outras empresas dos prédios ao redor). Por que será que nenhum deles pegaria aquela vaga de auxiliar de escritório? Porque a vaga não é pra alguém assim. Ah, nada contra as vestimentas, não. Mas acredito que elas devam ser de acordo com o tipo de negócio que você trabalha. Nesse caso, uma seguradora, cheia de regras e de bancos importantes como clientes principais e um povo de terno sempre ao redor. Não esperava que os meninos fossem trabalhar de fraque, apenas não acho interessante ir vestido como se vai para o clube no final de semana praticar esportes. Ah, é evidente que não estou exemplificando baseado em funcionários numa agência ou empresa descolada, que permitem e promovem essa casualidade (extremamente saudável e indicada) na aparência.

Da mesma forma que os estagiários de todos os lugares que trabalhei que se comportavam como estagiários NUNCA foram efetivados.

Dúvidas: Será que não falta para a profissão se preocupar com a NOSSA postura profissional invés de fazer o mesmo pela postura de um micreiro que nem sabe porque ele não é designer? Quão contente um gerente de marketing fica com explicações do tipo “NÃO DÁ pra mudar porque estou usando uma referência direta aos estudos de gestalt do objeto da Deutscher Werkbund”? Inclusive tem gente que fica sem resposta se as frases prontas “Não dá”, “Não tem como” e “É impossível” sumirem da Língua Portuguesa. O designer precisa ser o solucionador de problemas, não o causador de outros.

Designers mendigos

Ocasionalmente pelo Orkut eu encontrei uma comunidade chamada “Designers mendigos”, onde na descrição tinham coisas como “Se você tem 22 anos, está formado e não tem perspectiva de comprar um carro por conta do salário aqui é seu lugar”. Ok, ok, sei que sou ranzinza pacas. Sei que até pode parecer engraçado, mas mesmo que algumas vezes isso possa ser verdade, quanto será que uma coisa dessas ajuda as pessoas de fora a olharem para a profissão de designer de maneira digna (já que nem quem é designer olha)? Engraçado é que não tem nenhuma comunidade de “neuro-cirurgiões mendigos”, nem “vendedores de loja de shopping mendigos”, nem “frentistas de posto de gasolina mendigos”, nem marketeiros, nem programadores. E a comunidade tá lá, com mais de mil e duzentas pessoas. A comunidade brasileira de tipografia que tem mais membros não passa da casa dos três mil, ou seja, um terço desse valor se identifica designer mendigo (claro, não necessariamente os membros dessa comunidade, só estou comparando os valores). É curioso pensar que não gostamos de micreiros porque eles sujam nossa profissão e denigrem nossos valores, mas se comparar a mendigos não tem problema, né?

Só pra fechar

Quero deixar bem claro que não sou satisfeito com o que o mercado paga para os designers. Tampouco acho que nem os clientes nem nossos chefes tratam nossa profissão com a seriedade que deveriam. Mas também acho que muito disso não se deve apenas aos micreiros, sobrinhos nem a toda a turma deles. Se a cabeça de quem faz parte do grupo “prejudicado” não muda, mais complicado ainda mudar o pensamento de quem está apenas assistindo de fora. Nos últimos três anos quantas entrevistas em programas de talk-show foram com designers que fizeram algo grandioso pela sociedade? Quantos projetos de melhorias para o país foram idealizados por designers? Quantos designers você conhece que se envolvem com projetos para ONGs ou OSCIPs? Pois é… Que coisa, não?
Corcorda? Discorda? Não tem problema. Se design é projeto, como diria o Mestre Alexandre Wollner, ele pode ser fortalecido pelas discussões. Então comenta aí!

Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil

Muito legal a ideia de fazer um trabalho como esse que fizeram com o Alexandre Wollner. O cara, além de estudar na Escola de Ulm e fazer logotipos pra um monte de empresas que a gente viu a vida toda (como Itaú, Sardinhas Coqueiro…), ele também colaborou com cursos de design no país e participou da inauguração da ESDI, a Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro. Uma entrevista com ele, do jeito que foi feita e contando um pouco da história e opiniões polêmicas a respeito de identidade do design nacional, relação do design com a publicidade, o que é design e muitas outras, couberam direitinho o livro, que vem com um DVD com o vídeo da entrevista.

Sabe aquela história de “Ah, o livro é melhor que o filme”? Então, nesse caso não pode ser aplicado. Além de uma diagramação muito questionável (veja a figura abaixo), ele não consegue ser mais divertido que o DVD porque é praticamente o que está lá, numa ordem diferente, cronológica e com alguns detalhes a mais. Mas de qualquer maneira, é um bom companheiro no ônibus, metrô ou sala de espera. Vale o investimento. O que mais me chamou a atenção foi o catálogo de marcas do Wollner, com imagem de todos os logos que ele fez. Quanto ao DVD… Ah! É daqueles pra você ver sozinho e depois convidar um monte de amigos (preferencialmente designers ou quem tenha algum gosto pela coisa) pra curtir e discutir seus apontamentos. São vários dias no estúdio do Wollner e depois um passeio pela Avenida Faria Lima e Paulista aqui em São Paulo (antes da lei da cidade limpa) e ele vai apontando coisas que ele gosta e não gosta, justificando do seu jeito, com sua bagagem de mais de 50 anos.

Capa do livro Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil, da Cosac NaifySerá que o próprio Wollner viu essa diagramação antes do livro ser rodado?
Pequeno recorte no catálogo de logotipos de Alexandre Wollner