Dicionário de marketing para designers

Esse post é principalmente voltado aos novos designers, que estão entrando agora no mercado. Claro que os mais experientes também podem atualizar seus conhecimentos com os termos utilizados pelo seu chefe/cliente marketeiro. Vamos a eles:

Benchmarking

É o projeto que você tem que olhar, decorar e executar igualzinho pra fazer o seu.

Budget

É basicamente a grana que eles não tem para te pagar. Se te falarem que é limitado, senta e espera. Sua conta bancária vai demorar pra ver a cor desse dinheiro.

Commitment

Geralmente aparece na frase “Espero que todos tenham commitment nesse projeto”. Basicamente significa que você vai virar noites na agência até o deadline (abaixo).

Deadline

É a data que você vai poder voltar pra sua casa, desde o dia que ouviu “commitment” pela última vez.

Ideia inovadora

É pra você fazer algo que ninguém nunca fez nem pensou, num tempo menor que as equipes cinco vezes maiores que a sua fariam.

Layout vendedor

É utlizado para culpar o pobre designer pelo fracasso do projeto (geralmente bem ruim), por exemplo “O projeto está perfeito, o layout que não é vendedor o suficiente”

Pensar fora da caixa

É parecido com ideia inovadora (acima), só que você pega 30 benchmarkings e mistura tudo numa coisa só.

Stakeholder

É o grupo de pessoas que vai ganhar os méritos pelo projeto que você fez.

Target

É o objetivo do projeto, pra que ele é feito. Caso você erre, é bem provável que o target que seu cliente quer pra você seja o olho da rua.

Viral

Fazer algo viral significa que você tem que ter uma ideia inovadora ou que você pensou fora da caixa (ambos acima) e que todos os consumidores do mundo cismem de enviá-la (em formato de projeto) para todos os amigos do Facebook, Twitter, Orkut, Google Talk e MSN, várias vezes por dia.

Alguém sabe mais alguma? Pode deixar nos comentários, por favor! 🙂

As leis da simplicidade [John Maeda]

As Leis da Simplicidade, de John Maeda
Logo na descrição da orelha do livro tem uma frase que define todo o necessário para que você sinta vontade de ler o livro: SIMPLICIDADE = SANIDADE. Simplificar um projeto é bem mais difícil do que torná-lo completo/complexo. É nisso que John Maeda se apoia pra fazer em dez (capítulos) leis, suas considerações sobre a simplicidade na vida, nos negócios, em tecnologia e no design. São elas: Reduzir, Organizar, Tempo, Aprender, Diferenças, Contexto, Emoção, Confiança, Fracasso e A única. Depois ele trata de três soluções, que são Distanciamento, Abertura e Energia. A grande maioria dos exemplos ele pega de experiências e problemas reais, com produtos reais de empresas reais e soluções também reais. É a teoria baseada em experiência e estudos de casos, não somente em academia e outras publicações.

Por alguns momentos eu sinto o livro meio como “papo-de-avô” demais, ele leva bem a sério o subtítulo do livro, principalmente a parte “vida”. Ele cita exemplo de criancinha que fez sei lá o que, de velho que falou “A” frase mais sábia do mundo no vestiário do clube e coisas do tipo. Como eu sou como um velho rabugento, você não deve ligar pra isso e ler “As Leis da Simplicidade” porque vale muito a pena, mesmo sendo a publicação mais comercial do John Maeda. Não importa se você trabalha com web, gráfico, celular, widgets. Legal é entender que um projeto pode ser mais valorizado e ocasionalmente mais interessante/usável por ser mais simples. Acho bom parar por aqui, meu post tá muito complexo… 🙂

O que é lorem ipsum? (Para o seu cliente)

Qual designer nunca teve uma história engraçada de seus clientes versus lorem ipsum? Pois é, são muitas mesmo. Depois de me deparar com isso algumas dezenas de vezes, percebi que não era somente engraçado, poderia também ser um problema. Afinal de contas o nosso cliente que é formado em marketing por exemplo, não tem obrigação de saber. Seria como se nos cobrassem por não saber o que é revenue share, SWOT ou ciclo deming (aliás, o que são essas coisas?). Então, da próxima vez que você sofrer com o lorem ipsum, envie esse post pro seu cliente. Um próximo designer dele, decerto, não vai sofrer.

Por que usar Lorem ipsum?

Como é muito difícil no começo do projeto ter todos os textos, nós designers precisamos de algo pra usar na composição dos layouts. Não podemos usar qualquer texto porque sempre alguém vai falar que tem um erro aqui ou acolá, que a empresa não é do jeito do texto, efim, pode-se perder o foco no layout e pensar no texto ainda não finalizado que lá está contido. E faz todo sentido. Além disso, usar os famosos “nonono” como nas antigas cédulas de voto também não é boa ideia pois a mancha gráfica criada por essas sílabas não mostra um texto de maneira natural. Os “nononos” não têm variação de formato das letras e nem extensões cima nem para baixo no texto, já que “n” e “o” nem descem a linha e nem sobem, como o “p” e o “t” respectivamente. Os textos ficam com aparência falsa, como blocos retangulares, sem movimento. Veja um exemplo de texto feito com “nononos”:

Texto falso com "nononos"

Já com o Lorem ipsum, que a grosso modo é um texto “sem significado*” e que pode ser gerado atualmente por ferramentas on-line como o Lipsum, o foco deixa de ser o que está escrito e passa a ser no visual da página, folder, site etc. Pelo menos assim que deveria. Os textos lá gerados tem variação das letras e do tamanho das palavras. Dessa forma as “massas de texto” ficam bem mais realistas nos layouts, muito mais próximas do que serão com os textos corretos. Veja um exemplo de texto com Lorem Ipsum:

Texto feito com Lorem ipsum
Para saber mais:
Lipsum.org: Gerador de Lorem ipsum on-line e explicação histórica em português.
Embora o Lorem ipsum tenha um significado (vide o link acima), para efeitos gerais do layout ele não tem, já que é apenas um texto para marcação de espaço.

Dia do designer

Não interessa se a sua tia-avó não sabe o que você faz, contanto que você, seu chefe e seus clientes saibam. Inclusive duvido que as tias-avós, irmãs e cunhados de cientistas físicos ou biomoleculares saibam (também duvido que eles e vangloriem disso). Não interessa se o padeiro virou bread-designer. Importante é você (designer) não agir como um padeiro. Se tem o micreiro que faz site ou folder por um décimo do que você cobra não tem problema. É com ele que você brigar no mercado de trabalho? Não deveria.

O cliente quer o neto dele no logo da construtora? Depois de argumentar e explicar os prejuízos você só tem dois caminhos a seguir: Ou você larga o job ou faz o melhor “neto-no-logo” que puder.

Toda vez que é Dia Nacional do Designer tudo que eu vejo e ouço são as mesmas ladainhas: Piadas com a profissão, arrogância nos comentários, presunção ou até ignorância. Nada disso. Ora, o ano todo é tão difícil que será que até no nosso dia devemos exaltar tais supostas características? Acho que não. Hoje deveria ser o dia que você relembra o último super-projeto que deu certo, a sacada que seu colega teve na hora de entregar aquele logo que parecia interminável, o retorno feliz que o cliente deu depois que apresentou o site num simpósio, o sorriso aprovador que a dona da loja fez quando viu o folder pronto, o telefonema que rendeu um job via indicação que você nem sonha quem possa ser ou simplesmente lembrar que você é feliz na sua profissão e que a valoriza a cada dia que passa.

É assim pelo menos que eu vou comemorar o 5 de novembro. Parabéns pra você que, da mesma maneira que eu, gosta de ser designer.

Eu que fiz [Ellen Lupton e Julia Lupton]

Capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton Quarta capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton

Quem vê a quarta capa desse livro pode estranhar o texto “102 projetos para pequenos designers” em destaque. É isso mesmo, a Ellen Lupton, junto com a sua irmã Julia, fez um livro que “ensina” design para crianças. Pra elas, todo mundo pode fazer design, já que é uma atividade divertida ou, pelo menos, deveria ser. Pra mim questão principal desse livro não são os resultados que as crianças chegam (embora sejam muito interessantes) e sim o jeito com que as irmãs-escritoras apresentam o design: Uma atividade pra todo mundo fazer. Isso é totalmente contra os princípios de quem defende a regulamentação da profissão, não é? Onde já se viu “qualquer um” poder fazer design?

A questão não é essa, longe disso. Nem a Ellen nem a Julia Lupton acha que a profissão pode ser discriminada nem desvalorizada. Nem eu acho. Pra falar a verdade sou totalmente a favor que todos brinquem com design se sentirem vontade, assim como um monte de gente joga futebol e declaradamente não é jogador profissional ou então pinta um pano de prato e não é artista e assim por diante.

Bem, voltando ao trabalho dos pequenos, percebi uma certa diferença de realidades algumas poucas vezes, como quando as Lupton sugerem de comprar um “sofá baratinho” e deixar as crianças grafitarem com canetinha ou algo do gênero. É… Acho que os pais aqui do Brasil não vão querer gastar R$ 500,00 nas Casas Bahia ou nas Lojas Marabrás pros queridos pequerruchos pintarem tudinho, sem deixar nada “branco”. Indepentente disso, elas foram muito felizes nas escolhas e separaram o livro em 4 capítulos: Grafismos (Perfil: O designer gráfico), Brinquedos (Perfil: O designer de brinquedos), Casa (Perfil:O designer de produto) e Moda (Perfil: O estilista), cada um com diversas sub-divisões. São projetos quase sempre feitos com materiais que todo mundo tem em casa e rendem hora e horas de diversão. Alguns exemplos:

Sumário do Livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 1 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 2 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 3 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 4 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 5 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton

Depois que li o livro (e como não tenho filhos, não executei ainda as tarefas com eles) fiquei me questionando como teria sido se invés de eu ter aulas de Educação Artística na escola (que até hoje eu nunca vi ninguém que gostasse ou encontrasse algum valor na época), as crianças tivessem exercícios e projetos de design como esses do livro, criando adesivos, camisetas e tênis personalizados, brinquedos, cadernos etc, tudo com uma breve definição dos fundamentos como a Ellen e a Julia fazem para padronagens, pixels, ícones e tipos (que ela chama de letras). Acho que eu teria me divertido bem mais…