Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil

Muito legal a ideia de fazer um trabalho como esse que fizeram com o Alexandre Wollner. O cara, além de estudar na Escola de Ulm e fazer logotipos pra um monte de empresas que a gente viu a vida toda (como Itaú, Sardinhas Coqueiro…), ele também colaborou com cursos de design no país e participou da inauguração da ESDI, a Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro. Uma entrevista com ele, do jeito que foi feita e contando um pouco da história e opiniões polêmicas a respeito de identidade do design nacional, relação do design com a publicidade, o que é design e muitas outras, couberam direitinho o livro, que vem com um DVD com o vídeo da entrevista.

Sabe aquela história de “Ah, o livro é melhor que o filme”? Então, nesse caso não pode ser aplicado. Além de uma diagramação muito questionável (veja a figura abaixo), ele não consegue ser mais divertido que o DVD porque é praticamente o que está lá, numa ordem diferente, cronológica e com alguns detalhes a mais. Mas de qualquer maneira, é um bom companheiro no ônibus, metrô ou sala de espera. Vale o investimento. O que mais me chamou a atenção foi o catálogo de marcas do Wollner, com imagem de todos os logos que ele fez. Quanto ao DVD… Ah! É daqueles pra você ver sozinho e depois convidar um monte de amigos (preferencialmente designers ou quem tenha algum gosto pela coisa) pra curtir e discutir seus apontamentos. São vários dias no estúdio do Wollner e depois um passeio pela Avenida Faria Lima e Paulista aqui em São Paulo (antes da lei da cidade limpa) e ele vai apontando coisas que ele gosta e não gosta, justificando do seu jeito, com sua bagagem de mais de 50 anos.

Capa do livro Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil, da Cosac Naify Será que o próprio Wollner viu essa diagramação antes do livro ser rodado?
Pequeno recorte no catálogo de logotipos de Alexandre Wollner

Novos Fundamentos do Design [Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips]

Novos Fundamentos do Design, capa Novos Fundamentos do Design, autógrafo

As duas primeiras páginas de introdução, originalmente lançado como “Graphic Design: The New Basics“, definem completamente o propósito de todo o livro, que é reconceituar e atualizar os principais fundamentos do design devido todas as mudanças tecnológicas e metodológicas, já que a maior parte do referencial desses fundamentos foi escrito há mais de 40 anos.

As autoras se baseiam em (incríveis) trabalhos feitos por alunos para definir ponto, linha e plano, ritmo e equilíbrio, escala, textura, cor, figura/fundo, enquadramento, hierarquia, camadas, transparência, modularidade, grid, padronagem, diagrama, tempo e movimento e regras e acasos no decorrer dos capítulos. Dá uma olhadinha nesses trabalhos, que legais:

Novos Fundamentos do Design, tipofrafia feita com fotos de topos de prédios Novos Fundamentos do Design, tipofrafia feita com recortes de papel
Novos Fundamentos do Design, tipofrafia feita com soldados de plástico Novos Fundamentos do Design, tipofrafia feita com linhas esticadas

Tive o prazer de participar da palestra da Ellen Lupton no lançamento desse livro no Brasil. Não sei daonde vem tanta didática daquela mulher. Cada gesto, cada frase e cada explicação era completamente passível de ser entendido. Mas voltando ao livro, muito além de refrescar a memória de quem já se informou do assunto e atualizar os conceitos (ou então informar pra quem nunca o fez), essa publicação também é extremamente inspiradora e encorajadora, principalmente quando se trata de trabalhos com tipografia. Inclusive logo logo vou começar a publicar alguns aqui no blog. Enquanto os meus não aparecem por aqui, vou mostrar alguns de um brother dentro e fora do escritório, o Marquinho Moreira, do blog Magelstudio:

1. Constructype, feita com blocos de madeira estilo “Meu pequeno engenheiro”;
2. Arte em Havaianas, desenhada e estilizada num par dessas sandálias;
3. Dalmatypography , feita com posições de um dálmata. Não, você não leu errado (inclusive nesse post ele também fala do Novos Fundamentos do Design);
4. Sketch Box, caligrafado numa caixa imensa, com ilustras e toda a área útil preenchida com letrinhas. Sem dúvida esse é o projeto tipográfico (ou caligráfico) mais impressionante que vi o Marquinho fazer.

E você? Já leu o livro? Fez algum trabalho inspirado nele?