Grid [Timothy Samara]

Capa de Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Já vi muita gente discutindo se vale ou não a pena usar grids (grades) em projetos de design. Quem diz que “não gosta” justifica que o grid “prende o designer” e dificulta a criação. Sou do outro grupo, que acredita que o grid é mais um aliado na hora de projetar, seja um um site, uma revista, um livro, um catálogo. O livro Grid – Construção e desconstrução, de Timothy Samara (pela Cosac Naify e que originalmente chama “Making and Breaking the Grid: A Graphic Design Layout Workshop”) é para os dois grupos: Quem gosta vai ganhar diversas dicas e quem não concorda vai ter chance de mudar de ideia!

Construção e desconstrução

Além de uma boa introdução no sistema de grid com história e os motivos de seu uso, o livro é basicamente dividido em duas partes: construção, onde o autor mostra como grids foram construídos e os projetos que resultaram; e a parte de desconstrução, que a partir do projeto pronto deduz como seria seu grid. Os grids são categorizados e cada página, seja ela de construção ou desconstrução, mostra quais outros grids do livro todo tem a ver com ele. São mais de 60 páginas construindo e mais de outras 60 desconstruindo.
Alguns exemplos:

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Minha relação com o grid é muito boa, sempre foi. Já fiz diversos projetos sem usar essa técnica, mas depois que aprendi, nunca mais larguei. Além de possibilitar que tudo fique mais organizado, acredito que ajuda muito na hora de definir uma identidade ao projeto, pelo menos pela disposição de alguns elementos e a repetição estratégica de outros. E pra mim não adianta a justificativa que o designer tem que ficar totalmente solto pra criar tudo. É preciso organizar, tecer relações visuais e amarrar a identidade do projeto. Não ter essa ordem significa, pra mim, correr o risco de trabalhar (muito)  mais. É como ter ou não ter templates num site. O site que tem 40 templates não tem template, certo?

Exemplo de grid no site de VEJA São Paulo

Grid na home do site VEJA São Paulo

Para desenvolver o novo site de VEJA São Paulo (que estreou em dezembro do ano passado), me juntei ao meu chapa Mau (twitter.com/maudubem) e “grideamos” o espaço para desenvolver a home e posteriormente as internas do site. Para algumas internas fizemos outro grid, pois tínhamos uma colunagem diferente e ficaria muito bagunçado para criar em cima. O legal é que com dois grids nós desenvolvemos todo o restante do site. Quando necessário, para delimitar os espaçamentos e manter tudo alinhadinho, inserimos mais linhas-guia horizontais e verticais. A grande base desse grid é a colunagem e as delimitações de espaço no topo. Como alguns conteúdos são dinâmicos, boa parte das guias horizontais entraram para, no layout, dar mais chances para os alinhamentos e tamanhos dos elementos, tanto na home (acima) como nas internas.

Intriga Internacional – Alfred Hitchcock: Brincadeira com grid na abertura do filme

Muito interessante ver a abertura desse filme de 1959 do Hitchcock quando eles brincam com um grid para mostrar o staff. Ainda mais curioso é que a personagem coadjuvante é “desenhista industrial”. Achei legal o designer migrar o grid, então comum em mídia impressa, para a telona do cinema.

Morte aos Papagaios [Gustavo Piqueira]

O nome inusitado do livro e nenhuma vez a palavra DESIGN escrita na capa já começam a mostrar como “Morte aos Papagaios” é ousado e extremamente peculiar. Inclusive, jamais seria encontrado se dependêssemos apenas de SEO. Depois de lê-lo, entendi perfeitamente quando Chico Homem de Melo usou “o autor não está para brincadeiras. […]. Se pensarmos que um livro deve, antes de tudo, estimular a reflexão e mesmo a discordância, o leitor tem em mãos um prato cheio” na quarta capa para defini-lo.

Gustavo se refere a “papagaio” como os designers que não têm opinião alguma, buscam opiniões prontas e vivem as repetindo. Os que lêem design, vão à exposições de design e mesmo assim, fecham os olhos e seguem falando as “papagaices” por aí. Não somente o nome do livro é bem-humorado, mas também os capítulos, que conta com nomes como “Mike Turbo”, “Meia Renoir, meia Perupiry” ou então “Prince Street e a Machadinha”. E acredite, todos eles terão relação com o que você pensa e o que faz como designer.

Não é um livro para ganhar técnicas de design, tampouco para saber as tendências ou encontrar conhecimento erudito. É um livro sobre design gráfico como um todo, onde o autor (da Agência Rex, em São Paulo), fala sobre suas experiências no seu cotidiano, sua estada por quatro anos como Diretor da ADG (Associação dos Designers Gráficos) e tenta quebrar paradigmas (ou coisas que não deveriam, mas que viraram paradigmas) do design. Um dos capítulos que achei mais interessante é o que Gustavo questiona e opina sobre a “identidade nacional”, assunto que rende eternas conversas em cursos de design e listas de discussão.

Eu achei que o autor viaja um pouco quando começa a falar dos graffites na rua ou então questiona seu estagiário porque ele ouve a banda Jota Quest, mas sou muito chato, então releve isso que escrevi 🙂

Identifico bastante meus textos “Dia do designer” e “Como os micreiros prejudicam os designers” com algumas passagens de “Morte aos Papagaios”.

Alguém já leu pra opinar? Ah, agradeço meu primo Adriano Vespa pela indicação.

Pensar com tipos [Ellen Lupton]

Capa de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Falar que Pensar com tipos é o livro que aborda tipografia com mais profundidade não é verdade. A grande vantagem de mais um livro maravilhoso da Ellen Lupton é a refrescada que ele dá na cabeça em conceituar e exemplificar diversos pontos da tipografia, como formação do tipo em específico, os “faça” e “não faça” e muitas outras questões, com exercícios para praticar ao final cada capítulo. Tudo (tudo mesmo!) é muito bem ilustrado e dá pra devorar todo o livro quase sem perceber. Como de costume, Ellen Lupton mantém seu estilo didático com linguagem simples. Um detalhe interessante é que o “Pensar com tipos” tem várias cores na tipografia da capa. Isso é possível porque a capa é (mesmo!) feita com tipos móveis.

O sumário do livro:

Sumário de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Alguns exemplos de conteúdo das páginas internas:

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Esse livro somado ao “Elemento do estilo tipográfico” são ótimas pedidas pra quem quer se aprofundar em tipografia.

As leis da simplicidade [John Maeda]

As Leis da Simplicidade, de John Maeda
Logo na descrição da orelha do livro tem uma frase que define todo o necessário para que você sinta vontade de ler o livro: SIMPLICIDADE = SANIDADE. Simplificar um projeto é bem mais difícil do que torná-lo completo/complexo. É nisso que John Maeda se apoia pra fazer em dez (capítulos) leis, suas considerações sobre a simplicidade na vida, nos negócios, em tecnologia e no design. São elas: Reduzir, Organizar, Tempo, Aprender, Diferenças, Contexto, Emoção, Confiança, Fracasso e A única. Depois ele trata de três soluções, que são Distanciamento, Abertura e Energia. A grande maioria dos exemplos ele pega de experiências e problemas reais, com produtos reais de empresas reais e soluções também reais. É a teoria baseada em experiência e estudos de casos, não somente em academia e outras publicações.

Por alguns momentos eu sinto o livro meio como “papo-de-avô” demais, ele leva bem a sério o subtítulo do livro, principalmente a parte “vida”. Ele cita exemplo de criancinha que fez sei lá o que, de velho que falou “A” frase mais sábia do mundo no vestiário do clube e coisas do tipo. Como eu sou como um velho rabugento, você não deve ligar pra isso e ler “As Leis da Simplicidade” porque vale muito a pena, mesmo sendo a publicação mais comercial do John Maeda. Não importa se você trabalha com web, gráfico, celular, widgets. Legal é entender que um projeto pode ser mais valorizado e ocasionalmente mais interessante/usável por ser mais simples. Acho bom parar por aqui, meu post tá muito complexo… 🙂

Eu que fiz [Ellen Lupton e Julia Lupton]

Capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton Quarta capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton

Quem vê a quarta capa desse livro pode estranhar o texto “102 projetos para pequenos designers” em destaque. É isso mesmo, a Ellen Lupton, junto com a sua irmã Julia, fez um livro que “ensina” design para crianças. Pra elas, todo mundo pode fazer design, já que é uma atividade divertida ou, pelo menos, deveria ser. Pra mim questão principal desse livro não são os resultados que as crianças chegam (embora sejam muito interessantes) e sim o jeito com que as irmãs-escritoras apresentam o design: Uma atividade pra todo mundo fazer. Isso é totalmente contra os princípios de quem defende a regulamentação da profissão, não é? Onde já se viu “qualquer um” poder fazer design?

A questão não é essa, longe disso. Nem a Ellen nem a Julia Lupton acha que a profissão pode ser discriminada nem desvalorizada. Nem eu acho. Pra falar a verdade sou totalmente a favor que todos brinquem com design se sentirem vontade, assim como um monte de gente joga futebol e declaradamente não é jogador profissional ou então pinta um pano de prato e não é artista e assim por diante.

Bem, voltando ao trabalho dos pequenos, percebi uma certa diferença de realidades algumas poucas vezes, como quando as Lupton sugerem de comprar um “sofá baratinho” e deixar as crianças grafitarem com canetinha ou algo do gênero. É… Acho que os pais aqui do Brasil não vão querer gastar R$ 500,00 nas Casas Bahia ou nas Lojas Marabrás pros queridos pequerruchos pintarem tudinho, sem deixar nada “branco”. Indepentente disso, elas foram muito felizes nas escolhas e separaram o livro em 4 capítulos: Grafismos (Perfil: O designer gráfico), Brinquedos (Perfil: O designer de brinquedos), Casa (Perfil:O designer de produto) e Moda (Perfil: O estilista), cada um com diversas sub-divisões. São projetos quase sempre feitos com materiais que todo mundo tem em casa e rendem hora e horas de diversão. Alguns exemplos:

Sumário do Livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 1 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 2 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 3 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 4 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 5 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton

Depois que li o livro (e como não tenho filhos, não executei ainda as tarefas com eles) fiquei me questionando como teria sido se invés de eu ter aulas de Educação Artística na escola (que até hoje eu nunca vi ninguém que gostasse ou encontrasse algum valor na época), as crianças tivessem exercícios e projetos de design como esses do livro, criando adesivos, camisetas e tênis personalizados, brinquedos, cadernos etc, tudo com uma breve definição dos fundamentos como a Ellen e a Julia fazem para padronagens, pixels, ícones e tipos (que ela chama de letras). Acho que eu teria me divertido bem mais…