Hand Job

Hand Job - Capa

Sei que o nome desse livro pode ser meio ingrato de primeiro impacto, mas é um BAITA livro legal. Do começo ao fim o livro é de ótimas referências de tipografia feitas à mão das mais variadas categorias. Michael Perry, autor de Hand Job, mandou bem pacas na seleção dos trabalhos. São rascunhos de letras em cadernos, guardanapos, outros finalizados, feitos à lápis, caneta, belas caligrafias, outras totalmente irregulares, tem de todo tipo. Algumas páginas de exemplo:

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Alguns detalhes em zoom das ilustras:

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Quarta capa do livro Hand Job

Até o preço do livro, ao lado do código de barras (além do sumário, da resenha da quarta capa…), está com uma “hand type”. O preço de capa dele é US$ 35.00, mas na Amazon ele tá em promoção por algo em torno de US$ 24,00 mais as despesas de envio. Aqui no Brasil já vi em grandes livrarias por um preço até que razoável levando em conta o frete e o tempo que leva pra chegar dos Estados Unidos. E vale cada centavo.

A Arte Invisível

Capa do livro A Arte Invisível, de Plinio Martins Filho

Não é um palito de fósforo gigante, não. O livro é pequenino mesmo, literalmente é de bolso e tem capa dura. Mas o conteúdo do livro tem qualidade, bem grande por sinal. A ideia do livro é mostrar os elementos “invisíveis” na criação de um livro, como uma boa escolha de tipografia, elementos da capa, tamanhos, proporções, erros cometidos, integração interdisciplinar do designer com os outros envolvidos na produção do livro, tudo citado por “gente com opiniões de peso”, como Jan Tschichold, David Carson, Wolfgang Weingart, Robert Bringhurst, o próprio autor Plinio Martins Filho, entre outros. Só fera 😀

As reflexões são curtas e praticamente pode-se ler essa publicação de forma não-linear. Inclusive é um bom livro pra ter ao lado da mesa do trabalho. Entre uma demanda, emails respondidos, cobranças de prazo e alterações nos layouts, ele se torna um bom companheiro, já que não leva nem 40 segundos pra vocé ler cada uma das 164 páginas. É aquele empurrãozinho que te dá forças pra continuar.

Alguns exemplos:

“A chave para uma boa tipografia é sempre deixar que as palavras ditem o design” – Humphrey Stone

“Um axioma da produção de livros é… que, se se deixar que alguma coisa comece errado, há muita probabilidade de que saia errado. Grande parte do trabalho do designer é explicar suas exigências a estranhos distantes” – Hugh Williamson

“Se um texto pede algum tipo de Renascença, também exige uma tipografia da Renascença. Isso geralmente significa proporções de página e margens da Renascença, e ausência de negrito” – Robert Bringhurst

A Arte Invisível é mais um livro da Coleção Artes do Livro, a mesma do título Ex-Libris
Uma frase do livro A Arte Invisível foi citada no Design Shot#0

B de Bodoni – Claudio Ferlauto

B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Mais um livro da coleção “Qual é o seu tipo” das Edições Rosari. Aliás, um belo livro. Fininho, rápido e gostoso de ler, e com preço acompanha sua dimensão física: é bem baratinho, entre 10 e 20 reais.

Nessa publicação, Cláudio Ferlauto dá um breve contexto histórico, passa pela Coluna de Trajan, pelas solicitações de Carlos Magno (742-814), fala de Didot, da Baskerville, Walter Gropius…  detalha, explica, comenta aplicações desses famosos tipos, como no Manuale Tipografico, de Giambattista Bodoni. Tudo bem ilustrado, como nessa página que tem os “A” maiúsculos da Bodoni, Baskerville, Garamond e uma manuscrita feita com pincel chato.

Exemplo de interna do livro B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Outra parte bem bacana e curiosa são as comparações das diversas versões da Bodoni, que até podem parecer sutis, mas em algumas letras é bem perceptível, como no “R” maiúsculo e suas terminações em “gota” ou não. E qual seria a Bodoni mais fiel de todas? No livro tem, também 🙂

Na mesma linha desse livro tem também o Tipografia Comparada, do designer e tipógrafo Claudio Rocha.

E você, gosta da Bodoni? A utiliza em seus projetos?

Guerra tipográfica nos classificados de 1946

Página de classificados all type da Revista Esfera, de março de 1946

Capa da Esfera: Revista de letras, artes e ciências. Março de 1946Cores, fotos, ilustras (geralmente de qualidade duvidosa), tamanhos grandes, pequenos, textos espremidos aqui, espaçados demais acolá, cliparts… Fundo vermelho, amarelo, azul… Tudo para “chamar mais a atenção”. Geralmente é assim que vemos as páginas das revistas de classificados atualmente, né?

Bem, nessa revista, de 1946 chamada Esfera, a coisa não era assim: Tudo era resolvido na base da tipografia! Parece que a regra era a seguinte: Se tem telefone e endereço vamos usar corpos pequenos  pra caber tudo. Se for só o nome do produto, explodimos os corpos. Tá com problema peitoral (aliás, o que seria isso?), então tome Xarope S. Martinho! Se você sofrer de “doenças de senhoras” ou então de distúrbios sexuais, procure o Dr. Moisés Fisch. Simples e fácil. É bem curioso pensar que não se tinha preocupação com a marca da empresa ou do produto pra anunciar nessa revista, né? Afinal de contas a revista é ilustrada. De qualquer maneira, o legal aqui é ver a Guerra (apenas) Tipográfica que os anúncios faziam pra se destacar. Tudo em molduras ornamentais. Fantástico!

Aqui em São Paulo dá pra fazer cursos de tipografia manual na Oficina Tipográfica São Paulo (ver os posts que fiz da OTSP).

Catálogo LINOTYPE Faces

Que a LINOTYPE é a máquina que mais me deixou impressionado, isso  não tenho dúvidas. O que eu não sabia é que o catálogo de famílias de fontes pra ela era quase tão incrível quanto. E ele não somente parece gigante nas fotos. Ele é mesmo, de dimensão e peso que fica complicado segurar com uma só mão.

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Algumas fotos da placa de indentificação da LINOTYPE e de como são as letras nela:
Placa de identificação de uma LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

A LINOTYPE e suas fontes, além desse catálogo (que infelizmente não encontramos a data de publicação) pertencem e foram fotografados na Oficina Tipográfica São Paulo.

Tipografia Comparada [Claudio Rocha]

Tipografia Comparada - Capa

Acredito que todo designer, uma vez na vida pelo menos, procurou detalhes nas tipografias favoritas para reconhecê-las e saber diferenciá-las entre tantas outras. É uma haste diferente aqui, uma barra horizontal mais esticada ali, uma perna mais grossa acolá. Aí chega o Claudio Rocha e “estraga a brincadeira”! Em mais espetacular de seus livros, o Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas ele detalha praticamente letra por letra de cada uma dessas tipografias, maiúsculas e minúsculas. Além do tipógrafo, ano, typefoundry e variações, também pode-se encontrar comparações entre a “mesma” fonte, mas criadas por typefoundries diferentes,   como a ADOBE Garamond e a ITC Garamond, por exemplo.

O livro é dividido em serif, slab serif e sans serif. Além das 108 fontes comparadas, tem também uma relação de anatomia das fontes, com todas as partes dos tipos nomeada.

Alguns exemplos:

Tipografia Comparada - Interna 1

Tipografia Comparada - Interna 2

Tipografia Comparada - Interna 3

História da Tipografia no Brasil

Capa do livro História da Tipografia no Brasil

Sempre ouvimos falar da história da Garamond, Times, Helvetica, dos cartazes construtivistas russos, das belas composições da Bauhaus, entre muitos outros. A maior parte dos livros que temos acesso trata de designers gringos e de ótimos trabalhos projetuais pelo mundo. Mas e aqui na terra Tupiniquim, como essa ‘coisa toda’ aconteceu?

Infelizmente nas livrarias temos poucas coisas que falam diretamente das origens do design brasileiro. O “Design brasileiro antes do design”, de Rafael Cardoso, é um deles. Mas é fora das lojas de livros (novos) que podemos encontrar essa maravilha de publicação do MASP, no final dos anos 1970: A História da Tipografia no Brasil trata em 18 páginas (de texto) um pouco dos primórdios do uso de tipos móveis em território nacional brasileiro contextualizado pelo que acontecia no exterior, fala da repressão que era evidente na época (afinal, o meio mais forte da difusão de ideias eram os impressos). As outras mais de 240 páginas são de referências das publicações da época. E haja referência! São anúncios reais, decretos, certificados, capas de livro, receitas e uma infinidade de outros. A base das imagens é a partir de 1808, quando chegou no Brasil a família real e “trouxe” a Imprensa Régia.
Alguns exemplos das páginas e das imagens:

Folha de rosto do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de página interna do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Ilustração do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Atualmente é difícil encontrar esse belo livro por menos de R$ 80,00 nos sebos, mas vale uma boa vasculhada. Dá pra tentar também online, no site Estante Virtual e também no Mercado Livre.

1000 Type Treatments

1000 Type Treatments - Capa

Depois de muitos livros em português, resolvi mudar o destino e postar um gringo.  E um baita livro de referências tipográficas. Os autores Wilson Harvey e Loewy acertaram em cheio.

Essa publicação é uma coleção com mil (mil mesmo!) exemplos de tratamentos dados à tipografia, todas categorizadas e separadas pelos temas flyers, livros + revistas, logos, brochuras, pôsteres + banners e 3d + tipografia digital. Todas as imagens têm informação sobre a equipe que fez. São 400 páginas impressas num papel bem legal.

O livro é relativamente pequeno, um quadrado de 15x15cm, muito fácil de carregar e de dimensões suficientes pra ver bem cada layout. Alguns exemplos:

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

Na Amazon custa US$ 13,59 na data desse post.

Pensar com tipos [Ellen Lupton]

Capa de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Falar que Pensar com tipos é o livro que aborda tipografia com mais profundidade não é verdade. A grande vantagem de mais um livro maravilhoso da Ellen Lupton é a refrescada que ele dá na cabeça em conceituar e exemplificar diversos pontos da tipografia, como formação do tipo em específico, os “faça” e “não faça” e muitas outras questões, com exercícios para praticar ao final cada capítulo. Tudo (tudo mesmo!) é muito bem ilustrado e dá pra devorar todo o livro quase sem perceber. Como de costume, Ellen Lupton mantém seu estilo didático com linguagem simples. Um detalhe interessante é que o “Pensar com tipos” tem várias cores na tipografia da capa. Isso é possível porque a capa é (mesmo!) feita com tipos móveis.

O sumário do livro:

Sumário de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Alguns exemplos de conteúdo das páginas internas:

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Esse livro somado ao “Elemento do estilo tipográfico” (que eu já falei no post “10 livros essenciais por menos de R$ 50 cada“) são o grande começo pra quem quer se aprofundar em tipografia.