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Design Shot! #10 – Design como interlocução

“Em nenhum projeto o designer é senhor absoluto das decisões. Elas estarão sempre balisadas pela interlocução dele com as vozes dos demais atores que participam do processo. Essas vozes são múltiplas: São do cliente, dos outros profissionais envolvidos, dos produtores, dos usuários, da história do assunto específico tratado no projeto, da história do próprio design”.  – Chico Homem de Melo, no livro Os desafios do designer, das Edições Rosari

O Efêmero e o Paródico – Claudio Ferlauto

O Efêmero e o Paródico, de Claudio Ferlauto

Assim como quase todos os outros livros da Coleção textosdesign, essa publicação também reúne artigos de design que foram veiculados em revistas, sites e jornais. Mas eu achei que nesse, especificamente, dá pra notar um tom um pouco mais pessoal do autor.

O Efêmero e o Paródico, de Claudio Ferlauto, rostoClaudio Ferlauto fala da importãncia de um designer escrever sobre design, passeia por tipografia, produto, história do design dando pinceladas certeiras de assuntos inusitados, daqueles que sentimos vontade (eu, pelo menos, sinto) de pesquisar mais a respeito, comparar, estudar. E também fala de designers que, da mesma forma, vale a pena aprofundar mais em suas histórias, opiniões e obras/portfolio. Só que junto de tudo eu percebo uma peculiaridade maior do que o usua: Ferlauto mostra, entre um capítulo e outro, diversos sketches despretensiosos que dez em seus cadernos de notas. Dá pra ver que durante a espera de vôos ele tinha tempo pra se divertir com lápis e papel.  Aliás, lendo o livro e vendo as ilustras, me lembrei que quando tinha aulas com o Ferlauto na faculdade, ele sempre comentava com os alunos pra produzirem em seus cadernos de notas e sempre tinha um ou outro que falava “ele pede, pede, mas duvido que faça um também, já que é tão importante…” ou algo similar. Ele faz, sim! Toma essa!

O veterano do design mostra também cartazes que ele criou para informar os alunos da Universidade Anhembi Morumbi sobre os trabalhos de design, conta a história do Pato Macho (um jornal gaúcho que junto dele e uma equipe invejável que, além do Ferlauto, tinha até Luis Fernando Veríssimo), uma entrevista que ele deu pra Hugo Kovladoff. E tem Claudio Rocha, e tem Tony de Marco. Muita coisa boa, olha só o sumário:

Meia ideia e agradecimentos

Ler e escrever
Escrever sobre design
O design em formação

Tipografia
Sem conhecer o passado não dá
Tipografia e grade/grid
Arial: feia, bastante feia

Projetos tipográficos
Cartazes

Design de produtos
Petzold e Bornancini
O  design brasileiro no museu

Efêmero e paródico
O efêmero e o perene
O efêmero e o paródico
Luxo

Outras palavras
Tony de Marco
Hibridismo trangênico
Ler livros e ler na internet
Tipos segundo Claudio Rocha
Festa de 15 anos

Passado e presente
Pato Macho, um jornal gaúcho
tipoGráfica: entrevista à Hugo Kovladoff

Minha proposta de bate-papo pra esse post seria contemplar o título todo, mas como tenho visto o “paródico”  numa quantidade imensurável por aí, fico só com a proposta do “efêmero”. Aí vai:
O que podemos definir atualmente como passageiro ou transitório no cenário atual do design?

Não tenha piedade do box de comentário. Digita mesmo, sem dó! :)

Linguagens do design

Linguagens do Design - Compreendendo o design gráfico

 

Vira-e-mexe gosto de pesquisar novas referências de design, grandes autores, projetos muito, pouco ou nada famosos. E também preciso de leituras curtas que abrem o leque de opções pra eu seguir no meu tempo e com a profundidade que eu achar viável. Quando encontrei essa publicação das Edições Rosari achei exatamente o que precisava: um grande guia com infinidade assuntos do jeito que precisava. Além dos textos do autor Steven Heller também tem muitos outros de designers famosos e importantes, como a Paula Scher, Stefan Sagmeister, Neville Brody e Paul Rand. Os assuntos são os mais variados, desde o símbolo da paz até a suástica nazista, ingressos de cinema japoneses, capas e identidades de revistas, campanhas publicitárias, cartazes, ilustrações, trabalhos manuais, tipografias dos mais diferentes tipos, tratamento gráfico em livros, logotipos, panfletos, outdoors…

Foi por causa desse livro que fui atrás dos Phillumenies (rótulos de caixas de fósforos) e, além deles, acabei enconrando fine prints japoneses do século XVIII, capas de livros vintage do Jules Verne (no Brasil, Júlio Verne), cartazes da Primeira Guerra Mundial, cartazes de propaganda dos Cigarros Camel e muitos outros. A leitura não precisa ser linear porque cada um dos artigos é independente. Ótimo pra abrir ao acaso e ler o tema que cair, o livro é grosso (452 páginas), cair no mesmo tema duas vezes é difícil =D

Aí vai o sumário (tem coisa pra caramba!):

1 ¶ PERSUASÃO

15] Pôster Simplicissimus – Thomas Theodore Heine
18] Neue Jugend – John Heartfield
21] Nie – Tadeusz Trepkowski
23] Bombas de papel
26] O Símbolo da Paz
29] Nuvens em forma de cogumelo
34] Poder negro/Poder branco – Tomi Ungerer
37] Acabe com o mau hálito – Seymour Chwast
41] Homens sem lábios – Robbie Conal
43] Pôsteres Grapus – Grapus
46] Pôsteres da Glasnost
49] Anúncios de cigarros
52] Panfletos religiosos
56] Racismo – James Victore
61] Ashcroft… você é o próximo – Micah Wright

2 ¶ MÍDIA DE MASSA

64] Jugend e Simplicissimus
66] PM e AD – Production Manager & Art Director
69] Revistas ilustradas da década de 1930
77] Direction – Paul Rand
80] Os mapas da Dell
82] Capas de livros – Edward Gorey
86] Portfolio – Alexey Brodovitch
88] Industrial Design – Alvin Lustig
91] Holiday – Frank Zachary
93] Vogue – Alexander Liberman
97] Scope – Will Burtin
100] Herald Tribune – Peter Palazzo
103] Life
107] Esquire – Henry Wolf, Robert Benton, Sam Antupit
111] Seventeen – Cipe Pineles
114] Eros e Avant Garde – Herb Lubalin
116] Push Pin Graphic – Seymour Chwast, Milton Glaser, Reynold Ruffins, Eduard Sorel
119] Evergreen e Ramparts – Ken Deardorf e Dugald Stermer
125] East Village Other
128] Rolling Stone – Fred Woodward
130] Paródias da MAD
133] Zap Comix
140] Spy – Stephen Doyle
142] Tablóides culturais
147] The Face – Neville Brody
151] Emigre – Rudy VanderLans e Zuzana Licko
154] Raw – Françoise Mouly e Art Spiegelman
158] Beach Culture – David Carson
161] Colors – Tibor Kalman

3 ¶ TIPOGRAFIA

166] Blackletter
169] Bauhaus e a Nova Tipografia
172] Tipografia para crianças
176] Peignot – A. M. Cassandre
178] Cooper Black – Oswald Cooper
182] Tipografia norte-americana da década de 1960
184] Letras feitas à mão – Joost Swarte
187] Mrs. Eaves – Zuzana Licko
192] Pussy Galore – Teal Triggs, Liz McQuiston e Sian Cook
196] O lettering da ACME Comics – Chris Ware
201] Template Gothic – Barry Deck
204] Manson/Mason – Jonathan Barnbrook

4 ¶ LINGUAGEM

208] Com o navio que carrega chá e café – Karel Teige
211] Depero: Futurista – Fortunato Depero
214] Inspirations da Westvaco – Bradbury Thompson
217] Lorca: as três tragédias – Alvin Lustig
220] Sobrecapas decorativas – W. A. Dwiggins
224] Livros de Merle Armitage – Merle Armitage
228] About U.S. – Lester Beall, o escritório Brownjohn Chermayeff Geismar, Herb Lubalin, Gene Federico
230] Quem ri por último, ri melhor – Lou Dorfsman
232] Going Out – Gene Federico
234] Man with the Golden Arm – Saul Bass
237] Os (parêntesis) do código de área – Ladislav Sutnar
240] Pôsteres suíços – Armin Hofmann
245] Capas de brochuras modernas
251] Capas de bestsellers – Paul Bacon
257] A soprano careca – Robert Massin
262] Electric Circus – Ivan Chermayeff
265] Blues Project – Victor Moscoso
268] The Best of Jazz – Paula Scher
271] Basel Kunstkredit/Feira de Arte da Basiléia 1976/77 – Wolfgang Weingart
274] Cranbrook – Katherine McCoy
279] O Discreto charme da burguesia – Yuri Bokser
282] Modernismo radical – Dan Friedman
284] Design genérico

5 ¶ IDENTIDADE

290] Flight – E. McKnight Kauffer
294] Selos postais
296] Capas de brochuras da McGraw-Hill – Rudolph de Harak
299] Dylan – Milton Glaser
301] NeXT – Paul Rand
305] Dr. Fantástico – Pablo Ferro
309] Restaurante Florent – M&Co./Tibor Kalman
311] Sinalização do Disney World – Sussman/Preja
316] Pôsteres do The Public Theater – Paul Davis
319] The Public Theater – Paula Scher
323] Logo da Altria – Paul Bacon

6 ¶ INFORMAÇÃO

328] Acredite se quiser
331] O design de catálogos técnicos – Ladislav Sutnar
333] O meio é a mensagem – Quentin Fiore
336] O mapa do metrô de Nova York – Vignelli & Associates

7 ¶ ICONOGRAFIA

340] A suástica
344] Ícones heróicos
350] Feira Mundial de Nova York – 1939/1940
354] Força Aérea Norte-americana – Joseph Binder
357] Miras de tiro ao alvo
359] Creme dental Darkie
362] Does It Make Sense?/Isso faz sentido? – April Greiman
365] Jambalaya – Stefan Sagmeister

8 ¶ ESTILO

370] Tipografia inovadora
373] Ingressos de cinema japoneses
376] Gargântua e Pantagruel – W. A. Dwiggins
379] Capas da Vanity Fair e da Fortune – Paolo Garretto
383] Artone – Seymour Chwast
386] O amante – Louise Fili
389] French Paper Company – Charles Spencer Anderson
392] Propaganda – Art Chantry

9 ¶ COMÉRCIO

396] Cartazes de rua
398] Embalagens de lâminas de barbear
401] Caixas de fósforos japonesas
404] Pôster do fósforo Priester – Lucian Bernhard
407] Golden Blossom Honey – Gustav Jensen
409] Leques publicitários
411] O outdoor da década de 1930
413] Anúncios em forma de tiras em quadrinhos
416] O primeiro disco – Alex Steinweiss
418] Cheap Thrills – R. Crumb e Bob Cato
422] Sobrecapas das décadas de 1920 e 1930
424] Selos de propaganda
426] Átomos para a Paz – Erik Nitsche
429] Wolfschmidt – George Lois
433] NYNEX – Chiat/Day/Mojo

Linguagens do Design - Compreendendo o design gráfico

Os desafios do designer [Chico Homem de Melo]

Capa do livro "Os desafios do Designer", de Chico Homem de Melo

Chico Homem de Melo escreveu artigos para a Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG) e pra revista Arc Design entre 1999 e 2002 e esse interessante volume das Coleção textosdesign são, basicamente, uma boa seleção desses artigos. Como de costume dessa coleção, os textos propõem discussões e reflexões a respeito da produção do design e do cotidiano do designer, passando por 50 anos de marcas criadas no Brasil, tipografia, arquitetura, relação de criatividade versus o uso do computador e como eles se influenciam, processos criativos e outros.

O sumário do livro:
- Apresentação
- Marcas do Brasil
- O passado, o presente e o futuro do livro
- Impressões digitais
- Travestismo tipográfico
- O legislador e o artesão
- Niemeyer gráfico
- Os desafios do designer
- Brasil+500

Quarta capa do livro "Os desafios do Designer", de Chico Homem de Melo

O capítulo que deu o título à essa publicação compreende 14 frases que foram utilizadas na Mostra Seletiva da V Bienal de Design Gráfico da ADG, em 2000, relacionadas literalmente aos desafios de criar cada tipo de projeto.

Entre os artigos, tem um inédito (pra mim o melhor deles), que é sobre o BRASIL+500 – Mostra do Redescobrimento, que Chico Homem de Mello conta o projeto desde o começo, das primeiras ideias. Aí entram os detalhes de como os trés pavilhões do Parque do Ibirapuera foram ocupados com essa mostra e tudo a partir de uma visão do designer como interlocutor do projeto, que tem que se “dar bem” com todos e não é o dono exclusivo de tudo que se tem por lá. Embora totalmente verdadeiro, esse tipo de posicionamento é meio difícil de encontrar gente falando em livros (alguém tem dicas de livros ou links disso?).

Embalado pelo título do livro e seu capítulo de desfecho fenomenal, deixo a pergunta:
Pra você, qual é o maior desafio do designer?

Me conta nos comentários, tá? :)

Textos recentes e escritos históricos – Alexandre Wollner

Textos recentes e escritos históricos, de Alexandre Wollner, Edições Rosari - Capa

Mais uma referência muito interessante do mestre e “pioneiro” Alexandre Wollner. Em Textos recentes e escritos históricos temos uma coletânea das opiniões e discussões nos dois momentos descritos no título: Artigos e críticas de um passado próximo e entrevistas, matérias para jornais e relatórios de um passado mais distante, mais precisamente nas décadas de 1960 e 70. Wollner conta das suas experiências como aluno da Escola de Ulm, critica marcas e atitudes, fala da bandeira brasileira, de identidade visual, embalagem, cópia e até das unidades de medida. O sumário do livro:

Textos recentes:
Você percebe quando o seu comportamento é negativo?
Design ou design?
O forró dos cíceros e das paicas
Nike? What? Nike strikes agains?
Embalagem? Design? Merchandising?
O meio ambiente é outdoor! Parte 1 e 2
15 ou 21
Açúcar design, logomarca, type designer, package designer, design de resultados?
O desengano da vista é furar o olho
O poder das multinacionais
Sobre regras para concursos de identidade visual

Escritos históricos:
Minha formação
Origens do desenho industrial
Desenho industrial, uma definição
Programas de identidade empresarial
Programação visual
Marcas e outros assuntos
A emergência do design visual
Entrevista para Pietro Maria Bardi
Entrevista para Adélia Borges
Relatório do Congresso do ICSID em 1973

Textos recentes e escritos históricos, de Alexandre Wollner, Edições Rosari - Resenha

Alguns pontos do livro, de 2003, me chamaram muito a atenção por conta da aplicação no dia-a-dia e de como são atuais, principalmente os “escritos históricos”.  Em “Sobre regras para concursos de identidade visual”, por exemplo, Wollner comenta de como existem concursos de marca que são absurdos, do júri que não é formado por designers, das premiações ridículas (como camisinhas, por exemplo) e por escolhas sem fundamento de uma marca. Lembrou-me muito uma certa identidade de evento esportivo mundial que teve boa parte dessas características tão negativas…

Como no geral são textos curtos, podem ser lidos de maneira aleatória. Entretanto o mais incrível foi o capítulo que fecha a publicação, o “Relatório do Congresso do ICSID em 1973″, onde Wollner participa de congressos de design pelo mundo e entrega um relatório pro Governo Nacional contando tudo e indicando um caminho seguro pro ensino do design no país. Muitos desses problemas que temos por aqui, que viram chacotas, piadas (leia o post “Não piadas com designers“) e problemas para a profissão, foram previstos por Alexandre Wollner quase 40 anos atrás (exatamente 30 antes de lançar esse livro).

Posts relacionados:
O que é design? (Com trecho de Escritos recentes e escritos históricos e vídeo de Wollner definindo design)
Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil
(livro + DVD)

B de Bodoni – Claudio Ferlauto

B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Mais um livro da coleção “Qual é o seu tipo” das Edições Rosari. Aliás, um belo livro. Fininho, rápido e gostoso de ler, e com preço acompanha sua dimensão física: é bem baratinho, entre 10 e 20 reais.

Nessa publicação, Cláudio Ferlauto dá um breve contexto histórico, passa pela Coluna de Trajan, pelas solicitações de Carlos Magno (742-814), fala de Didot, da Baskerville, Walter Gropius…  detalha, explica, comenta aplicações desses famosos tipos, como no Manuale Tipografico, de Giambattista Bodoni. Tudo bem ilustrado, como nessa página que tem os “A” maiúsculos da Bodoni, Baskerville, Garamond e uma manuscrita feita com pincel chato.

Exemplo de interna do livro B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Outra parte bem bacana e curiosa são as comparações das diversas versões da Bodoni, que até podem parecer sutis, mas em algumas letras é bem perceptível, como no “R” maiúsculo e suas terminações em “gota” ou não. E qual seria a Bodoni mais fiel de todas? No livro tem, também :)

Na mesma linha desse livro tem também o Tipografia Comparada, do designer e tipógrafo Claudio Rocha.

E você, gosta da Bodoni? A utiliza em seus projetos?

O que é design?

Reuni respostas em livros pra essa pergunta, talvez a mais debatida e menos respondida nos cursos de design.

O que é design? Por Alexandre Wollner

O pioneiro do design no Brasil definiu design no livro “Textos Recentes e Escritos Históricos“, das Edições Rosari, página 91:

“Uma definição de design… É muito difícil, porque a evolução da linguagem, dos elementos técnicos é tão rápida que se fala de uma coisa hoje e ela é diferente amanhã. Mas a gente pode dizer que é dimensionar uma estrutura onde todos os elementos visuais nos vários meios de comunicação visual. Não é só fazer uma marquinha sem se preocupar com o comportamento que essa marca vai ter em todo o contexto, não só da indústria, mas também da comunicação visual. Ela precisa estar baseada em toda uma estruturação e prever aplicações bastante coerentes. Essa  é a proposta do design, que não está preocupado com a estética, mas com a função, com materiais, com a ergonomia visual, com aplicações planas e não planas. Deve saber, por exemplo, como uma embalagem redonda se comporta, como ela pode ser fragmentada e como a públicidade vai ser usada dentro dessa estrutura. Um trabalho de design gráfico deve durar no mínimo vinte a trinta anos, Um logotipo não perde a atualidade, e a potencialidade está em torno desse sinal, desse elemento”.

Já no livro+DVD da Cosac NaifyAlexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” (leia o post) tem um capítulo guardado só pra essa questão. O video a seguir é desse DVD, cedido gentilmente pela sua produtora, a Tecnopop (www.tecnopop.com.br)

O que é design? Por Beat Schneider

O professor de história da cultura e do design define design em sua obra “Design – Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico”, página 197, da Editora Blücher:

“Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores”

O que é design? Por Helena Katz

Do capítulo Corpo, design e evolução, no livro Disegno. Desenho. Desígnio, da Editora Senac:

“Design é a organização das partes de um todo, de um modo que os componentes produzam o que foi planejado. Só que esse arranjo é sempre improvável, seja o design de algo extraordinário ou não. E isso ocorre porque o número de modos pelos quais as partes podem ser combinadas é excessivo. Cada arranjo não passa de uma quantidade enorme de possibilidades. Ou seja, cada arranjo realizado é tão improvável quanto todos os outros, não realizados.”

O que é design? Pelo Dicionário Michaelis

(dizáin) sm (ingl)
1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento.
2 O produto deste planejamento.

O que é design? Pelo Dicionário Houaiss

Rubrica: desenho industrial.
1. a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
2. Derivação: por metonímia.
o produto desta concepção
3. Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
m.q. desenho industrial
4. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho-de-produto
5. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. programação visual
6. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho (‘forma do ponto de vista estético e utilitário’ e ‘representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais’)

Locuções
d. gráfico
Rubrica: desenho industrial, artes gráficas.
conjunto de técnicas e de concepções estéticas aplicadas à representação visual de uma idéia ou mensagem, criação de logotipos, ícones, sistemas de identidade visual, vinhetas para televisão, projeto gráfico de publicações impressas etc.

Etimologia
ing. design (1588) ‘intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico’, do lat. designáre ‘marcar, indicar’, através do fr. désigner ‘designar, desenhar’; ver sign-

O que é design? Por Mônica Moura

Na página 118 do livro “Faces do Design” (leia o post) das Edições Rosari, a designer, artista plástica, mestre e doutora Mônica Moura define:

“Design significa ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir. Criar, desenvolver, implantar um projeto – o design – significa pesquisar e trabalhar com referências culturais e estéticas, com o conceito da proposta. É lidar com a forma, com o feitio, com a configuração, a elaboração, o desenvolvimento e o acompanhamento do projeto”

O que é design? Por Vilém Flusser

Em “O mundo codificado“, da Cosac Naify , o autor define primeiro a palavra design como verbo e substantivo, na páigna 181:

“Em inglês a palavra design funciona como substantivo e verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa entre outras coisas: ‘propósito’, ‘plano’, ‘intenção’, ‘meta’, ‘esquema malígno’, ‘conspiração’, ‘forma’, ‘estrutura básica’, e todos esses significados estão relacionados a ‘astúcia’ e a ‘fraude’. Na situação de verbo – to design – significa, entre outras coisas ‘tramar algo’, ‘simular’, ‘projetar’, ‘esquematizar’, ‘configurar’, ‘proceder de modo estratégico’. A palavra é de origem latina e contem em si o termo signum, que significa o mesmo que a palavra alemã Zeichen (‘signo’, ‘desenho’). (…) ”

Depois, Flusser explica o que se tornou o vocábulo design, na página 184:

“(…) design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, conseqüentemente, pensamentos, valorativo científico) caminham juntas, com pesos equivalente, tornando possível uma nova forma de cultura”

O que é design? Por Lucy Niemeyer

O livro da Editora 2ABDesign no Brasil: Origens e instalação” tem um capítulo só pra origem e significado do termo design. Na introdução do capítulo a Doutora Anamaria de Moraes cita a própria Lucy definindo design:

“(…) ao longo do tempo o design tem sido entendido segundo três tipos distintos de prática e conhecimento. No primeiro o design é visto como atividade artiística, em que é valorizado no profissional o seu compromisso com artífice, com a fruição do uso. No segundo entende-se que o design como um invento, um planejamento em que o designer tem compromisso prioritário com a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica. Finalmente, no terceiro aparece o design como coordenação, onde o designer tem a função de integrar os aportes de diferentes especialistas, desde a especificação de matéria-prima, passando pela produção à utilização e ao destino final do produto. Neste caso a interdisciplinaridade é a tônica. (…) estes conceitos tanto se sucederam como coexistiram, criando uma tensão entre as diferentes tendências simultâneas.”

O que é design? Por John Heskett

Citado por Dan Saffer, no livro Designing for Interaction – Creating Smart Applications And Clever Devices, editora New Riders, página 6:

“Design is to design a design to produce a design”*

* Pela brincadeira e pelo trocadilho com o termo design, eu não poderia traduzir essa definição para não perder o sentido

___

A intenção é sempre atualizar esse post com as definições que cruzarem meu caminho. Mas me diga, você tem alguma definição pra o que é design? Discorda de alguma das que eu selecionei? Então deixa nos comentários! :)

Post relacionado

Função do design x função do designer

Faces do Design

Faces do Design - Capa

Eu estava no segundo ano do Curso Superior de Design Digital, em 2003, quando os professores da instituição que eu estudava, a Universidade Anhembi Morumbi, lançaram o primeiro livro da série Faces do Design (depois lançaram o Faces do Design 2), pela Edições Rosari, mas só fui estudar o livro todo há pouco tempo. Uma pena. Os oito textos, um de cada  professor, informam e opinam a respeito de história do design, arte, hipermídia e tipografia.

Os capítulos:
O processo de criação em expressão tridimensional, por Adriana Valese
Bauhaus – um pouco da história de um projeto pedagógico, por Ana Lúcia Ribeiro Lupinacci
Tékne e design: uma relação entre o conceito aristotélico de arte e o conceito contemporâneo do design, por Carlos Alberto Barbosa
Tipografia experimental, por Cecília Abs
A influência do objeto industrial na arte, por Gisela Berlluzzo de Campos
Texto na web, por Marcelo Prioste
Design Digital: universo da cultura e da hipermídia, por Mônica Moura
As fronteiras entre o design e a arte, por Priscila Arantes e Jorge Luís Antonio

Faces do Design - Quarta capa

Mesmo um texto mais datado como o de “Texto na Web” tem seu valor pois foram escritos entre 2000 e 2001. Os valores atribuídos e questionamentos sobre o uso do Macromedia Flash e da popularização da internet banda larga nos fazem perceber como os interesses e preocupações com os projetos eram muito diferentes dos atuais. Os demais textos não tem “data de validade” e questionam e estudam pontos interessantes, como o valor e importância da referência na hora de desenvolver um projeto, como o design e a arte podem andar mais próximos para beneficiar um ao outro, como era a Bauhaus e qual a função do seu projeto de ensino, a riqueza da relação design e tecnologia etc.

Acredito que os textos atinjam diversos públicos-alvos no campo do design, desde estudantes, profissionais da área e professores (ou aspirantes de), pois os estudos e pesquisas envolvem diversas disciplinas e possuem diferentes níveis de aprofundamento.

Tipografia Comparada [Claudio Rocha]

Tipografia Comparada - Capa

Acredito que todo designer, uma vez na vida pelo menos, procurou detalhes nas tipografias favoritas para reconhecê-las e saber diferenciá-las entre tantas outras. É uma haste diferente aqui, uma barra horizontal mais esticada ali, uma perna mais grossa acolá. Aí chega o Claudio Rocha e “estraga a brincadeira”! Em mais espetacular de seus livros, o Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas ele detalha praticamente letra por letra de cada uma dessas tipografias, maiúsculas e minúsculas. Além do tipógrafo, ano, typefoundry e variações, também pode-se encontrar comparações entre a “mesma” fonte, mas criadas por typefoundries diferentes,   como a ADOBE Garamond e a ITC Garamond, por exemplo.

O livro é dividido em serif, slab serif e sans serif. Além das 108 fontes comparadas, tem também uma relação de anatomia das fontes, com todas as partes dos tipos nomeada.

Alguns exemplos:

Tipografia Comparada - Interna 1

Tipografia Comparada - Interna 2

Tipografia Comparada - Interna 3