Designices

Operador de Linotype, 1943, Texas

Sou completamente louco por essas máquinas. Nunca canso de assisti-las funcionando e de pegar rapidinho as linhas de texto ainda quentes que saem enquanto são operadas. É o barulho, o caminho das letras voltando, o chumbo quente… Bom, é tanta coisa que me atrai nessa geringonça que nem sei mais. Só sei que é apaixonante e cada fase do processo é essencial. Nas minhas incansáveis buscas sobre material a respeito, dessa vez ao acaso, encontrei fotos bacanas de operadores de Linotype nos Estados Unidos e fiz uma seleção delas das décadas de 1900 e 1940.

Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, abril de 1942, Illinois Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, 1902, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operador de Linotype, 1942, Nova York Operador de Linotype, 1943, Texas

Essas fotografias vieram do Library of Congress

Pra que curte Linotype, também pode ver um catálogo gigante e incrível dos anos 1930 e o manual de operação brasileiro dos anos 1940

O Mecanismo da Linotype [1940]
O Mecanismo da Linotype - Folha de rosto
O Mecanismo da Linotype Me surpreendi tanto com o gigante e imponente catálogo LINOTYPE Faces, dos anos 1930, que resolvi investigar mais documentações dessa incrível máquina. Foram nessas investigações que encontrei esse manual, originalmente lançado em 1936 e essa tradução, em 1940, pela LINOTYPO do Brasil S.A.

É muito interessante ver a máquina funcionar, diria que apaixonante e dá vontade de ter uma em casa – no meu caso no apartamento [???]. Mas quantidade de detalhes que ela tem, o número de peças, encaixes, parafusinhos é de se espantar. É como o mecanismo de um relógio, só que com mais de uma tonelada e pra lá de dois metros de altura. Esse guia de como operar a LINOTYPE em formato de bolso, pelas marcas de manuseio, deve ter sido bem usado para resolver os problemas que com certeza ocorreram. Triste imaginar essas máquinas sendo transformadas em sucata quando as gráficas foram trocando as LINOTYPES por outros recursos. E muitas foram. Dá pra imaginar a complexidade que é para operar e arrumar só de olhar o sumário:
O Mecanismo da Linotype - índice

O Mecanismo da Linotype - índice

É interessante lembrar que a composição tipográfica manual é uma fonte de medidas, todas misturadas e coitado de quem tem que fazer os cálculos. O Alexandre Wollner, inclusive, fala disso no livro Textos recentes e escritos históricos. O caracter propriamente dito é medido em pontos, os espaçamentos podem ser medidos em cíceros, as folhas de papel em milímetros, por isso que o manual Mecanismo da LINOTYPE inclui essas tabelas, para consulta e valores prontos convertidos:

O Mecanismo da Linotype - Medidas
O Mecanismo da Linotype - Medidas

E detalhes, muitos deles, nomes e especificações em diversas peças da LINOTYPE:

O Mecanismo da Linotype - Detalhes

Com tamanha complexidade, também vale ter um guia para descobrir qual o motivo da matriz ter ficado defeituso:

O Mecanismo da Linotype - Defeitos nas matrizes

E um exemplo de linha gerada pela LINOTYPE, com a url do blog:

Linha de LINOTYPE: www.designices.com

Quem quiser ver uma LINOTYPE funcionando e ter uma linha dessas pode procurar a Oficina Tipográfica São Paulo [OTSP] ou ver o post com fotos de quando fizemos o curso do módulo 1 [cartão de visita] e módulo 2 [cartaz tipográfico].

 

Que a LINOTYPE é a máquina que mais me deixou impressionado, isso  não tenho dúvidas. O que eu não sabia é que o catálogo de famílias de fontes pra ela era quase tão incrível quanto. E ele não somente parece gigante nas fotos. Ele é mesmo, de dimensão e peso que fica complicado segurar com uma só mão.

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Algumas fotos da placa de indentificação da LINOTYPE e de como são as letras nela:
Placa de identificação de uma LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

A LINOTYPE e suas fontes, além desse catálogo (que infelizmente não encontramos a data de publicação) pertencem e foram fotografados na Oficina Tipográfica São Paulo.

Sempre voto na quebra brusca de padrões, maneiras e suporte para potencializar a capacidade de “criar coisas diferentes”. Depois de tanto tempo “só trabalhando com internet”, achei um curso incrível de composição tipográfica manual, juntei mais sete amigos e passamos um sábado inteiro na Oficina Tipográfica São Paulo, que fica na Rua Bresser, 2315, quase esquina com a Avenida Alcântara Machado (mais conhecida como Radial Leste), em São Paulo.

Fizemos o primeiro módulo, conhecemos os tipos, aprendemos a identificar, medir, montar, entintar e imprimir uma gravura criada pelo grupo. Também fizemos um cartão de visita com tipos móveis de madeira e metal junto de uma linha com o e-mail ou o site gerada numa linotipo dos anos 1940, operada e reparada por profissionais que atuaram em gráficas de jornais importantes na época da ditadura. Cada um ganha 50 cartões de visita em papéis especiais de cores diferentes e a linha da linotipo. Veja alguns trabalhos no Flickr da Oficina Tipográfica.

Quem dá a aula é o Marcos Mello, que eu já conhecia da Anhembi Morumbi. Além de formado num curso profissionalizante em artes gráficas na escola alemã Waldorfschulen, ele tem formação universitários nas áreas de arte e pedagogia, pós-graduação em design gráfico, mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Faculdade Presbiteriana Mackenzie e ainda tá fazendo doutorado em História Social na USP.

Algumas fotos do curso:

Tipo em madeira - Letra DMarcos Mello, lecionando o Módulo I de composição tipográfica manualOficina Tipográfica São PauloLinotipo dos anos 1940Original HeiderlbergEntrelinhasAdornos tipográficos antigosCartões de visita tipográficosRogério Fratin e Marco MoreiraMeu cartão de visita tipográfico, pouco antes de passar pela primeira prova

Esse primeiro módulo do curso tem preço mais que justo, dura um sábado (das 8:30 – 17:00, com material didático, café da manhã e almoço incluídos). Estou fazendo o segundo módulo, de cartaz, logo posto aqui também. Quem quiser saber mais pode acessar os cursos da Oficina Tipográfica ou enviar e-mail para mello@oficinatipografica.com.br. Uma boa dica é arrumar uma turma e falar com o Marcos. Geralmente rola um bom descontinho pra todos.