Manual do Freela

Quando comecei a ler esse livro da Editora 2AB e escrito pelo André Beltrão, ótima indicação da Renata Storck, imaginei que se tratasse apenas de um bom livro para quem tá começando. Aí comecei a lembrar das tremendas vaciladas que eu presenciei e que amigos me contaram que empresas deram na hora de cobrar os jobs e mudei de ideia: O livro é pra todo mundo que pretende cobrar por design nem que seja uma única vez na vida. E quem nunca teve problema em dar preço a um projeto?

O autor trata de tudo, desde os gastos para o desenvolvimento do trabalho, manutenção do computador, conta telefônica, motoboy, aluguel até os possíveis ajustes de layout, controlando o tempo e calculando o valor das horas, tudo com base em quanto o profissional espera receber por mês (e não tabelas de preços utópicos que rolam por aí). E é tudo, bem explicado, com passo-a-passo quando necessário, tem até as tabelas em Excel para facilitar todo o processo e evitar jogar horas de trabalho fora sem perceber (e sem receber!). Como o autor deu várias palestras sobre esse assunto (e disso nasceu o livro), os exemplos que ele conta são todos reais.

Reposicionamento “por posicionamento”

Saber cobrar e se posicionar já arruinou muita empresa de design por aí. Numa dessas milhares eu trabalhei. E eu tive a sorte de lá conhecer muita gente boa, competente. Era uma agência basicamente de e-learning, 45 funcionários, bem instalada, onde o carro chefe eram treinamentos on-line integrado com sistemas de banco de dados complexos, mas também fazíamos sites, hotsites e portais. De lá também saiam materiais impressos, desde livretos até jogos de tabuleiro. Ah, tinham só clientes grandes: bancos multinacionais, redes de hipermercados, rede de lojas de roupas femininas, tudo pra dar certo. Menos a cabeça da dona. Quando eu entrei lá a empresa era vista como o lugar que resolvia os projetos de modo interessante, bem realizados e com prazo e orçamento condizentes. Aos poucos isso mudou. Talvez “aos muitos”.

Me lembro da noite que trabalhávamos e a dona veio feliz da vida, rindo à toa e contando:
– Ah, ganhamos mais uma concorrência! Dessa vez pro Banco XXXXXXXXX!

E contentes perguntamos algo como:
– Nossa, Fulana, que bom! Como ganhamos?

Ela riu de novo, orgulhosa e disse:
– Ganhamos no preço e no prazo! Ah! O segundo que mais se aproximou da gente tava cobrando CINCO VEZES o nosso preço. Ninguém entende como conseguimos fazer com tanta rapidez e cobrar tão pouco!

Mas os funcionários sabiam. E era óbvio: Trabalho porco, varando noites, voltando 500 vezes. E claro, ela ia cobrar R$10.000 por algo que valia pelo menos R$ 50.000. E tava feliz. Por causa desse posicionamento, que também obviamente piorou com o passar do tempo, a empresa foi reposicionada na cabeça dos clientes (que sobraram, os principais foram saindo…): Virou a empresa que resolvia tudo de maneira imunda, cobrava pouco e só ia pegar o resto do resto do que sobrasse de trabalho, ou seja, só coisa chata, ruim. Pouco tempo depois não tinha mais ninguém bom lá. Tudo isso por falta de querer se organizar e pensar um pouquinho com o lápis e o papel na mão. É o mínimo, eu sei, mas muita gente não faz. É o que o livro fala.

E você, conhece algum caso desses, de absurdos na hora de cobrar um job?