“Chegou a hora do Design Thinking” ou “prá você que fica de mimimi na internet”

Mimimi

Um, dois, três, duzentos. Em poucos minutos. É assim que tenho visto o número de comentários e posts nas redes sociais principalmente sobre questões políticas, como a falta d’água que acontece aqui em São Paulo. É tão tentador reclamar de tudo, as vezes me pego envolvio com mimimizagens, também. Não tenho os números nem pesquisei cientificamente a respeito, mas posso assegurar que são milhares de horas utilizadas para fazer comentários em portais de notícias e declarações mimadas no Facebook, Twitter, Whatsapp e quaisquer outras plataformas. São milhares, milhões de pessoas se juntando pra… RECLAMAR. E não é reclamar na porta da Prefeitura de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes ou qualquer outro lugar que poderia trazer algo em troca. É “na internet”. Sabe o que adianta fazer todo esse mimimi? Eu respondo, sem piedade nem pudor: NADA. É, isso mesmo, absolutamente NADA.

Do outro lado, há alguns anos, a cultura de inovação tem sido aproveitada por muitas organizações no Brasil e no mundo. Mudanças disruptivas aparecem. São diversos escritórios de extrema competência (como a Design Echos / Escola de Design Thinking, a Live | Work, a IDEO…) que implementem ferramentas para explorar a criatividade, o Design Thinking, a Confiança Criativa (ou Creative Confidence) nos mais diversos segmentos: para alavancar os lucros de uma empresa, para resolver o problema de um aparelho de ressonância magnética que faz crianças precisarem ser sedadas para realizar o exame, otimizar o tempo fazendo compras pelo smartphone em prateleiras impressas na estação do metrô, criando filtros de água para povos extremamente problemáticos da África e tantos outros. O Design Thinking une as pessoas das mais diferentes áreas (e só vai funcionar num esforço coletivo), potencializa as ideias de todos, quebra barreiras criativas e abre um novo universo de exploração para todos os envolvidos. E não importa se é para resolver um problema de uma igreja, de uma parada de ônibus, de um equipamento de pesca ou pra melhorar a experiência de alguém com algo, o Design Thinking está disponível e pode (ou seria DEVE?) ser usado.

Voltando aos mimimizentos digitais: Se 10% de todo esse esforço de mimimi fosse convertido em ações conjuntas com objetivo de propor soluções para o problema da água ou qualquer outro da cidade, tenho certeza que muita coisa boa nasceria daí. E seria feita, realizada, colocada em prática e os frutos colhidos. Mudaria a realidade que tanto incomoda tanta gente, bem diferente de toneladas de bytes jogados ao léu.

Aguardo ansioso pelas reclamações nos comentários 😉

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser]

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Capa

O design thinking e os meios de inovação aplicados aos negócios têm se provado cada vez mais eficazes e imprescindíveis para as empresas que analisam o que ocorre no mundo, desejam mudar a mentalidade dos corpo de funcionários, como são vistas no mercado e, pode-se dizer, evoluir. Evoluir, sim. A humanização dos processos atinge cada vez mais áreas e quem tem feito coisas realmente interessantes por aí tem perdido o comportamento quadrado e tradicional. A novidade agora é buscar a novidade. É só olhar quantas startups aparecem por aí e buscam atender os nichos, algum momento do dia, suprir algo que atrapalha um pouquinho ou um montão o cotidiano. Isso é traduzido com serviços pra população, como aplicativos para smartphones, bicicletas grátis em programas junto aos bancos (é, até os bancos, “quadrados” como são, estão cada vez mais dentro desses processos), projetos sustentáveis, ONGs, projetos que vivem das Caudas Longas. Nesse cenário, claro, as publicações sobre os processos de design thinking aumentaram significativamente. Ainda bem.

Algumas traduções importantes chegaram ao Brasil, como o Design De Negócios (do Roger Martin) e o Design Thinking (do Tim Brown), além do tupiniquim Design Thinking Brasil (ou DTBr, do Tennyson Pinheiro e o Luis Alt, da LiveWork), todos pela Campus Elsevier. Em todas essas publicações são abordados bons exemplos de inovação, processos criativos e essas aplicações que geraram bons, ótimos negócios.

Design Works [Heather Fraser]De qualquer modo, a aplicação das ideias e ferramentas inovadoras é bastante prática. Os estudos podem sair de ações práticas, os produtos, tudo. Aí vem aquela imagem na cabeça de quilos de post-its grudados em quadros, pessoas sentadas em roda, escritórios coloridos etc. Esses ambientes e essas abordagens são propícias pra trabalhar com esse tipo de ação inovadora, mas restava saber pelas literaturas do tema como e quais eram as ferramentas utilizadas durante os processos práticos do design thinking. É nessa linha que entra o livro Design Para Negócios Na Prática – Como Gerar Inovação e Crescimento Nas Empresas Utilizando o Business Design (do original Design Works – conheça o site em inglês), da Heather Fraser. A autora, aliás, que é pupila do Roger Martin que citei anteriormente e que escreve o prefácio dessa obra.
O sumário:

PARTE I
A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS (BUSINESS DESIGN)
PANORAMA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS – Criando, entregando e sustentando valor
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO -Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia
PREPARAÇÃO PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
TRANSFORMAÇÃO – Incorporando o Design para Negócios na empresa

PARTE II
FERRAMENTAS E DICAS PARA A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS
LISTA DE FERRAMENTAS E DICAS
PREPARANDO-SE PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO – Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia

A autora usa uma metáfora para os capítulos como as marchas de um carro: uma engata na outra e o veículo desenvolve coerentemente. E nada de pular marchas! Na PARTE I tem alguns exemplos e definição do design de negócios, o básico para seguir. A PARTE II, que corresponde a mais da metade da publicação e é pra mim o grande trunfo da autora, é repleta de ferramentas da aplicação do conteúdo, uma a uma, explicadinha porque é importante e como fazer.

Nota 1: Essa obra foi “revisada” pela Symnetics, uma empresa de Business Design. Eu li antes a publicação original em inglês (como parecerista desse livro) e não vi nenhuma necessidade das intervenções feitas. Da mesma forma, inclusive, que ocorre com o Design de Negócios, do Roger Martin. Nada que influencie na versão em português, nem positiva e nem negativamente.

Nota 2: A capa da edição brasileira ficou muito mais bonita do que a original e o título é mais específico do que simplesmente “Design Funciona” ou algo assim. De qualquer modo acho que vale a pena a Campus Elsevier dar uma olhada com carinho na mancha de texto e entrelinha/entreletras desse livro. Talvez um ajustezinho possa ajudar. Nada GRAVE, mas podemos melhorar, né?

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Verso

E você? Participa de eventos, palestras, workshops de design thinking? Aplica na prática os conceitos?