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O Amigo da Onça (1943-1961), por Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

Um dos primeiros contatos que tive com a linguagem de HQs foi com certeza O Amigo da Onça (o outro foi nas revistas do Fantasma), num livro que meu pai comprou nos anos 1970 e que me explicava as piadas sarcásticas, desnecessariamente sacanas e politicamente incorretas do personagem do cartunista Péricles, que saíam na revista O Cruzeiro e faziam o maior sucesso. Mais algumas das charges do malandro carioca:

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

Todas as imagens das charges foram fotografadas da edição especial Nostálgica do Cruzeiro de O Amigo da Onça:

O Amigo da Onça, de Péricles

Pra quem quer saber um pouquinho mais…

Péricles (Péricles de Andrade Maranhão) nasceu em Recife em 1924 e muito novo, aos 17, foi tentar se aventurar desenhando profissionalmente. Deixou sua cidade e foi para o Rio de Janeiro. Participou das revistas O Guri com seu personagem “Oliveira, o Trapalhão“. Na revista A Cigarra desenhava os quadros “Cenas Cariocas“, “Miriato, o Gostosão” e o próprio “Oliveira“. Mas nenhum desses chegou próximo do sucesso que fez O Amigo Da Onça, que foram desenhados (pelo seu criador) de 1943 até 1961 na revista O Cruzeiro e eram, segundo as pesquisas, a seção mais lida e adorada de todas. Crianças, adultos e idosos se divertiam com o personagem que foi encomendado para expressar na época a essência cotidiana do Rio de Janeiro para todo mundo, inclusive que não morasse lá. Péricles se suicidou em 1961, no último dia do ano, se trancou em casa e deixou o gás ligado. Infelizmente não tem quase nada publicado sobre o ilustrador. Editoras, cadê vocês nessa hora?

E você, lia algo diferente do convencional quando era criança?

Gustavo Piqueira

É comum saber o nome de bons profissionais da área de branding, outros bons escritores, outros bons ilustradores, bons tipógrafos, designers que trabalham com embalagem… Difícil é encontrar caras como Gustavo Piqueira, que faz tudo isso com qualidade invejável.

Hoje Gustavo Piqueira é o líder da Casa Rex, uma “casa de design” como eles gostam de chamar com bases em São Paulo e Londres. Ele é designer gráfico e possui o maior número de premiações em toda a história das Bienais da ADG de design gráfico: 48 prêmios. Além desses todos, Gustavo Piqueira tem prêmios internacionais, como o Communication Arts Design Awards, AIGA 50/50, How Design Awards, Pentawards e Rebrand100. Mas dá uma conferida antes de contar “só com esses”, é provável que ele tenha ganhado algum outro :D

Gustavo Piqueira também desenvolve alfabetos, inclusive alguns distribuídos pela T26 (ver as fontes de Gustavo Piqueira no T26) e algumas grauitas no próprio site da Casa Rex, categoria “Design Experimental”. E não acaba aí: Gustavo também ilustra livros infantis e é autor de dez livros, de diversos assuntos. Um deles  já foi citado aqui, é o Morte aos Papagaios, que só pela ousadia do nome desse pra um livro de design gráfico (e ele explica o porquê disso), merece ser lido.

Atualmente Gustavo Piqueira (além de tudo isso) coordena uma coleção de filosofia clássica que vai ser lançada pela WMF Martins Fontes.

A seguir alguns trabalhos desse grande (e bastante híbrido!) designer brasileiro:

Cartaz para a Feira de Livros da USP

Cartaz para a Feira de Livros da USP Cartaz para a Feira de Livros da USP Cartaz para a Feira de Livros da USP

Livro Nosso Filme - Capa

Livro Nosso Filme - Interna
Livro Nosso Filme - Interna
Livro Nosso Filme - Interna

Morte aos Papagaios [Gustavo Piqueira] - Capa

Marlon Brando [Gustavo Piqueira] - Capa

Coadjuvantes [Gustavo Piqueira] - Capa São Paulo Cidade Limpa [Gustavo Piqueira] - Capa
A Vida Sem Graça de Charllynho Peruca [Gustavo Piqueira] - Capa Diários Descobertos [Gustavo Piqueira] - Capa

Alfabeto Cabourg, de Gustavo Piqueira

Capas dos livros da Coleção Clássicos Saraiva, criadas por Gustavo Piqueira

Box do livro "Escrito sobre Jade", projeto gráfico de Gustavo PiqueiraCapas de livros da Coleção Linguagem, projeto de Gustavo Piqueira

Essa pequena biografia junto das lindas imagens dos trabalhos só foi possível por causa da boa vontade do próprio Gustavo Piqueira, que me atendeu com muita prestatividade e rapidez. Obrigado!

Links:
www.casarex.com.br
http://blog.casarex.com.br
http://twitter.com/casarex
Livros/Textos: http://gustavopiqueira.wordpress.com

Mônica: A criação do personagem brasileiro

O Maurício de Souza, sem dúvida, tem uma carreira brilhante: Soube dar identidade e personalidade às suas criações, foi e é admirado por diversos nomes dos mais importantes das histórias em quadrinhos mundiais, soube fazer seu trabalho principal e empreendedor muito bem, tem fama internacional (talvez até muito mais do que imaginamos…) e tudo começou, no caso da Turma da Mônica, com inspiração na sua filha.  E é essa força, a carreira e as mudanças da Mônica e sua turma que estão estiveram na exposição “Mônica: A criação do personagem brasileiro” (QUE ACABOU), assim como as versões ao redor do mundo e as interpretações das personagens por outros grandes e renomados ilustradores.

Tem a capa da primeira revista da Mônica e a sua turma, do comecinho da década de 1970:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Entre outras esculturas, a que mais me chamou a atenção foi a do “Cebolinha, o Pensador”, logo na entrada:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Essa é a Mônica original, filha do Maurício de Souza, segurando o coelho de pelúcia:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

O processo criativo do Maurício de Souza, nos traços simplificados e peculiares de sua personagem mais famosa:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

E Turma da Mônica em vários idiomas:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

O “encontro” da Mõnica real e a Mônica dos quadrinhos, na Folhinha de São Paulo de 1964:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Mônica pelo mestre Will Eisner, encontrando Spirit:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Maurício de Souza com ilustradores estrangeiros, como os criadores da Hello Kitty e do Garfield:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Mõnica no Rio, por Milo Manara:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Vimos essa exposição no Sabadão Cultural e o Marco documentou em seu blog (leia o post) e me cedeu uso de todas as fotos que tirou (veja seu Flickr, vale a pena!)

A exposição fica até o dia 27 de setembro no Espaço Cultural Citi:
Av. Paulista, 1111, térreo, (11) 4009-3000 (ver mapa do local)
Segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas
Entrada GRATUITA

História da Tipografia no Brasil

Capa do livro História da Tipografia no Brasil

Sempre ouvimos falar da história da Garamond, Times, Helvetica, dos cartazes construtivistas russos, das belas composições da Bauhaus, entre muitos outros. A maior parte dos livros que temos acesso trata de designers gringos e de ótimos trabalhos projetuais pelo mundo. Mas e aqui na terra Tupiniquim, como essa ‘coisa toda’ aconteceu?

Infelizmente nas livrarias temos poucas coisas que falam diretamente das origens do design brasileiro. O “Design brasileiro antes do design”, de Rafael Cardoso, é um deles. Mas é fora das lojas de livros (novos) que podemos encontrar essa maravilha de publicação do MASP, no final dos anos 1970: A História da Tipografia no Brasil trata em 18 páginas (de texto) um pouco dos primórdios do uso de tipos móveis em território nacional brasileiro contextualizado pelo que acontecia no exterior, fala da repressão que era evidente na época (afinal, o meio mais forte da difusão de ideias eram os impressos). As outras mais de 240 páginas são de referências das publicações da época. E haja referência! São anúncios reais, decretos, certificados, capas de livro, receitas e uma infinidade de outros. A base das imagens é a partir de 1808, quando chegou no Brasil a família real e “trouxe” a Imprensa Régia.
Alguns exemplos das páginas e das imagens:

Folha de rosto do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de página interna do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Ilustração do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Atualmente é difícil encontrar esse belo livro por menos de R$ 80,00 nos sebos, mas vale uma boa vasculhada. Dá pra tentar também online, no site Estante Virtual e também no Mercado Livre.

Design brasileiro e identidade nacional

Junto com a longa discussão de designers versus micreiros, a procura da identidade nacional ou o design autêntico brasileiro foram temas que tomaram muitas e muitas aulas durante minha graduação, entre 2002 e 2005.
Ok, aceito que é a partir de discussões que a gente resolve (quase) tudo. Só que mais uma vez (a outra era com os micreiros) encontrávamos “papagaios” que sempre repetiam as mesmas coisas. E todos resolviam cobrar a “cara do design brasileiro”. Acho que chegou a hora de perceber que nem todo palheiro vai ter uma agulha pra você procurar.

Qual cara tem nosso design? Aliás, que cara tem o design contemporâneo da Alemanha? E da Itália? E da Suíça? Se fôssemos falar de Bossa Nova, Carnaval, samba, Timbalada e futebol, tudo bem, entendo e concordo que sim, temos algo que é só nosso, único, quase inimitável. Mas e no design? Dá?

Eu duvido. Duvido mesmo. Qual é o Brasil visto de fora? Pelé, Ronaldo Gordo e Tom Jobim? Carnaval do Rio? Baianas? Bem, na porta da minha casa na Zona Leste de São Paulo, onde fui criado, nunca vi nada disso. Nem na pracinha que eu jogava bola. Nem no colégio e nem em lugar nenhum. Você já viu? Você foi criado com todas essas referências sempre presentes?

Como nos últimos dois parágrafos eu terminei com pontos de interrogação, vou parar de criar dúvidas e começar a dar meu ponto de vista. Desde 2002 eu busco saber o que é a tal da identidade do design nacional e nunca achei. Olhava as grandes revistas, não encontrava o poder do design brasileiro, visto que a maior parte delas se inspira (até mais do que deveriam) nas suas “originais” gringas. Olhava os cartazes e não os encontrava. Os websites? Não. Esses sempre são “bem fiéis” aos seus benchmarks. Nem as embalagens, nem os livros. Nem nas aberturas das novelas da Rede Globo (isso foi uma piada!). Pensei que poderiam ser as capas de LPs da Gravadora Elenco, nos anos 1950 e 60. Quem sabe então é a coleção das Revistas Senhor. Pode ser que estejam nas ilustrações de J. Carlos. Não. Nada disso.

Talvez nesse momento você esteja pensando que existe SIM identidades bem definidas em diversos países. E vai deixar nos comentários dicas da facilidade de identificar os projetos alemães da Bauhaus ou então as tipografias suíças. Mas isso não trata da identidade alemã nem suíça e sim de escolas desses países. Elas que tiveram uma identidade. Inclusive, falando de Bauhaus, muitos dos professores foram para os Estados Unidos quando o nazismo acabou com a escola, incorporando suas experiências nos projetos que fizeram por lá. Eram projetos americanos com cara de alemães? Não. Eram com cara da Escola Bauhaus. Da mesma forma temos a “cara” da Pop Art, do Expressionismo, do anti-design do Memphis Studio.

Na editora que trabalho tenho contato com gente de todo o Brasil. De cidades próximas a São Paulo e outras muito distantes. E cada pessoa, seja da mesma cidade que eu ou não, teve suas referências e vivências. O Brasil é um país enorme, que abrange todas as classes sociais e econômicas. Tem lugar com seca e tem lugar com enchentes. Você pode num canto se incomodar com uma geada e noutro com calor 40 graus. E cada lugar tem seus valores, suas tradições e a vista das “portas de cada casa”. E nenhuma porta de casa tem as baianas, o Pelé,  o Ronaldo Gordo e nem o Tom Jobim juntos. Seria possível amarrar todas essas pontas com uma só cara? Repito: Duvido. Afinal de contas, não podemos usar  sempre e somente a paleta da bandeira pra justificar nossa identidade.Nem acho que exista um “design paulista”, um “design carioca” e nem gaúcho.

Acredito que precisamos parar logo com essa necessidade louca de ter identidade nacional e aceitar logo que somos um grande mix de coisas e, dentro dessa mistura, tem um monte de gente que tem seus próprios mixes de conteúdo. Assim como muitos outros lugares do mundo. Eu cresci ouvindo músicas que eu gostava, que minha mãe gostava, que meu pai gostava. Isso me deu vontade de vasculhar antiguidades atrás de outros sucessos e assim aprendi a reconhecer as capas dos discos desses segmentos. E eram bem diferentes das de heavy metal que alguns amigos gostavam. E diferentes por sua vez de um ou outro que curtiam o psicodelismo do Caetano. Ganhei muitas referências visuais com os filmes que assistia, bem diferente por exemplo das que minha namorada tem. E assim vai.

Acho estranho isso não ser escancaradamente assumido. Ou então quem sabe eu esteja errado. Enfim, de posts cheio de imagens os blogs de design estão cheios. Aproveita e coloca tua opinião aí nos comments, concordando ou não.

8 livros de design por menos de R$ 50 cada

Há alguns meses fiz um post de (quase) mesmo título (leia!) , mas percebi que ele ficou desatualizado em quase todos os livros. Os preços subiram, invés de 10, agora são 8, mas são muito bons, valem a pena. Aí vai uma lista atualizadíssima e claro, preços valendo apenas na data do post!

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 44,00

Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski

Livro + DVD de uma entrevistona com o Alexandre Wollner, talvez o pioneiro do design contemporâneo brasileiro. Ele fala da relação de design e arte, design e publicidade e do que está sendo produzido atualmente.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 44,90
Leia o post Livro: Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil [Um projeto de André Stolarski - Ed. Cosac Naify]

As Leis da Simplicidade, de John Maeda

O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 27,90

Do Maíz à Maizena – Um Layout de 140 Anos, de Tadeu Costa

A embalagem de Maizena sempre pareceu “igual” pra todos. E num mundo de propagandas e logos que não duram muito, como permanecer sem modificações por muito tempo (afinal, 140 anos é muita coisa, né?)? É o que Tadeu Costa explica nesse livro, rápido e gostoso de ler, além de mostrar todas as mudanças da embalagem, comerciais de TV, anúncios e calendários de receitas.

Lugar mais barato: Fnac R$ 25,50

Linguagens do Design – Compreendendo o Design Gráfico, de Steven Heller

A possibilidade da leitura não-linear e o ótimo conteúdo me agradaram bastante. O autor mostra diversos “ícones” do design e conta sua história e curiosidades, como a Suástica, o símbolo da paz, cartazes, caixas de fósforos japonesas, embalagens de aparelhos de barbear…

Lugar mais barato: Fnac, R$ 38,25

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,90

O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson

A simplicidade e inocência do Calvin nessa coletânea de suas tirinhas. Ideal pra dar aquela “quebrada” entre um livro de design e outro.

Lugar mais barato: Submarino, R$ 19,90

Projeto Tipográfico, de Cláudio Rocha

Cláudio Rocha é tipógrafo brasileiro, trabalha com isso desde 1975, é diretor da Oficina Tipográfica São Paulo (leia o post “Curso de composição tipográfica manual Módulo I – Cartão de visita” e também o “Módulo II – Cartaz” e editor da Revista TIPOITALIA, idealizador e editor da Revista Tupigrafia, entre muitas outras atribuições. Nessa publicação ele conta de características da tipografia digital e analógica, a trajetória das fontes tanto técnica quanto estética, além de comentar tipos serifados, sem serifa e manuscritos. Essa é uma reedição revisada e ampliada do primeiro livro de tipografia que li na vida :)

Lugar mais barato: 2AB Editora, R$ 33,48

Alguém tem mais sugestões nessa faixa de preço? Pode deixar nos comments :)

Arquivo Público do Estado de SP

Revista "O Echo", de 1906

Revista "O Malho", de 1906

Revista "O Pharol", de 1908

Revista "A Cigarra", de 1914

Revista "O Fazendeiro", de 1920

Fiquei muito feliz quando vi essas e muitas outras imagens em tamanho grande pra ser ver na tela (eles, infelizmente, não deixam baixar…), baixar em PDF e consultar referências visuais do começo dos anos 1900.

O Governo abriu esse acervo, segundo eles com mais de 250.000 imagens. As revistas podem ser folheadas e dá pra ler tudo (ou quase tudo), além de diversos jornais da época, anuários, fotos bem legais… Tá tudo aqui: Arquivo Público do Estado de São Paulo

Pra quem gosta do design de coisas antigas, veja a tag vintage do blog. Mas você também pode dar uma espiada nos meus posts com itens estilo rétro

Leite Moça Retro

A Nestlé aproveitou a “onda” vintage e lançou as latinhas especiais estilo retrô, daquelas que dá vontade de comprar todas. Em dois anos morando sozinho, nunca havia comprado nenhuma. Numa só vez eu comprei todas: de 1937, 1946, 1957, 1970 e 1983. Ótima sacada da Nestlé, não?

Embora o formato da lata, arredondada, não seja o da época, as adaptações ficaram bem interessantes. Ora contorno na tipografia, ora não. Ora adornos demais, ora não. Ora sem adorno algum…  Enfim, é bem interessante como referência visual dessas décadas poder compará-las e encontrar as características de cada movimento ou pensar na “época” de cada latinha. Aliás, o que aconteceu em cada uma dessas décadas?

Leite Moça retro 1937

A embalagem mantinha a cor original do produto – e não branca como as atuais (aliás, prefiro essa amareladinha). Reparem nos adornos dos ícones do Rio 1922 e na tipografia clássica utilizada.

A década de 1930 começou sofrendo pela crise econômica de 1929 dos Estados Unidos. Logo que começaram as invasões nazistas, a escola Bauhaus é fechada e os profissionais que lá trabalhavam vão para os Estados Unidos e Reino Unido. O design modernista norte-americano começou com o lançamento da revista “Advertising Arts”. Em 1932, Stanley Morisson prejetou a família Times New Roman pro jornal The Times, de Londres. O movimento Art Déco entra em ascensão. Surgiu o futurismo na Itália. No Brasil, J. Carlos prossegue com suas belas ilustrações (muitas delas bem patriotas) para as capas das revistas Fon-Fon, Rio Ilustrado e O Cruzeiro.

Leite Moça retro 1946

A Moça perde a cor vermelha e os ícones Rio 1922 ficam mais rebuscados com a cor de fundo. A tipografia “LEITE CONDENSADO” fica mais pesada e o MOÇA ganha contorno amarelo. O nome do produto começa a crescer na embalagem.

Um fato muito importante para o design nessa década foi quando o presidente norte-americano Roosevelt fundou, em 1942, o Office of War Information (OWI), para informar sobre a Segunda Guerra Mundial em diversas mídias. Para isso foram contratados muitos designers e ilustradores. Começou a “Era de Ouro” das revistas quando elas começaram a destacar o pós-guerra. O designer modernista Paul Rand publicou sua monografia/manifesto chamada “Thoughts of design”.

Leite Moça retro 1957

Os ícones Rio 1922 são simplificados, menos linhas e sem cor de fundo. O texto “LEITE CONDENSADO” ganha uma tipografia com mais curvas que dá mais contraste nas “relações grosso-fino” dos tipos, mais parecida com a da década de 1930. A palavra “MOÇA” cresce mais ainda e ganha contorno mais agressivo do que a dos anos 1940. A cor da lata passa a ser branca.

O movimento pós-guerra fica ainda mais forte na intenção de aliviar as dores das perdas causadas esse período e divulgar a comunicação visual. O primeiro satélite, o Sputinik, foi lançado em 1954, mesmo ano que Alfred Hitchcock estreiou seu filme “Disque M Para Matar” (Dial M For Murder) que tinha efeitos 3D no cinema. Ainda em 1954, Bill Haley and His Comets gravaram Rock Around The Clock, o primeiro rock do mundo. A pop-art começa em 1956 com a obra de recortes “Just what is it makes today’s homes so different, so appealing?”, de Richard Hamilton. No Brasil, mais precisamente na segunda metade da década, a Bossa Nova deu seus primeiros passos com Nara Leão, João Gilberto e toda a “turma” do Rio de Janeiro. Alexandre Wollner voltou da Escola de Ulm e estava pronto para mudar o rumo do design nacional com todos os detalhes conceituais de seus projetos e postura profissional.

Leite Moça retro 1970

Tanto o desenho da mocinha suíça quanto o nome do produto crescem para “estourar” na embalagem. Para tanto, foram reposicionados um ao lado do outro. Os ícones Rio 22 desaparecem e a imagem do ninho no logo da Nestlé aparece de background para a marca. O traço da ilustração foi simplificado e a moça não tem mais as listras no vestido

O movimento hippie, muito evidente na década anterior, perdeu suas forças (no Brasil isso apenas aconteceu na primeira metade dos anos 1980). Começou o movimento punk. Em 1971, Stanley Kubrich estreiou o filme “Laranja Mecânica” (A Clockwise Orange). Ainda nesse ano a estudante Carol Davidson criou o logotipo da Nike, o designer Milton Glaser criou a marca “I LOVE NY”. Em 1977, além da morte de Elvis Presley, George Lucas estreia o primeiro filme da série Star Wars. No último ano dessa década, o designer argentino (que mora no Brasil) Hugo Kovadloff começou a dirigir a SAO, divisão de design da agência DPZ.

Leite Moça retro 1983

A versão retro dos anos 1980 é a que resolveu apostar num tamanho ainda maior para a palavra “MOÇA”, assim como para a ilustração da mocinha (que se tornou menos rebuscada que a de 1970). Não tinha mais ícone algum, nem a marca Nestlé tão evidente.

Em 1980 nasceu o Grupo Memphis, talvez o primeiro movimento de design pós-moderno. Foi também nesse ano, mais precisamente em 23 de abril, 17:45, que nasceu o designer Rogério Fratin, hehehe! Steven Spielberg dirige o filme E.T. A partir dessa década que o design passou a ser produzido por computadores. Cores extravagantes, referência aos anos 1950 e efeitos 3D foram muito evidentes nesse período. Por falar em 3D, foi nessa década que nasceram os primeiros filmes 3d da Pixar. Os videogames e os computadores pessoais tornaram-se bem mais populares.

Alguém tem mais fatos interessantes de cada uma das décadas? Colabora aí nos comentários!

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Lata de Panettone Retro da Bauducco

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Como de costume a Bauducco lançou latas especiais para seus panettones em versão “presente de Natal”. As embalagens antigas foram o tema dessa vez. A que achei mais interessante foi essa, baseada na década de 1950, década que Carlo Bauducco trouxe o panettone pro Brasil, segundo informações na própria lata. A face principal utiliza ilustrações de rostos de crianças que foram retiradas de um caderno de receitas, sem data definida. As demais faces incluem fotografias de época (e tem imagens das décadas de 1960 e 70 também…?).

Lata de Panettone Retro, Bauducco Lata de Panettone Retro, Bauducco
Lata de Panettone Retro, Bauducco Lata de Panettone Retro, Bauducco

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10 livros essenciais por menos de R$ 50,00 cada

ATENÇÃO: ESSE POST ESTÁ DESATUALIZADO. VOU MANTÊ-LO AQUI PARA FINS DE ARQUIVO, MESMO.

FIZ UMA LISTA DE 8 LIVROS QUE SE ENCAIXAM NESSA FAIXA DE PREÇOS E PUBLIQUEI EM 8 DE MARÇO DE 2010. LEIA O POST.

Para beneficiar o bolso de todo designer e regar a cabeça com conteúdo de primeira categoria, fiz uma seleção nos livros que li, que gostei bastante, que recomendei e que não pesaram (tanto) no orçamento. Todos os preços são baseados na data do post, 22/10/2009 e tinham em estoque nos respectivos sites, depois eu não garanto, hein?

As Leis da Simplicidade, de John Maeda

O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 21,90

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,60

Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty

A editora Cosac Naify acertou em traduzir esse livro, lançado originalmente em 1986, mas que continua atualizadíssimo. Adrian Fordy trata da relação do design com a sociedade e como ela expressa seus valores, do que aconteceu com o design nos últimos 200 anos e de produtos que foram fruto de tudo isso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68

Elementos do estilo tipográfico, de Robert Bringhurst

A leitura é densa e complicada na maior parte do tempo, o oposto do Pensar com tipos, da Ellen Lupton (que só não entrou nessa lista porque na hora de subir o post, acabou o estoque da Fnac), mas pra mim esse é o mais fantástico custo-benefício livro de tipografia que contempla explicação do que é cada “pedacinho das letras”.
Lugar mais barato: Submarino, R$ 44,10

Grid: Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Já vi gente falar que é só pra design gráfico, mas eu discordo totalmente. O grid, enquanto fundamento, é único e o autor resolveu muito mostrando como layouts são criados baseados em grids e na outra metade do livro, desconstroi outros, fazendo o processo inverso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 43,47

Novos Fundamentos do Design, de Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips

Baseado na ideia que os fundamentos do design foram feitos há muito tempo, a Ellen Lupton e a Jennifer Cole Phillips os “atualizam” e adicionaram outros que a tecnologia não permitia existir.
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Todo mundo fala do design brasileiro nos anos 1960, da bossa nova, das escolas de design nacionais, mas o Rafael Cardoso mostra e comenta (quase) tudo que rolou antes, desde a época da imprensa régia em 1808. Cheio de imagens, a publicação contempla até o final dos anos 1950.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68

Não me faça pensar, de Steve Krug

Embora não seja a mais espetacular referência de usabilidade do universo, é pra mim o melhor começo. Mesmo com a diagramação terrível somada a tradução que deve muito para a original americana, o livro abre bem a cabeça e mostra diversos exemplos de como deixar os projetos mais usáveis.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,59

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
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Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski

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E vocês amigos? Têm indicações de livros nessas condições? Então coloquem nos comentários!