Designices

Capa do Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Imagina um cliente chegar pra você enquanto apresenta sua proposta de projeto e falar “Não é isso que eu quero. Eu quero que você enlouqueça”. Geralmente é o contrário que acontece, ne? Pois bem, no caso de Kiko Farkas (acesse o site dele) e a OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), foi exatamente o que aconteceu. Os responsáveis da OSESP chegaram até ele por conta das formas e das cores dos projetos da Máquina Estúdio e desse contato saíram quase 300 cartazes entre 2003 e 2007 para divulgar os concertos. “Liberdade total: o maestro não recusou de sua exigência inicial e bancou todas as nossas experiências”, conta Kiko em um dos capítulos do livro.

Além de mais 100 desses cartazes,  tem também um texto da Paula Scher (a renomada designer da Pentagram) de título “Alguns pensamentos sobre os cartazes de Kiko Farkas, de uma concorrente invejosa” onde ela assume “Este conjunto de esplêndidos cartazes demonstra a validade persistente da forma. Quisera eu tê-los feito.” e a história do projeto pelo próprio Kiko Farkas no texto “Uma brincadeira séria”. O livro segue com “Imagens da música”, por Arthur Nestroviski (que é o diretor artístico da OSESP, acesse seu site) e “Da livre natureza dos sistemas”, por João de Souza Leite (designer premiado, formado pela ESDI em 1974 e que começou sua carreira como assistente de Aloísio Magalhães).

Alguns exemplos dos cartazes musicais de Kiko Farkas:

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

Página do livro Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

E na quarta capa do livro tem um trecho do texto da Paula Scher:

Capa do Cartazes Musicais, de Kiko Farkas

O que mais me chama a atenção nos cartazes é como Kiko e sua equipe interpretaram a música graficamente e não usou nenhum elemento de referência direta à orquestra, como instrumentos, músicos, maestro ou regente com uma batuta nem pautas musicais. Espero eu, um dia, poder atender um cliente tão bacana quanto a OSESP e ter a liberdade e ousadia que eles proporcionaram ao Máquina Estúdio. Enquanto esse dia não chega, me sinto sortudo posso ver todo esse trabalho bacana no livro da Cosac Naify

Se você gosta de cartazes:

Cartazes da Primeira Guerra Mundial #1
15 cartazes vintage de cigarros Camel
10 cartazes de cigarro das décadas de 1920 a 1950
20 cartazes de filmes B dos anos 1930
20 cartazes de filmes B dos anos 1940
Cartazes “fique em silêncio” da Segunda Guerra Mundial

“O design é divertido e funcional. Utilize-o para anunciar um bazar no quintal de casa, convidar pessoas para uma festa ou dar nome à sua banda. Ponha sua marca em camisetas, ímãs, pulseiras, bolsas e capas de livros. Compartilhe seus produtos com parentes e amigos. Ao invés de comprar ou usar as marcas que você encontra nas lojas, crie a sua própria, por meio da arte do design” – Ellen Lupton e Julia Lupton, no livro Eu Que Fiz, da Cosac Naify.

“A história da tipografia reflete uma tensão contínua entre a mão e a máquina, o orgânico e o geométrico, o corpo humano e os sistemas abstratos. Essas tensões marcaram o nascimento da letra impressa há cinco séculos, e continuam a energizar a tipografia hoje” – Ellen Lupton, no livro Pensar Com Tipos, da Cosac Naify

“Ulm até hoje não é reconhecida nos Estados Unidos. Eu perguntei ao Paul Rand: ‘Por que vocês nunca falam de Ulm?’. Ele respondeu que as necessidades dos Estados Unidos eram totalmente diferentes das da Alemanha naquela época. É natural: até mesmo a Bauhaus demorou mais de trinta anos para ampliar sua presença no Ocidente, pois não foi divulgada em função da censura nazista” – Alexandre Wollner, no livro + DVD Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil, da Cosac Naify

Design shot! foi o melhor nome que encontrei (mas nem sei se é tão melhor assim)  pra definir o que quero com eles: uma  curta reflexão sobre design vinda de conteúdo escrito, citado ou falado por grandes designers e estudiosos da área. A partir dessas “rápidas” reflexões pretendo discutir via comentários (que geralmente aqui no DESIGNICES são opiniões muito ricas e fundamentadas, os leitores são ótimos! :) ), afinal nem sempre os “top designers” pensam ou agem como a gente acredita ser o certo, ou talvez, como outro “top designer”.

Nesse post especial de “inauguração da categoria”, colocarei 3 design shots!

“Grande número de livros tem design exagerado, e isso me parece um defeito pior do que a falta de design” – Mary Mendell, no livro A Arte Invisível, de Plinio Martins Filho, da Ateliê Editorial.

“Um dos princípios da tipografia duradoura é sempre a legibilidade; outro é algo além da legibilidade: é algum interesse, merecido ou não, que empresta sua energia vital à página. Ele adota diversas formas e recebe vários nomes, incluindo serenidade, vivacidade, riso, graça e alegria” – Robert Bringhurst, no livro Elementos do Estilo Tipográfico, da Cosac Naify.

“Não sabemos por quê, mas podemos demonstrar que um ser humano acha os planos de proporções definidas e intencionais mais agradáveis ou mais belos do que os de proporções acidentais” – Jan Tschichold, no livro A Forma do Livro, da Ateliê Editorial

Conversas com Paul Rand, capa, livro da Cosac Naify

Acho que não poderiam encontrar título melhor pra esse belo livro da Cosac Naify. Conversas. Foi assim que me senti enquanto lia essa publicação. É como ouvir um papo bacana de alguém que tem bastante coisa legal pra falar e você ali, de ouvinte. O papo flui, fica cada vez mais interessante e quando você vê, “plim”, acabou o livro. E valeu cada palavra.

Paul Rand (1914-1996), um dos maiores nomes do design do século passado, além de deixar sua imensa galeria de ótimos projetos , também deixou uma gama de textos, artigos, livros e deu muitas aulas/palestras de design. E são papos desses, que tratam do ensino do design, que estão nesse livro. São dois papos com Paul Rand: no primeiro ele debate, opina, explica e questiona professores universitários de design. No segundo ele fala com alunos numa aula, pergunta, os intriga,  e responde suas dúvidas. Depois das conversas, ainda tem alguma história bacana (no formato de depoimento) que envolve grandes nomes junto de Paul Rand, como Wolfgang Weingart, Steff Geissbuher, Gordon Salchow etc.

O autor, Michael Kroegger, organizou esse material todo e daí saiu o livro. Inclusive tem frases bem legais destacadas no decorrer do livro:

“O design é um conflito entre forma e conteúdo”. – Paul Rand

“Tudo é relativo. Design é relação”. – Paul Rand

“O ponto não é sair do grid. O ponto é permanecer nele e fazer isso corretamente”. – Paul Rand

“O todo é mais que a soma de suas partes”. – Paul Rand

Vale bastante a pena dar uma espiadinha no site oficial do Paul Rand, ver seus trabalhos e perceber quanta coisa legal dá pra um cara desse ensinar. :)

Reuni respostas em livros pra essa pergunta, talvez a mais debatida e menos respondida nos cursos de design.

O que é design? Por Alexandre Wollner

O pioneiro do design no Brasil definiu design no livro “Textos Recentes e Escritos Históricos“, das Edições Rosari, página 91:

“Uma definição de design… É muito difícil, porque a evolução da linguagem, dos elementos técnicos é tão rápida que se fala de uma coisa hoje e ela é diferente amanhã. Mas a gente pode dizer que é dimensionar uma estrutura onde todos os elementos visuais nos vários meios de comunicação visual. Não é só fazer uma marquinha sem se preocupar com o comportamento que essa marca vai ter em todo o contexto, não só da indústria, mas também da comunicação visual. Ela precisa estar baseada em toda uma estruturação e prever aplicações bastante coerentes. Essa  é a proposta do design, que não está preocupado com a estética, mas com a função, com materiais, com a ergonomia visual, com aplicações planas e não planas. Deve saber, por exemplo, como uma embalagem redonda se comporta, como ela pode ser fragmentada e como a públicidade vai ser usada dentro dessa estrutura. Um trabalho de design gráfico deve durar no mínimo vinte a trinta anos, Um logotipo não perde a atualidade, e a potencialidade está em torno desse sinal, desse elemento”.

Já no livro+DVD da Cosac NaifyAlexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” (leia o post) tem um capítulo guardado só pra essa questão. O video a seguir é desse DVD, cedido gentilmente pela sua produtora, a Tecnopop (www.tecnopop.com.br)

O que é design? Por Beat Schneider

O professor de história da cultura e do design define design em sua obra “Design – Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico”, página 197, da Editora Blücher:

“Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores”

O que é design? Por Helena Katz

Do capítulo Corpo, design e evolução, no livro Disegno. Desenho. Desígnio, da Editora Senac:

“Design é a organização das partes de um todo, de um modo que os componentes produzam o que foi planejado. Só que esse arranjo é sempre improvável, seja o design de algo extraordinário ou não. E isso ocorre porque o número de modos pelos quais as partes podem ser combinadas é excessivo. Cada arranjo não passa de uma quantidade enorme de possibilidades. Ou seja, cada arranjo realizado é tão improvável quanto todos os outros, não realizados.”

O que é design? Pelo Dicionário Michaelis

(dizáin) sm (ingl)
1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento.
2 O produto deste planejamento.

O que é design? Pelo Dicionário Houaiss

Rubrica: desenho industrial.
1. a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
2. Derivação: por metonímia.
o produto desta concepção
3. Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
m.q. desenho industrial
4. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho-de-produto
5. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. programação visual
6. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho (‘forma do ponto de vista estético e utilitário’ e ‘representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais’)

Locuções
d. gráfico
Rubrica: desenho industrial, artes gráficas.
conjunto de técnicas e de concepções estéticas aplicadas à representação visual de uma idéia ou mensagem, criação de logotipos, ícones, sistemas de identidade visual, vinhetas para televisão, projeto gráfico de publicações impressas etc.

Etimologia
ing. design (1588) ‘intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico’, do lat. designáre ‘marcar, indicar’, através do fr. désigner ‘designar, desenhar’; ver sign-

O que é design? Por Mônica Moura

Na página 118 do livro “Faces do Design” (leia o post) das Edições Rosari, a designer, artista plástica, mestre e doutora Mônica Moura define:

“Design significa ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir. Criar, desenvolver, implantar um projeto – o design – significa pesquisar e trabalhar com referências culturais e estéticas, com o conceito da proposta. É lidar com a forma, com o feitio, com a configuração, a elaboração, o desenvolvimento e o acompanhamento do projeto”

O que é design? Por Vilém Flusser

Em “O mundo codificado“, da Cosac Naify , o autor define primeiro a palavra design como verbo e substantivo, na páigna 181:

“Em inglês a palavra design funciona como substantivo e verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa entre outras coisas: ‘propósito’, ‘plano’, ‘intenção’, ‘meta’, ‘esquema malígno’, ‘conspiração’, ‘forma’, ‘estrutura básica’, e todos esses significados estão relacionados a ‘astúcia’ e a ‘fraude’. Na situação de verbo – to design – significa, entre outras coisas ‘tramar algo’, ‘simular’, ‘projetar’, ‘esquematizar’, ‘configurar’, ‘proceder de modo estratégico’. A palavra é de origem latina e contem em si o termo signum, que significa o mesmo que a palavra alemã Zeichen (‘signo’, ‘desenho’). (…) ”

Depois, Flusser explica o que se tornou o vocábulo design, na página 184:

“(…) design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, conseqüentemente, pensamentos, valorativo científico) caminham juntas, com pesos equivalente, tornando possível uma nova forma de cultura”

O que é design? Por Lucy Niemeyer

O livro da Editora 2ABDesign no Brasil: Origens e instalação” tem um capítulo só pra origem e significado do termo design. Na introdução do capítulo a Doutora Anamaria de Moraes cita a própria Lucy definindo design:

“(…) ao longo do tempo o design tem sido entendido segundo três tipos distintos de prática e conhecimento. No primeiro o design é visto como atividade artiística, em que é valorizado no profissional o seu compromisso com artífice, com a fruição do uso. No segundo entende-se que o design como um invento, um planejamento em que o designer tem compromisso prioritário com a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica. Finalmente, no terceiro aparece o design como coordenação, onde o designer tem a função de integrar os aportes de diferentes especialistas, desde a especificação de matéria-prima, passando pela produção à utilização e ao destino final do produto. Neste caso a interdisciplinaridade é a tônica. (…) estes conceitos tanto se sucederam como coexistiram, criando uma tensão entre as diferentes tendências simultâneas.”

O que é design? Por John Heskett

Citado por Dan Saffer, no livro Designing for Interaction – Creating Smart Applications And Clever Devices, editora New Riders, página 6:

“Design is to design a design to produce a design”*

* Pela brincadeira e pelo trocadilho com o termo design, eu não poderia traduzir essa definição para não perder o sentido

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A intenção é sempre atualizar esse post com as definições que cruzarem meu caminho. Mas me diga, você tem alguma definição pra o que é design? Discorda de alguma das que eu selecionei? Então deixa nos comentários! :)

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Há alguns meses fiz um post de (quase) mesmo título (leia!) , mas percebi que ele ficou desatualizado em quase todos os livros. Os preços subiram, invés de 10, agora são 8, mas são muito bons, valem a pena. Aí vai uma lista atualizadíssima e claro, preços valendo apenas na data do post!

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 44,00

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Livro + DVD de uma entrevistona com o Alexandre Wollner, talvez o pioneiro do design contemporâneo brasileiro. Ele fala da relação de design e arte, design e publicidade e do que está sendo produzido atualmente.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 44,90
Leia o post Livro: Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil [Um projeto de André Stolarski - Ed. Cosac Naify]

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O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 27,90

Do Maíz à Maizena – Um Layout de 140 Anos, de Tadeu Costa

A embalagem de Maizena sempre pareceu “igual” pra todos. E num mundo de propagandas e logos que não duram muito, como permanecer sem modificações por muito tempo (afinal, 140 anos é muita coisa, né?)? É o que Tadeu Costa explica nesse livro, rápido e gostoso de ler, além de mostrar todas as mudanças da embalagem, comerciais de TV, anúncios e calendários de receitas.

Lugar mais barato: Fnac R$ 25,50

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A possibilidade da leitura não-linear e o ótimo conteúdo me agradaram bastante. O autor mostra diversos “ícones” do design e conta sua história e curiosidades, como a Suástica, o símbolo da paz, cartazes, caixas de fósforos japonesas, embalagens de aparelhos de barbear…

Lugar mais barato: Fnac, R$ 38,25

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,90

O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson

A simplicidade e inocência do Calvin nessa coletânea de suas tirinhas. Ideal pra dar aquela “quebrada” entre um livro de design e outro.

Lugar mais barato: Submarino, R$ 19,90

Projeto Tipográfico, de Cláudio Rocha

Cláudio Rocha é tipógrafo brasileiro, trabalha com isso desde 1975, é diretor da Oficina Tipográfica São Paulo (leia o post “Curso de composição tipográfica manual Módulo I – Cartão de visita” e também o “Módulo II – Cartaz” e editor da Revista TIPOITALIA, idealizador e editor da Revista Tupigrafia, entre muitas outras atribuições. Nessa publicação ele conta de características da tipografia digital e analógica, a trajetória das fontes tanto técnica quanto estética, além de comentar tipos serifados, sem serifa e manuscritos. Essa é uma reedição revisada e ampliada do primeiro livro de tipografia que li na vida :)

Lugar mais barato: 2AB Editora, R$ 33,48

Alguém tem mais sugestões nessa faixa de preço? Pode deixar nos comments :)

Capa de Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Já vi muita gente discutindo se vale ou não a pena usar grids (grades) em projetos de design. Quem diz que “não gosta” justifica que o grid “prende o designer” e dificulta a criação. Sou do outro grupo, que acredita que o grid é mais um aliado na hora de projetar, seja um um site, uma revista, um livro, um catálogo. O livro Grid – Construção e desconstrução, de Timothy Samara (pela Cosac Naify e que originalmente chama “Making and Breaking the Grid: A Graphic Design Layout Workshop”) é para os dois grupos: Quem gosta vai ganhar diversas dicas e quem não concorda vai ter chance de mudar de ideia!

Construção e desconstrução

Além de uma boa introdução no sistema de grid com história e os motivos de seu uso, o livro é basicamente dividido em duas partes: construção, onde o autor mostra como grids foram construídos e os projetos que resultaram; e a parte de desconstrução, que a partir do projeto pronto deduz como seria seu grid. Os grids são categorizados e cada página, seja ela de construção ou desconstrução, mostra quais outros grids do livro todo tem a ver com ele. São mais de 60 páginas construindo e mais de outras 60 desconstruindo.
Alguns exemplos:

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Exemplo de página interna do livro Grid - Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Minha relação com o grid é muito boa, sempre foi. Já fiz diversos projetos sem usar essa técnica, mas depois que aprendi, nunca mais larguei. Além de possibilitar que tudo fique mais organizado, acredito que ajuda muito na hora de definir uma identidade ao projeto, pelo menos pela disposição de alguns elementos e a repetição estratégica de outros. E pra mim não adianta a justificativa que o designer tem que ficar totalmente solto pra criar tudo. É preciso organizar, tecer relações visuais e amarrar a identidade do projeto. Não ter essa ordem significa, pra mim, correr o risco de trabalhar (muito)  mais. É como ter ou não ter templates num site. O site que tem 40 templates não tem template, certo?

Exemplo de grid no site de VEJA São Paulo

Grid na home do site VEJA São Paulo

Para desenvolver o novo site de VEJA São Paulo (que estreou em dezembro do ano passado), me juntei ao meu chapa Mau (twitter.com/maudubem) e “grideamos” o espaço para desenvolver a home e posteriormente as internas do site. Para algumas internas fizemos outro grid, pois tínhamos uma colunagem diferente e ficaria muito bagunçado para criar em cima. O legal é que com dois grids nós desenvolvemos todo o restante do site. Quando necessário, para delimitar os espaçamentos e manter tudo alinhadinho, inserimos mais linhas-guia horizontais e verticais. A grande base desse grid é a colunagem e as delimitações de espaço no topo. Como alguns conteúdos são dinâmicos, boa parte das guias horizontais entraram para, no layout, dar mais chances para os alinhamentos e tamanhos dos elementos, tanto na home (acima) como nas internas.

Intriga Internacional – Alfred Hitchcock: Brincadeira com grid na abertura do filme

Muito interessante ver a abertura desse filme de 1959 do Hitchcock quando eles brincam com um grid para mostrar o staff. Ainda mais curioso é que a personagem coadjuvante é “desenhista industrial”. Achei legal o designer migrar o grid, então comum em mídia impressa, para a telona do cinema.

Capa de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Falar que Pensar com tipos é o livro que aborda tipografia com mais profundidade não é verdade. A grande vantagem de mais um livro maravilhoso da Ellen Lupton é a refrescada que ele dá na cabeça em conceituar e exemplificar diversos pontos da tipografia, como formação do tipo em específico, os “faça” e “não faça” e muitas outras questões, com exercícios para praticar ao final cada capítulo. Tudo (tudo mesmo!) é muito bem ilustrado e dá pra devorar todo o livro quase sem perceber. Como de costume, Ellen Lupton mantém seu estilo didático com linguagem simples. Um detalhe interessante é que o “Pensar com tipos” tem várias cores na tipografia da capa. Isso é possível porque a capa é (mesmo!) feita com tipos móveis.

O sumário do livro:

Sumário de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Alguns exemplos de conteúdo das páginas internas:

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Esse livro somado ao “Elemento do estilo tipográfico” (que eu já falei no post “10 livros essenciais por menos de R$ 50 cada“) são o grande começo pra quem quer se aprofundar em tipografia.