Acho que não poderiam encontrar título melhor pra esse belo livro da Cosac Naify. Conversas. Foi assim que me senti enquanto lia essa publicação. É como ouvir um papo bacana de alguém que tem bastante coisa legal pra falar e você ali, de ouvinte. O papo flui, fica cada vez mais interessante e quando você vê, “plim”, acabou o livro. E valeu cada palavra.
Paul Rand (1914-1996), um dos maiores nomes do design do século passado, além de deixar sua imensa galeria de ótimos projetos , também deixou uma gama de textos, artigos, livros e deu muitas aulas/palestras de design. E são papos desses, que tratam do ensino do design, que estão nesse livro. São dois papos com Paul Rand: no primeiro ele debate, opina, explica e questiona professores universitários de design. No segundo ele fala com alunos numa aula, pergunta, os intriga, e responde suas dúvidas. Depois das conversas, ainda tem alguma história bacana (no formato de depoimento) que envolve grandes nomes junto de Paul Rand, como Wolfgang Weingart, Steff Geissbuher, Gordon Salchow etc.
O autor, Michael Kroegger, organizou esse material todo e daí saiu o livro. Inclusive tem frases bem legais destacadas no decorrer do livro:
“O design é um conflito entre forma e conteúdo”. – Paul Rand
“Tudo é relativo. Design é relação”. – Paul Rand
“O ponto não é sair do grid. O ponto é permanecer nele e fazer isso corretamente”. – Paul Rand
“O todo é mais que a soma de suas partes”. – Paul Rand
Vale bastante a pena dar uma espiadinha no site oficial do Paul Rand, ver seus trabalhos e perceber quanta coisa legal dá pra um cara desse ensinar.
Reuni respostas em livros pra essa pergunta, talvez a mais debatida e menos respondida nos cursos de design.
O que é design? Por Alexandre Wollner
O pioneiro do design no Brasil definiu design no livro “Textos Recentes e Escritos Históricos“, das Edições Rosari, página 91:
“Uma definição de design… É muito difícil, porque a evolução da linguagem, dos elementos técnicos é tão rápida que se fala de uma coisa hoje e ela é diferente amanhã. Mas a gente pode dizer que é dimensionar uma estrutura onde todos os elementos visuais nos vários meios de comunicação visual. Não é só fazer uma marquinha sem se preocupar com o comportamento que essa marca vai ter em todo o contexto, não só da indústria, mas também da comunicação visual. Ela precisa estar baseada em toda uma estruturação e prever aplicações bastante coerentes. Essa é a proposta do design, que não está preocupado com a estética, mas com a função, com materiais, com a ergonomia visual, com aplicações planas e não planas. Deve saber, por exemplo, como uma embalagem redonda se comporta, como ela pode ser fragmentada e como a públicidade vai ser usada dentro dessa estrutura. Um trabalho de design gráfico deve durar no mínimo vinte a trinta anos, Um logotipo não perde a atualidade, e a potencialidade está em torno desse sinal, desse elemento”.
O professor de história da cultura e do design define design em sua obra “Design – Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico”, página 197, da Editora Blücher:
“Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores”
O que é design? Pelo Dicionário Michaelis
(dizáin) sm (ingl) 1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento. 2 O produto deste planejamento.
O que é design? Pelo Dicionário Houaiss
Rubrica: desenho industrial.
1. a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
2. Derivação: por metonímia.
o produto desta concepção
3. Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
m.q. desenho industrial
4. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho-de-produto
5. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. programação visual
6. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho (‘forma do ponto de vista estético e utilitário’ e ‘representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais’)
Locuções
d. gráfico
Rubrica: desenho industrial, artes gráficas.
conjunto de técnicas e de concepções estéticas aplicadas à representação visual de uma idéia ou mensagem, criação de logotipos, ícones, sistemas de identidade visual, vinhetas para televisão, projeto gráfico de publicações impressas etc.
Etimologia
ing. design (1588) ‘intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico’, do lat. designáre ‘marcar, indicar’, através do fr. désigner ‘designar, desenhar’; ver sign-
O que é design? Por Mônica Moura
Na página 118 do livro “Faces do Design” (leia o post) das Edições Rosari, a designer, artista plástica, mestre e doutora Mônica Moura define:
“Design significa ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir. Criar, desenvolver, implantar um projeto – o design – significa pesquisar e trabalhar com referências culturais e estéticas, com o conceito da proposta. É lidar com a forma, com o feitio, com a configuração, a elaboração, o desenvolvimento e o acompanhamento do projeto”
O que é design? Por Vilém Flusser
Em “O mundo codificado“, da Cosac Naify, o autor define primeiro a palavra design como verbo e substantivo, na páigna 181:
“Em inglês a palavra design funciona como substantivo e verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa entre outras coisas: ‘propósito’, ‘plano’, ‘intenção’, ‘meta’, ‘esquema malígno’, ‘conspiração’, ‘forma’, ‘estrutura básica’, e todos esses significados estão relacionados a ‘astúcia’ e a ‘fraude’. Na situação de verbo – to design – significa, entre outras coisas ‘tramar algo’, ‘simular’, ‘projetar’, ‘esquematizar’, ‘configurar’, ‘proceder de modo estratégico’. A palavra é de origem latina e contem em si o termo signum, que significa o mesmo que a palavra alemã Zeichen (‘signo’, ‘desenho’). (…) ”
Depois, Flusser explica o que se tornou o vocábulo design, na página 184:
“(…) design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, conseqüentemente, pensamentos, valorativo científico) caminham juntas, com pesos equivalente, tornando possível uma nova forma de cultura”
O que é design? Por Lucy Niemeyer
O livro da Editora 2AB “Design no Brasil: Origens e instalação” tem um capítulo só pra origem e significado do termo design. Na introdução do capítulo a Doutora Anamaria de Moraes cita a própria Lucy definindo design:
“(…) ao longo do tempo o design tem sido entendido segundo três tipos distintos de prática e conhecimento. No primeiro o design é visto como atividade artiística, em que é valorizado no profissional o seu compromisso com artífice, com a fruição do uso. No segundo entende-se que o design como um invento, um planejamento em que o designer tem compromisso prioritário com a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica. Finalmente, no terceiro aparece o design como coordenação, onde o designer tem a função de integrar os aportes de diferentes especialistas, desde a especificação de matéria-prima, passando pela produção à utilização e ao destino final do produto. Neste caso a interdisciplinaridade é a tônica. (…) estes conceitos tanto se sucederam como coexistiram, criando uma tensão entre as diferentes tendências simultâneas.”
A intenção é sempre atualizar esse post com as definições que cruzarem meu caminho. Mas me diga, você tem alguma definição pra o que é design? Discorda de alguma das que eu selecionei? Então deixa nos comentários!
Há alguns meses fiz um post de (quase) mesmo título (leia!) , mas percebi que ele ficou desatualizado em quase todos os livros. Os preços subiram, invés de 10, agora são 8, mas são muito bons, valem a pena. Aí vai uma lista atualizadíssima e claro, preços valendo apenas na data do post!
ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller
Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 44,00
Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski
O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 27,90
Do Maíz à Maizena – Um Layout de 140 Anos, de Tadeu Costa
A embalagem de Maizena sempre pareceu “igual” pra todos. E num mundo de propagandas e logos que não duram muito, como permanecer sem modificações por muito tempo (afinal, 140 anos é muita coisa, né?)? É o que Tadeu Costa explica nesse livro, rápido e gostoso de ler, além de mostrar todas as mudanças da embalagem, comerciais de TV, anúncios e calendários de receitas.
Linguagens do Design – Compreendendo o Design Gráfico, de Steven Heller
A possibilidade da leitura não-linear e o ótimo conteúdo me agradaram bastante. O autor mostra diversos “ícones” do design e conta sua história e curiosidades, como a Suástica, o símbolo da paz, cartazes, caixas de fósforos japonesas, embalagens de aparelhos de barbear…
Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner
Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,90
O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson
A simplicidade e inocência do Calvin nessa coletânea de suas tirinhas. Ideal pra dar aquela “quebrada” entre um livro de design e outro.
Cláudio Rocha é tipógrafo brasileiro, trabalha com isso desde 1975, é diretor da Oficina Tipográfica São Paulo (leia o post “Curso de composição tipográfica manual Módulo I – Cartão de visita” e também o “Módulo II – Cartaz” e editor da Revista TIPOITALIA, idealizador e editor da Revista Tupigrafia, entre muitas outras atribuições. Nessa publicação ele conta de características da tipografia digital e analógica, a trajetória das fontes tanto técnica quanto estética, além de comentar tipos serifados, sem serifa e manuscritos. Essa é uma reedição revisada e ampliada do primeiro livro de tipografia que li na vida
Já vi muita gente discutindo se vale ou não a pena usar grids (grades) em projetos de design. Quem diz que “não gosta” justifica que o grid “prende o designer” e dificulta a criação. Sou do outro grupo, que acredita que o grid é mais um aliado na hora de projetar, seja um um site, uma revista, um livro, um catálogo. O livro Grid – Construção e desconstrução, de Timothy Samara (pela Cosac Naify e que originalmente chama “Making and Breaking the Grid: A Graphic Design Layout Workshop”) é para os dois grupos: Quem gosta vai ganhar diversas dicas e quem não concorda vai ter chance de mudar de ideia!
Construção e desconstrução
Além de uma boa introdução no sistema de grid com história e os motivos de seu uso, o livro é basicamente dividido em duas partes: construção, onde o autor mostra como grids foram construídos e os projetos que resultaram; e a parte de desconstrução, que a partir do projeto pronto deduz como seria seu grid. Os grids são categorizados e cada página, seja ela de construção ou desconstrução, mostra quais outros grids do livro todo tem a ver com ele. São mais de 60 páginas construindo e mais de outras 60 desconstruindo.
Alguns exemplos:
Minha relação com o grid é muito boa, sempre foi. Já fiz diversos projetos sem usar essa técnica, mas depois que aprendi, nunca mais larguei. Além de possibilitar que tudo fique mais organizado, acredito que ajuda muito na hora de definir uma identidade ao projeto, pelo menos pela disposição de alguns elementos e a repetição estratégica de outros. E pra mim não adianta a justificativa que o designer tem que ficar totalmente solto pra criar tudo. É preciso organizar, tecer relações visuais e amarrar a identidade do projeto. Não ter essa ordem significa, pra mim, correr o risco de trabalhar (muito) mais. É como ter ou não ter templates num site. O site que tem 40 templates não tem template, certo?
Exemplo de grid no site de VEJA São Paulo
Para desenvolver o novo site de VEJA São Paulo (que estreou em dezembro do ano passado), me juntei ao meu chapa Mau (twitter.com/maudubem) e “grideamos” o espaço para desenvolver a home e posteriormente as internas do site. Para algumas internas fizemos outro grid, pois tínhamos uma colunagem diferente e ficaria muito bagunçado para criar em cima. O legal é que com dois grids nós desenvolvemos todo o restante do site. Quando necessário, para delimitar os espaçamentos e manter tudo alinhadinho, inserimos mais linhas-guia horizontais e verticais. A grande base desse grid é a colunagem e as delimitações de espaço no topo. Como alguns conteúdos são dinâmicos, boa parte das guias horizontais entraram para, no layout, dar mais chances para os alinhamentos e tamanhos dos elementos, tanto na home (acima) como nas internas.
Intriga Internacional – Alfred Hitchcock: Brincadeira com grid na abertura do filme
Muito interessante ver a abertura desse filme de 1959 do Hitchcock quando eles brincam com um grid para mostrar o staff. Ainda mais curioso é que a personagem coadjuvante é “desenhista industrial”. Achei legal o designer migrar o grid, então comum em mídia impressa, para a telona do cinema.
Na data do post o preço mais barato é na FNAC, por R$ 55,20
Falar que Pensar com tipos é o livro que aborda tipografia com mais profundidade não é verdade. A grande vantagem de mais um livro maravilhoso da Ellen Lupton é a refrescada que ele dá na cabeça em conceituar e exemplificar diversos pontos da tipografia, como formação do tipo em específico, os “faça” e “não faça” e muitas outras questões, com exercícios para praticar ao final cada capítulo. Tudo (tudo mesmo!) é muito bem ilustrado e dá pra devorar todo o livro quase sem perceber. Como de costume, Ellen Lupton mantém seu estilo didático com linguagem simples. Um detalhe interessante é que o “Pensar com tipos” tem várias cores na tipografia da capa. Isso é possível porque a capa é (mesmo!) feita com tipos móveis.
ATENÇÃO: ESSE POST ESTÁ DESATUALIZADO. VOU MANTÊ-LO AQUI PARA FINS DE ARQUIVO, MESMO.
FIZ UMA LISTA DE 8 LIVROS QUE SE ENCAIXAM NESSA FAIXA DE PREÇOS E PUBLIQUEI EM 8 DE MARÇO DE 2010. LEIA O POST.
Para beneficiar o bolso de todo designer e regar a cabeça com conteúdo de primeira categoria, fiz uma seleção nos livros que li, que gostei bastante, que recomendei e que não pesaram (tanto) no orçamento. Todos os preços são baseados na data do post, 22/10/2009 e tinham em estoque nos respectivos sites, depois eu não garanto, hein?
As Leis da Simplicidade, de John Maeda
O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 21,90
ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller
Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,60
Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty
A editora Cosac Naify acertou em traduzir esse livro, lançado originalmente em 1986, mas que continua atualizadíssimo. Adrian Fordy trata da relação do design com a sociedade e como ela expressa seus valores, do que aconteceu com o design nos últimos 200 anos e de produtos que foram fruto de tudo isso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68
Elementos do estilo tipográfico, de Robert Bringhurst
A leitura é densa e complicada na maior parte do tempo, o oposto do Pensar com tipos, da Ellen Lupton (que só não entrou nessa lista porque na hora de subir o post, acabou o estoque da Fnac), mas pra mim esse é o mais fantástico custo-benefício livro de tipografia que contempla explicação do que é cada “pedacinho das letras”.
Lugar mais barato: Submarino, R$ 44,10
Grid: Construção e desconstrução, de Timothy Samara
Já vi gente falar que é só pra design gráfico, mas eu discordo totalmente. O grid, enquanto fundamento, é único e o autor resolveu muito mostrando como layouts são criados baseados em grids e na outra metade do livro, desconstroi outros, fazendo o processo inverso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 43,47
Novos Fundamentos do Design, de Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips
Design brasileiro antes do design, de Rafael Cardoso
Todo mundo fala do design brasileiro nos anos 1960, da bossa nova, das escolas de design nacionais, mas o Rafael Cardoso mostra e comenta (quase) tudo que rolou antes, desde a época da imprensa régia em 1808. Cheio de imagens, a publicação contempla até o final dos anos 1950.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68
Não me faça pensar, de Steve Krug
Embora não seja a mais espetacular referência de usabilidade do universo, é pra mim o melhor começo. Mesmo com a diagramação terrível somada a tradução que deve muito para a original americana, o livro abre bem a cabeça e mostra diversos exemplos de como deixar os projetos mais usáveis.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,59
Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner
Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,50
Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski
Quem vê a quarta capa desse livro pode estranhar o texto “102 projetos para pequenos designers” em destaque. É isso mesmo, a Ellen Lupton, junto com a sua irmã Julia, fez um livro que “ensina” design para crianças. Pra elas, todo mundo pode fazer design, já que é uma atividade divertida ou, pelo menos, deveria ser. Pra mim questão principal desse livro não são os resultados que as crianças chegam (embora sejam muito interessantes) e sim o jeito com que as irmãs-escritoras apresentam o design: Uma atividade pra todo mundo fazer. Isso é totalmente contra os princípios de quem defende a regulamentação da profissão, não é? Onde já se viu “qualquer um” poder fazer design?
A questão não é essa, longe disso. Nem a Ellen nem a Julia Lupton acha que a profissão pode ser discriminada nem desvalorizada. Nem eu acho. Pra falar a verdade sou totalmente a favor que todos brinquem com design se sentirem vontade, assim como um monte de gente joga futebol e declaradamente não é jogador profissional ou então pinta um pano de prato e não é artista e assim por diante.
Bem, voltando ao trabalho dos pequenos, percebi uma certa diferença de realidades algumas poucas vezes, como quando as Lupton sugerem de comprar um “sofá baratinho” e deixar as crianças grafitarem com canetinha ou algo do gênero. É… Acho que os pais aqui do Brasil não vão querer gastar R$ 500,00 nas Casas Bahia ou nas Lojas Marabrás pros queridos pequerruchos pintarem tudinho, sem deixar nada “branco”. Indepentente disso, elas foram muito felizes nas escolhas e separaram o livro em 4 capítulos: Grafismos (Perfil: O designer gráfico), Brinquedos (Perfil: O designer de brinquedos), Casa (Perfil:O designer de produto) e Moda (Perfil: O estilista), cada um com diversas sub-divisões. São projetos quase sempre feitos com materiais que todo mundo tem em casa e rendem hora e horas de diversão. Alguns exemplos:
Depois que li o livro (e como não tenho filhos, não executei ainda as tarefas com eles) fiquei me questionando como teria sido se invés de eu ter aulas de Educação Artística na escola (que até hoje eu nunca vi ninguém que gostasse ou encontrasse algum valor na época), as crianças tivessem exercícios e projetos de design como esses do livro, criando adesivos, camisetas e tênis personalizados, brinquedos, cadernos etc, tudo com uma breve definição dos fundamentos como a Ellen e a Julia fazem para padronagens, pixels, ícones e tipos (que ela chama de letras). Acho que eu teria me divertido bem mais…
Muito legal a ideia de fazer um trabalho como esse que fizeram com o Alexandre Wollner. O cara, além de estudar na Escola de Ulm e fazer logotipos pra um monte de empresas que a gente viu a vida toda (como Itaú, Sardinhas Coqueiro…), ele também colaborou com cursos de design no país e participou da inauguração da ESDI, a Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro. Uma entrevista com ele, do jeito que foi feita e contando um pouco da história e opiniões polêmicas a respeito de identidade do design nacional, relação do design com a publicidade, o que é design e muitas outras, couberam direitinho o livro, que vem com um DVD com o vídeo da entrevista.
Sabe aquela história de “Ah, o livro é melhor que o filme”? Então, nesse caso não pode ser aplicado. Além de uma diagramação muito questionável (veja a figura abaixo), ele não consegue ser mais divertido que o DVD porque é praticamente o que está lá, numa ordem diferente, cronológica e com alguns detalhes a mais. Mas de qualquer maneira, é um bom companheiro no ônibus, metrô ou sala de espera. Vale o investimento. O que mais me chamou a atenção foi o catálogo de marcas do Wollner, com imagem de todos os logos que ele fez. Quanto ao DVD… Ah! É daqueles pra você ver sozinho e depois convidar um monte de amigos (preferencialmente designers ou quem tenha algum gosto pela coisa) pra curtir e discutir seus apontamentos. São vários dias no estúdio do Wollner e depois um passeio pela Avenida Faria Lima e Paulista aqui em São Paulo (antes da lei da cidade limpa) e ele vai apontando coisas que ele gosta e não gosta, justificando do seu jeito, com sua bagagem de mais de 50 anos.
As duas primeiras páginas de introdução, originalmente lançado como “Graphic Design: The New Basics“, definem completamente o propósito de todo o livro, que é reconceituar e atualizar os principais fundamentos do design devido todas as mudanças tecnológicas e metodológicas, já que a maior parte do referencial desses fundamentos foi escrito há mais de 40 anos.
As autoras se baseiam em (incríveis) trabalhos feitos por alunos para definir ponto, linha e plano, ritmo e equilíbrio, escala, textura, cor, figura/fundo, enquadramento, hierarquia, camadas, transparência, modularidade, grid, padronagem, diagrama, tempo e movimento e regras e acasos no decorrer dos capítulos. Dá uma olhadinha nesses trabalhos, que legais:
Tive o prazer de participar da palestra da Ellen Lupton no lançamento desse livro no Brasil. Não sei daonde vem tanta didática daquela mulher. Cada gesto, cada frase e cada explicação era completamente passível de ser entendido. Mas voltando ao livro, muito além de refrescar a memória de quem já se informou do assunto e atualizar os conceitos (ou então informar pra quem nunca o fez), essa publicação também é extremamente inspiradora e encorajadora, principalmente quando se trata de trabalhos com tipografia. Inclusive logo logo vou começar a publicar alguns aqui no blog. Enquanto os meus não aparecem por aqui, vou mostrar alguns de um brother dentro e fora do escritório, o Marquinho Moreira, do blog Magelstudio:
1. Constructype, feita com blocos de madeira estilo “Meu pequeno engenheiro”;
2. Arte em Havaianas, desenhada e estilizada num par dessas sandálias;
3. Dalmatypography , feita com posições de um dálmata. Não, você não leu errado (inclusive nesse post ele também fala do Novos Fundamentos do Design);
4. Sketch Box, caligrafado numa caixa imensa, com ilustras e toda a área útil preenchida com letrinhas. Sem dúvida esse é o projeto tipográfico (ou caligráfico) mais impressionante que vi o Marquinho fazer.
E você? Já leu o livro? Fez algum trabalho inspirado nele?