Qual foi o primeiro livro da tua vida?

Convite à Leitura - Cartilha

Uma senhora chamada Alzira que me deu esse livro, em 1981. Meu esforço para tentar lembrar quem era não valeu, meus pais também não se lembram, provavelmente alguém que veio junto com outra pessoa na festa de um aninho de vida. Independente disso, me lembro muito bem dessa cartilha que, pelas marcas de amassados e dobras vocês talvez tenham ideia de como e quanto ela foi usada. Eu era, desde pequenino, bem cuidadoso com as minhas coisas, principalmente os discos e livros. Mesmo sem ter ideia do que era o design, é curioso notar que meu primeiro livro convidava a ler (atividade que adoro investir tempo) e a conhecer as letras. Seria um primeiro contato com a tipografia de fato? Não sei se poderia considerar, mas o interessante é que com um ano de idade, eu via as letras e não as lia, bem parecido com o que faço hoje na hora de experimentar e brincar (sim, brincar) com os tipos. Teria sido um primeiro fator, mesmo que mínimo e talvez inconsciente de me fez querer ser designer um dia? Não faço questão de saber. Gosto de lembrar como eu usava o livro:

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A igreja onde fui batizado não parecia com a que o livro me ensinava, côco verde na época era bem difícil ser achado no bairro que morava, eu me contentava bastante com o maduro, mesmo. Tinha um pé-de-figo na plantaçãozinha que meu avô fazia no quintal, assim como galo, galinha e ovos brancos. As identificações de cores, formas, diferenças começavam ali. Aquele livrinho com jeitão de anos 1950 ou 60 era muito mais do que algo que me fizesse aprender as vogais: Era, junto com O Fantasma e O Amigo da Onça, toda referência visual que eu tinha sobre ilustrações.

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Os macacos do Zoológico de São Paulo, além de nunca estarem vestidos assim, não bebiam esse líquido cor-de-rosa que sabe-se lá o que o autor imaginou ser. Leite com groselha era minha opção.

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Minha mãe gostava (ainda gosta) de costurar. Lembro que pegava um carretel de linha muito parecido com esse e colocava por cima, tentava achar a mesma posição, provavelmente numa tentativa de unir ambos sei lá como.

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Rogerinho, 1982, 2 anos, Zona Leste de São Paulo

E esse era eu, em 1982, pausa na leitura para atacar a la born to be wild com o meu triciclo da Estrela.

E você? Qual primeiro livro que teve? Quais lembranças tem? O formulário de comentário agradece ;)

12 comentários sobre “Qual foi o primeiro livro da tua vida?

  1. Nossa, quando me dei por gente já haviam muitos livros infantis na estante, pois tenho um irmão seis anos mais velho que eu…

    Mas posso dizer que um dos livros que eu adorava era Maneco Caneco Chapéu de Funil, onde diversos utensílios de casa entediados se uniram e formaram o Maneco e foram explorar o mundo…

    Em termos de ilustrações, eu gostava muito do Ziraldo (sem brincadeira!), e das ilustrações da coleção de capa dura em oito volumes do Sítio do Pica-pau Amarelo, com uma Dona Benta magrinha e uma Emília menos arrumadinha que a da TV.

  2. Cara, resgatar coisas da infância não tem igual. “Recordar é viver” mesmo!
    Esses dias na Benedito Calixto fui obrigado a comprar um brinquedo da Estrela que fazia 30 anos que eu não via. Incrível escutar o barulho da coisa funcionando!

    Bom, meu primeiro livro foi o “O Menino Maluquinho” (Ziraldo) e eu tenho até hoje guardado. Ainda me identifico muito com o personagem e também não sei até aonde esse menino que tem pés de vento e macaquinhos no sótão que tem dentro de mim foi influenciado pela leitura. =)

  3. Meu irmão mais velho, que inclusive faz aniversário hoje, sempre gostou de ler e jogou na minha mão o “Um cadáver ouve rádio”, do grande Marcos Rey, da série Vagalume.
    Foi uma das melhores coisas que ele já fez.
    Devorei o livro em não muito tempo. Tenho até hoje a lembrança de como montei algumas cenas na cabeça, já que o livro só tinha palavras, e quase nenhuma ilustração.
    Daí pra frente eu li vários outros livros da mesma coleção por conta própria.

    No meu primeiro estágio, um dos meus chefes também me arrumou um livro pra ler ‘DWD:2’, do Luli Radfahrer. Era um livro grande, pesado e até meio ultrapassado em alguns aspectos técnicos. Mas me reacendeu o gosto pela leitura, que tinha ficado de lado por algum tempo. Desde então li vários outros, também de design e de outras coisas, como futebol e publicidade. E além do que leio atualmente, tenho duas biografias na cabeceira da cama, esperando a vez.

  4. “Nicolau tinha uma idéia”, da Ruth Rocha.

    Que coincidência, porque eu o achei há pouco tempo e reli. Fiquei surpresa porque o livro ainda é muito bom em todos os sentidos: em relação aos personagens, nas ilustras, na história.

    Foi gostoso voltar no tempo e descobrir porque eu e a minha irmã gostávamos tanto dele.

  5. O livro que eu mais gostava quando criança também era o Mico Maneco Chapéu de Funil, lia tanto aquele livro que até hoje lembro de vários trechos dele…Também gostava muito da coleção Vagalume. E um outro chamado Perdido no Beleléu ou algo assim, tinha umas ilustrações doidas que você tinha que achar vários objetos escondidos na ilustração…Que saudades da infância :) Como sempre gostei muito de desenhar, a minha cartilha da escola era toda “decalcada”, pois eu colocava uma folha por cima dos desenhos e tentava copiar…não sei se alguém também fazia isso?

  6. Nossa faz tempo que procuro na net essa cartilha fui alfabetizada com ela e o pior que as pessoas não conhecem essa cartilha, só a caminho suave.
    Lembro do cheiro dela. Das folhas branquinhas, tinha algumas cartilhas que vinham com folhas tipo de jornal.
    Andava com ela pra cima e pra baixo, como não tinha livros pois os meus pais não tinham o hábito de ler e também não tinham dinheiro para comprar. E depois o meu outro livro preferido que ganhei foi pasmem o dicionário amava conhecer
    palavras novas.
    Por favor coloque todas as páginas do livro, amava a parte do dado, cabo , xale e do foguete.
    Estou muito feliz e rever está cartilha, obrigada por ter me proporcionado essa alegria.

  7. Meu Deus! Que emoção eu lembro, mais ao mesmo tempo quase não me lembro.

  8. Muito gostoso este post, Fratin! Lembro-me também do meu primeiro livro, que ficava dando sopa lá em casa, ninguém sabia quem de fato era o seu dono: As Aventuras do Barão de Munchhausen, uma edição de 1957 da Editora Globo (Porto Alegre), com ilustrações incomparáveis de Gustave Doré. Abraço!

  9. Não lembro agora qual foi o meu “primeiro” livro de todos. Mas lembro qual foi o primeiro que me pegou. Aquele que não conseguia parar de ler. “O Desafio no Pantanal”, de Silvia Cintra Franco.

    Sinopse: Mesmo sem experiência, Teresa resolve cuidar da sua fazenda no Pantanal, com a ajuda dos filhos. Não são poucos os preconceitos e perigos que vai ter de enfrentar.

    Se eu lembro da história? Não. Mas a coleção Vagalume fez uma diferença brutal na minha vida de leitora.

    Beijocas,
    Fabi

  10. Caramba quanta emoção essa foi a cartilha na qual aprendi a ler, na alfabetização, fiquei muito emocionada ao ver a imagem dela novamente, já procurei em vários sebos online e nunca encontrei, gostaria muito de adquirir uma dessas. Parabéns pela postagem, muito boa!

    Ediene Barbosa

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