Designices

Por que você, designer, deve ficar atento a celulares e tablets

21/08/2012

Web 1.0, 2.0, 3.0 ou 20.0? Sei lá em qual está agora, acho que nunca levei muito em consideração esse tipo de nomenclatura. Pra mim é tão importante quanto o conceito de Geração X ou Y: Nenhuma utilidade. Em 2005, quando me formei, não imaginei que o rumo do design digital fosse entrar tanto em experiências em suportes móveis. Muito se especulava sobre a chegada da Tv digital ao Brasil, eu acreditava nas mudanças que isso poderia causar e não me empolgava nada com o que se podia fazer com os celulares nessa época. Os smartphones não me seduziam muito até uns quatro anos atrás. A internet não era legal, era cara, os sites WAP eram terríveis e pareciam sempre ter sido feito às pressas. Talvez fossem, mesmo. A integração entre os suportes/plataformas era baixa. Que bom que esse cenário, muito rapidamente, mudou.

Apps de iPhone default da Apple

Os apps tem influenciado muito nas experiências digitais. Repare o que tem acontecido com as tablets, como são vendidas, quanto simbolizam da audiência da internet no Brasil. Olhe como Apple, Microsoft e Google tem se comportado. Note como o sistema operacional tem ficado “escondido” e os apps aparecem cada vez mais. Olha como os sistemas em si tem ficado mais focados nos apps e não no seu próprio funcionamento. Veja como um “explorer” ou um “finder”, em mobile, deve ser cada vez menos utilizado, já que se um app não lê arquivos MP3, por exemplo, não importa pra ele se o dispositivo tiver 3 ou 200 arquivos desse tipo. A Apple já trabalha nessa integração de sistemas operacionais tem algum tempo. Pesquise sobre o sistema Metro, da Microsoft, no Windows 8. A proposta é a mesma navegação e experiência num computador desktop, numa tablet como a Surface e num celular com esse sistema. O usuário aprende uma vez e pronto, tudo reconhecido, experiência com sucesso é quase que garantida. O que antes só se imaginava fazer pela web ganha a possibilidade em apps e não me refiro a instant messengers, que seria o óbvio, mas exemplifico com o app de download em alta qualidade de cartazes construtivistas russos. E aulas de mil disciplinas universitárias grátis, como o iTunes U.

Fotografias, documentação visual do mundo e inversão digital/analógico
Apps como o Instagram (que só existe pra mobile, não tem um site como o Linkedin ou Four Square) entre tantos outros de fotografia, por exemplo, sites como o Flickr ou Picasa, além do Facebook, tem ajudado a documentar o mundo na nossa era (ou pelo menos enquanto não inventarem algo melhor). As câmeras fotográficas dos celulares mais novos estão bem satisfatórias. Ainda não substituem uma máquina-fotográfica-que-é-só-máquina-fotográfica. Cada vez mais tem gente com fotos na rede. Escolhe efeitos, cores, detalhes. Aprende, bem ou mal, como melhorar a foto com efeitos simples, quase prontos. Há quem diga que isso banaliza a fotografia, eu acho tremenda bobagem. O mundo precisa aprimorar sua cultura gráfica e com isso nosso trabalho de designer vai ser mais valorizado e reconhecido. As máquinas fotográficas Lomo voltaram a vender, inclusive em território tupiniquim. Junto com a modinha rétro tem um app que simula fotos antigas e junto dele, as próprias máquinas que fazem fotos antigas. E pessoas passaram a conhecer o método analógico por conta do que foi feito no digital.

Calma, não sou adepto da ideia que tudo deve ser conectado com tudo no mundo, de geladeira USB, fogão com wi-fi e espingarda 3G que tuíta os tiros e gera estatísticas de acertos e erros no Google Docs. Me refiro a como os apps dão forma ao que veremos nos próximos anos com as interações digitais, sejam lá onde forem feitas. Até lá esperamos pra ver e curtimos o que valer a pena.

Qual tua relação com os apps? Como vê essas mudanças? Concorda? Discorda? Comente ;)

Nota: Legal essa “valorizada” da palavra app, né? Pra mim é apenas um software com outro nome…

 

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6 comentários:

  1. Não tenho iPhone, meu smartphone não usa Android, não tenho tablet. Minha relação com os famosos aplicativos é quase nula.

    Porém, se ainda puder formar uma opinião sobre o assunto, creio que vai ser mais ou menos assim: tudo o que facilita a vida assusta no começo. Gera essa ansiedade pela posse e aplicação, e ao mesmo tempo, um receio de que as coisas mudem para sempre.

    Mas ei, o mundo não muda o tempo todo? Não é apenas a velocidade/intensidade das mudanças que está… mudando?

    Ao meu ver, tablets jamais substituirão completamente os impressos, câmeras integradas não aposentarão máquinas-fotográficas-que-são-só-máquinas-fotográficas. O que acontece é uma mudança no valor que atribuímos a esses elementos não-digitais e seus equivalentes eletrônicos.

    A fotografia monocromática ganhou valor de arte quando o filme colorido foi popularizado; os fotolivros e os instantâneos ganharam imenso valor afetivo com a disseminação do digital. Carregar sua biblioteca em um leitor eletrônico pode ser muito mais prático do que carregar três volumes de livro, mas ainda não substitui o gostoso folhear de páginas amareladas e rabiscadas em uma rede durante as férias.

    Ao meu ver, as mudanças apenas criam cada vez mais nichos, especificidades, especialidades. Cada vez mais transformando bens de consumo em mercadorias, e fazendo a gente acreditar que não poderá viver sem essas mercadorias…

  2. Eu acho os “apps” e essa revolução toda muito louca!!

    Acho também que eles estão sim substituindo diversas coisas físicas, como por exemplo a câmera digital (Eu deixei a minha compacta de lado e só uso a do iPhone), a calculadora, o bloco de notas, o guia de ruas, o relógio, a agenda, o despertador e por aí vai.

    Acredito que os dispositivos “tudo em 1″ vieram pra ficar e apesar de eu e muita gente da minha geração achar muito mais confortável ler e rabiscar um livro, já vi muita gente também dizer acostumado a ler na tela.

    Agora, a impressão que eu tenho (para mim pelo menos) foi que o excesso de informação, apps e a ocupação com essa coisa toda me fez distanciar um pouco do bom e velho livro. Estou ali lendo tranquilo, quando um novo desenho do Draw Something chega. Paro de ler para desenhar. Volto a ler quando em seguida chega uma mensagem. Imediatamente inicio um diálogo com alguém, largando a leitura novamente e por aí vai.

    Enfim, a discussão é longa e não estou dizendo que isso é certo, mas que acontece comigo e que, essa dispersão pode acontecer também nos estudos, no trabalho e etc. (Na faculdade tudo o que eu tinha em matéria de telefonia móvel era um Startac).

    Tudo tem o seu lado bom e o ruim. Nos resta saber filtrar tudo isso e sentir o que ajuda, o que atrapalha e se preparar pelo que ainda vem pela frente! =)

  3. Marco, sua colocação foi ótima.

    Mas não sei se podemos atribuir essa falta de foco sempre aos aplicativos e eletrônicos disponíveis ao nosso alcance.

    No meu caso, em tempos anteriores aos celulares e similares, qualquer formiga passeando pela parede era capaz de me fazer parar o “dever de casa” e iniciar um longo devaneio enquanto hipnotizada pela parede.

    Por outro lado, lembro quando pegava o Sítio do Pica Pau amarelo pra ler (por volta dos oito, nove anos) e nem mesmo a minha cadela tentando sensualizar com a minha perna era capaz de me fazer olhar para fora daquelas páginas. Notem a diferença no interesse

    Talvez seja o hábito da interrupção (ou a necessidade da conexão contínua) um resultado direto justamente das opções inseridas em nosso cotidiano com esses aparelhinhos mágicos.

  4. “Web 1.0, 2.0, 3.0 ou 20.0? Sei lá em qual está agora, acho que nunca levei muito em consideração esse tipo de nomenclatura. Pra mim é tão importante quanto o conceito de Geração X ou Y: Nenhuma utilidade.”

    Acho que você só tem a perder quando deixa de se inteirar sobre temas como esses por temas como esse. O conceito de geração X ou Y é de suma importância para quem trabalha no mercado. É completamente diferente o jeito de pensar e agir de um baby boomer, geração x ou de um geração y.

    “Calma, não sou adepto da ideia que tudo deve ser conectado com tudo no mundo, de geladeira USB, fogão com wi-fi e espingarda 3G que tuíta os tiros e gera estatísticas de acertos e erros no Google Docs”

    Você já ficou cozinhando feijão por 2 horas (pq não tinha panela de pressão)? Não seria ótimo se pudesse dar um passeio e desligar o feijão pelo celular? Ou se ele avisasse que está queimado avisasse no seu celular? E uma geladeira com um lcd que mostrasse receitas as quais você baixasse direto de uma comunidade onde as pessoas vendessem? E quando as comidas vierem com chips RFID (o mesmo do bilhete único) e a geladeira automaticamente calculasse o estoque e mostrasse no seu computador? Ou no seu celular, assim você ja saberia o que comprar direto do mercado?

    “Nota: Legal essa “valorizada” da palavra app, né? Pra mim é apenas um software com outro nome…”

    Já comprou app pra mac? Se você já comprou, sabe o a diferença entre usar uma app e usar um software genérico. Em teoria são a mesma coisa. Na prática, a experiencia é completamente diferente.