Qual foi o primeiro livro da tua vida?

Convite à Leitura - Cartilha

Uma senhora chamada Alzira que me deu esse livro, em 1981. Meu esforço para tentar lembrar quem era não valeu, meus pais também não se lembram, provavelmente alguém que veio junto com outra pessoa na festa de um aninho de vida. Independente disso, me lembro muito bem dessa cartilha que, pelas marcas de amassados e dobras vocês talvez tenham ideia de como e quanto ela foi usada. Eu era, desde pequenino, bem cuidadoso com as minhas coisas, principalmente os discos e livros. Mesmo sem ter ideia do que era o design, é curioso notar que meu primeiro livro convidava a ler (atividade que adoro investir tempo) e a conhecer as letras. Seria um primeiro contato com a tipografia de fato? Não sei se poderia considerar, mas o interessante é que com um ano de idade, eu via as letras e não as lia, bem parecido com o que faço hoje na hora de experimentar e brincar (sim, brincar) com os tipos. Teria sido um primeiro fator, mesmo que mínimo e talvez inconsciente de me fez querer ser designer um dia? Não faço questão de saber. Gosto de lembrar como eu usava o livro:

Convite à Leitura - Cartilha

Convite à Leitura - Cartilha

A igreja onde fui batizado não parecia com a que o livro me ensinava, côco verde na época era bem difícil ser achado no bairro que morava, eu me contentava bastante com o maduro, mesmo. Tinha um pé-de-figo na plantaçãozinha que meu avô fazia no quintal, assim como galo, galinha e ovos brancos. As identificações de cores, formas, diferenças começavam ali. Aquele livrinho com jeitão de anos 1950 ou 60 era muito mais do que algo que me fizesse aprender as vogais: Era, junto com O Fantasma e O Amigo da Onça, toda referência visual que eu tinha sobre ilustrações.

Convite à Leitura - Cartilha

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Os macacos do Zoológico de São Paulo, além de nunca estarem vestidos assim, não bebiam esse líquido cor-de-rosa que sabe-se lá o que o autor imaginou ser. Leite com groselha era minha opção.

Convite à Leitura - Cartilha

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Minha mãe gostava (ainda gosta) de costurar. Lembro que pegava um carretel de linha muito parecido com esse e colocava por cima, tentava achar a mesma posição, provavelmente numa tentativa de unir ambos sei lá como.

Convite à Leitura - Cartilha

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Rogerinho, 1982, 2 anos, Zona Leste de São Paulo

E esse era eu, em 1982, pausa na leitura para atacar a la born to be wild com o meu triciclo da Estrela.

E você? Qual primeiro livro que teve? Quais lembranças tem? O formulário de comentário agradece 😉

Os casos de design mais improváveis do mundo

Claro que esses meus não são os piores do mundo, mas vou contar alguns casos que soam improváveis mas eu dou minha palavra que aconteram comigo. Sim, comigo, não foi com meu vizinho, nem primo, nem colega, foi comigo, do jeito que vou colocar. A ideia é que essa lista, infelizmente, aumente conforme eu ouvir mais. E quanto pior, melhor. É daquelas que você passa a ter certeza que fez fralda com o Santo Sudário em alguma outra vida.

1. Os wireframes são para os fracos

Contexto: eu mostrava todos os passos pra criar o projeto de um cliente, dos primeiros rabiscos aos wireframes, ajustes e os layouts, depois os layouts finais e site no ar.

A frase matadora: Não, não, eu não quero esses. Faça o orçamento só com os finais (os layouts), esse restante é besteira.

2. O designer vidente

Contexto: Eu aguardava o responsável me enviar alterações de texto de uma interface. De repente pisca o MSN Menssenger:

Fulano de tal says (15:28:12):
Cara, você já alterou os textos que falamos da tela de login?

Rogerio says (15:28:56):
Não, você falou que ia mandar no email, não chegou nada. Você mandou? O restante tá pronto…

Fulano de tal says (15:29:40):
Não mandei, mas você precisa entregar logo, estamos atrasados.

(????????)

3. Cabeça de usuário

Contexto: eu apresentava uma proposta de interface e justificava as escolhas

A frase matadora: Acho que não vai funcionar. Pensando com a cabeça do usuário eu não clicaria ali.

(E porque raios gastam tanta grana com testes de usabilidade se dá pra pensar como o usuário?)

4. O jornalista-programador

Contexto: eu com um companheiro de trabalho apresentávamos um hotsite e justificávamos porque uma das solicitações não seria possível implementar por falta de recursos tecnológicos no mundo (o pedido era extremamente absurdo)

A frase matadora do editor: Como não dá? Não é só fazer um “if” na programação?

5. Marcha redatora, cabeça-de-papel…

Contexto: a redatora-chefe da revista vinha palpitar no site. Ela não sabia nem mandar email por webmail. Daí ela pediu na home um “ponto de interrogação cercado de palavras, como os designers da revista fizeram em uma matéria xis”. Eu perguntei pra que serviria e pra onde essas palavras linkariam quando clicadas.

A frase matadora: Não vai linkar pra lugar nenhum. Quem quiser saber dessas palavras ou vê na edição da semana (da revista impressa) ou procura na busca do site. Não tem que ter link em tudo…

6. O grid tipográfico e o editor-glamuroso

Contexto: Junto com o outro designer, confeccionei um grid quase que infalível para o novo site, todo baseado em tipografia, proporção áurea, tudo se encaixava perfeitamente, os módulos poderiam ser trocados de lugar por conta das proporções. Depois de apresentar pro editor (de texto) glamuroso:

Editor-glamuroso: Essa é a fonte do UOL?

Eu: Não. A fonte do UOL é Arial, a nossa base do site é com a fonte xis, todos os módulos só podem ser personalizados porque com ela os textos todos cabem direitinho, fizemos testes com os dez maiores textos de cada bloco, a migração do atual pra esse não terá problema desse jeito e somente desse jeito vai rolar.

Editor-glamuroso e a frase-matadora: Mas essa é a fonte do UOL?

7. A newsletter

Contexto: o chefe do chefe manda um email com uma newsletter do New York Times ruim de doer, de uns três anos antes e cheia de textos (eu trabalhava num portal de viagens, cheio de fotos) e me pergunta:

Chefe: Roger, podemos ter uma newsletter igualzinha a essa?

Eu, num acesso de ironia: Podemos sim. Aliás, deixa eu mudar pelo menos o logo pro nosso?

Chefe-do-chefe: Sim, muda só o logo mas tenta deixar o fundinho branco também. (ele realmente achou que minha pergunta foi séria…)

8. Aprenda comigo, sou biblioteconomista

No final de um expediente, uma antiga chefe/dona da empresa me chama, aos berros:

– Rogérioooooooooo

– Oi, Fulana, precisa de algo?

– Olha esse material (e me entregou uma brochurazinha extremamente bagacenta, mas MUITO mesmo)

Eu, provavelmente arregalei os olhos o máximo que os orbiculares permitiram e nada falei, tamanho era o susto com o material que havia pegado. Ela, com olhar orgulhoso e tom professoral, me disse:

– Fui eu que fiz. E sabe? Usei o Paint e o Word. (a frase matadora:) Tá vendo como dá pra fazer coisas muito boas sem usar essas ferramentas que vocês usam? Você deveria prestar atenção nisso…

(E eu, claro, permaneci em silêncio e, provavelmente, descobri que conseguia arregalar mais ainda os olhos…)
Nota: me lembrei desse post nesse instante

9. Aprenda comigo, sou biblioteconomista 2 – Absurdos 2 em 1

– Rogérioooooooooo

– Oi, Fulana, precisa de algo?

– Foi você que fez esse material na cor vermelha?

– Sim, fui. Algum problema com ele?

(a frase matadora 1) – Você tá cansado de saber que nossa impressora não imprime bem o vermelho! (??????????) Como você faz um material inteiro vermelho?

– Mas Fulana… A cor do logo deles é vermelha, toda comunicação é vermelha, o site, tudo…

(a frase matadora 2) – Não interessa, por que você não fez na cor azul? Laranja?

10. Um site (literalmente?) matador

Contexto: o briefing de um projeto digital era passado pra mim

– Rogério, precisamos começar logo o projeto XYZ

– Ah, legal, eles mandaram material, tem um briefing?

– O cliente quer que quando o usuário entre no site, ele se sinta no céu.

– =~~~~~~~~~~~~~~~~~

E fui eu quem quase viu o céu e São Pedro me olhando e dizendo:
– Desce!

E você, o que me conta?

Quais foram os casos improváveis que presenciou? Bote pra fora essas pérolas nos comentários, é bom pra desopilar o fígado e previnir infartos e outras doenças cardíacas.

Design Shot! #12 – A Revolução Industrial e a cultura de nicho

“Antes da Revolução Industrial, quase todas as culturas eram locais. A economia era agrária, o que distribuía as populações com tanta dispersão quanto as terras disponíveis, e a distância dividia as pessoas. A cultura era fragmentada, gerando sotaques regionais e músicas folclóricas. A falta de meios de comunicação e de transportes rápidos limitava a miscigenação cultural e a propagação de novas ideias e tendências. Essa foi uma primeira era da cultura de nicho, determinada mais pela geografia do que pela afinidade.” – Chris Anderson, no livro A Cauda Longa, Editora Campus Elsevier

Cartazes do Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

Cartaz - Construtivismo Russo

A primeira exposição que fui enquanto estudante de design, em 2002, foi sobre o Construtivismo Russo. Era uma exposição de cartazes (e tinham muitos deles!) no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. Uma pena que eu tinha tido duas aulas na faculdade naquele momento, não tinha ideia do que representava o Construtivismo e nem aqueles cartazes. Eles já me agradavam bastante, mas era muito mais estético que conceitual. Vi as obras construtivistas uma, duas, vinte vezes.

Interessante: Esse último cartaz foi usado na capa de um importante livro sobre design. Qual seria esse livro? Alguém se habilita nos comentários?

Esses cartazes vieram de um aplicativo pra iPhone/iPad chamado Soviet Posters. Além desses de Construtivismo tem de cultura, militar, policial, esportes, trabalho e muitos outros, tudo no mesmo lugar. As imagens baixadas de lá vem em alta 😉

Hyper-activi-typo-graphy – From A to Z

Hyperactivitypography - capa

Quando me deparei com o Hyperactivitypography – From A to Z a primeira vez eu achei que era apenas uma brincadeirinha inocente num livro totalmente despretensioso sobre tipografia. E foi começar folheá-lo para encontrar diversos valores bem interessantes e propostas de breves exercícios que não tem em (quase) nenhum dos renomados e tradicionais livros de tipografia. Considero o Hyperactivitypography – From A to Z uma feliz tacada da editora Gestalten: ao passo que a história da tipografia, anatomia do tipo, variações de corpo e afins a apresentação de seu conteúdo é extremamente divertida e inusitada. É exatamente como uma “cartilha de tipografia”, tem piadinhas, curiosidades, detalhes minunciosos sobre as letras. Como todo o conteúdo é ilustrado e em formato de pequenos desafios e passatempos, não existe um aprofundamento textual maior sobre o assunto mas vale muito a pena pela diferente forma de encarar um conteúdo legal e bem selecionado. Alguns exemplos do que se tem no livro, que tematiza a tipografia com capítulos de “A a Z”:

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Em toda abertura de capítulo o leitor é convidado a preencher os campos “termo tipográfico” e “typeface” que comecem com a determinada letra.

Hyperactivitypography - verso

O que achou desse projeto? É favorável à exploração de outras maneiras de transmitir o conteúdo? Eu sou 😉

A internet não-internet

Que o conceito de internet nasceu pra compartilhar informações já não é segredo nem novidade pra ninguém. Tudo bem que eram informações de guerra, mas a ideia era disseminar as informações. Claro que houve adaptações daqui e dali, muita coisa mudou, muito tempo ficou pra trás, mas a base da rede ainda é a troca de informações. É evidente que junto dessa troca de informações toda apareceram muitos conteúdos ilegais, textos, fotos, músicas e vídeos, mas acredito que processos dessa natureza devem ser revertidos depois como evolução. É só olhar as MP3 vendidas em diversas lojas online. Será que hoje em dia teríamos tocadores de MP3 em todo lugar se não tivessem sido tão ferozmente difundidas ilegalmente? Repare nos filmes alugados e vendidos direto nos dispositivos móveis como celulares e tablets, nas smart TVs, nos videogames e tocadores de bluray. E também o conceito de Torrent e tantos outros modos de passar os arquivos de um canto pra outro, como os discos virtuais, as nuvens, os emails que permitem cada vez mais armazenamento e transferência. Me lembro quando o Hotmail permitia, no máximo, 500kb por mensagem enquanto agora o Yahoo Mail, por exemplo, permite 50 vezes mais. De um modo ou de outro as informações, legais ou ilegais, pagas ou gratuitas passam de um lado para o outro.

Tenho notado que provavelmente por conta dos negócios a internet como era está virando outra coisa. Algo um pouco estranho mas que se explica na necessidade de grana, como sempre. Reparem como as informações na rede tem sido duplicada. É complicado encontrar o “vídeo original” no Youtube com tanta gente querendo ter aquilo também em seu canal, como se fosse seu. Os blogs replicam infinitamente as imagens de outros e muitos ganham com isso via publicidade. Se transformaram em pequenas maquininhas de grana e conteúdo de baixo nível de produção de conteúdos. Replicam mais que máquina copiadora, mas produzir, nada. Veja o meu, por exemplo, que porcaria. E os grandes portais? Milhões de dinheiros envolvidos em cada pedacinho deles e ainda assim não creditam com link as fontes das imagens e dos textos. Galerias e galerias de fotos são criadas com fotos provenientes de um “Salvar imagem como…“, os pageviews aumentam, os anúncios ficam mais caros e o sujeito que produziu aquilo não ganha nem um linkzinho sequer de volta. Só um texto mirrado, na maioria das vezes, de canto. Fonte: Fulano de Tal. Quem quiser que procure no buscador de sua preferência. E viva a não-usabilidade.

Não sei se minha visão é chata demais, crítica demais ou sem noção demais. Mas sei que a ideia de dividir, compartilhar conteúdo como seria bem legal, seja pago ou grátis, está cada dia mais escondida no meio dos negócios e da necessidade de ganhar dinheiro a todo custo.

Enquanto isso eu prossigo aqui, produzindo meus conteúdos e repartindo o que posso, inclusive minhas dúvidas. Alguém mais no clube?

A incrível arte de omitir elementos

De incrível isso não tem nada, muito menos tem de arte. O que é admirado nos benchmarks (aliás eu até brinco com isso aqui), a sensação de “clean” sempre colocada à mesa pelos mais empolgados, o poder de ir direto ao ponto e as facilidades do que é mais utilizado estar sempre à mão é simplesmente esquecido na hora de planejar e refinar um projeto. Coloca um botãozinho aqui, enfia uma listinha ali, arruma espaço pra um link patrocinado acolá. Em dois ou três movimentos você sai do estado inteligível quando se bate o olho num projeto e vai pro estágio esquizofrênico, cheio de opções, para atender todas as pessoas do planeta que são ou não público alvo, afinal de contas dá pra encontrar referência de tudo que é bom na internet, mas mesmo assim muita gente insiste em pegar as piores, descontextualizadas ou misturar diversos benchmarks sem o critério de adaptá-los ou reformatá-los para o projeto desenvolvido. Ou tudo junto. Na cabeça dessas pessoas tudo precisa estar presente, o que é prioridade mil e a zero. Tudo ali, pronto para alguém clicar, como se alguém fosse mesmo.

– Mas por que esse elemento tá aqui? Ele não ficava lá do outro lado…?

– Eu acho bom ficar onde está agora, eu pedi pra mudar. Por exemplo eu tenho um vizinho com sete dedos na mão direita e ele clica com mouse meio de lado, seria ideal essa opção estar aí assim.

E aí entram discussões infinitas pra não falar de nada útil.

Quando você vai à uma pizzaria e o cardápio tem 180 sabores de pizza, eu duvido que você leia todos antes de escolher. DUVIDO mesmo. Provavelmente aquele que tem 20 sabores será devidamente analisado, sem preguiça e sem demandar três horas e meia pra fazer o pedido pro garçom. E a escolha vai ser precisa, exatamente o que quer. É a valorização da diversidade sem cair no exagero. Uma pizzaria típica em São Paulo não precisa ter opções que atendam o gosto de um vietnamita que quer desfrutar de um sabor especial de pizza baseado nos sabores e ingredientes da cultura de seu pais e ainda que não tenha glúten. Se um vietnamita nessas condições quiser comer algo assim, não é numa pizzaria típica em São Paulo que ele deve procurar (e nem vai achar caso o faça). Por que num projeto digital as coisas nem sempre funcionam assim?

Eu arrisco uma resposta…

A falta de planejamento dos produtos, as reuniões que nunca resolvem nada, a falta de brainstorms feitos de maneira correta (quando são feitos…), não existir um gerenciamento efetivo dos processos criativos, a grande quantidade de profissionais desqualificados que nem sabem do que o suporte é capaz e nem o que querem de fato proporcionam quase 100% dos casos interfaces mal resolvidas e muito mais elementos que qualquer pessoa do mundo (e de for a dele também) pode analisar e clicar. O produto reflete a equipe que o fez. Mais cedo ou mais tarde isso aparece e, muitas vezes, é irremediável.

Tem alguma outra resposta pra minha pergunta? Os comentários agradecem.

Guia de Tipografia [Timothy Samara]

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Acredito que a principal vantagem que os novos livros de design têm é a inclusão de velhas e vitais técnicas como os tradicionais só que elas são sinergicamente sintonizadas com o que acontece no momento atual do cenário do design. Um bom livro sobre fundamentos de tipografia não abordar tipografia em meios digitais por exemplo, com todas essas mudanças tecnológicas e suportes diferentes, me parece que falta alguma coisa. Faltas assim eu não senti no ótimo livro do Timothy Samara que tem como subtítulo Manual prático para o uso de tipos no design gráfico, lançado pela Editora Bookman.

A abordagem da publicação e a divisão dos capítulos me agradou bastante: você pode partir da base, dos fundamentos e seguir para o foco que lhe agrada, sejam cartazes, design de embalagem, livros, digital, tudo bem. De qualquer modo eu gosto de passear por todas essas áreas, devorar o livro todo, como fiz. Ah, a parte básica também dá uma boa carga de informações num panorama geral interessante. Tudo devidamente ilustrado e bem impresso.

Pra se ter uma ideia melhor do conteúdo:

Sumário

Iniciais
A tipografia está em todos os lugares
Tipos falantes

Fundamentos da Tipografia
Parte A. Mecânica do tipo
Princípios do desenho de letras
Variações do alfabeto
A óptica do espacejamento
A mecânica espacial dos parágrafos
Parágrafos em sequência

Parte B. Forma e função
Espaço: a fronteira tipográfica
Cor tipográfica
Ponto, linha e plano
Desenvolvendo hierarquias
O grid tipográfico
Quebrando o grid
Sistemas tipográficos

Parte C. Expressando o que não foi dito
Integrando tipo e imagem
A tipografia enquanto imagem
Cor na expressão tipográfica

Práticas Tipográficas
Design de tipos
Design de livros
Textos colaterais
Design de sites
Impressos efêmeros
Cartazes
Tipografia em movimento
Identidade visual
Tipografia ambiental
Publicações
Embalagem

E alguns exemplos de como o conteúdo é visualmente explorado:

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara
Guia de Tipografia - Timothy Samara

Alguém aí já viu o livro? Leu? Tem? Gostaria de ter? Comenta aí, então! 🙂

Os “espaços em branco” da vida real: Cadê?

É de comum conhecimento que produtos com espaços coloquialmente chamados de “áreas de respiro” se fazem mais confortáveis visualmente para quem os consome, assim como podem proporcionar melhor percepção, entendimento e até interação, seja uma revista, um livro, um controle remoto de home theater ou um smartphone. Uma oferta muito grande de opções pode gerar confusão ou desvalorização do todo. O Mc Donald’s, por exemplo, notou lá no comecinho que se simplificasse o cardápio e padronizasse os sanduíches evitaria que os clientes tivessem dúvidas na hora de fazer o pedido e o atendente da cozinha, por sua vez, teria menos dificuldade de prepará-lo (quem quiser saber mais sobre isso dê uma olhada no livro Design de Negócios, de Roger Martin, Editora Campus. O John Maeda, em uma de suas Leis da Simplicidade, fala sobre reduzir o número de itens, só mostrar o necessário e eu sou adepto disso, acho que dá pra notar aqui no DESIGNICES a valorização do espaço em branco para a pausa, reflexão, pra retomar o pensamento e, quem sabe, arriscar um comentário. Já até fiz um post só pra falar da falta de espaços em branco na internet.

Mas e na cidade em que moramos, como isso tem se mostrado?

Tem cinco anos que aqui em São Paulo uma lei chamada Cidade Limpa removeu a poluição visual pelas ruas padronizando as fachadas e proibindo outdoors, faixas e afins. O Marco Moreira mostrou bons exemplos disso, vale conferir aqui e aqui. E o Rio de Janeiro tá entrando nessa também, para a alegria dos olhos de quem passeia e nota a cidade, sem parecer que você mora num jornal de classificados.

Acontece que se por fora houve o suposto cuidado de não nos soterrar com marcas e anúncios, aos poucos, os ambientes internos estão cada vez mais lotados de informação como se fosse pra compensar o que se proibe nas ruas. Não tem mais momento de reflexão no que foi visto, não tem mais pausa pra pensar na vida: sempre há algo pra ver, além dos smartphones pipocando notícias, emails e alertas de redes sociais em tempo integral. E esse último “sempre” usado acima se torna cada vez mais, infelizmente, quase que literal.

Perceber como a cultura visual das pessoas pode apodrecer com tamanha quantidade de informação me preocupa. Acredito até que de alguma forma prejudique nossa profissão, já que a desvalorização da exclusividade de informação (seja ela qual for, até mesmo a publicitária) tende aumentar já que segundos depois algo novo toma o lugar do que, precocemente, vai ser chamado de antigo. Em trinta minutos caminhando na hora do almoço mais de uma dezena de informações foram metralhadas na cara dos “usuários da cidade”. Impossível lembrar da primeira, da segunda, da quinta. O Metrô, que era limpo visualmente, tem até propaganda na catraca. Elevadores tem a atenção dividida entre as tvs com anúncios irrelevantes e emails (duvido que tão urgentes assim que não podem aguardar até a chegada na mesa) nos iPhones, Blackberries e Androids. Telas nas praças de alimentação. Nem escada rolante escapa mais. Tá difícil a coisa, viu?

Para mostrar o que me refiro, saí caminhando na hora do meu almoço e dando cliques com o celular (por isso as fotos não estão lá essas coisas) o que vi em poucos metros. A sobreposição e acúmulo de informações além da falta de cuidado com elas me assusta e tenho certeza que muita gente não dá mais conta disso porque foi acostumando e agora parece tudo normal, por mais absurdo que pareça.

No Metrô Linha Amarela de São Paulo, o mais nova da cidade, a sinalização é muitas vezes feita assim, com pincel atômico, com rasura e papel colado por cima. Bem legal para uma obra de tantos milhões investidos.

Cartaz de sinalização do Metro Linha Amarela

Os elevadores (à esquerda), dos poucos lugares que as pessoas não tem pra onde correr, tem telas pra tomar a atenção. E um roubo de atenção mais que idiota, nesse caso é pra falar das tais fotos roubadas da Carolina Dieckmann nua. Ao passar na catraca do Metrô (à direita) tem publicidade aplicada, afinal de contas é muito gostoso tomar iogurte na multidão.

Fotos da Carolina Dieckmann e publicidade na catraca do Metro

Essa sequência de três telões frente-e-verso (acima) mostrando as mesmas imagens é totalmente desnecessária. Por que não um só? Depois dos telões (abaixo), uma tremenda confusão de foco de informação: Sinalização do shopping no alto, telão gigante no meio e placa no chão com o horário de funcionamento (e além de tudo você tem que descer uma escada). Shopping Nações Unidas / Shopping D&D, São Paulo.

Sequência de telões no Shopping Nações Unidas

Na hora do almoço nem o cardápio escapa: O Bar da Devassa na região da Berrini, em São Paulo, remenda os preços com etiquetas à caneta. Coisa linda de fazer quando se está cercado de grandes empresas e hotéis caríssimos.

Cardápio remendado do Bar da Devassa, na região da Berrini, São Paulo

No caminho pro cafezinho um estupro visual: Escada rolante inteira envelopada da HP. Pra quem a desce não dá mais pra ver a arquitetura do lugar nem o jardim: banner da mesma campanha tapa toda a visão.

Escada rolante com publicidade da HP

Tomar um café, relaxar e se preparar para o famoso “segundo tempo” também não escapa do acúmulo de informações. Além das telas, na mesa também tem tentativas de vender mais. Essa é da Ofner.

Café com publicidade na mesa, na Ofner

Claro que existem mais N exemplos, mas acho que já dá pra parar por aqui.

Bom, pelo menos na região central/comercial aqui em São Paulo a coisa anda assim, feia. Imagino que uma hora isso vai transbordar e algo precisará ser feito. Enquanto isso não ocorre você poderia deixar nos comentários:

1. O que acha dessa enxurrada de informações?
2. Onde ir pra ter um momento de “área em branco”?
3. Como isso pode influenciar na nossa profissão?

Manda bala, tem bastante espaço em branco aqui embaixo pra você refletir 😉

O Fantasma

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Diferente de muitos meninos que começam gostar de heróis como o Superman, Batman, Hulk, eu comecei com o personagem O Fantasma de Lee Falk, na Fantasma Magazine que meu pai se orgulha de ter mais de 80 unidades dos anos 1950 e 1960, todas que comprou na época, a maioria já usadas.

Era pra mim bem divertido ver um cara mascarado, com um anel de caveira, cavalo, cachorro (chamado Capeto! Ó que nome bom!) e que morava numa caverna com o formato de crânio humano. E nada de super-poderes, o Fantasma resolvia tudo na base da porrada, de tiros, facadas. Ótimo pra uma criança de três anos de idade, não? Mas não tinha problema, elas estavam (como mostra o selo) dentro do código de ética! E eu já estava BEM escolado com essas coisas, pra quem já lia O Amigo da Onça, o Fantasma era “café-pequeno”!

Eu passava um bom tempo folheando as revistas e ouvindo meu pai contar sobre onde e quando comprava, que ele queria tal que não conseguiu em lugar algum, que pagava barato na feira, num pano no chão que um vendedor colocava com as revistas por cima. Fazia tempo que eu não via esse material, mas o Seu Rodolfo resolveu o problema: Cavocou os armários e pegou sua coleção e algumas delas foram fotografadas, olha que legais:

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Meu pai conta que na banca de jornal, quando a revista era preto e branco, nunca sobrava uma sequer.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Daí mudaram para colorida…

O Fantasma [Fantasma Magazine]

E depois voltou ser preto e branco novamente.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Além de tudo ainda vi algumas propagandas vintage de produtos que ainda existem, como essa do Nescau

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Esses foram alguns dos primeiros contatos que tive com histórias em quadrinhos, talvez a primeira com a narrativa sequencial (e não em charges de um quadro) que eu vi.

E você? Qual era teu herói/heroína quando criança?