Designices

Os projetos de design e a Matemática dos Danos

6/12/2012

Sim, escolhemos “humanas” na hora de seguir a carreira, eu sei. Isso, claro, não exclui por completo as exatas da nossa vida, seja na hora de cobrar por um freela, seja na hora de se planejar financeiramente. Pelo menos não deveria. Fato é que no mercado de trabalho temos uma “matemática” muito importante a seguir: o famoso e temido prazo de entrega.

Ok, aí podem vir todas aquelas argumentações de “ai, mas tudo é pra ontem”, “ai, mas meu cliente não sabe de xyz”, “lá no trabalho ninguém tá nem aí pra nada…”, só que não é essa parte do prazo de entrega que pretendo tratar. Como diria o poeta: Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem. Quero falar sobre como pode ser (e efetivamente é) exato o tempo dedicado ao trabalho e as consequências disso tudo.

Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem

Bem, do meu lado, tenho um processo de trabalho muito bem definido. Atuo como diretor de arte (mas confesso que prefiro o termo designer, apenas) em produtora digital e os passos são bem respeitados. Todos eles são seguidos, toda a estrutura é bem feita porque quero um projeto bem feito. O cálculo é simples e certeiro, como deve ser uma conta de boteco bem feita. Não existe anjo salvador nem pacto com capeta.

Pode até parecer bobagem, mas me deparo com muitos que não conseguem entender como funciona a Matemática dos Danos. Aliás, Matemática dos Danos é um termo que criei pra definir isso, não está nos melhores livros de matemática do mercado, nem foi dito numa palestra do TED, nem escrito em algum Kotler. Funciona assim: Um projeto deve ser feito. Pra que ele fique como deve ser são necessárias, por exemplo, 100 horas de trabalho. Se você inventar de querer fazer em 50 horas, algo vai se perder do processo: ou o projeto não vai ficar como deve, ou ficará errado, ou ficará incompleto, ou precisará ser refeito, vai custar mais grana, quebrar mais pra frente e precisar ser estruturado como se deve (ou devia ser feito de cara). Se alguma etapa do processo for removida pra “adiantar”, algo vai atrasar depois.. Pela Matemática dos Danos, como dizem por aí, é preto no branco. Ou vai ou não vai. Se for como deve, ok, se não for, algo vai ser perdido (além do tempo…) e, novamente, não vai ter reza que solucione.

Você pode ser dessas pessoas mais felizes que não ligam pro trabalho e o tocam apenas como algo de baixa importância na vida. Você sim, é feliz. Pra quem é, como eu, que sempre procura melhorar profissionalmente e “sofre” com o que há de errado por aí no mercado, participar sempre de processos e projetos dentro da Matemática dos Danos é um indício quase que definitivo que onde você trabalha não é um lugar interessante pra ti.

Pergunto: Qual tua relação com processos dentro da Matemática dos Danos? Qual foi o pior? Como resolve isso?

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7 comentários:

  1. Concordo plenamente, já estive do lado do “é pra ontem”, e sempre da merda ou é necessário refazer, reajustar.. e principalmente m WEB isso pode ser começar de novo.

    Hoje faço os processo completo, mesmo quando o projeto é só meu, ou só eu que vou trabalhar nele. Me ajudou bastante principalmente na digestão do projeto, em pensar em cada etapa e não sair fazendo layout direto no PS porque tem 1 semana para fazer um portal.

    é a famosa triade que só se pode ter 2 pontas..
    prazo – qualidade – preço

    escolha 2 e esqueça da terceira..

  2. Muito bom.
    É o que estávamos conversando mesmo.
    O cliente, especialmente o pequeno empresário, mudou na relação que tinha com o design.
    Antes ele achava que nem precisava de design. Hoje ele acha que precisa, mas não sabe muito bem pra quê. Quando ele se tocar do tipo de trabalho que está lidando, podemos ver mudanças. Mais respeito pelo que fazemos. E pra conseguir esse respeito, o melhor é tentar dar a importância que o trabalho bem feito, bem pago e bem realizado tem.

  3. Não é só com design. Há aquela regra que serve para qualquer projeto que se faça na vida: as coisas podem ser baratas, rápidas ou bem feitas. Escolha dois.

  4. Eu estagio na universidade e desenvolvo manuais de identidade visual com o auxílio de professores (ou fazia isso, saio de lá agora em dezembro). Quando pego um projeto, tento começá-lo de imediato, pra ter uma noção de quanto tempo vou ter que investir nele.
    O problema não é aplicar a Matemática dos Danos. O real problema é quando o professor (leia-se chefe) resolve chegar de repente e mudar tudo, voltar passos, adiantar processos…
    A Matemática funciona bem na solidão, mas e no grupo?

  5. O ideal é fazer em um prazo estimado por nós que vamos produzir e tentar fazer tudo em nosso guide, MAS no dia-dia nem sempre isso acontece. Então quando esse prazo é curto, imposto e já vem junto com o briefing eu procuro sinalizar os riscos (também conhecido como “danos”) e mostro qual é o tipo de trabalho eu consigo fazer dentro desse tempo.

    Como Arquiteto de Informação, a grosso modo funciona assim:

    Prazo bom:
    Pesquisas, fluxos, sketches bacanudos e wireframes de alta fidelidade, ajustes.

    Prazo insano:
    Sketches e só.

    Mas as vezes as entregas, por ordem maior precisam ter muita qualidade em um curto prazo, daí vem a tal da Pizza de madrugada na agência. Acontece e acho que a exceções fazem parte de nosso dia-dia.

    Felizmente hoje consigo ter um controle sobre as entregas e consigo negociar bem os prazos. Raramente preciso ficar noites a fio no trabalho. Ainda bem \o/

  6. Penso que falta de tempo é planejamento de prazo e pauta mal feito. Se for bem planejado e não atravessar o processo com os “urgentes de morte”, tudo dará certo.
    Outra coisa que sempre li e vejo que se tornou mais cultural do que necessário é a tal pizza da madrugada. O calouro quando entra na faculdade de Publicidade ele já entra com a mentalidade de que irá ficar noites sem dormir. Isso já virou cultura dentro do mercado. Volto a comentar que se for bem planejado e com processo funcionando a risca, não precisa se ter a tal pizza.