O ego do designer

O ego do designer. Foto: Rogerio Fratin

Há alguns anos que procuro identificar junto de profissionais de outras áreas, como jornalismo, desenvolvimento, marketing, publicidade, contabilidade, os principais problemas que existem junto de nós, designers, e a relação com nosso trabalho. As respostas sempre passeiam entre horários de entrada e saída, de falta de tato na hora de conversar, de vivermos em um mundo paralelo, mas o fator mais significativo [segundo as dezenas de pessoas que papeei] é o EGO do designer. É, EGO inflado. Aquele sentimento demais da conta que torna uma peça intocável, como uma obra de arte única, Renascentista. Confesso que eu mesmo já fiquei de bode de ego de designers que convivi, acredito que você também. Entretanto, não poderia ser preciso em dizer que nunca dei motivos pra acharem isso de mim. Me policio muito em relação a isso, mas pode ter escapado e eu nem me liguei. O Chico Homem de Melo fala disso no livro Os Desafios do Designer, e um dos parágrafos pode ser lido aqui.

De qualquer maneira, isso que eu chamo de EGO inflado pode ser muita coisa, inclusive a nosso favor, por exemplo para proteger as peças que desenvolvemos de avalanches de modificações pelo EGO inflado de outras profissões.

Mas e aí, como tratamos disso? O EGO inflado do designer é algo a ser corrigido, é apenas parte da profissão, uma defesa ou minha “pesquisa” tá errada? Detone nos comentários!

Autor: Rogério Fratin

Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2016, com a pesquisa Design Thinking Aplicado à Educação. Bacharel em Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi, 2005.

15 pensamentos em “O ego do designer”

  1. Nunca havia pensado no EGO servindo pra proteger a “obra”, olha! Mas já me senti bem revoltadinha quando vi foto minha com tratamento mal feito por aí…

    Agora, particularmente no caso do “ego do designer”, talvez haja aí uma inversão. Vejo gente já com o ego inflado procurando cursar design achando que vai ser super star. Ainda bem que vejo também alguns bons profissionais, que sempre buscam crescer e sabem que não são donos da verdade.

  2. Hum…fico um pouco dividido quanto a isso.

    Em partes, alguns designers possuem mesmo o ego inflado, não aceitam nenhum tipo de alteração, querem que tudo seja feito da forma dele.

    Me faz lembrar de um amigo meu, que fazia um freela comigo. O cliente já havia dito que gostava de verde e utilizava o verde em TODAS as peças. Ele, do nada, faz tudo VERMELHO, sob a argumentação “era pra mudar um pouco”.

    Falta total de profissionalismo, né? Poderia ter feito uma versão em verde e uma proposta em vermelho, não impor o gosto dele. Mas enfim.

    Por outro lado, o que alguns chamam de ego, na verdade, eu chamo de defesa de criação mesmo.

    Muitas vezes, nos chegam alterações absurdas (como colocar todo o texto de um email centralizado, escrever em preto sobre o azul, etc) e quando o designer vê aquilo, tenta argumentar.

    Não é ego, ele quer não só proteger o trabalho dele, mas como proteger o cliente de si mesmo (ou do “atendimento”).

    Acho que não dá para generalizar

  3. Não dá pra generalizar, mas tem todo tipo de designer. O problema é que muitas vezes lidamos não só com nosso Ego, mas com o Ego do cliente. E briga de egos sempre traz dores.
    Fato: todo mundo acha que sabe fazer design.
    Se o designer tem o ego inchado, por outro lado tem uma auto estima miserável, abana o rabo para qualquer job. É uma quase antítese.

  4. Isso é fato inegável! Achamos por aí vários designers que tem o EGO quase estourando, e na verdade não são tão bons assim. Se procurarmos internet a fora ou até mesmo conhecidos nossos, vemos que tem profissionais com um portfólio incrível e não estão em pedestais como se fossem intocáveis. Até trocam idéias, nos ensinam ou nos dizem qual caminho seguir. E eu acho que é por ai: Você é bom! Mas sempre vai ter alguém melhor que você! Então se espelhe e vá melhorando com o tempo com humildade e determinação! É esse meu ponto de vista sobre o ego inflado: reconhecer e saber onde é seu devido lugar.

  5. Ótimo post pra discussão Rogério (hehe), mas para mim não existem designers com ego inflado, existem PESSOAS com ego inflado.

    Acho que o problema está no designer levar para o lado pessoal quando recebe uma crítica ou tem que alterar um trabalho que ele achava o máximo. Não consegue separar a pessoa do profissional.

    Concordo também com a Tereza, muitas pessoas cursam design só para aparecer e alimentar o ego com elogios, e quando recebem feedbacks “negativos” se sentem ofendidas…

  6. Entendo o ego do designer, como sendo um receio de que a opinião das outras pessoas vai acabar com a ideia que teve e que vai ficar feio. Assim como a vontade de mostrar que sabe fazer, que estudou pra isso, a aceitação de um modo geral, tudo isso faz parte.
    Mas é muito importante ouvir várias opiniões, cada pessoa tem um olhar diferente e pode encontrar um problema ou uma solução que não foi percebida anteriormente.
    Avaliando a relevância e necessidade antes de fazer alguma alteração, com argumentos para defender o que achar certo e explicar os motivos do que não vai ficar bom. Esse diálogo chega num resultado satisfatório pra ambas as partes.
    Acredito que no lugar da teimosia ou ego, deve sempre existir uma boa comunicação.

  7. Designer geralmente pensa que o design gráfico é arte. Se esquece de olhar o processo sob a ótica do consumidor da marca.

    É aí que diferenciamos um diretor de arte de um diretor de criação.

  8. Acho que com o tempo vamos ficando mais seletivos e mais “chatos” com algumas coisas, talvez como disse, para argumentarmos e não deixar um projeto lindo virar uma coisa que não tinha nada a ver com a proposta inicial.
    Porém essas coisas que também fazem parte. Já passei por alterações solicitadas pelo cliente e ajustes mil em um projeto solicitado e ele melhorou!!

    E concordo com que a Fernanda disse. O designer que é bom muitas vezes não tranparece esse ego. Também tenho a impressão que em grande parte das vezes esse ego vem de gente deslumbrada, de iniciante. Mas aí vem o briefing, a necessidade do cliente, o público e aquilo que o webidizainer achava que ia dar para fazer, as vezes não dá mais. Design é projeto, é resolver um problema e transformar aquilo em uma coisa linda, funcional, fácil de produzir e lucrativa, quando o designer, lá no começo achava que ele só precisava pensar na estética. É aí que o ego dele vai ladeira abaixo e ele aprende.

    Eu resmungo e reclamo por que tenho senso crítico, tenho bagagem e não vou deixar o cliente achar que ele que é o designer no projeto, sinto muito. Para ele fazer o meu logo quadrado virar uma bolinha ele também vai ter que me mostrar no projeto onde isso se encaixa no brienfing, não por que “ele quer”. Ego não manda em projeto. O que manda é o objetivo, o público. (há ocasiões que a gente tb faz apenas “o que ele quer” ou o projeto não termina nunca, néverdade?)

    Ótimo post, Roginho!

  9. O problema não é a mundança na peça ou a alteração de alguma coisa. O problema é quando isso é solicitado sem fundamento algum, do nada e sem mais nem menos.

    Claro, há projetos rasteiros, ruins e sem conceito algum e com acabamento porco, mas há projeto super-estruturados, conceituados e pesquisados exaustivamente para se ter aquele resultado, aí chega alguém na base do “achismo” e quer simplesmente mudar algo porque é “bonitinho de outro jeito”.

    A de se convir que o designer não dá pitaco na redação do texto numa revista, então por o redator tem que dar pitaco na diagramação do designer? É preciso ter esses limites bem definidos.

    É há casos piores, quando a solicitação é feita pela esposa do chefe, pelo filhinho caçula do chefe e por aí vai.

    Ninguém questiona um engenheiro, um médico ou mesmo um padeiro de certas coisas, mas questionar o designer parece que virou tônica nas empresas.

    Sou contra esse estrelismo da profissão, atuo na profissão desde 2001, me formei bacharel em design em janeiro de 2004, como estudante da área havia coisas que eu aceitava na maioria dos casos por estar aprendendo muito mais que exercendo a profissão, depois de 2004, ainda me mantive no aprendizado, mas muito mais exercendo por já ter tido experiência e conhecimento acadêmico. Fui em busca de uma especialização em Semiótica e agora estou em um mestrado, é difícil depois de tudo isso alguém propor, por “achismos” que tal coisa é melhor que um processo todo de elaboração.

    Há ego, há sim, e muito, masi do que deveria haver, mas é preciso também respeitar o limite entre a ação profissional do designer e a solicitação na base do chute cego.

    A defesa de conceitos e execuções sempre deve ser feita, até porque, se não precisassem do trabalho de um designer qualificado e experiente, mandassem a mulher do chefe fazer, já que ela tem tantos pitacos a dar…

  10. Temos sim que separar o que é imposição profissional do que ego, enquanto profissional é antiético permitir uma alteração (vulgo pitaco) que prejudique o resultado da peça.

    Temos também que separar o que é atitude profissional e não profissional. E isso é fácil quando o atendimento sendo por terceiros ou pelo próprio designer flui em todo o decorrer do desenvolvimento do Job. O designer tem sim que se impor emquanto profissional, o cliente tem sim que entender que não está pagando para alguém empurrar o mouso só por que ele, em exemplo, não tem aptidão com programas gráficos, mas sim anos de estudo e experiência acumulada. Quando o cliente participa de todos os passos do processo de desenvolvimento fica fácil para ele entender a importancia de cada um deles, e como participante e considerando que ele tenha aprovado cada um dos passos, é impossível existir alteração na peça final senão quando há uma necessidade de alteração de conteúdo por qualquer motivo externo, como a alteração da estratégia de um concorrente.

    É assim que trabalho, e sempre antes de começar a trabalhar com um cliente novo, deixo claro que estou lá para, não só entregar os resultados esperados, mas também para educá-lo no que eu faço e em minha metodologia. Até por que isso também me é ferramenta de venda, raramente outra empresa tem um atendimento tão próximo, transparente e uma metodologia de processo tão completa, se por qualquer motivo (leia-se o preço que o sobrinho ofereceu) me trocarem por outro fornecedor, em seguida eles voltam, como já aconteceu algumas diversas vezes…

    Temos também que entender que ser arrogante e saber usar uma postura arrogante na hora certa não é a mesma coisa, ser arrogante é, acima de tudo resultado de vaidade excessiva, não tomar posturas arrogantes quando necessário é falta de amor próprio e pelo resultado de seus esforços.

    Para explicar:

    Não é raro eu dizer para um prospect, depois de me apresentar como supracitado, que não o aceitarei enquanto cliente, posto que este não demonstra respeito pela minha atividade e não compreende que design é uma ciência com resultados estéticos, e não arte opinativa. Muitas vezes com este discurso ganhei clientes para a vida toda.

    Também não é raro o meu discurso de “Sua empresa sabe fazer bicicletas, e eu não venho aqui lhe dizer como fazer ou vender suas bicicletas, isso por que respeito o seu trabalho enquanto fabricante de bicicletas, espero o mesmo respeito em retorno.”

    Humildade é pior que arrogância, e neste sentido cito Schopenhauer: “With people with only modest ability, modesty is mere honesty; but with those who possess great talent it is hypocrisy”.

    Acredito que o ideal é sempre medir as situações e saber como se portar em cada uma delas, há momentos de engolir o ego, há momentos de inflá-lo, há momentos de deixar o reconhecimento de lado em troca de algo maior.

    Umas duas ou três semanas atrás terminei um trabalho para um cliente novo, uma brochurazinha, super simples, primeiro dos muitos trampos que virão. O entrosamento com o rapaz com que trabalhei diretamente fluiu tão legal, que durante o desenvolvimento, no fim de cada passo, ele acreditava que todas as idéias e conceito tinham vindo exclusivamente de sua mente, conforme eu o guiava com uma dialética programada a ele entender o valor de cada coisa/conceito que seria inserido no material.

    No fim, com o impresso em mãos ele passeava pela empresa mostrando-o e dizendo: “Olha o que eu fiz, que lindo que ficou”. Pessoas com problemas de ego tomariam o impresso de sua mão e diriam “Peraih, foi eu quem fiz isso, nào você”. Eu me rí e pensei: “Como sou foda, meu atendimento é realmente fodido de bom.”

    Não creio que isso seja humildade, e sim júbilo com os resultados de seus esforços. Isso somado à tranparência, que lhe renderá muitos frutos nos anos vindouros, é capaz de fazer qualquer um colocar seu egozinho de lado.

    No fim, é a mesma coisa para todos, queremos colocar nosso trabalho no mercado e esperamos reconhecimento. O egocêntrico so o é por nào saber como talhar seu caminho e se sentir ofendido pela propria (e não reconhecida) incompetência em o fazer.

  11. O Design,a Publicidade o Marketing dentre todas as áreas que compreende estes ramos são envoltos do Ego. Mas o Ego inicial parte do Cliente, a partir do momento que ele deseja utilizar destes meios para se destacar e se diferenciar dos demais ele já está alimentando o seu Ego…

    As vezes não fazemos idéia de como a vida passa muito rápido diante dos nossos olhos em frente ao computador…nós, designers, publicitários, marketeiros etc estamos deixando sermos sugados por coisas inúteis na vida. Sanguessugas do tempo que fazem com que você desprenda o seu tempo por dias,horas,semanas com itens e detalhes irrelevantes apenas para alimentar o próprio Ego. Nisso você não fez diferença nenhuma pra ninguém,apenas sentou-se nesta cadeira ali como um Alimentador de Egos! Usar a facilidade da comunicação pra fazer alguma diferença e eliminar da sua vida os kamikases que sugam o seu tempo,a sua vida…é desta forma que um Designer pode extinguir o Ego..

  12. Em todas as áreas você vai encontrar gente com ego inflado. Já viu o que tem de médico, engenheiro, advogado, administrador de empresa, etc, que se acham deuses? Não é exclusividade de quem trabalha com design/publicidade.

    A diferença é que dar palpite no trabalho dos engenheiros, médicos, advogados e administradores de empresa já é mais complicado. E de Design todo mundo pensa que entende um pouco.

  13. Creio que o EGO é mais inflado entre publicitários e jornalistas.
    Mas de um modo geral, profissionais do meio publicitário e editorial, o que inclui designers, tem o hábito de se acharem meio intelectuais, meio de esquerda, meio “eu penso diferente”, e acabam sendo todos iguais.
    Olhe ao redor…

  14. *Os desafios do designer é um livro sensacional, pena que o cupim comeu. Comeu Chico, Rafael C. Denis, Strunck, Lucy Niemeyer…recuperar tudo é um trabalho em progresso.

    Mas sobre o Ego, como lidar com a teimosia do cliente é, talvez, a situação mais turbulenta.

    Quando envolve estética, o fator visual passa a ser um pequeno problema que dá ilusão de ser permissivo, dando abertura a pitacos de clientes ou o domínio do projeto.

    Nessa hora eu penso: some da minha reta, esse projeto tá ficando uma esquizofrenia medonha, me deixa em um pouquinho em paz com esse bisturi.

    É utopia desejarmos design como medicina?

    Compreendo a equipe em um projeto, mas determinadas linguagens são tão discrepantes que o projeto se perde justamente porque tem cabeça demais reunida. É um aspecto que acho válido pra reflexão.

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