livros, tipografia, referências e afins

Infográfico: Como os micreiros prejudicam os designers

Eu até gostaria de colocar um belo info aqui, cheio de ilustras bacanas e texturas minunciosamente bem feitas. Tudo com o acabamento mais incrível que já fiz. Não coloquei porque não achei esses valores comparativos. Nem gráficos. Nem tabelas. Nem números.  Nunca tem nada. São centenas de pessoas reclamando por algo que, até hoje, nunca vi uma prova sequer.

Bem me lembro que durante meu curso superior de Design Digital alguns professores falaram e teve até um que deu um texto para ser interpretado, que atacava os micreiros (no texto eles chamavam “sobrinhos”) e basicamente falava que eles eram o pior terror para a profissão do designer. Pois é… E cadê a prova disso tudo?

Pra mim é tudo balela. Se eu estiver errado, então me prove com números. Os micreiros ficam lá, os designers ficam cá. Tem sempre um que fala “Ah, mas eles tiram meu emprego”. Tiram, é? Quantas vezes a Agência Click, por exemplo, contratou um micreiro pra fazer suas peças que concorreriam ao Cannes? A AlmapBBDO trouxe um grupo de micreiros pra conseguir a conta de algum cliente importante? A Editora Globo terceirizou micreiros pra fazer a identidade da revista X ou Y? Não, né? Então… Talvez o micreiro tenha feito por R$ 325,00 o site da papelaria que tem perto da sua casa (até porque eles não teriam os 2 ou 3.000 que você cobraria para fazê-lo). Talvez o sobrinho do amigo tio que sabe mexer no Corel Draw tenha cobrado R$ 8,50 pra fazer o cartaz de “Vende-se ovos” para a quitanda da amiga da sua tia. É com esses caras que você quer competir no mercado? É esse tipo de trabalho que você quer? São esses os caras que você compete numa entrevista? Ah, bom…

Micreiros x Postura profissional: Quem (ou o que) prejudica mais a profissão?

Muitas vezes me questiono da posição do designer dentro de uma empresa. Sempre me lembro de um passado remoto, quando eu era office-boy, junto de outros oito ou nove adolescentes. Pra eles não bastava ser office-boy, também era necessário se portar como. Todas as gírias de periferia possíveis, roupas largas e extravagantes, boné de basquete norte-americano, pouca cautela pra falar… Enfim. E não era da natureza deles, não. Era algo que contagiava quem começasse a trabalhar lá (e também nas outras empresas dos prédios ao redor). Por que será que nenhum deles pegaria aquela vaga de auxiliar de escritório? Porque a vaga não é pra alguém assim. Ah, nada contra as vestimentas, não. Mas acredito que elas devam ser de acordo com o tipo de negócio que você trabalha. Nesse caso, uma seguradora, cheia de regras e de bancos importantes como clientes principais e um povo de terno sempre ao redor. Não esperava que os meninos fossem trabalhar de fraque, apenas não acho interessante ir vestido como se vai para o clube no final de semana praticar esportes. Ah, é evidente que não estou exemplificando baseado em funcionários numa agência ou empresa descolada, que permitem e promovem essa casualidade (extremamente saudável e indicada) na aparência.

Da mesma forma que os estagiários de todos os lugares que trabalhei que se comportavam como estagiários NUNCA foram efetivados.

Dúvidas: Será que não falta para a profissão se preocupar com a NOSSA postura profissional invés de fazer o mesmo pela postura de um micreiro que nem sabe porque ele não é designer? Quão contente um gerente de marketing fica com explicações do tipo “NÃO DÁ pra mudar porque estou usando uma referência direta aos estudos de gestalt do objeto da Deutscher Werkbund”? Inclusive tem gente que fica sem resposta se as frases prontas “Não dá”, “Não tem como” e “É impossível” sumirem da Língua Portuguesa. O designer precisa ser o solucionador de problemas, não o causador de outros.

Designers mendigos

Ocasionalmente pelo Orkut eu encontrei uma comunidade chamada “Designers mendigos”, onde na descrição tinham coisas como “Se você tem 22 anos, está formado e não tem perspectiva de comprar um carro por conta do salário aqui é seu lugar”. Ok, ok, sei que sou ranzinza pacas. Sei que até pode parecer engraçado, mas mesmo que algumas vezes isso possa ser verdade, quanto será que uma coisa dessas ajuda as pessoas de fora a olharem para a profissão de designer de maneira digna (já que nem quem é designer olha)? Engraçado é que não tem nenhuma comunidade de “neuro-cirurgiões mendigos”, nem “vendedores de loja de shopping mendigos”, nem “frentistas de posto de gasolina mendigos”, nem marketeiros, nem programadores. E a comunidade tá lá, com mais de mil e duzentas pessoas. A comunidade brasileira de tipografia que tem mais membros não passa da casa dos três mil, ou seja, um terço desse valor se identifica designer mendigo (claro, não necessariamente os membros dessa comunidade, só estou comparando os valores). É curioso pensar que não gostamos de micreiros porque eles sujam nossa profissão e denigrem nossos valores, mas se comparar a mendigos não tem problema, né?

Só pra fechar

Quero deixar bem claro que não sou satisfeito com o que o mercado paga para os designers. Tampouco acho que nem os clientes nem nossos chefes tratam nossa profissão com a seriedade que deveriam. Mas também acho que muito disso não se deve apenas aos micreiros, sobrinhos nem a toda a turma deles. Se a cabeça de quem faz parte do grupo “prejudicado” não muda, mais complicado ainda mudar o pensamento de quem está apenas assistindo de fora. Nos últimos três anos quantas entrevistas em programas de talk-show foram com designers que fizeram algo grandioso pela sociedade? Quantos projetos de melhorias para o país foram idealizados por designers? Quantos designers você conhece que se envolvem com projetos para ONGs ou OSCIPs? Pois é… Que coisa, não?
Corcorda? Discorda? Não tem problema. Se design é projeto, como diria o Mestre Alexandre Wollner, ele pode ser fortalecido pelas discussões. Então comenta aí!

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (30) Comentários

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30 comentários para “Infográfico: Como os micreiros prejudicam os designers”

  1. Matheus Dix says:

    Concordo, esse papo de Designer x Micreiro já deu.
    E os “micreiros” são necessários. Imagine o Alexandre Wollner fazendo a faixada da padaria de seu bairro.

  2. Thiago Lima says:

    Bom, essa discução não vem de hoje e provavelmente não para por aqui.
    Acredito que exista uma hierarquia, sim, os sobrinhos que se viram como podem pra conseguir a propria grana (seja fazendo cartazes para o comércio de seus bairros ou logomarcas por 50 reais) tudo tem um começo e esse é o deles, alguém que se garante não devia se encomodar com esse tipo de coisa, correto?
    Metade dos recém formados ainda sim não podem ser chamados de designers (não ao pé da letra), o motivo se esclarece em seus trabalhos e na forma como cada um o defende. Tenho exemplos vivos de quem critica e deita na angústia de saber que não ganha o que investiu na faculdade e por aí vai.
    Cara, se tu corre atrás do prejuízo e tenta fazer bem feito, vai ter seu lugar ao sol. Lamúrias disperdiçadas não dá.

    Thiago Lima.

  3. Thiago Lima says:

    Ah, discussão é com SS! hahaha

  4. Verônica Mancini says:

    Sensacional! Obrigada a bendita hora que você resolveu escrever esse post! Tenho 20 anos, fui para o último ano de Design Gráfico, e sempre ouvi tudo isso que você comentou. Admito que muitas vezes me deparei com pessoas só reclamam. Tenho um professora de Marketing na faculdade, Marcia Auriani, que vivia dizendo que Designer é muito chorão. E é verdade! Vivemos reclamando de tudo, ao invés de agir. Escutamos críticas, falando… “Ah, você faz isso? Meu sobrinho também faz!” quando escutamos esse tipo de comentário preferimos ficar rabugentos e tagarelando como não somos reconhecidos, e perdendo o tempo preciso de virar as costas pra pessoa, e pegar algum trabalho que tenha feito, e ai perguntar, ” Seu sobrinho faz isso?! “. A gente se preocupa muito com a imagem que temos, e não fazemos nada para mudar isso! Esquecemos que o hoje, é apenas o resultado do que foi ontem, e o amanhã depende do hoje! Se continuar com as mesmas atitudes de crianças mimadas, nunca seremos valorizados, e continuaremos no ranking de Designers mais mal pagos do mundo! A Índia está em primeiro lugar! Obrigada por esse texto e tomara que muita gente leia e tenha a reação parecida que teve comigo. Insatisfação com vontade de mudar! Parabéns!

  5. Fábio Léda says:

    Li um comentário na comunidade Design Brasil de um cara que não é formado em design (e que defendia a idéia de que não é necessário fazer um curso superior de design para ser um designer), onde ele afirma que nós, designers formados, temos medo da concorrência perante os micreiros, por isso falamos tão mal deles.

    Ora, se temos uma formação técnica que é infinitamente superior ao conhecimento de softwares dos micreiros (na maioria das vezes bem superficial), por que teríamos medo de concorrer com eles?

    O que todos nós, Designers (com D maiúsculo), nunca devemos ter medo é de competir com micreiros. Porque há um mundo de distância entre nós e eles. É o mesmo que comparar a seleção brasileira com o time da galera da pelada do fim de semana.

    O que devemos ter em mente é o nosso valor no mercado. Quanto mais cursos, palestras e graduações, mais riqueza daremos à nossa formação. Enquanto isso, os micreiros continuarão com seus tutoriais de software na internet.

    É isso que temos que aceitar com vontade: estamos há anos-luz de distância deles. Nunca serão nossos concorrentes. A não ser que a gente queira e deixe isso acontecer. E se acontecer, podem ter certeza de que fomos nós que descemos ao nívels dos micreiros, e não o contrário.

    Sobre a comunidade Designers Mendigos, eu a vejo como uma sátira/crítica à atual situação dos designers no país, que ainda são mal pagos, como esclareceu o texto.

  6. Romane says:

    Então… no início achei que fosse mais um texto inseguro atacando micreiros…

    Concordo com vc em boa parte do que foi escrito… e que é profissional se valorizar e não atacar os outros…

    Tampouco acho que oque os micreiros fazem não é design e que o papel que receberei daqui a dois semestres vai me tornar designer como mágica. Citando Brian Reed. “Everything is designed. Few things are designed well.”

    Eu mesmo comecei como micreiro safado que tinha acabado de aprender corel e depois fiquei sabendo melhor do mundo do design…

    Fico indignado em ver empresas grandes com marcas feitas na ultima tarde no cara da gráfica. MAs isso é um problema dos micreiros? dos donos? ou dos designers formados(com “d” minusculo mesmo)?

    Digo que é culpa nossa(já me incluo junto). Vejo uma postura de cachorro vira-lata que não envolve o cliente nas suas certezas de designer. Consequentemente o empresário(ou melhor, comerciante) não confia que realmente tem diferença no fato dele investir mais em um cara formado.

    O designer formado tem que saber conversar e ensinar oque o torna realmente tão especial. Em nenhum dos comentários acima ví isso e não acho que a maioria dos designers estão aptos a responder essa pergunta. Embora saibam a resposta.

    Só o fato de estar formado não garante nada. Portifólio fala muito, mas as vezes não há a oportunidade de mostra-lo. Devemos garantir que o comerciante ou empresário está a par dos aspectos negativos da falta de cuidado com a imagem e deixar claro que você não é só um maquiador de marcas e sim um estrategista de experiencia do consumidor e levantar os benefícios(em números) que isso pode trazer.

    É bastante difícil porque não há números sobre a atividade de design no Brasil. Mas é isso que se resume o foco do empresário no fim das contas. Ele não quer saber do cinza da manhca gráfica, ou o kernning da marca….

  7. Rogério Fratin says:

    Puxa, que bom, quanta gente comentando. A ideia é essa mesmo, gerar discussão, trocas de ideias. Obrigado a todos!

  8. Marcos Paiva says:

    How how how,
    Eu tbm achei que isso ia ser um ataque massivo aos pobres micreiros, mas quando acabo de ler essa bela crítica me sinto até aliviado. Ainda não tenho formação superior (desenho industrial), mas concordo exatamente com tudo que o autor comentou sobre o assunto. O “mercado” é morto porque os profissionais são mortos….

    Enfim, belo post!

  9. Muito bom o texto, concordo com tudo que está escrito aí…

    Vejo muita gente reclamando mas poucos procurando uma postura profissional…

    Uma coisa que eu acredito é que micreiros são necessários e funcionam como sementes de design… Como assim?
    Bom, se pensarmos que muitos clientes não sabem o que é um bom ou mal design, e que trabalhos de micreiros são ruins e tals, então deixem os clientes terem trabalhos feitos por micreiros, se o trabalho for realmente ruim ele não vai “funcionar” da maneira correta e uma hora ou outra com certeza vai procurar um “Designer” de verdade para cuidar dos problemas visuais criados pelo micreiro… ou seja, neste momento você terá um cliente com uma base do que é ruim e o que é bom, ou melhor, do que funciona e o que não funciona. É diferente do cliente de primeira viagem que vem cheio de idéias e pensamentos que são “errados” aos olhos do Design.

    Claro que não se resume só a essa visão… mas é um ponto de vista também.

    =)

  10. Maria says:

    Concordo c/ tudo.
    Resumindo: EM TODA PROFISSÃO, há “sobrinhos”, o q vai diferenciar vc no mercado é a competência. Relaxe, faça o melhor, e será reconhecido.

  11. Vou passar na sua mesa já já e te dar um abraço, para ver se melhora! :P Haha! To brincando… Muito bom o texto, Roginho! Concordo que o Designer é importante e não é valorizado, mas acho que não é só pela postura, porque tem muito Designer bacana por aí. Acho que todos que fazem parte do processo de produção sofrem um pouco com isso. Os webmasters também, por exemplo, enfrentam algo parecido, mas talvez para o Designer acaba sendo um pouco mais frustrante, porque tem mais criação envolvendo o trabalho… Define praticamente toda a identidade em alguns casos. Isso dá apego (hahaha). Só que uma hora o resultado (ou a falta dele) mostra que aqueles R$ 325,00 custaram bem mais que R$ 2.000,00 ou que não valeram nem o dinheiro do busão do menino e nesse momento as coisas mudam de figura. É o que eu acho pelo menos.

  12. Cara, post de alto nível e comentários idem.

    Concordo muito com um pouco do que todos disseram e para não ser repetitivo, essa “banalização” não é só em design, mas em qualquer área.
    Como já dito aqui, ter um curso superior não garante que o cara tenha competência e valor no mercado, mas é um caminho que um designer deve passar para ser reconhecido, não tem jeito.

    Cada um tem o seu valor e este vai acrescentando de acordo com a experiência não só na estética do trabalho, mas no verbal, na argumentação e na capacidade de entender a necessidade do cliente e transformá-lo em retorno no negócio dele. Seja ele na economia de fabricação de um produto, na venda maior pelo visu ou na imagem que agrega valores indiretos para a empresa como um todo.

    Micreiros como dito aqui também, são necessários para que atendam o público do nível deles. Ponto.
    Empresário ou comerciante que possui um nível de entendimento maior sobre o valor do design, irá contratar um designer que saberá fazer o encaixe perfeito para a tampa de sua panela.

    “Nós somos o que comemos”. R$ 325,00 vai valer o mesmo de retorno ou nada, ou negativo dependendo do que for feito.
    Eu não temo os micreiros e sim os caras que mandam muito bem mas cobram pouco, desses sim eu tenho medo, muito medo.

    Faço as últimas palavras a frase do Thiago Lima:

    “se tu corre atrás do prejuízo e tenta fazer bem feito, vai ter seu lugar ao sol”

  13. Adorei o texto, e creio que é realmente do jeito que ele diz, afinal de contas todo Designer de hoje já foi um “micreiro” de ontem, não tem pra onde correr, o que falta é só a galera da mais valor ao que faz, não falo só da profissão de design, mas sim de muitas outras, como técnicos de informática que sofre e fala a mesma coisa, pois todo mundo hoje sabe formatar um pc. e dai cara? cobre seus 100 conto pra formatar o pc, e segure sua palavra, e mostre a o cara que não vai ter que voltar lá para corrigir erro de alguém. é isso ae, o blog está de parabens
    abraço a todos e com certeza vou repassar esse texto em outro meios pois fala muito.

  14. Achei o post sensacional e só senti falta de uma coisa: cadê aquele pessoal que vive defendendo a regulamentação da profissão para se livrar da “concorrência” dos micreiros?

    Acho que depois de lerem um post tão bem escrito quanto esse eles devem ter ficado sem argumentos para continuar defendendo essa regulamentação sem sentido.

  15. Hugo Araújo says:

    Indo mais fundo no assunto, acho, e não sei se é só no Brasil, que existe um certo sentimento de heroísmo na pessoa que se vê trabalhando demais por pouco dinheiro, com uma confiança baseada num lema cultural e religioso de que tudo será ricamente compensado mais tarde (uma espécie de obrigaçao da justiça). Isso deve explicar a formação de agências como essa http://www.agenciadosite.com.br/logomarcas_promocao.htm (logotipos por R$99,00 em até 5x!!). Em suma, é o famoso mito do “vou conquistar clientes primeiro para depois cobrar caro”, criando um mercado inteiro feito de iniciantes, e o resto da história vocês já sabem.

    Concordo quando o texto diz que a postura deve seguir aquilo que o indivíduo quer se tornar. Quem, por exemplo, adora usar gírias para descrever seu trabalho, está limitando sua relação a apenas tal grupo social. Quem cobra barato demais pelo seu serviço, está se limitando a clientes que procuram trabalhos de valor baixo, inclusive em essência. É isso.

    Hugo.

  16. Respondendo às últimas perguntas do texto, exemplifico com projetos que buscam melhorar o país ao propor o aumento da competitividade de 11 setores industrias e desenvolvidos por uma Organização Social vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos – CGEE. Veja mais no link http://www.cgee.org.br/noticias/viewBoletim.php?in_news=754&boletim=25

  17. Neste caso, vale mencionar que sou formado pela Universidade de Brasilia em Design de Produto e tenho mestrado e doutorado pelo Institute of Design do Illinois Institute of Technology em Chicago.

  18. Nat says:

    Oi Rogers, mto bom o post :D
    Concordo com você em tudo o q disse. As universidades ainda precisam entender que o necessário é mostrar ao aluno que o futuro dele só ele que pode decidir, e que esta decisão está ligada a suas atitudes na universidade e no mercado de trabalho.
    Ele precisa estudar, precisa saber ter ideias (o que parece fácil mas é o mais difícil) e embasar estas ideias. Que não basta a ideia genial mas tem que defende-la, apresentar ao cliente, fazer o cliente amar e comprar o projeto pagando o devido preço dele.
    Ser designer ou ser micreiro está dentro da gente, do nosso posicionamento. Como no caso dos motoboys, já me disseram pra me vestir pro cargo que eu quero ter, e não pro que eu tenho no trabalho. Aplique isto a postura e comprometimento e vc tem um profissional incrível.
    Fora isto, em toda profissão existem profissionais que se posicionam de formas diferentes. Temos advogados bons e advogados de porta de cadeia, politicos bons e pessimos, medicos otimos e outros charlatões…etc etc
    O importante é saber onde se quer chegar como profissional e se posicionar sempre de acordo com isto. Né não?

  19. Rogério Fratin says:

    Mas que beleza, quanta gente comentando o post! Obrigado a todos!
    Adriano, li e reli esse texto que você passou. Não entendi a relação com as perguntas que fiz aqui no blog. O mais próximo (mas mesmo assim longe de ser ideal, no meu ponto de vista) é a parte que ele fala do “Educação e tecnologia”, mas é voltada aos equipamentos médicos e tudo mais. Dá uma luz pra gente?
    Nat, você disse tudo. Cada um faz sua postura, adorei a frase “já me disseram pra me vestir pro cargo que eu quero ter, e não pro que eu tenho no trabalho”. Aliás, a Nat é diretora de arte na Almap, quando fiz o post exemplifiquei essa agência pensando nela.
    Valeu, gente, tá ficando bonito!
    Abração a todos!

  20. Oi, Rogério!

    Puxa, desculpe o atraso, só agora estou podendo responder ao e-mail tão gentil que você me enviou (voltei de viagem e emendei uma mudança; loucura!).

    Preciso dizer que o seu texto foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nos últimos tempos com relação a essa discussão entre designers e micreiros. Na minha opinião, você acertou na mosca. Concordo em gênero, número e grau. É sempre mais fácil colocar a culpa das nossas mazelas em outrem (já dizia o sábio Millôr Fernandes que todo home deveria se casar, afinal, não dá para botar a culpa de tudo no governo…ehehe).

    Parabéns pelo seu blog, adorei e vou frequentar!

    Abraços,

  21. Vim parar neste site por acaso e gostei demais do que li. Concordo plenamente, micreiros não são ameaça para nenhum profissional do design que tenha capacitação.

    O que mais me assusta é a postura de certos professores. Cursei 2 anos de design gráfico em Belo Horizonte e mais 1 ano na Alemanha, através de intercâmbio acadêmico. Também estudo comunicação social/publicidade e propaganda há 4 anos e portanto tive a oportunidade de conhecer vários professores diferentes, com posturas das mais variadas.

    Infelizmente mais de um professor de design claramente tratava os alunos como se nós jamais fôssemos fazer um trabalho de qualidade invejável ou nos destacar nacional ou (muito menos) internacionalmente. Já ouvi comentários da parte deles como “você não precisa conhecer esse processo de produção, porque não há máquinas deste tipo em Belo Horizonte”. E muitos dos alunos acreditam nisso. Como eu também acreditava.

    Até um dia, no curso de comunicação, em que assisti a uma palestra com 2 ex-alunos da universidade que são extremamente bem sucedidos. Um trabalha em uma das maiores agências de publicidade dos EUA e outro tem trabalhos de design publicados em livros do mundo inteiro. Pessoas como eu, que estudaram onde eu estudo, conseguiram atingir tanto na vida. Por que eu não conseguiria?

    Me entristece pensar que muitos professores (talvez, frustrados) nos façam acreditar que jamais iremos longe, abalando nossa auto estima e confiança no nosso trabalho.

    Vai ver, é por isso que tantos designers tenham tanto medo dos micreiros..

    (Acho que desviei um pouco do tema..! Perdon!)

    Um abraço

  22. Sobre a última questão, de designers que se envolvem com projetos para ONGs e afins, acabei de ver este trabalho do Christian Borstlap para a Unicef (Unicef Tap Project), bem como o projeto Let Children Learn, um programa para a educação de crianças.

    É bastante inspirador, ver um designer envolvido com essas causas.

    http://www.christianborstlap.com/

  23. Raphael Martinez says:

    Essa disputa entre micreiros e verdadeiros Designers realmente não existe, mas como já foi dito em um outro post, isso acontece em muitas outras áreas.

    Estou no 2º ano de economia e já estou ouvindo gente reclamando dos engenheiros ou dos caras que fazem curso na bovespa que “roubam” o lugar dos economistas, esses profissionais que reclamam, não sabem dar o valor na sua profissão e não tem confiança neles mesmos.

    Apoio a mesma idéia no Roginho e de outras pessoas que postaram aqui, de que esses profissionais devem mudar sua postura não só perante aos seus ” vulgos concorrentes ” como também ao mercado, mostrando firmeza, confiança e principalmente tentar mostrar para o cliente, o abismo de diferença entre você e os ” sobrinhos “, seja qual for a sua área.

    Roginho, parabéns pelo post e pelo blog!

    Grande Abraço!

  24. Guga Fernandes says:

    Excelente colocação!
    Um verdadeiro alerta sobre aquilo que chamo de “nivelar por baixo” cabe a nós, designers, diretores de arte e publicitários mudarmos de mentalidade e parar de nivelar por baixo, acredito que assim é possível separar o trigo do joio. Para mim a forma é fascinante e usar isso para comunicar é estimulante e prazeroso. É preciso se dar ao respeito profissional para ser respeitado e principalmente visto como tal. Parabéns pelo ponto de vista bem pensado e cuidadoso. À propósito isso não é ser ranzinza como você colocou é ter um olhar crítico e bem elaborado a respeito de uma profissão fascinante e que exige conhecimento e um afiado olhar empírico sobre todo o trabalho.

  25. Eu sei que você tem algo a dizer. Pode digitar aqui!

  26. Parabéns pelo post, acho importante esta discussão, infelizmente este situação só vai mudar de fato quando a profissão de Designer Gráfico for regulamentada, aí vai ser como Advogado, só exerce a profissão quem for mesmo designer…

  27. André says:

    O fato é que ser “designer” hoje em dia é muito fácil, se voce faz bolo, e começa a por uma amora em cima de cada um, acha que foi criativo e se auto-denomina “cake designer”. Isso é banalização da profissão, e do título que cada um carrega ao buscar ser ESPECIALISTA em uma profissão.

    Para mim, esse é o único problema em relação aos micreiros, o conhecimento deles é de fato inferior, e eu nao quero ganhar 200 reais por site, entao provavelmente isso não me afetará.

    Mas na minha opinião, esse tipo de pessoas se denominarem designers é o que causou e causa a desvalorização de nossa profissão, sempre vai chegar um ‘cliente’ dizendo que o Pedrinho, Filho de maria, Neto de Ariscleusa faz o mesmo serviço que voce, porém, 80% mais barato. E é fato, cliente nao entende a diferença, até comparar o resultado final de seu PROJETO com uma “coisa” jogada na web por um micreiro.

    Bom, sei la, acho que é isso!

  28. Iran says:

    Tenho 19 anos e fui micreiro por um bom tempo e com esses 50, 200, 400 reais pude comprar minhas coisinhas e ajudar a pagar as continhas aqui de casa.

    Meus trabalhos como micreiro, sem conhecimento de teorias como a importantíssima gestalt me inspiraram para com 16 anos recém terminado o ensino médio entrar em um curso de nível técnico de computação gráfica em uma conceituada instituição de ensino e hoje 2 anos depois (2010) com 19 estar no 1º período de Design Grafico.

    Sei que os micreiros podem de certo modo atrapalhar o crescimento financeiro do designer na sociedade, porque a maioria dos trabalhos no Brasil especialmente para freela não são em sua grande maioria de grandes agencias internacionais ou de reconhecimento nacional. Como “micreiro” buscava trabalhar da melhor maneira que estava ao meu alcance, mas hoje vejo que nada que se comparasse com um projeto bem elaborado, baseado em estudos e com uma ideia clara e objetiva a passar de um designer ou um estudante de design de nível superior (não esses cursinhos que colocam um titulo em caixa alta: ENSINAMOS DESIGN GRAFICO.

    Os micreiros tentam fazer algo bonito que agrade ao cliente mas que muitas vezes apesar de ficar visualmente bonito (aqueles que buscam estudar algo nem que seja por tutoriais, como eu), são criações sem embasamento.

    Uma empresa de pequeno e médio porte mesmo estando disposta a pagar bem, prefere pagar menos a um micreiro e ter seu logotipo por exemplo rápido em mãos, do que pagar 3 vezes mais a um designer que passará o dobro do tempo desenvolvendo um projeto.

    Hoje na condição de estudante de design gráfico, procuro não recriminar um micreiro e sim entender que ele não é meu “concorrente”, porque apesar de alguns deles desenvolver até visualmente falando bonitos projetos gráficos, não possuem o conhecimento que venho adquirindo e nem tem em seu curriculo as certificações que tenho, o que no mercado de trabalho cada vez mais concorrido, são de grande peso.

    Micreiros em sua grande maioria, são pessoas que por algum motivo seja ele (financeiro, faixa etária, falta de oportunidade ou cursos) não tem a oportunidade que eu e você temos de nos especializar. Muitos deles sonham em ser designers mas talvez nunca tenham a oportunidade.

    Quando passei a compreender do que se tratava a profissão de design, há um bom tempo, parei de me intitular “designer” e sempre deixei claro para mim e para qualquer pessoa que eu não era um, mas isso era uma consciência pessoal, conheço pessoas que fazem qualquer cursinho desses da vida e divulgam em suas redes sociais “DESIGNER GRÁFICO” ou “WEB DESIGNER” (quando não erram a profissão com o profissional) e acham que assim o são.

    Hoje sim eu divulgo para todos e com letras garrafais: Sim, eu sou ESTUDANTE DE DESIGN GRÁFICO DE NÍVEL SUPERIOR e não micreiro ou primo,sobrinho ou qualquer outro sinônimo.

    Passo horas e horas lendo livros de teorias as vezes sem lógicas mas que na arte gráfica faz todo o sentido, busco me aprofundar cada vez mais na profissão de que eu sou apaixonado desde minhas épocas de micreiro, para hoje apresentar ao meu cliente um projeto coeso, com uma ideia e não simplesmente objetos jogados para ornamentar uma criação.

    Acho que é isso…
    Abração!

  29. Olha, Eu sou fotografo e vejo muita discussão assim na minha profissão tambem…
    Sou um micreiro assumido, mas em breve irei fazer um curso superior na area e espero quem sabe assim dismistificar esta visão, Eu acho que o talente não se aprende na faculdade… E não acho que faculdade deixa ninguem melhor ou pior do que já é, e pelo seu post tambem não ensina valores, que da uma bela teorizada isso sim, então como você disse que é bom é bom quem não é arruma desculpas. Parabens!

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