Eu que fiz [Ellen Lupton e Julia Lupton]

Capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton Quarta capa do Livro Eu que fiz, da Ellen Lupton

Quem vê a quarta capa desse livro pode estranhar o texto “102 projetos para pequenos designers” em destaque. É isso mesmo, a Ellen Lupton, junto com a sua irmã Julia, fez um livro que “ensina” design para crianças. Pra elas, todo mundo pode fazer design, já que é uma atividade divertida ou, pelo menos, deveria ser. Pra mim questão principal desse livro não são os resultados que as crianças chegam (embora sejam muito interessantes) e sim o jeito com que as irmãs-escritoras apresentam o design: Uma atividade pra todo mundo fazer. Isso é totalmente contra os princípios de quem defende a regulamentação da profissão, não é? Onde já se viu “qualquer um” poder fazer design?

A questão não é essa, longe disso. Nem a Ellen nem a Julia Lupton acha que a profissão pode ser discriminada nem desvalorizada. Nem eu acho. Pra falar a verdade sou totalmente a favor que todos brinquem com design se sentirem vontade, assim como um monte de gente joga futebol e declaradamente não é jogador profissional ou então pinta um pano de prato e não é artista e assim por diante.

Bem, voltando ao trabalho dos pequenos, percebi uma certa diferença de realidades algumas poucas vezes, como quando as Lupton sugerem de comprar um “sofá baratinho” e deixar as crianças grafitarem com canetinha ou algo do gênero. É… Acho que os pais aqui do Brasil não vão querer gastar R$ 500,00 nas Casas Bahia ou nas Lojas Marabrás pros queridos pequerruchos pintarem tudinho, sem deixar nada “branco”. Indepentente disso, elas foram muito felizes nas escolhas e separaram o livro em 4 capítulos: Grafismos (Perfil: O designer gráfico), Brinquedos (Perfil: O designer de brinquedos), Casa (Perfil:O designer de produto) e Moda (Perfil: O estilista), cada um com diversas sub-divisões. São projetos quase sempre feitos com materiais que todo mundo tem em casa e rendem hora e horas de diversão. Alguns exemplos:

Sumário do Livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 1 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 2 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 3 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton
Exemplo 4 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton Exemplo 5 de trabalho feito por crianças, no livro Eu que fiz, de Ellen e Julia Lupton

Depois que li o livro (e como não tenho filhos, não executei ainda as tarefas com eles) fiquei me questionando como teria sido se invés de eu ter aulas de Educação Artística na escola (que até hoje eu nunca vi ninguém que gostasse ou encontrasse algum valor na época), as crianças tivessem exercícios e projetos de design como esses do livro, criando adesivos, camisetas e tênis personalizados, brinquedos, cadernos etc, tudo com uma breve definição dos fundamentos como a Ellen e a Julia fazem para padronagens, pixels, ícones e tipos (que ela chama de letras). Acho que eu teria me divertido bem mais…

Autor: Rogério Fratin

Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2016, com a pesquisa Design Thinking Aplicado à Educação. Bacharel em Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi, 2005.

11 pensamentos em “Eu que fiz [Ellen Lupton e Julia Lupton]”

  1. Caraca mano! Se eu tivesse lido lisso quando era criança, ou se tivesse aulas de design em vez de educação artística, não teria gasto 6 anos da minha vida como programador!
    Pelo visto vale a aquisição do exemplar.
    Tks.

  2. Pingback: Twitted by rfratin
  3. Bacana einh. Não tinha visto o livro aberto ainda. Tenho um filhote de 9 meses (por isso mandei o posto pro blog do vborges) e embora eu vá comprar esse livrinho pra ele, o que falta é tempo de ir a livraria dar uma olhada antes! Hahahaha!

  4. Poxa. Agora eu quero o “eu que fiz”! Tb não o tinha visto aberto ainda e como eu tb não tenho filhos, executarei as tarefas por mim mesma. bjs.

  5. Cara, que bacana este livro!
    Eu sou totalmente nostalgico. Não posso ver brinquedos e coisas de criança que a minha cabeça começa a pirar.
    Acho que criança é um ser muito criativo, sem bloqueios. Ela usa muito o lado direito do cérebro.

    Para falar verdade, no colégio Educação Artística era a única matéria que eu gostava, pois era o que tínhamos para exercitar nossa habilidade artística. Não é a toa que eu já bombei tantos anos. Odiava estudar. Ainda odeio. Só gosto de estudar design, fotogafia, essas coisas, é a mais pura verdade!!..hahaha!

    Acho que o problema não é nem na matéria em si, mas a criatividade do professor na aplicação dos exercícios.
    Brincar de colagem e de rabiscar todo designer de verdade gosta. Nos faz voltar no tempo e soltar mais a alma criativa. É por isso que gosto tanto de “sair” da tela luminosa para as origens.

    E falando em origens, amanhã tem curso de tipografia com tipos móveis, hein!
    Não vejo a hora!

  6. Eu não conhecia esse material, mas fiquei feliz de saber que já existe algo a respeito.

    E é engraçado por que a pouco tempo andei refletindo sobre isso, não conseguia entender o por que de não melhorarmos as aulas de eduçação artística, fazer com que ela corresponda nossas reais necessidades, preparando crianças para lidar com o mundo cultural (em geral) que ainda é tão desvalorizado.

    Imaginar que num futuro próximo meus filhos poderam passar mais tempo brincando de ser “designers” não é revoltante como vê-los vegetando na frente de um video game (Nada contra, eu até gosto), mas não acho que seja saudável!

    Crianças tem um alto potencial criativo e precisam aprender a prolongar isso no decorrer dos anos.

  7. nossa, que legal!
    eu to fazendo um trabalho na faculdade de material didático de ensino de design para crianças, vou pesquisar mais sobre esse livro, valeu pela dica! 😀

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