Comprar livros e ler livros são atividades independentes

Ah, os livros! De design e não-de-design, todos os livros.

Eu acho uma delícia o ritual de comprar, abrir, cheirar a tinta, sentir o papel, folhear pra ter um panorama da publicação. Não tem problema se ele chega na minha mão numa livraria ou se os Correios entregam na minha casa. O prazer é o mesmo: um imponente livro novo!

Muita gente que conheço quando vai em casa ou quando falamos sobre livros pergunta:

– Mas você já leu TUDO isso?

Claro que não. Acho que nunca vou querer ler todos meus livros: sempre terei novos não-lidos. Quando lê-los, terei outros e assim temos o ciclo!

Creio que comprar um livro e ler um livro são ações independentes e que não precisam acontecer na sequência “comprar-e-ler”. Ainda mais quando se trata de um book freak como eu. Muitas vezes aproveito promoções e não vou interromper uma leitura pra encarar nos novos. Numa comparação boba: Você também come TODA a comida que compra de uma vez quando sai do mercado? Bebe TODO refrigerante? Nenhuma cerveja vai pra adega porque já foram TODAS bebidas na mesma hora? Então não queira fazer isso com os livros também, oras! Hihihi!

Livros de design Aí eu comecei pensar o que me fazia comprar um livro e qual motivação eu teria pra encarar a leitura.

Eu compro um livro quando tenho interesse direto nele ou no assunto, quando vou aos lançamentos (como a Tupigrafia 9 e a TIPOITALIA 2), quando acho num sebo algo incrível (como História da Tipografia no Brasil), quando encontro promoções insanas como as Feiras do Livro da USP e promoções nos sites das livrarias ou então quando passeio numa bookstore (física ou digital) e me deparo com algo interessante.

Eu leio um livro quando tenho a necessidade ou desejo saber sobre um tema (claro que muitas vezes começo ler logo no calor da compra), mas também de uma  curiosidade ansiosa, do saudosismo do conteúdo (um livro que na época da faculdade teve uma interpretação e agora outra, como Navegar No Ciberespaço), do momento que passo (como o Jogo da Amarelinha e A Cleópatra do Jazz: Josephine Baker).

Se o livro for físico (são esses que eu gosto) você pode emprestá-lo, dá-lo de presente, expô-lo na sua casa e o mais legal: esbarrá-lo ao acaso e redescobri-lo, quase como se fosse algo perdido por décadas, esquecido, que vem renovado e quase que com o convite gigante na capa: CHEGOU A HORA DE VOCÊ ME LER, NÉ?! Daí eu eu não me seguro: leio mesmo!

Um dia eu li em algum canto que um livro não lido tem mais valor do que um lido: você ainda tem a chance de aprender algo novo nele. Eu concordo!

E você, tem muitos livros pra ler em casa? Qual vai ser o próximo?

22 comentários sobre “Comprar livros e ler livros são atividades independentes

  1. Excelente post… conseguiu resumir em algumas linhas tudo que eu sempre quiz explicar para a minha mãe quando me perguntava: “Mas você já tem tantos livros, porque comprar mais? nem leu todos que tem…”

    Eu sou um Bookfreak assumido, adoro ler, adoro comprar livros e para mim o maior prazer de quem tem uma estante, é completá-la de livros.
    E respondendo à pergunta… tennho algumas centenas deles, falta-me é lugar para guardá-los devidamente… segue abaixo a representação virtual dos meus livros: http://www.skoob.com.br/estante/livros/todos/30024

  2. Belo post, Roginho! Nunca tinha percebido desta forma os livros, os tantos livros, os novos e os que viraram novos de novo, certo? Preciso dar mais valor aos que tenho, e bater um papo com eles logo. Abração!

  3. Roginho, você sabe muito bem que leio meus blogs preferidos pelo feed e muitas vezes por causa disso acabo não comentando, mas este post em especial me fez vir ao Designices e comentar.

    Estava tomando café da manhã hoje com a minha mãe e falava exatamente de livros, disse para ela que meu quarto (que não é pequeno) está pequeno e que para eu andar tenho que fazer malabares pelas caixas de livros. Tenho uma estante cheia, livros em cima da mesa, livros em caixas e não li nem um terço deles.

    Sou bem desse jeito para escolher um livro, paro as vezes por uns 30, 40 minutos e fico olhando eles como que esperando que algum olhe para mim e diga: “Me leia, vai ser compensador!”.

    As vezes não acontece, mas ontem a noite quando cheguei em Extrema vi uma capa que parecia se destacar entre as outras, estava ali sozinho em cima da mesa, pensei: “Estranho este livro estava na prateleira”, depois minha mãe veio a me dizer que minha irmã estava o folheando pois achou engraçado o escrito na capa: “Deus e o Diabo na terra do Sol”, peguei o livro na mão olhei umas duas, três imagens e me veio uma sensação de que aquele livro era especial e que sim eu deveria lê-lo.

    Comecei hoje, o livro chama: “O Design Gráfico Brasileiro – Anos 60″. Parabéns pelo post, depois divulgarei no twitter do blog também. Grande abraço!

  4. Tô em débito com meus livros.
    Depois do DiaTipo Natal comprei uns 4 e li só 1, tô lendo um segundo mais sempre me bate aquela preguiça, ou acabo lendo algo na net ou fico “twittando”… mas sei que eles estão ali… esperando pra me ensinar alguma coisa :D… gostei do ponto de vista man! :)

  5. Vou correndo agora mesmo mostrar esse post pra minha esposa. Ela me faz a mesma pergunta que a mãe do Diego Nunes (1º comentarista deste post) faz, toda vez que compro um livro novo: “Mas você já tem tantos livros, porque comprar mais? nem leu todos que tem…”

    Desde que aprendi a ler (lá com meus 5 aninhos) eu não parei mais. E de uns 2 anos pra cá, tenho comprado muitos livros… mas nem todos eu li ainda. Alguns acredito que nem vou ler… mas o prazer de se abrir um livro novo não tem igual!

    Excelente post. Parabéns!

  6. Que post maravilhoso! Conseguiu expressar tudo o que penso sobre o ritual da compra de um livro novo, sentir o papel, cheirá-lo, imaginar seu conteúdo, entre outras manias que tenho. Um dos meus maiores prazeres é ficar olhando para minha estante de livros, e imaginando qual será o próximo livro a ser lido.

  7. Que post interessante rogerio! Penso que a leitura é algo fundamental na nossa procura do conhecimento, e por incrível que pareça, quando compro um livro, (normalmente) leio até ao fim (não sei explicar o porque!) às vezes leio três a quatro livros ao mesmo tempo, mas acabo sempre por termina-los, embora exista algumas excepções quando a escolha não foi a mais acertada…(mas mt raramente).

    À uns tempos atrás estava fascinado com a ideia de comprar um kindle da Amazon, contudo desisti da ideia, pk a minha relação com o livro e o papel são mais fortes. Para quê trocar de namorada se a mesma ainda me satisfaz? :)

  8. Super bacana o post. São duas ações realmente diferentes e também prazerosas: comprar e depois folhear e ler. Têm aqueles livros também que depois de lê-los sempre servem como consulta, reler aquele capítulo: outro prazer, outras buscas…

    No meu quarto tem uma estante, onde duas prateleiras estão recheadas de livros, adoro ver aquele colorido das lombadas. Muitos li, outros comprei (já lidos) e outros ainda que ganhei, pois teve uma época que fui designer em uma editora e ganhava dos autores: confesso nem todos li, estão na fila rs rs

    No momento tenho dois livros pendentes: um sobre design de interfaces e uma biografia de Clara Nunes.

    Como sempre, belo post :)

  9. eu faço isso mais com revistas do que com livros… mas tb “sofro” desse mal. inclusive nessa sua foto vi um livro que tenho e não li.

  10. Mais uma maníaca por livros batendo ponto aqui…

    Tenho esse mesmo hábito de comprar livros que me pareçam interessantes, mesmo que não seja para leitura imediata. E devo dizer que acabo me dando muito bem nessa brincadeira!

    Recentemente aconteceu duas vezes de surgir a oportunidade de uso de um livro que eu havia comprado sem grandes pretensões imediatas, para preparação de aulas.

    Além disso, enquanto professora, alguns livros se tornam essenciais na minha estante =)

  11. Cara, tem MUITOS livros aqui. Mas um dia, quem sabe, leio todos. Essa questão que você colocou é uma das mais importantes pra quem tem uma biblioteca particular. E a pergunta que alguém faz quando os vê: “Mas você já leu TUDO isso?”, é, definitivamente, a mais ouvida dos convidados da minha casa.

  12. Eu sou quase um compulsivo em comprar livros e devo ter quase uns 60 esperando na fila lá em casa.
    As pessoas ficam me brigando, pois dizem que compro muitos livros que nunca vou ler. Eu discordo deles, pois também acho que o livro que vamos ler em seguida depende de vários fatores, como o momento que estamos passando ou outros livros e filmes que assistimos e acendem aquela chama…
    Acho que um dos arautos dessa mania de comprar livros aleatórios foi uma vez, quando estava passando por um sebo que fica na minha universidade. Lá tinha um livro chamado Egyptian Magic, o qual eu não resisti e levei.
    Esse é o hors concours. Aquele que, segundo os outros, eu nunca vou ler, com efeito.
    Não tenho planos para lê-lo berevemente. É um fato. Mas também acho que muitos dos encantos de um livro está naquele infimo momento em que você bate o olho e fica enfeitiçado. Ai é impossível resistir.

  13. Olha só que maravilha, encontrar muitas pessoas que fazem a mesma coisa que eu….tenho muitos livros que ainda não li. Mas adoro comprar e aproveitar promoções.
    Texto muito bom, parabéns !!!

  14. Obrigada por tirar meu peso da consciência!

    Sempre me sinto culpada quando compro livros e enrolo pra lê-los. Daí eles ficam me encarando, sempre me perguntando quando vão ser lidos.

  15. Olá, colegas, conheço e repito tudo o que já disseram (menos o peso na consciência…). Para garantir minha inscrição no clube:
    – tenho várias prateleiras (uma delas cobre toda uma parede) com livros “estacionados” em fila dupla, frente e fundo;
    – fotografo minhas prateleiras, amplio as cópias em escala natural e colo nas paredes (muitos já confundiram a parede com uma verdadeira prateleira);
    – tenho livros que jamais poderia ler porque não domino o assunto (principalmente “clássicos” escritos por autores de teorias científicas…);
    – comprei “on demand” a coleção de escritos matemáticos de Newton que levou quase dois anos para ser produzida e entregue pela gráfica de Cambridge;
    – planejo ir a Buenos Aires até abril/2012 enquanto é “capital mundial do livro” pela Unesco (com um roteiro especial dedicado a Borges, claro…);
    – adorei saber que vocês estão por aí, cumprimento a todos e espero ser aceito na comunidade…

  16. Como outros já disseram, tirei um peso da consciência! Sou compulsivo comprador de livros e quase já não tenho onde os colocar…
    abraço!

  17. Concordo com muitas das suas observações, mas discordo que um livro não lido tenha mais valor que um lido. A menos que o livro seja muito ruim, sempre você tem a chance de aprender ao (re)ler um bom livro!

  18. Caramba, concordo com tudo!!!
    Só não conheço nenhum título que vc cita…rs

  19. Compartilho da mesma opinião. Já não tenho mais onde colocar livros em casa, mas sempre apareço com mais um. Sou uma Bookfreak MESMO, e adoro olhar na estante e ver todos aqueles títulos mesmo sem ter lido tudo. Mas convenhamos, essa nova onde de livro digital não é tão bacana quanto sentir o cheiro do papel e da tinta de pertinho né??? Sou old school nesse quesito, não gosto nada nada de ler livros na tela, qual a graça pra um designer gráfico um livro digital se não pode analisar o papel, verniz, textura….???

  20. Ótimo post! :-)
    Tenho 112 na minha pilha de não-lidos. Tem dias que me sinto feliz por ter um mundo de opções, em outros me dá um certo desespero. Oh, well…

  21. Ótimo post!

    Como diria Schopenhauer, parece que ao adquirirmos os livros, automaticamente achamos que temos o conhecimento que está contido neles =)

    Mas enfim, mesmo que não leiamos todos, alguns servem pelo menos para aquele ˜insight˜ poderoso que surge numa ilustração ou citação qualquer,

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