Designices

Por diversas vezes em conversas informais, aulas ou palestras que assisti, artigos e livros sobre arquitetura de informação ou design de interface, o pobre do botão Voltar do browser atuava como um vilão. Se o usuário clicasse nele, o projeto digital estava capengando em organização, em uma boa arquitetura ou com problemas de elementos visuais não muito bem definidos. O termômetro do fracasso do projeto web (não necessariamente de todo, mas no que se refere à navegação) era o clique no botão Voltar.

As justificativas eram diversas, mas giravam em torno de algo como  “ele clicou no Voltar porque não encontrou como fazê-lo na interface do site”. Clicou no Voltar, tá errado e ponto final.

Estamos num momento das mídias digitais bem interessante, onde o que foi dito no começo dos anos 2000 que eram as verdades da época, podem e devem ser questionadas. Quando eu escrevi sobre os professores vintage me referia ao tipo de profissional que se apegava às antigas verdades e nunca mais queria abandoná-las. Com os avanços em banda larga, linguagens de programação, equipamentos é claro que as experiências mudam e, quem as executa, também. No final da década de 1990 foi quando aqui no Brasil tivemos uma explosão de provedores de acesso, contas de email gratuitas e tudo. Os usuários vem treinando o acesso à internet já tem certo tempo, sei lá, 10, 12, 15 anos. Nesse cenário inicial – e que se agora tem empresa que não entendeu que precisa de um arquiteto de informação, imagine na época – a internet era uma tremenda zona: o Macromedia Flash permitia explorar ao máximo a questão de interatividade com música e vídeos de um modo impossível em outras tecnologias. A banda larga dava conta do que se precisava. Muitas possibilidades se abriram e com elas, claro, muitos experimentos. Não havia um padrão, um formato, um design pattern tão bem definido. E nem poderia haver se a questão era experimentar, testar.

Botão Voltar do navegador

Uma nova maneira de conhecer conteúdos versus experimentos atrás de experimentos: claro que não tinha como o usuário aprender o geral nem criar um padrão mental de nada. Se o usuário não identificava relações comuns entre os projetos, ele apelaria – e nem sei se apelar é a palavra correta – para o que ele conhecia muito bem que era o próprio navegador. Por mais que os sites fossem diferentes em cores, tipos, navegação, o botão Voltar estaria sempre lá, esperando pra resolver o problema imediato do cidadão: voltar para a página anterior. Só isso. A navegação do Windows 8, por exemplo, é toda baseada no botão de voltar. No Android o botão voltar faz parte do hardware do aparelho. Ah, óbvio que a arquitetura de informação do projeto tem que ser bem feita para poder ser navegada sem a ajuda do botão Voltar, mas caso o usuário não utilize os meios criados e apelar para o navegador, não será uma heresia do projeto nem necessariamente um erro de projeto.

Talvez os reclamões da época que faziam do botão Voltar uma obra do capeta pensassem que o único projeto digital em questão era o site e não o todo, afinal de contas o navegador também é um projeto digital, tem sua curva de aprendizado e afins, tal qual o sistema operacional que o suporta. Olhar o todo é o segredo, que nem é tão secreto assim.

Um exercício muito legal é pegar literatura sobre cultura digital, design de interfaces, de interação de 8 anos atrás (ou mais) e tentar verificar com o que temos agora. Sempre gera um bom estudo e resultados as vezes bem inesperados.

E você? Conhece mais questões do design gráfico, digital ou tipografia erroneamente sustentadas como essa? Deixe nos comentários!
;-)

“Para que o design tenha sucesso, ele deve atender às necessidades básicas dos usuários antes que possa satisfazer às de nível mais alto.”

“As necessidades de funcionalidade relacionam-se ao atendimento dos requisitos mais básicos do design. Por exemplo, um gravador de vídeo deve no mínimo aferecer a possibilidade de gravar, reproduzir e rebobinar os programas gravados. Nesse nível, os designs são considerados algo de pouco ou nenhum valor” – William Lidwell, Kristina Holden e Jill Butler, no livro Princípios Universais do Design, Editora Bookman

ATENÇÃO: ESSE POST ESTÁ DESATUALIZADO. VOU MANTÊ-LO AQUI PARA FINS DE ARQUIVO, MESMO.

FIZ UMA LISTA DE 8 LIVROS QUE SE ENCAIXAM NESSA FAIXA DE PREÇOS E PUBLIQUEI EM 8 DE MARÇO DE 2010. LEIA O POST.

Para beneficiar o bolso de todo designer e regar a cabeça com conteúdo de primeira categoria, fiz uma seleção nos livros que li, que gostei bastante, que recomendei e que não pesaram (tanto) no orçamento. Todos os preços são baseados na data do post, 22/10/2009 e tinham em estoque nos respectivos sites, depois eu não garanto, hein?

As Leis da Simplicidade, de John Maeda

O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 21,90

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,60

Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty

A editora Cosac Naify acertou em traduzir esse livro, lançado originalmente em 1986, mas que continua atualizadíssimo. Adrian Fordy trata da relação do design com a sociedade e como ela expressa seus valores, do que aconteceu com o design nos últimos 200 anos e de produtos que foram fruto de tudo isso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68

Elementos do estilo tipográfico, de Robert Bringhurst

A leitura é densa e complicada na maior parte do tempo, o oposto do Pensar com tipos, da Ellen Lupton (que só não entrou nessa lista porque na hora de subir o post, acabou o estoque da Fnac), mas pra mim esse é o mais fantástico custo-benefício livro de tipografia que contempla explicação do que é cada “pedacinho das letras”.
Lugar mais barato: Submarino, R$ 44,10

Grid: Construção e desconstrução, de Timothy Samara

Já vi gente falar que é só pra design gráfico, mas eu discordo totalmente. O grid, enquanto fundamento, é único e o autor resolveu muito mostrando como layouts são criados baseados em grids e na outra metade do livro, desconstroi outros, fazendo o processo inverso.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 43,47

Novos Fundamentos do Design, de Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips

Baseado na ideia que os fundamentos do design foram feitos há muito tempo, a Ellen Lupton e a Jennifer Cole Phillips os “atualizam” e adicionaram outros que a tecnologia não permitia existir.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 43,47
Leia o post Livro: Novos Fundamentos do Design [Ellen Lupton e Jennifer Cole Phillips - Ed. Cosac Naify]

Design brasileiro antes do design, de Rafael Cardoso

Todo mundo fala do design brasileiro nos anos 1960, da bossa nova, das escolas de design nacionais, mas o Rafael Cardoso mostra e comenta (quase) tudo que rolou antes, desde a época da imprensa régia em 1808. Cheio de imagens, a publicação contempla até o final dos anos 1950.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,68

Não me faça pensar, de Steve Krug

Embora não seja a mais espetacular referência de usabilidade do universo, é pra mim o melhor começo. Mesmo com a diagramação terrível somada a tradução que deve muito para a original americana, o livro abre bem a cabeça e mostra diversos exemplos de como deixar os projetos mais usáveis.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,59

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 49,50

Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski

Livro + DVD de uma entrevistona com o Alexandre Wollner, talvez o pioneiro do design contemporâneo brasileiro. Ele fala da relação de design e arte, design e publicidade e do que está sendo produzido atualmente.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 44,90
Leia o post Livro: Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil [Um projeto de André Stolarski - Ed. Cosac Naify]

E vocês amigos? Têm indicações de livros nessas condições? Então coloquem nos comentários!