Designices

Capa do livro A Arte Invisível, de Plinio Martins Filho

Não é um palito de fósforo gigante, não. O livro é pequenino mesmo, literalmente é de bolso e tem capa dura. Mas o conteúdo do livro tem qualidade, bem grande por sinal. A ideia do livro é mostrar os elementos “invisíveis” na criação de um livro, como uma boa escolha de tipografia, elementos da capa, tamanhos, proporções, erros cometidos, integração interdisciplinar do designer com os outros envolvidos na produção do livro, tudo citado por “gente com opiniões de peso”, como Jan Tschichold, David Carson, Wolfgang Weingart, Robert Bringhurst, o próprio autor Plinio Martins Filho, entre outros. Só fera :D

As reflexões são curtas e praticamente pode-se ler essa publicação de forma não-linear. Inclusive é um bom livro pra ter ao lado da mesa do trabalho. Entre uma demanda, emails respondidos, cobranças de prazo e alterações nos layouts, ele se torna um bom companheiro, já que não leva nem 40 segundos pra vocé ler cada uma das 164 páginas. É aquele empurrãozinho que te dá forças pra continuar.

Alguns exemplos:

“A chave para uma boa tipografia é sempre deixar que as palavras ditem o design” – Humphrey Stone

“Um axioma da produção de livros é… que, se se deixar que alguma coisa comece errado, há muita probabilidade de que saia errado. Grande parte do trabalho do designer é explicar suas exigências a estranhos distantes” – Hugh Williamson

“Se um texto pede algum tipo de Renascença, também exige uma tipografia da Renascença. Isso geralmente significa proporções de página e margens da Renascença, e ausência de negrito” – Robert Bringhurst

A Arte Invisível é mais um livro da Coleção Artes do Livro, a mesma do título Ex-Libris
Uma frase do livro A Arte Invisível foi citada no Design Shot#0

Vai acontecer uma palestra BEM legal com um dos grandes mestres da tipografia no Brasil, o Claudio Rocha. O foco da palestra vai ser contar sua trajetória profissional, desde os primórdios.

O evento fará parte do “Sábado da memória“, onde todos os sábados algum dos grandes representantes das artes gráficas brasileiras é homenageado na Biblioteca São Paulo. Quando falo GRANDES representantes, são GRANDES mesmo: lá já passaram nada menos que Angeli, Ziraldo, Benício, Canini, Lourenço Mutarelli, Alcy e muitos outros. A curadoria é de Gualberto Costa, Daniela Baptista e Mario J. Silva.

Para a palestra o Claudio me falou que “abriu o baú” e encontrou diversos dos seus arquivos “arqueológicos” do design da sua carreira:

Ilustração de Claudio Rocha

Ilustração de Claudio Rocha

Embalagem de extrato de tomate Cirio, por Claudio Rocha

Aliás, entre os posts mais visitados desse blog estão o livro Tipografia Comparada – 106 fontes clássicas analisadas e comentadas, a Revista Tupigrafia 9 e a Revista TIPOITALIA 2. Além de tipógrafo e escritor e mais um monte de coisas, Claudio Rocha também cuida junto com Marcos Mello da Oficina Tipográfica São Paulo, onde além de ministrarem cursos de tipografia manual, também fazem trabalhos comerciais e experimentais à moda antiga.

Capa do livro Tipografia Comparada, de Claudio Rocha Capa da revista TIPOITALIA 2, por Claudio Rocha Capa da revista Tupigrafia 9, por Claudio Rocha

Dia 27 de novembro, às 14h, entrada franca grátis na faixa free :)
Parque da Juventude, Avenida Cruzeiro do Sul, 2630, Santana – São Paulo
(pertinho do metrô Carandiru, veja no mapa)

B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Mais um livro da coleção “Qual é o seu tipo” das Edições Rosari. Aliás, um belo livro. Fininho, rápido e gostoso de ler, e com preço acompanha sua dimensão física: é bem baratinho, entre 10 e 20 reais.

Nessa publicação, Cláudio Ferlauto dá um breve contexto histórico, passa pela Coluna de Trajan, pelas solicitações de Carlos Magno (742-814), fala de Didot, da Baskerville, Walter Gropius…  detalha, explica, comenta aplicações desses famosos tipos, como no Manuale Tipografico, de Giambattista Bodoni. Tudo bem ilustrado, como nessa página que tem os “A” maiúsculos da Bodoni, Baskerville, Garamond e uma manuscrita feita com pincel chato.

Exemplo de interna do livro B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Outra parte bem bacana e curiosa são as comparações das diversas versões da Bodoni, que até podem parecer sutis, mas em algumas letras é bem perceptível, como no “R” maiúsculo e suas terminações em “gota” ou não. E qual seria a Bodoni mais fiel de todas? No livro tem, também :)

Na mesma linha desse livro tem também o Tipografia Comparada, do designer e tipógrafo Claudio Rocha.

E você, gosta da Bodoni? A utiliza em seus projetos?

Página de classificados all type da Revista Esfera, de março de 1946

Capa da Esfera: Revista de letras, artes e ciências. Março de 1946Cores, fotos, ilustras (geralmente de qualidade duvidosa), tamanhos grandes, pequenos, textos espremidos aqui, espaçados demais acolá, cliparts… Fundo vermelho, amarelo, azul… Tudo para “chamar mais a atenção”. Geralmente é assim que vemos as páginas das revistas de classificados atualmente, né?

Bem, nessa revista, de 1946 chamada Esfera, a coisa não era assim: Tudo era resolvido na base da tipografia! Parece que a regra era a seguinte: Se tem telefone e endereço vamos usar corpos pequenos  pra caber tudo. Se for só o nome do produto, explodimos os corpos. Tá com problema peitoral (aliás, o que seria isso?), então tome Xarope S. Martinho! Se você sofrer de “doenças de senhoras” ou então de distúrbios sexuais, procure o Dr. Moisés Fisch. Simples e fácil. É bem curioso pensar que não se tinha preocupação com a marca da empresa ou do produto pra anunciar nessa revista, né? Afinal de contas a revista é ilustrada. De qualquer maneira, o legal aqui é ver a Guerra (apenas) Tipográfica que os anúncios faziam pra se destacar. Tudo em molduras ornamentais. Fantástico!

Aqui em São Paulo dá pra fazer cursos de tipografia manual na Oficina Tipográfica São Paulo (ver os posts que fiz da OTSP).

Que a LINOTYPE é a máquina que mais me deixou impressionado, isso  não tenho dúvidas. O que eu não sabia é que o catálogo de famílias de fontes pra ela era quase tão incrível quanto. E ele não somente parece gigante nas fotos. Ele é mesmo, de dimensão e peso que fica complicado segurar com uma só mão.

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Catálogo LINOTYPE Faces

Algumas fotos da placa de indentificação da LINOTYPE e de como são as letras nela:
Placa de identificação de uma LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

Exemplo de fonte da LINOTYPE

A LINOTYPE e suas fontes, além desse catálogo (que infelizmente não encontramos a data de publicação) pertencem e foram fotografados na Oficina Tipográfica São Paulo.

A Revista anual TUPIGRAFIA do Claudio Rocha e Tony de Marco vai fazer o lançamento da sua nona edição. E o mais legal, serão dois lançamentos! As datas e horários:

na Loja Pintar (http://www.pintar.com.br/)
Rua Cotoxó, 110, Perdizes (ver mapa)
Quinta-feira, 13,
de 2010, a partir de 19:30

no Istituto Europeo di Design (http://www.iedbrasil.com.br/sao_paulo/)
Rua Maranhão, 617, Higienópolis (ver mapa)
Sábado, 15, de 2010, a partir das 18:00. Esse evento faz parte da Virada Cultural SP e terá uma palestra com os editores.

Os artigos da Tupigrafia #9 são:
Passeie pelo reinos da Mesopotâmia e Bamum (nos Camarões) e pelo Egito dos faraós, Guatemala maia, México asteca e descubra um pouco da história da escrita.
Conheça como vivia e trabalhava o mestre tipógrafo Frederic William Goudy.
Redescubra a revolução tipográfica do Futurismo.
Navegue nas letras dos barcos da Amazônia e nos tipos portugueses d’além mar.
Encante-se com o design do dinheiro e dos selos holandeses.
Deslumbre-se com os misteriosos Crop Circles.
Divirta-se com o SynType, o sintetizador de fontes.
Olhe de perto as fontes brasileiras: Foco, UnB e Concreta.
Olhe mais de perto ainda as Musas das Tintas, direto da Playboy para as páginas da Tupigrafia.
Ainda tem, Ben Shahn, Palíndromo, Rebus, Processing, Quartz Composer, Rubens Matuck, Tide Hellmeinster, Guto Lacaz, Dimitre Lima e muito mais.

As capas da Tupigrafia # 9:

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Dimitre Lima

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Claudio Rocha

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Guto Lacaz

O flyer “oficial” do evento (apenas da Pintar)

Lançamento da Revista Tupigrafia #9

Quem gostou dessa revista também pode ver também o Lançamento da Revista TIPOITALIA 2

Tipografia Comparada - Capa

Acredito que todo designer, uma vez na vida pelo menos, procurou detalhes nas tipografias favoritas para reconhecê-las e saber diferenciá-las entre tantas outras. É uma haste diferente aqui, uma barra horizontal mais esticada ali, uma perna mais grossa acolá. Aí chega o Claudio Rocha e “estraga a brincadeira”! Em mais espetacular de seus livros, o Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas ele detalha praticamente letra por letra de cada uma dessas tipografias, maiúsculas e minúsculas. Além do tipógrafo, ano, typefoundry e variações, também pode-se encontrar comparações entre a “mesma” fonte, mas criadas por typefoundries diferentes,   como a ADOBE Garamond e a ITC Garamond, por exemplo.

O livro é dividido em serif, slab serif e sans serif. Além das 108 fontes comparadas, tem também uma relação de anatomia das fontes, com todas as partes dos tipos nomeada.

Alguns exemplos:

Tipografia Comparada - Interna 1

Tipografia Comparada - Interna 2

Tipografia Comparada - Interna 3

Antes de começar, gostaria de deixar bem claro que todos os estudos que vou falar são de percepção de consumidor (e designer) e não foram baseados em leituras de reposicionamento de marca nem nada. Como entre o planejamento de uma mudança e o que o público entende pode haver uma abismo gigante de diferenças, fiz questão de não procurar nada dessas referências pra não influenciar meu posicionamento e análises.

Bem, tudo começou numa palestra que fui da type foundry inglesa Dalton Maag que, entre outras coisas, falou rapidamente da familia tipográfica que eles criaram pro Mc Donald’s, que precisaria ser bem estreita pra poder escrever bastante coisa e também tinha que ter uma ideia de natureza. Fui conferir de perto e de fato, conseguiram:

Copo com tipografia referenciando a natureza
Comecei a analisar outras características dessas (não tão) novas embalagens dos produtos e notei que se trataria de de uma ação de reposicionamento. Aí fiz um rápido feedback do que acontecera com o Mc Donald’s nos últimos anos:

Bem, era muito comum nossos pais, tios e todos os outros que têm atualmente mais de 50 anos falar que a comida de lá parece feita de plástico, tem “gosto de química”, que é muito artificial. Além disso, em 2004, o filme Super Size Me detonou a imagem do Mc Donald’s, mostrando tudo de ruim que poderia acontecer se você comesse lá muitas vezes num curto período. Depois disso era um tal de colocar as informações nutricionais no verso da lâmina (aquele papel que vem em cima da bandeja), depois eles colocaram essa mesma lâmina, só que com essas informações viradas pra cima, destacavam chamadas que diziam ser possível encaixar as refeições do Mc Donald’s dentro de uma dieta saudável, começaram a vender maçã, saladas, wraps “leves”… Imagino que tudo isso pra limpar a imagem de junk food, que você poderia ser saudável comendo no Mc Donald’s.

Enfim, e quanto aos ingredientes dos produtos? Talvez faltasse ainda ressaltar que tudo que lá é vendido é feito com “ingredientes naturais” mesmo, frescos, como você os vê na sua casa e que são fortalecidos pela tipografia da Dalton Maag. Repare nas laterais da caixinha dos sanduíches, nesse caso o Big Mac:

Embalagem Big Mac

Embalagem Big Mac

Note como tudo é como você vê na sua mesa de casa. Queijo, alface inteira, picles sendo cortado, cebola com casca.

A batata, que por mais que seus pais (ou você mesmo) tentem e nunca farão igual, tem uma imagem de uma batata crua sendo descascada. Qual outro lugar, além da sua casa, você vê isso? Nenhum, né? Confira na imagem:

Batada descascada na embalagem das Mc Fritas

Além de tudo isso outra família tipográfica entra nas embalagens, como anotações pessoais, algo bem próximo do consumidor:

Tipografia manuscrita na embalagem das Mc Fritas

Embalagem Big Mac - Detalhe da tipografia manuscrita
E não somente as embalagens dos produtos foi modificada. Repare que no site o apelo é o mesmo: Fotos dos ingredientes frescos, in natura, num fundo de papel meio reciclado/pessoal e elementos que lembram até o velho caderno de receitas da sua avó, como os ingredientes impressos e anotações ao redor:

Site do Mc Donalds

E você, acha que funcionou o apelo ao design para reposicionar a marca e os produtos do Mc Donald’s? Acha que eu viajei muito nas interpretações? Vamos continuar nos comentários, então.

Capa do livro História da Tipografia no Brasil

Sempre ouvimos falar da história da Garamond, Times, Helvetica, dos cartazes construtivistas russos, das belas composições da Bauhaus, entre muitos outros. A maior parte dos livros que temos acesso trata de designers gringos e de ótimos trabalhos projetuais pelo mundo. Mas e aqui na terra Tupiniquim, como essa ‘coisa toda’ aconteceu?

Infelizmente nas livrarias temos poucas coisas que falam diretamente das origens do design brasileiro. O “Design brasileiro antes do design”, de Rafael Cardoso, é um deles. Mas é fora das lojas de livros (novos) que podemos encontrar essa maravilha de publicação do MASP, no final dos anos 1970: A História da Tipografia no Brasil trata em 18 páginas (de texto) um pouco dos primórdios do uso de tipos móveis em território nacional brasileiro contextualizado pelo que acontecia no exterior, fala da repressão que era evidente na época (afinal, o meio mais forte da difusão de ideias eram os impressos). As outras mais de 240 páginas são de referências das publicações da época. E haja referência! São anúncios reais, decretos, certificados, capas de livro, receitas e uma infinidade de outros. A base das imagens é a partir de 1808, quando chegou no Brasil a família real e “trouxe” a Imprensa Régia.
Alguns exemplos das páginas e das imagens:

Folha de rosto do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de página interna do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Ilustração do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Atualmente é difícil encontrar esse belo livro por menos de R$ 80,00 nos sebos, mas vale uma boa vasculhada. Dá pra tentar também online, no site Estante Virtual e também no Mercado Livre.