Designices

Letterscapes

Essa linda publicação importada reúne referências muito legais de aplicações de tipografia no cenário urbano de algumas cidades. Diferente do que o título diz (global survey), não existem projetos dos quatro cantos do mundo. O foco está nos Estados Unidos e Europa, um pouquinhozinho da Ásia e o restante do planeta fica fora da pesquisa. Claro, as referências são muito interessantes e passeiam por prédios, parques, ruas, lojas. Grandes projetos indoor e outdoor. Alguns exemplos:

Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes

Para ter ideia do calhamaço de páginas (352) que o livro tem, olha a comparação com a altura de um iPhone:
Letterscapes
Letterscapes

Infelizmente não documentaram o belo trabalho que a Aflalo & Gasperini Arquitetos fizeram para o Parque da Juventude, em São Paulo, nem as quase vernaculares expressões do fileteado (ou pintura de filete) de Buenos Aires.

Depois de todas as belas imagens do livro ainda tem algumas interessantes entrevistas com os arquitetos e designers que criaram as instalações, falando sobre o processo, os materiais, as ideias.

A versão disponível é de capa dura e custa em torno de U$ 50 na Amazon

 

Tipografia ou tipologia?

Cada vez que alguém fala TIPOLOGIA numa mesa de bar com designers alguns bicos são torcidos e olhadas de lado acontecem. Da mesma maneira quando alguém, aqui em São Paulo, fala A logo no lugar de O logo. Em Curitiba e no Rio de Janeiro é comum usar essa palavra no feminino, aqui em São Paulo, no masculino e talvez isso seja por alguma questão cultural que não fui capaz de identificar e entendê-la. Entretanto eu acredito que um pensamento mais evoluído do que jogar se O logo ou A logo estão corretos ou incorretos é a coerência na hora de criar um. É um bando de gente chiando tanto com o gênero da palavra que acho que lhes falta tempo para cuidar da qualidade de seus trabalhos. Vale dizer que o correto é o logo, se for referenciado ao logotipo. Se for de logomarca, a discussão é outra (e não vou potencializá-la por aqui).

Para a dúvida inicial, TIPOGRAFIA ou TIPOLOGIA: confesso que a segunda me incomoda ouvir ou ler, talvez por puro preconceito. Nos livros, congressos e eventos sempre encontro o termo TIPOGRAFIA e nunca o outro. Acho justo apelar para o local onde as palavras são definidas em sua mais pura essência, o dicionário. Ou melhor, oS dicionárioS, que são livres da visão poética de definição que uma Ellen Lupton ou um Wolfgang Weingart e vão direto ao assunto.

De acordo com o dicionário Aulete, tipografia e tipologia são a mesma coisa:

(ti.po.gra.fi:a) sf.

1. Técnica de impressão a partir de matrizes de madeira ou de metal fundido em alto relevo, cujos caracteres e imagens são compostos um a um manualmente ou em linhas, por linotipia; imprensa. [Cf.: fotocomposição.]
2. Pequena indústria onde se faz essa modalidade de impressão.
3. O mesmo que tipologia .
[F.: tipo- + -grafia.]

(ti.po.lo.gi:a) sf.

1. Biol. Estudo das características básicas e tendências dos seres vivos por meio da identificação de tipos, de modelos; BIOTIPOLOGIA
2. Coleção dos caracteres de impressão mobilizados para um projeto gráfico.
3. Ling. Classificação das línguas com base no estudo comparativo de suas diferenças.
[F.: tipo- + -logia.]

Pelo Michaelis, por incrível que pareça, tipologia se parece mais com o que fazemos do que tipografia, que é definida como a arte (nesse caso, técnica) de compor com tipos, e não o conjunto deles especificamente:

tipografia

ti.po.gra.fi.a
sf (tipo2+grafo1+ia11 Arte de compor e imprimir com tipos. Estabelecimento onde essa arte é praticada. Tip A seção da oficina onde se realiza o trabalho de composição. gír Exploração disfarçada do lenocínio.

tipologia

ti.po.lo.gi.a
sf (tipo2+logo2+ia11 Caracterização dos tipos humanos, dos seres vivos, ou de realidades quaisquer considerados num estudo. 2 Descrição geral desses tipos em cada caso. 3 Por abreviação, o mesmo que biotipologia4 Conjunto de caracteres tipográficos usados em um projeto gráfico

Concluo com essas definições, então, que tanto as palavras TIPOGRAFIA e TIPOLOGIA podem ser usadas da mesma maneira, para o desespero dos puristas.

Ah, claro: não estou falando aqui de etimologia, de história dos termos nem nada parecido. Me refiro às aplicações cotidianas dos termos, como escritos em uma matéria de revista (que não é da área), uma reportagem de televisão ou coisa assim.

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Mais uma publicação, desculpe o clichê (ups!), imperdível do Gustavo Piqueira. Dessa vez a ideia foi compor uma narrativa visual, usando “apenas” clichês tipográficos, para contar a história do Brasil. E tem as caravelas, os portugueses chegando, o escambo com a população nativa, a catequização católica, a Bolsa do Café e outras muitas passagens nas 112 páginas.

A publicação é da Ateliê Editorial, que havia publicado em 2003 um fac-símile da coleção de clichês de D. Salles Monteiro, utilizada para a confecção desse livro. São mil exemplares (apenas) em tiragem única e as cópias são numeradas.

Algumas páginas para degustação:

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

A capa do livro tem uma lâmina de madeira impressa em serigrafia, adesivos e costura aparente.

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

 

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Não seria minha intenção agrupar num post da série “No meio do caminho tinha uma letra” alguma categoria dos textos curiosos que encontrava por aí. Acontece que esses tempos encontrei tanta coisa com esse visual grunge e feito pela ação do tempo que vi muita beleza junta e, finalmente, reuni 10 exemplos dessa estética visual bem típica dos anos 1980 e 90, a sujeira, a corrosão e mais um monte de coisas que os modistas do design ficam se matando pra fazer no Photoshop, sem ter especificamente uma função no contexto da peça. Aqui a coisa simplesmente aconteceu – e continua acontecendo. Se passear atento na região central da cidade de São Paulo pode se deparar com algum desses.

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Veja também o No meio do caminho tinha uma letra 1

Operador de Linotype, 1943, Texas

Sou completamente louco por essas máquinas. Nunca canso de assisti-las funcionando e de pegar rapidinho as linhas de texto ainda quentes que saem enquanto são operadas. É o barulho, o caminho das letras voltando, o chumbo quente… Bom, é tanta coisa que me atrai nessa geringonça que nem sei mais. Só sei que é apaixonante e cada fase do processo é essencial. Nas minhas incansáveis buscas sobre material a respeito, dessa vez ao acaso, encontrei fotos bacanas de operadores de Linotype nos Estados Unidos e fiz uma seleção delas das décadas de 1900 e 1940.

Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, abril de 1942, Illinois Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, 1902, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operador de Linotype, 1942, Nova York Operador de Linotype, 1943, Texas

Essas fotografias vieram do Library of Congress

Pra que curte Linotype, também pode ver um catálogo gigante e incrível dos anos 1930 e o manual de operação brasileiro dos anos 1940

Escrita ou não numa pedra
tinha uma letra no meio do caminho (…)

E me desculpem, não escrevia poesia nem na quinta série do ensino fundamental, quando valia nota.

Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra
Tinha uma letra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma letra

A ideia aqui foi documentar as letras com as quais me deparo no meu cotidiano. A maior parte das fotos foram tiradas despretenciosamente com a câmera do iPhone 4S. Letras bem desenhadas ou não, formas boas, ruins, estranhas, clássicas, não importa. Em algum momento elas me tocaram, noutro eu as toquei, as avistei num canto quase perdido no meio das cidades. E aos poucos essa lista de imagens cresce.

Já temos o No meio do caminho tinha uma letra 2 – Naturalmente grunge

Eu o convido a fazer fotos das letras que se depara durante uns dias, publicar em algum serviço de foto e dividir com todos nos comentários. Topa?
;)

Design + ice = Designice!

Quando eu criei o blog em setembro de 2009 muita gente me perguntava o que significava DESIGNICES. Alguns achavam que era uma mistura de design com nice, outros que era alguma coisa qualquer sem significado. Na real, como explico no sobre, DESIGNICES seria algo como “coisas de design”. Mas a mais legal dessas percepções foi quando alguém – e eu não lembro mesmo quem – me perguntou se meu blog era sobre “design de gelo”. Não, não é… MAS já que sugeriu, aí vai: Design + ice!

Design + ice = DESIGNICE

Design + ice = DESIGNICE

Design + ice = Designice!

Design + ice = Designice!

Como fazer design+ice?

Antes de DESIGN+ICE eu escrevi apenas DESIGN para ver como ia ficar e tirei foto com a câmera do iPhone 4s:

Design + ice = Designice!

Achei bem interessante o resultado mas queria modificar um pouco a iluminação. Não queria usar cores nem nada pra destacar as letras, apenas o gelo. O visual que queria era como escrito num iceberg à noite. E que tivesse um casal chamado Rose e Jack num navio próximo e OPS! Desculpe, me empolguei. Conforme eu fazia os testes, o gelo dava uma leve derretida e as letras perdiam os floquinhos e ficava mais liso e com brilho. A palavra foi montada dentro de um prato com gelo. Para tais fotos eu coloquei a câmera dentro do freezer e fechava, fotografei com o temporizador. As letras passaram a ficar como eu queria com a iluminação improvisada de uma lanterna de led com a tampa de um pote por cima, pra não estourar a luz no gelo. Pra não molhar a lanterna tinha um pratinho plástico de bolo por baixo. E viva as gambiarras:

Design + ice = Designice!

Que tal?

Da série de trocadilhos tipográficos ainda tem a FUTURA FERRUGEM e a TRIPOGRAFIA :)

DiaTipo SP

O DiaTipo (conheça o site oficial), evento maduro, muito bem estruturado, criado pelo maior pulverizador nacional de conhecimento tipográfico Henrique Nardi (nesse ano ele está como consultor do evento), vai acontecer dia 15 de dezembro aqui em São Paulo. DiaTipo, além de todo conhecimento passado nas palestras (e workshops também!), é um encontro, antes de tudo, de apaixonados por tipografia. Dia de contatos bacanas, dia de pessoas legais, dia de papos interessantes, dia de renovar e tirar o mofo que os trabalhos muito institucionais nos ajudam a criar, que fica depositado bem ali, onde mais queremos boas ideias para desenvolver um bom projeto. Dia de encontrar OS CARAS da área, aqueles que fazem a coisa girar e que inspiram tantos outros. Dia de pegar um novo foco de estudo, dia de evoluir.

Vale a pena ver a programação do evento.

DiaTipo SP
Palestras: 15 de dezembro, das 8:00 às 19:30
Rua Dr. Vila Nova, 228 Consolação – São Paulo – SP (mapa)

Inscrições aqui

DiaTipo SP

A pergunta que não quer calar: Nos veremos lá, né? ;)

 

Hyperactivitypography - capa

Quando me deparei com o Hyperactivitypography – From A to Z a primeira vez eu achei que era apenas uma brincadeirinha inocente num livro totalmente despretensioso sobre tipografia. E foi começar folheá-lo para encontrar diversos valores bem interessantes e propostas de breves exercícios que não tem em (quase) nenhum dos renomados e tradicionais livros de tipografia. Considero o Hyperactivitypography – From A to Z uma feliz tacada da editora Gestalten: ao passo que a história da tipografia, anatomia do tipo, variações de corpo e afins a apresentação de seu conteúdo é extremamente divertida e inusitada. É exatamente como uma “cartilha de tipografia”, tem piadinhas, curiosidades, detalhes minunciosos sobre as letras. Como todo o conteúdo é ilustrado e em formato de pequenos desafios e passatempos, não existe um aprofundamento textual maior sobre o assunto mas vale muito a pena pela diferente forma de encarar um conteúdo legal e bem selecionado. Alguns exemplos do que se tem no livro, que tematiza a tipografia com capítulos de “A a Z”:

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Hyperactivitypography

Em toda abertura de capítulo o leitor é convidado a preencher os campos “termo tipográfico” e “typeface” que comecem com a determinada letra.

Hyperactivitypography - verso

O que achou desse projeto? É favorável à exploração de outras maneiras de transmitir o conteúdo? Eu sou ;)

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Acredito que a principal vantagem que os novos livros de design têm é a inclusão de velhas e vitais técnicas como os tradicionais só que elas são sinergicamente sintonizadas com o que acontece no momento atual do cenário do design. Um bom livro sobre fundamentos de tipografia não abordar tipografia em meios digitais por exemplo, com todas essas mudanças tecnológicas e suportes diferentes, me parece que falta alguma coisa. Faltas assim eu não senti no ótimo livro do Timothy Samara que tem como subtítulo Manual prático para o uso de tipos no design gráfico, lançado pela Editora Bookman.

A abordagem da publicação e a divisão dos capítulos me agradou bastante: você pode partir da base, dos fundamentos e seguir para o foco que lhe agrada, sejam cartazes, design de embalagem, livros, digital, tudo bem. De qualquer modo eu gosto de passear por todas essas áreas, devorar o livro todo, como fiz. Ah, a parte básica também dá uma boa carga de informações num panorama geral interessante. Tudo devidamente ilustrado e bem impresso.

Pra se ter uma ideia melhor do conteúdo:

Sumário

Iniciais
A tipografia está em todos os lugares
Tipos falantes

Fundamentos da Tipografia
Parte A. Mecânica do tipo
Princípios do desenho de letras
Variações do alfabeto
A óptica do espacejamento
A mecânica espacial dos parágrafos
Parágrafos em sequência

Parte B. Forma e função
Espaço: a fronteira tipográfica
Cor tipográfica
Ponto, linha e plano
Desenvolvendo hierarquias
O grid tipográfico
Quebrando o grid
Sistemas tipográficos

Parte C. Expressando o que não foi dito
Integrando tipo e imagem
A tipografia enquanto imagem
Cor na expressão tipográfica

Práticas Tipográficas
Design de tipos
Design de livros
Textos colaterais
Design de sites
Impressos efêmeros
Cartazes
Tipografia em movimento
Identidade visual
Tipografia ambiental
Publicações
Embalagem

E alguns exemplos de como o conteúdo é visualmente explorado:

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara

Guia de Tipografia - Timothy Samara
Guia de Tipografia - Timothy Samara

Alguém aí já viu o livro? Leu? Tem? Gostaria de ter? Comenta aí, então! :)