Designices

Capa do livro "Os desafios do Designer", de Chico Homem de Melo

Chico Homem de Melo escreveu artigos para a Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG) e pra revista Arc Design entre 1999 e 2002 e esse interessante volume das Coleção textosdesign são, basicamente, uma boa seleção desses artigos. Como de costume dessa coleção, os textos propõem discussões e reflexões a respeito da produção do design e do cotidiano do designer, passando por 50 anos de marcas criadas no Brasil, tipografia, arquitetura, relação de criatividade versus o uso do computador e como eles se influenciam, processos criativos e outros.

O sumário do livro:
- Apresentação
- Marcas do Brasil
- O passado, o presente e o futuro do livro
- Impressões digitais
- Travestismo tipográfico
- O legislador e o artesão
- Niemeyer gráfico
- Os desafios do designer
- Brasil+500

Quarta capa do livro "Os desafios do Designer", de Chico Homem de Melo

O capítulo que deu o título à essa publicação compreende 14 frases que foram utilizadas na Mostra Seletiva da V Bienal de Design Gráfico da ADG, em 2000, relacionadas literalmente aos desafios de criar cada tipo de projeto.

Entre os artigos, tem um inédito (pra mim o melhor deles), que é sobre o BRASIL+500 – Mostra do Redescobrimento, que Chico Homem de Mello conta o projeto desde o começo, das primeiras ideias. Aí entram os detalhes de como os trés pavilhões do Parque do Ibirapuera foram ocupados com essa mostra e tudo a partir de uma visão do designer como interlocutor do projeto, que tem que se “dar bem” com todos e não é o dono exclusivo de tudo que se tem por lá. Embora totalmente verdadeiro, esse tipo de posicionamento é meio difícil de encontrar gente falando em livros (alguém tem dicas de livros ou links disso?).

Embalado pelo título do livro e seu capítulo de desfecho fenomenal, deixo a pergunta:
Pra você, qual é o maior desafio do designer?

Me conta nos comentários, tá? :)

Capa do livro Princípios Universais do Design, Bookman Editora

A primeira vez que vi o livro achei que fosse mais um desses convencionais de fundamento do design. Feliz engano! Nada contra (MUITO pelo contrário) os convencionais livros de fundamentos, é que essa edição da Bookman Editora vai bem além de conceitos básicos e explica e ilustra 125 princípios do design, interdisciplinares e que podem ser lidos de maneira não linear. Nesses princípios estão alguns que vão ajudar na hora de fazer uma composição visual, outro na hora de escolher e editar uma fotografia, outros para grids, para harmonização de um projeto, torná-lo mais usável, dicas de posicionamento, razão áurea e muitos outros. Adorei aprender princípios quando vi que desconhecia totalmente, como Wabi-Sabi, Viés de Rosto de Bebê, Lei de Hick, Falácia da Escalabilidade entre outros. Bem interessante é como as páginas são montadas:

Exemplo de interna do livro Princípios Universais do Design, Bookman EditoraCada princípio é explicado em uma página dupla, onde o texto principal fica na página par, junto com hipertextos na direita sobre as bibliografias de cada princípio. No final da página (no “Ver também”) tem outros princípios relacionados com o que você acabou de ler, pode voltar ao sumário e não linearmente partir para outro. Aliás essa foi a maneira que li o livro.

Exemplo de interna do livro Princípios Universais do Design, Bookman EditoraNa página ímpar tem o do princípio da página par, com texto explicativo que evidencia e comenta a aplicação.

O livro estrategicamente tem dois sumários, um com todos os princípios separados (as vezes eles se repetem pelas categorias) pelos temas:
- Como posso influenciar a maneira que o design é percebido?
- Como posso ajudas as pessoas a aprender com design?
- Como posso melhorar a usabilidade do design?
- Como posso aumentar o apelo do design?
- Como posso melhorar as decisões de design?

E também em alfabética:

Acessibilidade
Affordance
Alinhamento
Alinhamento de Área
Antropomorfismo
Arquétipos
Autossemelhança

Biofilia
Boa Continuidade

Camadas
Carga de Desempenho
Cegueira por Desatenção
Ciclo de Desenvolvimento
Ciclo de Feedback
Ciclo de Vida
Cinco Cabides
Comparação
Compensação entre Flexibilidade e Usabilidade
Condescendência
Condicionamento Clássico
Condicionamento Operante
Conectividade Uniforme
Confirmação
Congelamento/Fuga/Luta/Entrega
Consistência
Constância
Controle
Convergência
Cor
Custo/Benefício

Densidade Proposicional
Desempenho versus Preferência
Design por Comitê
Destaque
Destino Comum
Detecção de Ameaças
Diagrama de Gutenberg
Dissonância Cognitiva
Distribuição Normal

Efeito Catedral
Efeito da Aparência Facial Mais Próxima da Média
Efeito da Superioridade da Imagem
Efeito de Expectativas
Efeito de Mera Exposição
Efeito Estética/Usabilidade
Efeito Veblen
Efeito Vermelho
Efeito von Restorff
Efeitos da Posição Serial
Efeitos de Interferência
Elo Mais Fraco
Enquadramento
Entra Lixo, Sai Lixo
Erros
Escassez
Espaço Defensável

Facilidade de Leitura
Falácia da Escalabilidade
Fator de Fixação
Fator de Segurança
Fechamento
Fixação de Caçador/Criador
Forma Segue a Função
Formas Estruturais

Hierarquia
Hierarquia de Necessidades
Horror ao Vácuo

Imersão
Iteração

Legibilidade
Lei da Pregnância
Lei de Fitts
Lei de Hick
Linha do Desejo

Mais Avançado Embora Aceitável
Mapeamento
Mimetismo
Mnemônica
Modelagem
Modelo Mental
Modularidade

Não Inventado Aqui
Narração
Navalha de Occam
Nudge

Organizador Prévio

Pedra de Roseta
Personas
Perspectiva/Refúgio
Pirâmide Invertida
Ponto de Entrada
Preferência pela Savana
Preferência pelo Contorno
Princípio da Incerteza
Profundidade de Processamento
Projeção Tridimensional
Proporção Áurea
Protótipos
Proximidade

Razão Entre Rosto e Corpo
Reconhecimento versus Lembrança
Redundância
Regra 80/20
Regra dos Terços
Relação Cintura/Quadril
Relação Figura/Fundo
Relação Sinal/Ruído
Representação Icônica
Ressonância Visuoespacial
Restrição
Revelação Progressiva

Satisfação
Segmentação
Semelhança
Sensibilidade à Orientação
Sequência de Fibonacci
Simetria
Sugestão Subliminar

Uncanny Valley

Viés da Iluminação de Cima para Baixo
Viés do Rosto de Bebê
Viés Estético
Visibilidade

Wabi-Sabi
Wayfinding

Quarta capa do livro Princípios Universais do Design, Bookman Editora

É o típico título que deveria ser como “livro adotado” pelas faculdade de design.
Obrigado, Elisa, pela indicação do livro, adorei :)
E você? Quais são os princípios que tem curiosidade de saber mais a respeito? Deixa aí nos comentários!

Capa do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Infelizmente, ao que me parece, os ex-libris foram uma linda tradição e agora estão quase esquecidos por completo (e nem tenho esperanças que retornem).

Mas o que é ex-libris?

Em suma, ex-libris é uma expressão em latim que significa “da biblioteca de”. Geralmente eram coladas nas primeiras páginas do livro ou na quarta capa e indicavam o dono do volume. Se um livro fosse meu, eu poderia personalizar uma etiqueta com Ex-Libris Rogério Fratin junto de uma ilustração (comumente gravura) ou de adornos ou de outro texto ou de tudo isso junto. Cada um cria o seu. Essa “moda” se espalhou pelo mundo e de uns tempos pra cá sumiu. Nesse belo livro da Ateliê Editorial o organizador Plínio Martins Filho reúne a coleção de ex-libris da Livraria Sereia, de José Luís Garaldi. Além de breves definições e história dos ex-libris, o organizador os separou por temas: Marcas, Etiquetas e Monogramas / Heráldicos / Paisagísticos / Livrescos / Faunísticos / Femininos / Humorísticos / Infantis / Profissionais. Alguns exemplos fotografados do livro:

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Entre a coleção pode-se encontrar ex-libris de personalidades da História do Brasil, como o ex-presidente Jucelino Kubitschek:

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Exemplo de página do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Quarta capa do livro Ex-Libris, da Ateliê Editorial

Ex-Libris é mais um livro da Coleção Artes do Livro, a mesma do título A Arte Invisível

No Google Images tem diversas imagens de ex-libris, inclusive em diversos idiomas, vale dar uma espiada.

Confesso que me deu uma vontade grande de fazer ex-libris pra mim, talvez com tipografia manual… E você, se fosse fazer um, como seria?

Capa do livro Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos

É bem legal ver como estão lançando bons livros de tipografia no Brasil (em português). Da mesma coleção do Criar Grids (veja o post), a a Editora Blucher (veja os posts com a tag Editora Blucher | siga a @EditoraBlucher no Twitter) segue a coleção e o Design e Tipografia também reúne 100 fundamentos tipográficos, cada uma em uma página dupla, com exemplos bem explicados e detalhados. Além de tudo isso, claro, os exemplos também podem ser usados como boas referências. O sumário do livro (os 100 fundamentos):

A LETRA
1. Usando letras como formas
2. Usando o espaço interno como forma
3. Detalhes da forma das letras
4. O conteúdo emocional sugerido pelo texto
5. Conotações históricas
6. Considerando o suporte
7. Honrar a dignidade
8. A solução feita à mão
9. Expressividade
10. Permanecer neutro
11. Considerar o contraste do fundo
12. Ênfase usando pesos
13. Ênfase usando o contraste de pesos
14. Ênfase usando tamanhos
15. Ênfase usando o contraste de tamanhos
16. Aspas inteligentes
17. O hífen, travessões “ene” e “eme”
18. Alto contraste invertido
19. Dimensões extremas
20. Floreados intensos
21. Pensar como um compositor de tipos
22. Usando versões display
23. Usando números
24. Dingbats e pictogramas
25. Teoria da Relatividade I

A PALAVRA
26. Uma tipografia “ruim”?
27. Abominações tipográficas
28. Hierarquia usando posicionamento
29. Hierarquia usando tamanho
30. Hierarquia usando peso
31. Hierarquia usando cor
32. Hierarquia usando contraste
33. Hierarquia usando orientação
34. Hierarquia usando efeitos especiais
35. Kern: quando aplicar
36. Tipos como imagem
37. Tipos tridimensionais
38. Repetição
39. Desconstruindo os tipos
40. Empilhamento vertical
41. Veja a forma
42. Usando maiúsculas e minúsculas
43. A regra das três tipografi as
44. Combinando várias tipografias
45. Combinando tipos usando contraste,peso ou cor
46. Combinando tipos usando compatibilidades históricas
47. Familiaridade produz legibilidade
48. Versaletes e frações: proporções corretas
49. Usando o tipo certo
50. Teoria da Relatividade II

O PARÁGRAFO
51. A tipografia invisível
52. Tipografi a em alta evidência
53. Menos é mais
54. Mais é mais
55. Espaçamento entreletras e entrepalavras
56. Hifenização e justifi cação
57. Instruções para o tracking
58. A “cor” do texto
59. Considerando a massa tipográfica
60. Padrão, gradação e textura
61. Princípios básicos de entrelinhas
62. Comprimento ideal para linhas de texto
63. Abrindo o entrelinhas
64. Linhas empilhadas
65. Indicando parágrafos
66. Capitulares iniciais e descendentes
67. Parágrafos de abertura
68. Órfã e viúvas
69. “Rios” de espaço
70. Evite os tipos decorativos
71. Celebre os tipos decorativos
72. Textos sobrepondo imagens
73. Textos sobrepondo textos
74. O efeito do bloco de texto
75. Teoria da Relatividade III

A PÁGINA
76. Legibilidade, legibilidade, legibilidade
77. Legibilidade em segundo plano
78. Limitando as tipografias
79. Uma família tipográfica
80. Seis tipos essenciais
81. Necessidade por todos os tipos
82. Tipos para texto versus tipos display
83. Pontos de entrada organizados
84. Sistematizando a hierarquia
85. Textos justifi cados
86. Alinhamentos à esquerda,franja à direita
87. Alinhamentos à direita, centralizados e assimétricos
88. O grid de múltiplas colunas de texto
89. Grids irregulares
90. “Acessórios” tipográficos
91. Linha fi na, destaques e citações
92. O “nascer e morrer” do texto
93. Caos versus ordem
94. Comentários, marginália e outros idiomas
95. Gráfi cos e tabelas
96. Dispositivos de navegação
97. Margens e calhas
98. Enquadrando o texto
99. Flutuando no espaço
100. Teoria da Relatividade IV

Alguns exemplos dos fundamentos:

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Note que além da explicação do fundamento, cada aplicação tem suas particularidades e justificativas, além dos créditos do projeto, como o diretor de criação, designer e cliente (dá pra buscar facinho mais projetos de cada uma na internet).

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Os fundamentos não se prendem apenas nas tipografias famosas, tem também exemplos de tipografia feita à mão…

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

… e também de dingbats e pictogramas.

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Gradativamente, os fundamentos vão da letra em específico pra palavra em si…

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

E depois pro parágrafo.

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Página do livro "Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos", da Editora Blucher

Quarta capa do livro Design e Tipografia - 100 fundamentos do design com tipos

É evidente que esses fundamentos não podem ser encarados como receitas rígidas e presas, que existirão momentos que algo precisará ser quebrado ou modificado, mas acredito que só podemos quebrar ou modificar aquilo que conhecemos bem, né? Bem, em suma, esse é mais um livrão bacana pra entrar no wish list dos designers :)

Hand Job - Capa

Sei que o nome desse livro pode ser meio ingrato de primeiro impacto, mas é um BAITA livro legal. Do começo ao fim o livro é de ótimas referências de tipografia feitas à mão das mais variadas categorias. Michael Perry, autor de Hand Job, mandou bem pacas na seleção dos trabalhos. São rascunhos de letras em cadernos, guardanapos, outros finalizados, feitos à lápis, caneta, belas caligrafias, outras totalmente irregulares, tem de todo tipo. Algumas páginas de exemplo:

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Alguns detalhes em zoom das ilustras:

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Exemplo de página do livro Hand Job

Quarta capa do livro Hand Job

Até o preço do livro, ao lado do código de barras (além do sumário, da resenha da quarta capa…), está com uma “hand type”. O preço de capa dele é US$ 35.00, mas na Amazon ele tá em promoção por algo em torno de US$ 24,00 mais as despesas de envio. Aqui no Brasil já vi em grandes livrarias por um preço até que razoável levando em conta o frete e o tempo que leva pra chegar dos Estados Unidos. E vale cada centavo.

Capa do livro A Arte Invisível, de Plinio Martins Filho

Não é um palito de fósforo gigante, não. O livro é pequenino mesmo, literalmente é de bolso e tem capa dura. Mas o conteúdo do livro tem qualidade, bem grande por sinal. A ideia do livro é mostrar os elementos “invisíveis” na criação de um livro, como uma boa escolha de tipografia, elementos da capa, tamanhos, proporções, erros cometidos, integração interdisciplinar do designer com os outros envolvidos na produção do livro, tudo citado por “gente com opiniões de peso”, como Jan Tschichold, David Carson, Wolfgang Weingart, Robert Bringhurst, o próprio autor Plinio Martins Filho, entre outros. Só fera :D

As reflexões são curtas e praticamente pode-se ler essa publicação de forma não-linear. Inclusive é um bom livro pra ter ao lado da mesa do trabalho. Entre uma demanda, emails respondidos, cobranças de prazo e alterações nos layouts, ele se torna um bom companheiro, já que não leva nem 40 segundos pra vocé ler cada uma das 164 páginas. É aquele empurrãozinho que te dá forças pra continuar.

Alguns exemplos:

“A chave para uma boa tipografia é sempre deixar que as palavras ditem o design” – Humphrey Stone

“Um axioma da produção de livros é… que, se se deixar que alguma coisa comece errado, há muita probabilidade de que saia errado. Grande parte do trabalho do designer é explicar suas exigências a estranhos distantes” – Hugh Williamson

“Se um texto pede algum tipo de Renascença, também exige uma tipografia da Renascença. Isso geralmente significa proporções de página e margens da Renascença, e ausência de negrito” – Robert Bringhurst

A Arte Invisível é mais um livro da Coleção Artes do Livro, a mesma do título Ex-Libris
Uma frase do livro A Arte Invisível foi citada no Design Shot#0

Textos recentes e escritos históricos, de Alexandre Wollner, Edições Rosari - Capa

Mais uma referência muito interessante do mestre e “pioneiro” Alexandre Wollner. Em Textos recentes e escritos históricos temos uma coletânea das opiniões e discussões nos dois momentos descritos no título: Artigos e críticas de um passado próximo e entrevistas, matérias para jornais e relatórios de um passado mais distante, mais precisamente nas décadas de 1960 e 70. Wollner conta das suas experiências como aluno da Escola de Ulm, critica marcas e atitudes, fala da bandeira brasileira, de identidade visual, embalagem, cópia e até das unidades de medida. O sumário do livro:

Textos recentes:
Você percebe quando o seu comportamento é negativo?
Design ou design?
O forró dos cíceros e das paicas
Nike? What? Nike strikes agains?
Embalagem? Design? Merchandising?
O meio ambiente é outdoor! Parte 1 e 2
15 ou 21
Açúcar design, logomarca, type designer, package designer, design de resultados?
O desengano da vista é furar o olho
O poder das multinacionais
Sobre regras para concursos de identidade visual

Escritos históricos:
Minha formação
Origens do desenho industrial
Desenho industrial, uma definição
Programas de identidade empresarial
Programação visual
Marcas e outros assuntos
A emergência do design visual
Entrevista para Pietro Maria Bardi
Entrevista para Adélia Borges
Relatório do Congresso do ICSID em 1973

Textos recentes e escritos históricos, de Alexandre Wollner, Edições Rosari - Resenha

Alguns pontos do livro, de 2003, me chamaram muito a atenção por conta da aplicação no dia-a-dia e de como são atuais, principalmente os “escritos históricos”.  Em “Sobre regras para concursos de identidade visual”, por exemplo, Wollner comenta de como existem concursos de marca que são absurdos, do júri que não é formado por designers, das premiações ridículas (como camisinhas, por exemplo) e por escolhas sem fundamento de uma marca. Lembrou-me muito uma certa identidade de evento esportivo mundial que teve boa parte dessas características tão negativas…

Como no geral são textos curtos, podem ser lidos de maneira aleatória. Entretanto o mais incrível foi o capítulo que fecha a publicação, o “Relatório do Congresso do ICSID em 1973″, onde Wollner participa de congressos de design pelo mundo e entrega um relatório pro Governo Nacional contando tudo e indicando um caminho seguro pro ensino do design no país. Muitos desses problemas que temos por aqui, que viram chacotas, piadas (leia o post “Não piadas com designers“) e problemas para a profissão, foram previstos por Alexandre Wollner quase 40 anos atrás (exatamente 30 antes de lançar esse livro).

Posts relacionados:
O que é design? (Com trecho de Escritos recentes e escritos históricos e vídeo de Wollner definindo design)
Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil
(livro + DVD)

Capa do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Hoje em dia eu não sei como, em algum momento da minha vida, eu consegui trabalhar sem grids. A manutenção, as mudanças, o desenvolver do projeto e suas modificações inesperadas e a continuação do trabalho de outro designer num projeto desconhecido. Essas são só alguns dos motivos que eu sou do time que veste a camisa do “Time dos Criadores de Grids“  :)

Embora muitos defendam o contrário e que usar grid “prende” o designer, acredito que fique preso apenas aqueles que não entenderam direito como funciona. O grid é a liberdade criativa embelezada pela unidade, pela sequência, pela lógica e pela quebra de tudo isso.

Bem, a Editora Blucher (veja os posts com a tag Editora Blucher | siga a @EditoraBlucher no Twitter) trouxe a coleção desses livros de fundamentos do design. Em “Criar Grids – 100 Fundamentos de Layout” tem, bem explicadinho, todos esses macetes pra não errar na hora de estruturar um projeto. O (longo!) sumário das 100 dicas do livro:

Introdução

Elementos de um Grid
Conhecer os Componentes

Diagrama Básico de Grid
Aprender as Estruturas Básicas

Determinar o Grid Apropriado
Avalie o Conteúdo

Formatando o Texto
Primeiro, As Coisas mais Importantes; Calcule

Hierarquia da Informação
Vá com Calma com o Leitor

Grid e Imagem
Determine uma Ordem

Combinando Grid, Tipografia e Imagem
Considere todos os Elementos

Cor
Defina Espaço com Cores

Espaço
Comunique Usando o Espaço

Ritmo e Fluxo
O Ritmo Marca o Tom

Uma Coluna
Dê uma Cara ao Assunto
Design com Margens Amplas
Trabalhe com Proporção

Duas Colunas
Atribua Equivalência às Colunas
Design como Função
As Linhas Mandam!
Use Toda a Área
Use a Tipografia para Definir Zonas no Grid
Misture Peculiaridades com Consistência
Alterne Formatos

Três Colunas
Faça Parecer Simples
Defina Colunas Tipograficamente
Evite Amontoar
Abaixe as Colunas
Alterne os Tamanhos

Múltiplas Colunas
Agite o que for Reto e Estreito
Misture Tudo
Controle a Diversidade de Elementos
Acompanhe a Tradução; Seja Claro
Bases para Websites

Modular
Divida em Partes
Deixe Alguma Área de Respiro
Seja Racional
Opte por um Mundo Organizado
Módulos não Precisam ser Quadrados

Tabelas e Gráficos
Pense no Gráfico como um Todo
Ilustre os Gráficos
O Design além do Esperado
Delimite Discretamente as Caixas
Ultrapasse os Limites

A Cor como Elemento Dominante
Use a Cor para Obter Atenção
Defina uma Paleta de Cores
Deixe a Cor ser a Informação
Junte a Cor com a Tipografia

Cores como Princípio Organizador
Controle as Cores
Use Cor na Tipografia como Ênfase
Coloque a Informação em Cores
A Cor como Código
Separe o Conteúdo com Cores
Use Tons para Obter a Cor

Hierarquia Horizontal
Quebre a Sinalização em Seções
Junte as Semelhanças
Deixe o Espaço Definir seus Horizontes
Ilustre Linhas do Tempo
Trabalhe Acima e Abaixo da Dobra (Horizontal)

Quando os Tipos Formam o Grid
Faça Barulho
Gire na Vertical
Compacte os Elementos
Brinque com o Grid
Envolva o Espectado

Repleto e Funcional
Com Ordem, Faça Margens Pequenas Funcionarem
Seja Direto
Evite Apinhamento
Faça o Espaço Valer
Projete um Ponto-de-Vista Equilibrado
Guie o seu Leitor

Arejado, mas não Pobre
Entre no Ritmo
Crie um Oásis
Deixe as Imagens Brilharem

Sem um Grid Aparente
Faça um Esboço a Mão
Hierarquia Implícita
Use Princípios de Organização
Favoreça a Fluidez

Formas Orgânicas
Planeje Pausas
Permita Dramaticidade
Use Silhuetas para Avivar a Composição
Deixe a Intuição Prevalecer

O Grid Suíço
Construa um Sistema
Use Peso e Medidas
Use Helvetica
Use Linhas
Aplique Hierarquias Verticais e Horizontais

Grid Interrompido
Construa com o Inesperado
Varie os Tamanhos
Deixe a Foto Falar
Destaque com Barras Laterais

Grid Reconstruído
Observe os Mestres
Amplie!
Mude as Fronteiras

Grid em Camadas
Faça Complexo
Pense em Mais de Uma Dimensão
Pense Globalmente

Grids e Movimento
Crie uma Estrutura que Sustente Várias Mídias
Venda
Faça se Mexer
Faça-o Modular

Quebrando as Regras
Faça com Clareza
Siga o Futuro
Siga o seu Coração
Esqueça as Regras

Basicamente cada página dupla tem uma das “dicas” de como criar um bom grid. No meu primeiro contato com o livro, eu senti que ele era “não-linear”, que eu poderia ler as dicas de grid em qualquer ordem. Mas percebi ao final que no começo o autor “pega mais leve”, é bem básico e depois vai ficando mais complexo.

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Além do texto principal, as imagens têm legendas que definem ainda mais o conceito do grid utilizado:

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

É bem interessante que os exemplos de grids são bem variados e as “caras” e a complexidade dos layouts também, além das explicações dos grids tem muita coisa que dá pra usar como referência visual também:

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Exemplo de página do livro Criar Grids, da Editora Blucher

Quarta capa do livro Criar Grids, da Editora Blucher

E você? Tem alguma outra dica de grid? Veste a camisa ou acha que ele prende o designer? Fala aí nos comentários!

B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Mais um livro da coleção “Qual é o seu tipo” das Edições Rosari. Aliás, um belo livro. Fininho, rápido e gostoso de ler, e com preço acompanha sua dimensão física: é bem baratinho, entre 10 e 20 reais.

Nessa publicação, Cláudio Ferlauto dá um breve contexto histórico, passa pela Coluna de Trajan, pelas solicitações de Carlos Magno (742-814), fala de Didot, da Baskerville, Walter Gropius…  detalha, explica, comenta aplicações desses famosos tipos, como no Manuale Tipografico, de Giambattista Bodoni. Tudo bem ilustrado, como nessa página que tem os “A” maiúsculos da Bodoni, Baskerville, Garamond e uma manuscrita feita com pincel chato.

Exemplo de interna do livro B de Bodoni, de Claudio Ferlauto, Edições Rosari

Outra parte bem bacana e curiosa são as comparações das diversas versões da Bodoni, que até podem parecer sutis, mas em algumas letras é bem perceptível, como no “R” maiúsculo e suas terminações em “gota” ou não. E qual seria a Bodoni mais fiel de todas? No livro tem, também :)

Na mesma linha desse livro tem também o Tipografia Comparada, do designer e tipógrafo Claudio Rocha.

E você, gosta da Bodoni? A utiliza em seus projetos?

Conversas com Paul Rand, capa, livro da Cosac Naify

Acho que não poderiam encontrar título melhor pra esse belo livro da Cosac Naify. Conversas. Foi assim que me senti enquanto lia essa publicação. É como ouvir um papo bacana de alguém que tem bastante coisa legal pra falar e você ali, de ouvinte. O papo flui, fica cada vez mais interessante e quando você vê, “plim”, acabou o livro. E valeu cada palavra.

Paul Rand (1914-1996), um dos maiores nomes do design do século passado, além de deixar sua imensa galeria de ótimos projetos , também deixou uma gama de textos, artigos, livros e deu muitas aulas/palestras de design. E são papos desses, que tratam do ensino do design, que estão nesse livro. São dois papos com Paul Rand: no primeiro ele debate, opina, explica e questiona professores universitários de design. No segundo ele fala com alunos numa aula, pergunta, os intriga,  e responde suas dúvidas. Depois das conversas, ainda tem alguma história bacana (no formato de depoimento) que envolve grandes nomes junto de Paul Rand, como Wolfgang Weingart, Steff Geissbuher, Gordon Salchow etc.

O autor, Michael Kroegger, organizou esse material todo e daí saiu o livro. Inclusive tem frases bem legais destacadas no decorrer do livro:

“O design é um conflito entre forma e conteúdo”. – Paul Rand

“Tudo é relativo. Design é relação”. – Paul Rand

“O ponto não é sair do grid. O ponto é permanecer nele e fazer isso corretamente”. – Paul Rand

“O todo é mais que a soma de suas partes”. – Paul Rand

Vale bastante a pena dar uma espiadinha no site oficial do Paul Rand, ver seus trabalhos e perceber quanta coisa legal dá pra um cara desse ensinar. :)