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História em quadrinhos

O Fantasma

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Diferente de muitos meninos que começam gostar de heróis como o Superman, Batman, Hulk, eu comecei com o personagem O Fantasma de Lee Falk, na Fantasma Magazine que meu pai se orgulha de ter mais de 80 unidades dos anos 1950 e 1960, todas que comprou na época, a maioria já usadas.

Era pra mim bem divertido ver um cara mascarado, com um anel de caveira, cavalo, cachorro (chamado Capeto! Ó que nome bom!) e que morava numa caverna com o formato de crânio humano. E nada de super-poderes, o Fantasma resolvia tudo na base da porrada, de tiros, facadas. Ótimo pra uma criança de três anos de idade, não? Mas não tinha problema, elas estavam (como mostra o selo) dentro do código de ética! E eu já estava BEM escolado com essas coisas, pra quem já lia O Amigo da Onça, o Fantasma era “café-pequeno”!

Eu passava um bom tempo folheando as revistas e ouvindo meu pai contar sobre onde e quando comprava, que ele queria tal que não conseguiu em lugar algum, que pagava barato na feira, num pano no chão que um vendedor colocava com as revistas por cima. Fazia tempo que eu não via esse material, mas o Seu Rodolfo resolveu o problema: Cavocou os armários e pegou sua coleção e algumas delas foram fotografadas, olha que legais:

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Meu pai conta que na banca de jornal, quando a revista era preto e branco, nunca sobrava uma sequer.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Daí mudaram para colorida…

O Fantasma [Fantasma Magazine]

E depois voltou ser preto e branco novamente.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Além de tudo ainda vi algumas propagandas vintage de produtos que ainda existem, como essa do Nescau

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Esses foram alguns dos primeiros contatos que tive com histórias em quadrinhos, talvez a primeira com a narrativa sequencial (e não em charges de um quadro) que eu vi.

E você? Qual era teu herói/heroína quando criança?

O Amigo da Onça (1943-1961), por Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

Um dos primeiros contatos que tive com a linguagem de HQs foi com certeza O Amigo da Onça (o outro foi nas revistas do Fantasma), num livro que meu pai comprou nos anos 1970 e que me explicava as piadas sarcásticas, desnecessariamente sacanas e politicamente incorretas do personagem do cartunista Péricles, que saíam na revista O Cruzeiro e faziam o maior sucesso. Mais algumas das charges do malandro carioca:

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

Todas as imagens das charges foram fotografadas da edição especial Nostálgica do Cruzeiro de O Amigo da Onça:

O Amigo da Onça, de Péricles

Pra quem quer saber um pouquinho mais…

Péricles (Péricles de Andrade Maranhão) nasceu em Recife em 1924 e muito novo, aos 17, foi tentar se aventurar desenhando profissionalmente. Deixou sua cidade e foi para o Rio de Janeiro. Participou das revistas O Guri com seu personagem “Oliveira, o Trapalhão“. Na revista A Cigarra desenhava os quadros “Cenas Cariocas“, “Miriato, o Gostosão” e o próprio “Oliveira“. Mas nenhum desses chegou próximo do sucesso que fez O Amigo Da Onça, que foram desenhados (pelo seu criador) de 1943 até 1961 na revista O Cruzeiro e eram, segundo as pesquisas, a seção mais lida e adorada de todas. Crianças, adultos e idosos se divertiam com o personagem que foi encomendado para expressar na época a essência cotidiana do Rio de Janeiro para todo mundo, inclusive que não morasse lá. Péricles se suicidou em 1961, no último dia do ano, se trancou em casa e deixou o gás ligado. Infelizmente não tem quase nada publicado sobre o ilustrador. Editoras, cadê vocês nessa hora?

E você, lia algo diferente do convencional quando era criança?

The Bumper Book of Bunny Suicides – Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

A mistura de simplicidade, bom-humor, sarcasmo e atitudes nonsense dos coelhinhos suicidas fazem esse livro um das minhas HQs favoritas no quesito “fuga dos caminhos convencionais”. Não precisa de cor, nem de 3D, nem de nada. A linguagem é simples e original, a narrativa é gostosa e o livro não tem um balãozinho de texto. O quadrinho que teria depois do último suspiro do coelho é tão trágico e óbvio que é como se você visse o que acontece com o ele depois. Confesso que até sinto pena deles… mas o tanto que dou risada compensa essa pena =P
Andy Riley, o cartunista que é autor do livro, reuniu nessa edição toda a série dos Bunny Suicides e ainda turbinou com mais 10 mortes inéditas. Vale a pena dar uma passada no site do autor: http://www.misterandyriley.com/

Alguns exemplos dos suicídios dos coelhinhos:

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

The Bumper Book of Bunny Suicides - Andy Riley

O autor me autorizou a colocar seis cartoons do seu livro no blog. Confesso que foi bem difícil escolher quais! (acho que ainda não escolhi…)

Nem sei o que perguntar pros comentários. Alguma ideia? :)

Andy, thank you VERY much and congratulations!

Mônica: A criação do personagem brasileiro

O Maurício de Souza, sem dúvida, tem uma carreira brilhante: Soube dar identidade e personalidade às suas criações, foi e é admirado por diversos nomes dos mais importantes das histórias em quadrinhos mundiais, soube fazer seu trabalho principal e empreendedor muito bem, tem fama internacional (talvez até muito mais do que imaginamos…) e tudo começou, no caso da Turma da Mônica, com inspiração na sua filha.  E é essa força, a carreira e as mudanças da Mônica e sua turma que estão estiveram na exposição “Mônica: A criação do personagem brasileiro” (QUE ACABOU), assim como as versões ao redor do mundo e as interpretações das personagens por outros grandes e renomados ilustradores.

Tem a capa da primeira revista da Mônica e a sua turma, do comecinho da década de 1970:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Entre outras esculturas, a que mais me chamou a atenção foi a do “Cebolinha, o Pensador”, logo na entrada:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Essa é a Mônica original, filha do Maurício de Souza, segurando o coelho de pelúcia:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

O processo criativo do Maurício de Souza, nos traços simplificados e peculiares de sua personagem mais famosa:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

E Turma da Mônica em vários idiomas:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

O “encontro” da Mõnica real e a Mônica dos quadrinhos, na Folhinha de São Paulo de 1964:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Mônica pelo mestre Will Eisner, encontrando Spirit:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Maurício de Souza com ilustradores estrangeiros, como os criadores da Hello Kitty e do Garfield:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Mõnica no Rio, por Milo Manara:

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Foto da Exposição "Mõnica: a Criação do personagem brasileiro". Crédito: Marco Moreira (@ximarquinho)

Vimos essa exposição no Sabadão Cultural e o Marco documentou em seu blog (leia o post) e me cedeu uso de todas as fotos que tirou (veja seu Flickr, vale a pena!)

A exposição fica até o dia 27 de setembro no Espaço Cultural Citi:
Av. Paulista, 1111, térreo, (11) 4009-3000 (ver mapa do local)
Segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas
Entrada GRATUITA