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Latas de Nescau estilo rétro

E a onda de relançar produtos com visual rétro não para. Dessa vez a Nestlé investiu na linha pra comemorar seus 90 anos. São as latas da linha atual (tamanho, material) “vestidas” com os rótulos de 1932, 1960, 1986 e 1998. Achei o resultado interessante por ter caráter colecionável. Um pecado que eles cometeram foi não reduzir o logo suficiente pra dar pra ler a palavra Nescau inteira com a lata de frente. Em todas as versões ele “come um pedaço”. O Leite Moça também manteve o formato atual na sua edição especial rétro. Já no caso do Chá Matte Leão rétro as embalabens ficaram como corroídas pela açao do tempo. As latas de Nescau rétro para ver os detalhes, uma a uma:

Latas de Nescau estilo rétro

Latas de Nescau estilo rétro

Dos lados esquerdo e direito do logo tem ilustrações no estilo clássico dos anos 1950/60:

Latas de Nescau estilo rétro

Latas de Nescau estilo rétro

Latas de Nescau estilo rétro

E você, qual achou a lata mais legal?

Embalagem de Chá Matte Leão retro

E cada vez mais o visual retrô parece dar certo. Depois do Leite Moça retrô, das latas de panettone Bauducco retrô, entre tantos outros, agora chegou a vez do Chá Matte Leão fazer duas latas, uma inspirada na década de 1930 e outra na década de 1940. O visual das latas, muito bonitas por sinal, vem com sinais de “desgaste pelo tempo” e os logos antigos. Cada latinha + 50 saquinhos de chá sai em torno de R$ 5,00. Preço bem justo, né? :)

A seguir, mais detalhes de cada uma das latas:

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Embalagem de Chá Matte Leão retro

Mandaram bem, não?

Sinceramente eu nunca tinha ouvido falar sobre Phillumenies (que são rótulos de produtos que as pessoas colecionam) até ler o “Linguagens do design – Compreendendo o design gráfico”, de Steven Heller, publicado no Brasil pelas Edições Rosari. Aliás, um ótimo livro que aponta dezenas de peças de design muito interessantes. Nesse capítulo o autor te encoraja a procurar sobre os tais phillumenies na internet, principalmente os de caixas de fósforos japonesas. Aí eu dei uma bela pesquisada no Flickr e encontrei diversos exemplos muito interessantes (e não somente japoneses).

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Crack Dog”, em http://www.flickr.com/photos/crackdog/




Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Clinton Fowler”, em http://www.flickr.com/photos/clintonfowler/



Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Shailesh Chavda”, em http://www.flickr.com/photos/shaileshc/

Antes de começar, gostaria de deixar bem claro que todos os estudos que vou falar são de percepção de consumidor (e designer) e não foram baseados em leituras de reposicionamento de marca nem nada. Como entre o planejamento de uma mudança e o que o público entende pode haver uma abismo gigante de diferenças, fiz questão de não procurar nada dessas referências pra não influenciar meu posicionamento e análises.

Bem, tudo começou numa palestra que fui da type foundry inglesa Dalton Maag que, entre outras coisas, falou rapidamente da familia tipográfica que eles criaram pro Mc Donald’s, que precisaria ser bem estreita pra poder escrever bastante coisa e também tinha que ter uma ideia de natureza. Fui conferir de perto e de fato, conseguiram:

Copo com tipografia referenciando a natureza
Comecei a analisar outras características dessas (não tão) novas embalagens dos produtos e notei que se trataria de de uma ação de reposicionamento. Aí fiz um rápido feedback do que acontecera com o Mc Donald’s nos últimos anos:

Bem, era muito comum nossos pais, tios e todos os outros que têm atualmente mais de 50 anos falar que a comida de lá parece feita de plástico, tem “gosto de química”, que é muito artificial. Além disso, em 2004, o filme Super Size Me detonou a imagem do Mc Donald’s, mostrando tudo de ruim que poderia acontecer se você comesse lá muitas vezes num curto período. Depois disso era um tal de colocar as informações nutricionais no verso da lâmina (aquele papel que vem em cima da bandeja), depois eles colocaram essa mesma lâmina, só que com essas informações viradas pra cima, destacavam chamadas que diziam ser possível encaixar as refeições do Mc Donald’s dentro de uma dieta saudável, começaram a vender maçã, saladas, wraps “leves”… Imagino que tudo isso pra limpar a imagem de junk food, que você poderia ser saudável comendo no Mc Donald’s.

Enfim, e quanto aos ingredientes dos produtos? Talvez faltasse ainda ressaltar que tudo que lá é vendido é feito com “ingredientes naturais” mesmo, frescos, como você os vê na sua casa e que são fortalecidos pela tipografia da Dalton Maag. Repare nas laterais da caixinha dos sanduíches, nesse caso o Big Mac:

Embalagem Big Mac

Embalagem Big Mac

Note como tudo é como você vê na sua mesa de casa. Queijo, alface inteira, picles sendo cortado, cebola com casca.

A batata, que por mais que seus pais (ou você mesmo) tentem e nunca farão igual, tem uma imagem de uma batata crua sendo descascada. Qual outro lugar, além da sua casa, você vê isso? Nenhum, né? Confira na imagem:

Batada descascada na embalagem das Mc Fritas

Além de tudo isso outra família tipográfica entra nas embalagens, como anotações pessoais, algo bem próximo do consumidor:

Tipografia manuscrita na embalagem das Mc Fritas

Embalagem Big Mac - Detalhe da tipografia manuscrita
E não somente as embalagens dos produtos foi modificada. Repare que no site o apelo é o mesmo: Fotos dos ingredientes frescos, in natura, num fundo de papel meio reciclado/pessoal e elementos que lembram até o velho caderno de receitas da sua avó, como os ingredientes impressos e anotações ao redor:

Site do Mc Donalds

E você, acha que funcionou o apelo ao design para reposicionar a marca e os produtos do Mc Donald’s? Acha que eu viajei muito nas interpretações? Vamos continuar nos comentários, então.

Capa do livro Do Maíz à MAIZENA, de Tadeu Costa

Agradável foi a minha surpresa quando, no Lançamento da Revista TIPOITALIA, encontrei tanto meu ex-professor Tadeu Costa quanto o seu livro, Do Maíz à MAIZENA®, da Edições Rosari. E lá mesmo resolvi comprá-lo. O Tadeu fez essa pesquisa por muito tempo, 15 anos, e a utilizou em 2001, na sua pós-graduação na Cásper Líbero, em 2001. Em 2005 saiu o livro.

A leitura é rápida (em torno de 4 ou 5 horas) e gostosa. A ideia principal do livro é mostrar o layout que se mantém o mesmo há mais de 140 anos e mostrar o pouco que mudou, seja uma tipografia aqui, seja um detalhe na ilustração dos índios ali. O autor detalha e explica tudinho, desde a história do início do amido de milho, passa pelas referências das plantações brasileiras como o Visconde de Sabugosa de Monteiro Lobato e em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Dezenove comerciais de TV são analisados e relacionados com a marca MAIZENA, além dos cartazes, anúncios de revistas, calendários de receitas e embalagens. É um trabalho bem completo, cheio de curiosidades e características do forte projeto de identidade da MAIZENA.

A única coisa que achei chata é que diversas imagens a editora não deve ter conseguido os direitos de mostrar (eu imagino isso, não penso em outra explicação), então tem uma ilustra meio rafeada da embalagem, cartaz, comercial de tv. Fora que as imagens poderiam ser maiores para facilitar a análise visual de cada uma. Uma pena, mas não tira os méritos do conteúdo.

Ok, ok… Eu confesso: Depois de ler o livro a primeira coisa que fiz foi tomar um mingau de MAIZENA ®… É claro que eu teria que comprar a embalagem vigente pra comparar com a última do livro, que é de 2005:

Embalagem de Maizena em 2010

É engraçado como a gente as vezes “não nota” a mudança das embalagens ou então não sabe falar o que mudou. Também é curioso analisar como algumas marcas ficam com a mesma base da embalagem, como a MAIZENA®. Quem sabe até valeria a pena uma pesquisa, um estudo mais aprofundado em cada uma delas.

Embalagens do Chocolate "do Padre", do Antisséptico Granado, sopa Campbell's e Creme Nívea

Aliás, agradecimentos para Luciene Antunes (@luci_n) pela embalagem do Creme Nívea e para a Carol Hungria pela embalagem do antisséptico Granado.

E aí, alguém lembra de mais embalagens que seguem essa linha de “identidade imortal”? Pode deixar nos comentários, eu não ligo! :)

A Nestlé aproveitou a “onda” vintage e lançou as latinhas especiais estilo retrô, daquelas que dá vontade de comprar todas. Em dois anos morando sozinho, nunca havia comprado nenhuma. Numa só vez eu comprei todas: de 1937, 1946, 1957, 1970 e 1983. Ótima sacada da Nestlé, não?

Embora o formato da lata, arredondada, não seja o da época, as adaptações ficaram bem interessantes. Ora contorno na tipografia, ora não. Ora adornos demais, ora não. Ora sem adorno algum…  Enfim, é bem interessante como referência visual dessas décadas poder compará-las e encontrar as características de cada movimento ou pensar na “época” de cada latinha. Aliás, o que aconteceu em cada uma dessas décadas?

Leite Moça retro 1937

A embalagem mantinha a cor original do produto – e não branca como as atuais (aliás, prefiro essa amareladinha). Reparem nos adornos dos ícones do Rio 1922 e na tipografia clássica utilizada.

A década de 1930 começou sofrendo pela crise econômica de 1929 dos Estados Unidos. Logo que começaram as invasões nazistas, a escola Bauhaus é fechada e os profissionais que lá trabalhavam vão para os Estados Unidos e Reino Unido. O design modernista norte-americano começou com o lançamento da revista “Advertising Arts”. Em 1932, Stanley Morisson prejetou a família Times New Roman pro jornal The Times, de Londres. O movimento Art Déco entra em ascensão. Surgiu o futurismo na Itália. No Brasil, J. Carlos prossegue com suas belas ilustrações (muitas delas bem patriotas) para as capas das revistas Fon-Fon, Rio Ilustrado e O Cruzeiro.

Leite Moça retro 1946

A Moça perde a cor vermelha e os ícones Rio 1922 ficam mais rebuscados com a cor de fundo. A tipografia “LEITE CONDENSADO” fica mais pesada e o MOÇA ganha contorno amarelo. O nome do produto começa a crescer na embalagem.

Um fato muito importante para o design nessa década foi quando o presidente norte-americano Roosevelt fundou, em 1942, o Office of War Information (OWI), para informar sobre a Segunda Guerra Mundial em diversas mídias. Para isso foram contratados muitos designers e ilustradores. Começou a “Era de Ouro” das revistas quando elas começaram a destacar o pós-guerra. O designer modernista Paul Rand publicou sua monografia/manifesto chamada “Thoughts of design”.

Leite Moça retro 1957

Os ícones Rio 1922 são simplificados, menos linhas e sem cor de fundo. O texto “LEITE CONDENSADO” ganha uma tipografia com mais curvas que dá mais contraste nas “relações grosso-fino” dos tipos, mais parecida com a da década de 1930. A palavra “MOÇA” cresce mais ainda e ganha contorno mais agressivo do que a dos anos 1940. A cor da lata passa a ser branca.

O movimento pós-guerra fica ainda mais forte na intenção de aliviar as dores das perdas causadas esse período e divulgar a comunicação visual. O primeiro satélite, o Sputinik, foi lançado em 1954, mesmo ano que Alfred Hitchcock estreiou seu filme “Disque M Para Matar” (Dial M For Murder) que tinha efeitos 3D no cinema. Ainda em 1954, Bill Haley and His Comets gravaram Rock Around The Clock, o primeiro rock do mundo. A pop-art começa em 1956 com a obra de recortes “Just what is it makes today’s homes so different, so appealing?”, de Richard Hamilton. No Brasil, mais precisamente na segunda metade da década, a Bossa Nova deu seus primeiros passos com Nara Leão, João Gilberto e toda a “turma” do Rio de Janeiro. Alexandre Wollner voltou da Escola de Ulm e estava pronto para mudar o rumo do design nacional com todos os detalhes conceituais de seus projetos e postura profissional.

Leite Moça retro 1970

Tanto o desenho da mocinha suíça quanto o nome do produto crescem para “estourar” na embalagem. Para tanto, foram reposicionados um ao lado do outro. Os ícones Rio 22 desaparecem e a imagem do ninho no logo da Nestlé aparece de background para a marca. O traço da ilustração foi simplificado e a moça não tem mais as listras no vestido

O movimento hippie, muito evidente na década anterior, perdeu suas forças (no Brasil isso apenas aconteceu na primeira metade dos anos 1980). Começou o movimento punk. Em 1971, Stanley Kubrich estreiou o filme “Laranja Mecânica” (A Clockwise Orange). Ainda nesse ano a estudante Carol Davidson criou o logotipo da Nike, o designer Milton Glaser criou a marca “I LOVE NY”. Em 1977, além da morte de Elvis Presley, George Lucas estreia o primeiro filme da série Star Wars. No último ano dessa década, o designer argentino (que mora no Brasil) Hugo Kovadloff começou a dirigir a SAO, divisão de design da agência DPZ.

Leite Moça retro 1983

A versão retro dos anos 1980 é a que resolveu apostar num tamanho ainda maior para a palavra “MOÇA”, assim como para a ilustração da mocinha (que se tornou menos rebuscada que a de 1970). Não tinha mais ícone algum, nem a marca Nestlé tão evidente.

Em 1980 nasceu o Grupo Memphis, talvez o primeiro movimento de design pós-moderno. Foi também nesse ano, mais precisamente em 23 de abril, 17:45, que nasceu o designer Rogério Fratin, hehehe! Steven Spielberg dirige o filme E.T. A partir dessa década que o design passou a ser produzido por computadores. Cores extravagantes, referência aos anos 1950 e efeitos 3D foram muito evidentes nesse período. Por falar em 3D, foi nessa década que nasceram os primeiros filmes 3d da Pixar. Os videogames e os computadores pessoais tornaram-se bem mais populares.

Alguém tem mais fatos interessantes de cada uma das décadas? Colabora aí nos comentários!

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