Animações nos filmes do Monty Python

O grupo inglês Monty Python mantém sempre a sua linha humorística com bastante identidade, seja nos filmes, seja nas esquetes, seja ao vivo, nas capas dos DVDs e nos nomes. Na versão de DVD duplo de “Em Busca do Cálice Sagrado“, por exemplo, eles chamam de “versão extraordinariamente de luxo”. Para “A Vida de Brian“, a versão é “imaculada”. Tem também “Os Cavaleiros que Dizem Ni”, ou a lebre assassina, quem sabe até as sessões de apedrejamento ou a canção “Todo esperma é sagrado”… E isso se replica em tudo. É como um “bom projeto de design”, onde na visão holistica do projeto e a identidade conceitual se mantém.

Algo bastante interessante nos filmes são as animações. Como são da década de 1970 e comecinho da de 1980, tudo devia ser feito “na mão”. A mistura de non-sense com a temática e estética do filme, somado a trilhas sonoras cuidadosamente criadas, fizeram com que essas animações servissem de referência pra mim, principalmente na hora de tentar pensar em soluções diferentes ou, pra usar um clichê, “sair da caixa”.

Olha que legal a introdução de “A Vida de Brian“, de 1979:

Para “O Sentido da Vida“, de 1983, eles seguem a mesma linha (uma canção-tema e as animações de acordo com o enredo do filme):

Já no filme “Em Busca do Cálice Sagrado“, de 1975, as animações apareciam em pequenas vinhetas no meio do filme. Mas na versão especial dupla do DVD vem nos bônus a animação em LEGO de uma cena inteira do filme, cada detalhe cuidadosamente trabalhado e o “timing” certinho:

E você? Gosta de Monty Python? 🙂

Função do design X função do designer

Tenho reparado em alguns jovens designers e estudantes da profissão um certo descomprometimeto ou desconhecimento a respeito de questões importantes do design. Ora me deparo com alguns que pensam que ficarão sentados num puff na agência até ter uma ideia genial que será executada rapidamente e levará um Leão de Cannes, seguido de aumento do salário e claro, a fama. Outros que tratam seus layouts como uma obra de arte única e intocável. Tem também os que não querem saber de nada, só fazer (?). Acho que devemos relembrar algumas coisas que, decerto, aprendemos no curso superior e revimos em artigos e livros da área.

O que é design?

Depois de qual era meu nome e idade, essa foi a primeira pergunta que me fizeram na faculdade. E eu saí de lá sem um significado definitivo. Ainda bem! Essa é mesmo a ideia: você ouve, fala, analisa, pesquisa e lê as opiniões de estudiosos e representantes profissão e tira suas conclusões, até porque várias das definições tem itens excludentes ou bem diferentes entre elas. E claro, numa profissão tão importante e rica como a nossa, se contentar com apenas uma definição é um erro no meu modo de perceber.

O mestre Wollner, por exemplo, fala em suas entrevistas de design de uma maneira bem direta: Design é projeto.

Para Rafael Cardoso, “o ato de projetar tem na sua essência um componente básico de criação, de artifício, que não difere substancialmente daquele mesmo elemento factício que está por trás do artesanato, da arte e até da magia (…). O que distingue o design de grande parte do artesanato, da arte e – presumo eu – da magia, é que no design o fato material que se pretende gerar não é feito pelo mesmo indivíduo que deu início ao processo de conceber a ideia. Quero sugerir, portanto, que a atividade de design caracteriza-se mais como um exercício de processos mentais do que de processos manuais”.

André Villas-Boas acredita que o design “é realizado para a produção, é reproduzível e é efetivamente reproduzido a partir de um original (ainda que virtual). Do contrário é uma peça única circunscrita ao campo da arte”.

São infinitas definições, cada uma de um viés, cada uma com seu valor e discórdia. Não acho que essa pergunta seja menos importante que outra, que é bem menos falada: Qual a FUNÇÃO do design?
(se quiser insistir em “O que é design?“, fiz um post só sobre isso)

O que é designer?

Acredito que aqui existam menos discussões: Designer é quem “faz design”, quem projeta. Parece simples, né? Nem sempre. Mas designer também é o sujeito que se preocupa que a nem a tia-avó nem a sogra e o bizavô entendem o que ele faz. Será que o designer de fato sabe o que faz ou, melhor ainda, o que ele PODE fazer? Visto que uma das funções principais do designer é ter uma visão holística, global do projeto (e é aí que tem crescido muito a área de design estratégico junto das grandes corporações), por que tantos se fecham apenas onde atuam ou gostam e perdem o contexto que ele está inserido?

Temos muito poder nas mãos a cada clicada do mouse ou no deslizar do lápis, da caneta, do pincel e nem sempre damos conta disso. Basta pensar que trabalhamos com comunicação e que as pessoas são influenciadas, nem que minimamente, com o que criamos. Nós, designers, sabemos quando compramos um produto única e exclusivamente por causa de sua embalagem. Muitos de outras profissões também compram e nem sempre tem consciência disso. É numa grande amostragem que, por “nossa causa”, uma revista é selecionada entre muitas outras, uma matéria é lida pelo seu layout convidativo. Evidenciamos livros que fazem rir, chorar, pensar e até mudam a vida de alguém pela sua capa. Damos ao mundo bons exemplos de combinação de cores onde tudo parece mais calmo, tranquilo ou adrenado. Providenciamos acesso à cultura por nossos sites bem feitos que até pessoas da terceira idade tem pouca dificuldade de navegar.

E a parte ruim da coisa? Ah… essa não falta! Nós que fizemos as propaganda fascista e nazista. Nós que ajudamos a fazer calar a boca através dos cartazes de guerra (veja o post). Proliferamos a cultura de massa, fazemos com que certos produtos sejam exclusivos de grupos com maior poder econômico, deixamos as pessoas com desejos de consumo tecnologia (como o iPhone ou iPad) pelo visual e isso tudo vai virar lixo não-reciclável que em algum canto do planeta vai ser depositado. Até criar “produtos bonitos” simplesmente pra alavancar a economia já fizemos, como no caso do STYLING, nos EUA. Poderia prolongar bastante essa lista, mas acho que já está bom.

Ei, você aí… Qual é a sua?

Nesses dias recebi uma ligação pedindo (quase intimando) que eu divulgasse um evento aqui no blog. Evento esse que foi criado por um site que se sustenta de trabalho dos outros em troca de uma suposta visualização dos profissionais (que eu nem acredito que seja significativa assim). E eles fazem livro com os trabalhos, ganham dinheiro e crescem cada vez mais com tantos talentos participando. E quem de fato cria, projeta, transpira pra fazer, não recebe um só centavo. Só a “fama”. Quando disse que não colocaria o evento aqui a moça se assustou: “Mas tem tudo a ver com seu blog. E nosso diretor adoraria ver o evento dele no designices. Ele adora seu blog…”. Arrã. E eu sou bobo. Meu blog é de reflexões, discussões riquíssimas que surgem nos comentários, estudos, livros e de coisas que eu vivencio e gosto. Aqui não entra jabá em hipótese alguma. Esse é o projeto e a função. Uma organização que ganha nas custas do suor dos outros, a praticamente custo zero, acha que pode também me explorar propondo um anúncio de graça? De “serviços” desses está repleto por aí. Pra mim é tão grave quanto ouvir “Olha, esse trabalho você faz de graça, mas a partir do próximo, você começa a receber”. Só que a vez de receber nunca chega. Definitivamente a “minha”, respondendo o último sutítulo, não é essa.

Um designer não deveria nem pleitear determinado emprego nem executar um determinado trabalho sem essas questões bem resolvidas. Saber o que é o design especificamente e pra que ele serve, além de todas as impactos que isso pode causar na sociedade em caráter cultural, econômico, tecnológico etc é ter a visão holística, global que disse no início do texto. O designer pode ter feito “um cartaz de cala a boca” sem imaginar que estava fazendo. Pode ter promovido uma ideia que ele não concorda (e abomina) sem saber. E esse “não saber” pode ocorrer por infinitos fatores, tanto por parte do designer quanto por parte do meio que ele está inserido.

Se eu precisar resumir esse texto em apenas uma frase, será com essa: “O designer deve entender seu poder e suas funções para, aí então, se denominar designer”. Infelizmente muitos me parecem desestabilizados nessa questão.

Eu não poderia terminar o post senão com a seguinte pergunta:
Como você entende e de que modo você executa sua profissão?

Bibliografia recomendada:
Design – Uma introdução (O design no contexto social, cultural e econômico), de Beat Shneider,  Editora Blücher
Faces do design, de professores da Universidade Anhembi Morumbi, Editora Rosari
Linguagens do design – Compreendendo o design gráfico, de Steven Heller, Editora Rosari
Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty, Editora Cosac Naify

AnalfaBetismo, Cidadania e Design

Acho que todo mundo que começa a estudar design sonha em fazer trabalhos importantes pra grandes empresas, anúncios premiados, revistas incríveis, livros memoráveis. Uma das funções do designer é tornar a vida mais fácil, desde mais fácil pra ler um texto como quanto para fazer alguém se divertir mais no caminho pra casa, seja de carro, metrô ou de bicicleta. É pegar um problema e solucioná-lo ou então, transformá-lo em outra coisa. E olha que de problemas estamos bem servidos, não?

Sempre me deparo com professores de mil coisas, publicitários, marketeiros e arquitetos em projetos junto de ONGS, OSCIPS, comunidades carentes, crianças com dificuldades e muitos outros focos de problemas sociais, mas vejo poucos ou nenhum designer fazendo isso. Umas semanas atrás vi uma menininha de uns 8 anos, extremamente inteligente, lendo um livro numa grande Bookstore aqui em São Paulo. Ela usava óculos muito grossos e lia com o nariz encostado no papel, literalmente. Pensei o que poderia ser feito para que ela pudesse ler mais e melhor e amenizar suas deficiências. Aí pensei quantos problemas sociais poderiam ser menos agressivos se nós, designers, aceitássemos gastar um tempinho da nossa semana dedicados a essas causas.

E valeria força pra ajudar de qualquer modo. Para combater o analfabetismo, aumentar o contato de comunidades carentes com a arte, melhorar a caligrafia das crianças, ensinar desenho, pintura, fotografia, oficinas de design (e pode ser coisas simples, como as que tem no livro Eu Que Fiz da Ellen Lupton).

Afinal de contas, acho que recrutar dezenas de pessoas e ensinar a batucar é legal, mas já deu, né?

Ok, ok, talvez seu negócio não seja algo tão autruísta assim. Mas você pode pensar numa tipografia que seja mais fácil pra criança aprender a ler ou então numa que gaste menos tinta. Talvez possa pensar numa forma não-eletrônica que ajude com a economia de papel. Ainda você pode vender um projeto bacana para entretenimento em transporte público pro governo, sei lá.

Idependente de ser mais ou menos autruísta, acho que é de total valia se dedicar em projetos mais sociais. E é esse meu planejamento para quando eu terminar minha pós-graduação. Alguém mais se habilita? Ideias? Referências? Links?

Design brasileiro e identidade nacional

Junto com a longa discussão de designers versus micreiros, a procura da identidade nacional ou o design autêntico brasileiro foram temas que tomaram muitas e muitas aulas durante minha graduação, entre 2002 e 2005.
Ok, aceito que é a partir de discussões que a gente resolve (quase) tudo. Só que mais uma vez (a outra era com os micreiros) encontrávamos “papagaios” que sempre repetiam as mesmas coisas. E todos resolviam cobrar a “cara do design brasileiro”. Acho que chegou a hora de perceber que nem todo palheiro vai ter uma agulha pra você procurar.

Qual cara tem nosso design? Aliás, que cara tem o design contemporâneo da Alemanha? E da Itália? E da Suíça? Se fôssemos falar de Bossa Nova, Carnaval, samba, Timbalada e futebol, tudo bem, entendo e concordo que sim, temos algo que é só nosso, único, quase inimitável. Mas e no design? Dá?

Eu duvido. Duvido mesmo. Qual é o Brasil visto de fora? Pelé, Ronaldo Gordo e Tom Jobim? Carnaval do Rio? Baianas? Bem, na porta da minha casa na Zona Leste de São Paulo, onde fui criado, nunca vi nada disso. Nem na pracinha que eu jogava bola. Nem no colégio e nem em lugar nenhum. Você já viu? Você foi criado com todas essas referências sempre presentes?

Como nos últimos dois parágrafos eu terminei com pontos de interrogação, vou parar de criar dúvidas e começar a dar meu ponto de vista. Desde 2002 eu busco saber o que é a tal da identidade do design nacional e nunca achei. Olhava as grandes revistas, não encontrava o poder do design brasileiro, visto que a maior parte delas se inspira (até mais do que deveriam) nas suas “originais” gringas. Olhava os cartazes e não os encontrava. Os websites? Não. Esses sempre são “bem fiéis” aos seus benchmarks. Nem as embalagens, nem os livros. Nem nas aberturas das novelas da Rede Globo (isso foi uma piada!). Pensei que poderiam ser as capas de LPs da Gravadora Elenco, nos anos 1950 e 60. Quem sabe então é a coleção das Revistas Senhor. Pode ser que estejam nas ilustrações de J. Carlos. Não. Nada disso.

Talvez nesse momento você esteja pensando que existe SIM identidades bem definidas em diversos países. E vai deixar nos comentários dicas da facilidade de identificar os projetos alemães da Bauhaus ou então as tipografias suíças. Mas isso não trata da identidade alemã nem suíça e sim de escolas desses países. Elas que tiveram uma identidade. Inclusive, falando de Bauhaus, muitos dos professores foram para os Estados Unidos quando o nazismo acabou com a escola, incorporando suas experiências nos projetos que fizeram por lá. Eram projetos americanos com cara de alemães? Não. Eram com cara da Escola Bauhaus. Da mesma forma temos a “cara” da Pop Art, do Expressionismo, do anti-design do Memphis Studio.

Na editora que trabalho tenho contato com gente de todo o Brasil. De cidades próximas a São Paulo e outras muito distantes. E cada pessoa, seja da mesma cidade que eu ou não, teve suas referências e vivências. O Brasil é um país enorme, que abrange todas as classes sociais e econômicas. Tem lugar com seca e tem lugar com enchentes. Você pode num canto se incomodar com uma geada e noutro com calor 40 graus. E cada lugar tem seus valores, suas tradições e a vista das “portas de cada casa”. E nenhuma porta de casa tem as baianas, o Pelé,  o Ronaldo Gordo e nem o Tom Jobim juntos. Seria possível amarrar todas essas pontas com uma só cara? Repito: Duvido. Afinal de contas, não podemos usar  sempre e somente a paleta da bandeira pra justificar nossa identidade.Nem acho que exista um “design paulista”, um “design carioca” e nem gaúcho.

Acredito que precisamos parar logo com essa necessidade louca de ter identidade nacional e aceitar logo que somos um grande mix de coisas e, dentro dessa mistura, tem um monte de gente que tem seus próprios mixes de conteúdo. Assim como muitos outros lugares do mundo. Eu cresci ouvindo músicas que eu gostava, que minha mãe gostava, que meu pai gostava. Isso me deu vontade de vasculhar antiguidades atrás de outros sucessos e assim aprendi a reconhecer as capas dos discos desses segmentos. E eram bem diferentes das de heavy metal que alguns amigos gostavam. E diferentes por sua vez de um ou outro que curtiam o psicodelismo do Caetano. Ganhei muitas referências visuais com os filmes que assistia, bem diferente por exemplo das que minha namorada tem. E assim vai.

Acho estranho isso não ser escancaradamente assumido. Ou então quem sabe eu esteja errado. Enfim, de posts cheio de imagens os blogs de design estão cheios. Aproveita e coloca tua opinião aí nos comments, concordando ou não.

Infográfico: Como os micreiros prejudicam os designers

Eu até gostaria de colocar um belo info aqui, cheio de ilustras bacanas e texturas minunciosamente bem feitas. Tudo com o acabamento mais incrível que já fiz. Não coloquei porque não achei esses valores comparativos. Nem gráficos. Nem tabelas. Nem números.  Nunca tem nada. São centenas de pessoas reclamando por algo que, até hoje, nunca vi uma prova sequer.

Bem me lembro que durante meu curso superior de Design Digital alguns professores falaram e teve até um que deu um texto para ser interpretado, que atacava os micreiros (no texto eles chamavam “sobrinhos”) e basicamente falava que eles eram o pior terror para a profissão do designer. Pois é… E cadê a prova disso tudo?

Pra mim é tudo balela. Se eu estiver errado, então me prove com números. Os micreiros ficam lá, os designers ficam cá. Tem sempre um que fala “Ah, mas eles tiram meu emprego”. Tiram, é? Quantas vezes a Agência Click, por exemplo, contratou um micreiro pra fazer suas peças que concorreriam ao Cannes? A AlmapBBDO trouxe um grupo de micreiros pra conseguir a conta de algum cliente importante? A Editora Globo terceirizou micreiros pra fazer a identidade da revista X ou Y? Não, né? Então… Talvez o micreiro tenha feito por R$ 325,00 o site da papelaria que tem perto da sua casa (até porque eles não teriam os 2 ou 3.000 que você cobraria para fazê-lo). Talvez o sobrinho do amigo tio que sabe mexer no Corel Draw tenha cobrado R$ 8,50 pra fazer o cartaz de “Vende-se ovos” para a quitanda da amiga da sua tia. É com esses caras que você quer competir no mercado? É esse tipo de trabalho que você quer? São esses os caras que você compete numa entrevista? Ah, bom…

Micreiros x Postura profissional: Quem (ou o que) prejudica mais a profissão?

Muitas vezes me questiono da posição do designer dentro de uma empresa. Sempre me lembro de um passado remoto, quando eu era office-boy, junto de outros oito ou nove adolescentes. Pra eles não bastava ser office-boy, também era necessário se portar como. Todas as gírias de periferia possíveis, roupas largas e extravagantes, boné de basquete norte-americano, pouca cautela pra falar… Enfim. E não era da natureza deles, não. Era algo que contagiava quem começasse a trabalhar lá (e também nas outras empresas dos prédios ao redor). Por que será que nenhum deles pegaria aquela vaga de auxiliar de escritório? Porque a vaga não é pra alguém assim. Ah, nada contra as vestimentas, não. Mas acredito que elas devam ser de acordo com o tipo de negócio que você trabalha. Nesse caso, uma seguradora, cheia de regras e de bancos importantes como clientes principais e um povo de terno sempre ao redor. Não esperava que os meninos fossem trabalhar de fraque, apenas não acho interessante ir vestido como se vai para o clube no final de semana praticar esportes. Ah, é evidente que não estou exemplificando baseado em funcionários numa agência ou empresa descolada, que permitem e promovem essa casualidade (extremamente saudável e indicada) na aparência.

Da mesma forma que os estagiários de todos os lugares que trabalhei que se comportavam como estagiários NUNCA foram efetivados.

Dúvidas: Será que não falta para a profissão se preocupar com a NOSSA postura profissional invés de fazer o mesmo pela postura de um micreiro que nem sabe porque ele não é designer? Quão contente um gerente de marketing fica com explicações do tipo “NÃO DÁ pra mudar porque estou usando uma referência direta aos estudos de gestalt do objeto da Deutscher Werkbund”? Inclusive tem gente que fica sem resposta se as frases prontas “Não dá”, “Não tem como” e “É impossível” sumirem da Língua Portuguesa. O designer precisa ser o solucionador de problemas, não o causador de outros.

Designers mendigos

Ocasionalmente pelo Orkut eu encontrei uma comunidade chamada “Designers mendigos”, onde na descrição tinham coisas como “Se você tem 22 anos, está formado e não tem perspectiva de comprar um carro por conta do salário aqui é seu lugar”. Ok, ok, sei que sou ranzinza pacas. Sei que até pode parecer engraçado, mas mesmo que algumas vezes isso possa ser verdade, quanto será que uma coisa dessas ajuda as pessoas de fora a olharem para a profissão de designer de maneira digna (já que nem quem é designer olha)? Engraçado é que não tem nenhuma comunidade de “neuro-cirurgiões mendigos”, nem “vendedores de loja de shopping mendigos”, nem “frentistas de posto de gasolina mendigos”, nem marketeiros, nem programadores. E a comunidade tá lá, com mais de mil e duzentas pessoas. A comunidade brasileira de tipografia que tem mais membros não passa da casa dos três mil, ou seja, um terço desse valor se identifica designer mendigo (claro, não necessariamente os membros dessa comunidade, só estou comparando os valores). É curioso pensar que não gostamos de micreiros porque eles sujam nossa profissão e denigrem nossos valores, mas se comparar a mendigos não tem problema, né?

Só pra fechar

Quero deixar bem claro que não sou satisfeito com o que o mercado paga para os designers. Tampouco acho que nem os clientes nem nossos chefes tratam nossa profissão com a seriedade que deveriam. Mas também acho que muito disso não se deve apenas aos micreiros, sobrinhos nem a toda a turma deles. Se a cabeça de quem faz parte do grupo “prejudicado” não muda, mais complicado ainda mudar o pensamento de quem está apenas assistindo de fora. Nos últimos três anos quantas entrevistas em programas de talk-show foram com designers que fizeram algo grandioso pela sociedade? Quantos projetos de melhorias para o país foram idealizados por designers? Quantos designers você conhece que se envolvem com projetos para ONGs ou OSCIPs? Pois é… Que coisa, não?
Corcorda? Discorda? Não tem problema. Se design é projeto, como diria o Mestre Alexandre Wollner, ele pode ser fortalecido pelas discussões. Então comenta aí!

Dicionário de marketing para designers

Esse post é principalmente voltado aos novos designers, que estão entrando agora no mercado. Claro que os mais experientes também podem atualizar seus conhecimentos com os termos utilizados pelo seu chefe/cliente marketeiro. Vamos a eles:

Benchmarking

É o projeto que você tem que olhar, decorar e executar igualzinho pra fazer o seu.

Budget

É basicamente a grana que eles não tem para te pagar. Se te falarem que é limitado, senta e espera. Sua conta bancária vai demorar pra ver a cor desse dinheiro.

Commitment

Geralmente aparece na frase “Espero que todos tenham commitment nesse projeto”. Basicamente significa que você vai virar noites na agência até o deadline (abaixo).

Deadline

É a data que você vai poder voltar pra sua casa, desde o dia que ouviu “commitment” pela última vez.

Ideia inovadora

É pra você fazer algo que ninguém nunca fez nem pensou, num tempo menor que as equipes cinco vezes maiores que a sua fariam.

Layout vendedor

É utlizado para culpar o pobre designer pelo fracasso do projeto (geralmente bem ruim), por exemplo “O projeto está perfeito, o layout que não é vendedor o suficiente”

Pensar fora da caixa

É parecido com ideia inovadora (acima), só que você pega 30 benchmarkings e mistura tudo numa coisa só.

Stakeholder

É o grupo de pessoas que vai ganhar os méritos pelo projeto que você fez.

Target

É o objetivo do projeto, pra que ele é feito. Caso você erre, é bem provável que o target que seu cliente quer pra você seja o olho da rua.

Viral

Fazer algo viral significa que você tem que ter uma ideia inovadora ou que você pensou fora da caixa (ambos acima) e que todos os consumidores do mundo cismem de enviá-la (em formato de projeto) para todos os amigos do Facebook, Twitter, Orkut, Google Talk e MSN, várias vezes por dia.

Alguém sabe mais alguma? Pode deixar nos comentários, por favor! 🙂

O que é lorem ipsum? (Para o seu cliente)

Qual designer nunca teve uma história engraçada de seus clientes versus lorem ipsum? Pois é, são muitas mesmo. Depois de me deparar com isso algumas dezenas de vezes, percebi que não era somente engraçado, poderia também ser um problema. Afinal de contas o nosso cliente que é formado em marketing por exemplo, não tem obrigação de saber. Seria como se nos cobrassem por não saber o que é revenue share, SWOT ou ciclo deming (aliás, o que são essas coisas?). Então, da próxima vez que você sofrer com o lorem ipsum, envie esse post pro seu cliente. Um próximo designer dele, decerto, não vai sofrer.

Por que usar Lorem ipsum?

Como é muito difícil no começo do projeto ter todos os textos, nós designers precisamos de algo pra usar na composição dos layouts. Não podemos usar qualquer texto porque sempre alguém vai falar que tem um erro aqui ou acolá, que a empresa não é do jeito do texto, efim, pode-se perder o foco no layout e pensar no texto ainda não finalizado que lá está contido. E faz todo sentido. Além disso, usar os famosos “nonono” como nas antigas cédulas de voto também não é boa ideia pois a mancha gráfica criada por essas sílabas não mostra um texto de maneira natural. Os “nononos” não têm variação de formato das letras e nem extensões cima nem para baixo no texto, já que “n” e “o” nem descem a linha e nem sobem, como o “p” e o “t” respectivamente. Os textos ficam com aparência falsa, como blocos retangulares, sem movimento. Veja um exemplo de texto feito com “nononos”:

Texto falso com "nononos"

Já com o Lorem ipsum, que a grosso modo é um texto “sem significado*” e que pode ser gerado atualmente por ferramentas on-line como o Lipsum, o foco deixa de ser o que está escrito e passa a ser no visual da página, folder, site etc. Pelo menos assim que deveria. Os textos lá gerados tem variação das letras e do tamanho das palavras. Dessa forma as “massas de texto” ficam bem mais realistas nos layouts, muito mais próximas do que serão com os textos corretos. Veja um exemplo de texto com Lorem Ipsum:

Texto feito com Lorem ipsum
Para saber mais:
Lipsum.org: Gerador de Lorem ipsum on-line e explicação histórica em português.
Embora o Lorem ipsum tenha um significado (vide o link acima), para efeitos gerais do layout ele não tem, já que é apenas um texto para marcação de espaço.

Dia do designer

Não interessa se a sua tia-avó não sabe o que você faz, contanto que você, seu chefe e seus clientes saibam. Inclusive duvido que as tias-avós, irmãs e cunhados de cientistas físicos ou biomoleculares saibam (também duvido que eles e vangloriem disso). Não interessa se o padeiro virou bread-designer. Importante é você (designer) não agir como um padeiro. Se tem o micreiro que faz site ou folder por um décimo do que você cobra não tem problema. É com ele que você brigar no mercado de trabalho? Não deveria.

O cliente quer o neto dele no logo da construtora? Depois de argumentar e explicar os prejuízos você só tem dois caminhos a seguir: Ou você larga o job ou faz o melhor “neto-no-logo” que puder.

Toda vez que é Dia Nacional do Designer tudo que eu vejo e ouço são as mesmas ladainhas: Piadas com a profissão, arrogância nos comentários, presunção ou até ignorância. Nada disso. Ora, o ano todo é tão difícil que será que até no nosso dia devemos exaltar tais supostas características? Acho que não. Hoje deveria ser o dia que você relembra o último super-projeto que deu certo, a sacada que seu colega teve na hora de entregar aquele logo que parecia interminável, o retorno feliz que o cliente deu depois que apresentou o site num simpósio, o sorriso aprovador que a dona da loja fez quando viu o folder pronto, o telefonema que rendeu um job via indicação que você nem sonha quem possa ser ou simplesmente lembrar que você é feliz na sua profissão e que a valoriza a cada dia que passa.

É assim pelo menos que eu vou comemorar o 5 de novembro. Parabéns pra você que, da mesma maneira que eu, gosta de ser designer.

Pra começar com o webdesign, tipografia, hipermídia e afins…

A gestação foi demorada, dolorida mas saiu. Depois de uns meses de loucuras no trabalho, dúvidas no layout e falta de coragem de codificar o que tinha feito, resolvi que seria a hora de atacar com meu blog. Ah, destesto falar de mim em terceira pessoa e me nego a escrever aqui como se fosse uma tese de mestrado. Vou escrever da maneira mais informal que puder, entretanto vou citar todas as referências visuais e bibliográficas que os textos pedirem.

É claro que ele ainda não está do jeito que eu quero, nem sei se vai ficar, mas de qualquer modo eu vou arrumando. É só falar que é “versão beta” e fica tudo certo.

Se quiser saber mais, dá uma passadinha no “Sobre“. Seus comentários são sempre bem-vindos.

Um abraço e obrigado pela visita.

Rogério Fratin