Designices

Que o conceito de internet nasceu pra compartilhar informações já não é segredo nem novidade pra ninguém. Tudo bem que eram informações de guerra, mas a ideia era disseminar as informações. Claro que houve adaptações daqui e dali, muita coisa mudou, muito tempo ficou pra trás, mas a base da rede ainda é a troca de informações. É evidente que junto dessa troca de informações toda apareceram muitos conteúdos ilegais, textos, fotos, músicas e vídeos, mas acredito que processos dessa natureza devem ser revertidos depois como evolução. É só olhar as MP3 vendidas em diversas lojas online. Será que hoje em dia teríamos tocadores de MP3 em todo lugar se não tivessem sido tão ferozmente difundidas ilegalmente? Repare nos filmes alugados e vendidos direto nos dispositivos móveis como celulares e tablets, nas smart TVs, nos videogames e tocadores de bluray. E também o conceito de Torrent e tantos outros modos de passar os arquivos de um canto pra outro, como os discos virtuais, as nuvens, os emails que permitem cada vez mais armazenamento e transferência. Me lembro quando o Hotmail permitia, no máximo, 500kb por mensagem enquanto agora o Yahoo Mail, por exemplo, permite 50 vezes mais. De um modo ou de outro as informações, legais ou ilegais, pagas ou gratuitas passam de um lado para o outro.

Tenho notado que provavelmente por conta dos negócios a internet como era está virando outra coisa. Algo um pouco estranho mas que se explica na necessidade de grana, como sempre. Reparem como as informações na rede tem sido duplicada. É complicado encontrar o “vídeo original” no Youtube com tanta gente querendo ter aquilo também em seu canal, como se fosse seu. Os blogs replicam infinitamente as imagens de outros e muitos ganham com isso via publicidade. Se transformaram em pequenas maquininhas de grana e conteúdo de baixo nível de produção de conteúdos. Replicam mais que máquina copiadora, mas produzir, nada. Veja o meu, por exemplo, que porcaria. E os grandes portais? Milhões de dinheiros envolvidos em cada pedacinho deles e ainda assim não creditam com link as fontes das imagens e dos textos. Galerias e galerias de fotos são criadas com fotos provenientes de um “Salvar imagem como…“, os pageviews aumentam, os anúncios ficam mais caros e o sujeito que produziu aquilo não ganha nem um linkzinho sequer de volta. Só um texto mirrado, na maioria das vezes, de canto. Fonte: Fulano de Tal. Quem quiser que procure no buscador de sua preferência. E viva a não-usabilidade.

Não sei se minha visão é chata demais, crítica demais ou sem noção demais. Mas sei que a ideia de dividir, compartilhar conteúdo como seria bem legal, seja pago ou grátis, está cada dia mais escondida no meio dos negócios e da necessidade de ganhar dinheiro a todo custo.

Enquanto isso eu prossigo aqui, produzindo meus conteúdos e repartindo o que posso, inclusive minhas dúvidas. Alguém mais no clube?

De incrível isso não tem nada, muito menos tem de arte. O que é admirado nos benchmarks (aliás eu até brinco com isso aqui), a sensação de “clean” sempre colocada à mesa pelos mais empolgados, o poder de ir direto ao ponto e as facilidades do que é mais utilizado estar sempre à mão é simplesmente esquecido na hora de planejar e refinar um projeto. Coloca um botãozinho aqui, enfia uma listinha ali, arruma espaço pra um link patrocinado acolá. Em dois ou três movimentos você sai do estado inteligível quando se bate o olho num projeto e vai pro estágio esquizofrênico, cheio de opções, para atender todas as pessoas do planeta que são ou não público alvo, afinal de contas dá pra encontrar referência de tudo que é bom na internet, mas mesmo assim muita gente insiste em pegar as piores, descontextualizadas ou misturar diversos benchmarks sem o critério de adaptá-los ou reformatá-los para o projeto desenvolvido. Ou tudo junto. Na cabeça dessas pessoas tudo precisa estar presente, o que é prioridade mil e a zero. Tudo ali, pronto para alguém clicar, como se alguém fosse mesmo.

- Mas por que esse elemento tá aqui? Ele não ficava lá do outro lado…?

- Eu acho bom ficar onde está agora, eu pedi pra mudar. Por exemplo eu tenho um vizinho com sete dedos na mão direita e ele clica com mouse meio de lado, seria ideal essa opção estar aí assim.

E aí entram discussões infinitas pra não falar de nada útil.

Quando você vai à uma pizzaria e o cardápio tem 180 sabores de pizza, eu duvido que você leia todos antes de escolher. DUVIDO mesmo. Provavelmente aquele que tem 20 sabores será devidamente analisado, sem preguiça e sem demandar três horas e meia pra fazer o pedido pro garçom. E a escolha vai ser precisa, exatamente o que quer. É a valorização da diversidade sem cair no exagero. Uma pizzaria típica em São Paulo não precisa ter opções que atendam o gosto de um vietnamita que quer desfrutar de um sabor especial de pizza baseado nos sabores e ingredientes da cultura de seu pais e ainda que não tenha glúten. Se um vietnamita nessas condições quiser comer algo assim, não é numa pizzaria típica em São Paulo que ele deve procurar (e nem vai achar caso o faça). Por que num projeto digital as coisas nem sempre funcionam assim?

Eu arrisco uma resposta…

A falta de planejamento dos produtos, as reuniões que nunca resolvem nada, a falta de brainstorms feitos de maneira correta (quando são feitos…), não existir um gerenciamento efetivo dos processos criativos, a grande quantidade de profissionais desqualificados que nem sabem do que o suporte é capaz e nem o que querem de fato proporcionam quase 100% dos casos interfaces mal resolvidas e muito mais elementos que qualquer pessoa do mundo (e de for a dele também) pode analisar e clicar. O produto reflete a equipe que o fez. Mais cedo ou mais tarde isso aparece e, muitas vezes, é irremediável.

Tem alguma outra resposta pra minha pergunta? Os comentários agradecem.

É de comum conhecimento que produtos com espaços coloquialmente chamados de “áreas de respiro” se fazem mais confortáveis visualmente para quem os consome, assim como podem proporcionar melhor percepção, entendimento e até interação, seja uma revista, um livro, um controle remoto de home theater ou um smartphone. Uma oferta muito grande de opções pode gerar confusão ou desvalorização do todo. O Mc Donald’s, por exemplo, notou lá no comecinho que se simplificasse o cardápio e padronizasse os sanduíches evitaria que os clientes tivessem dúvidas na hora de fazer o pedido e o atendente da cozinha, por sua vez, teria menos dificuldade de prepará-lo (quem quiser saber mais sobre isso dê uma olhada no livro Design de Negócios, de Roger Martin, Editora Campus. O John Maeda, em uma de suas Leis da Simplicidade, fala sobre reduzir o número de itens, só mostrar o necessário e eu sou adepto disso, acho que dá pra notar aqui no DESIGNICES a valorização do espaço em branco para a pausa, reflexão, pra retomar o pensamento e, quem sabe, arriscar um comentário. Já até fiz um post só pra falar da falta de espaços em branco na internet.

Mas e na cidade em que moramos, como isso tem se mostrado?

Tem cinco anos que aqui em São Paulo uma lei chamada Cidade Limpa removeu a poluição visual pelas ruas padronizando as fachadas e proibindo outdoors, faixas e afins. O Marco Moreira mostrou bons exemplos disso, vale conferir aqui e aqui. E o Rio de Janeiro tá entrando nessa também, para a alegria dos olhos de quem passeia e nota a cidade, sem parecer que você mora num jornal de classificados.

Acontece que se por fora houve o suposto cuidado de não nos soterrar com marcas e anúncios, aos poucos, os ambientes internos estão cada vez mais lotados de informação como se fosse pra compensar o que se proibe nas ruas. Não tem mais momento de reflexão no que foi visto, não tem mais pausa pra pensar na vida: sempre há algo pra ver, além dos smartphones pipocando notícias, emails e alertas de redes sociais em tempo integral. E esse último “sempre” usado acima se torna cada vez mais, infelizmente, quase que literal.

Perceber como a cultura visual das pessoas pode apodrecer com tamanha quantidade de informação me preocupa. Acredito até que de alguma forma prejudique nossa profissão, já que a desvalorização da exclusividade de informação (seja ela qual for, até mesmo a publicitária) tende aumentar já que segundos depois algo novo toma o lugar do que, precocemente, vai ser chamado de antigo. Em trinta minutos caminhando na hora do almoço mais de uma dezena de informações foram metralhadas na cara dos “usuários da cidade”. Impossível lembrar da primeira, da segunda, da quinta. O Metrô, que era limpo visualmente, tem até propaganda na catraca. Elevadores tem a atenção dividida entre as tvs com anúncios irrelevantes e emails (duvido que tão urgentes assim que não podem aguardar até a chegada na mesa) nos iPhones, Blackberries e Androids. Telas nas praças de alimentação. Nem escada rolante escapa mais. Tá difícil a coisa, viu?

Para mostrar o que me refiro, saí caminhando na hora do meu almoço e dando cliques com o celular (por isso as fotos não estão lá essas coisas) o que vi em poucos metros. A sobreposição e acúmulo de informações além da falta de cuidado com elas me assusta e tenho certeza que muita gente não dá mais conta disso porque foi acostumando e agora parece tudo normal, por mais absurdo que pareça.

No Metrô Linha Amarela de São Paulo, o mais nova da cidade, a sinalização é muitas vezes feita assim, com pincel atômico, com rasura e papel colado por cima. Bem legal para uma obra de tantos milhões investidos.

Cartaz de sinalização do Metro Linha Amarela

Os elevadores (à esquerda), dos poucos lugares que as pessoas não tem pra onde correr, tem telas pra tomar a atenção. E um roubo de atenção mais que idiota, nesse caso é pra falar das tais fotos roubadas da Carolina Dieckmann nua. Ao passar na catraca do Metrô (à direita) tem publicidade aplicada, afinal de contas é muito gostoso tomar iogurte na multidão.

Fotos da Carolina Dieckmann e publicidade na catraca do Metro

Essa sequência de três telões frente-e-verso (acima) mostrando as mesmas imagens é totalmente desnecessária. Por que não um só? Depois dos telões (abaixo), uma tremenda confusão de foco de informação: Sinalização do shopping no alto, telão gigante no meio e placa no chão com o horário de funcionamento (e além de tudo você tem que descer uma escada). Shopping Nações Unidas / Shopping D&D, São Paulo.

Sequência de telões no Shopping Nações Unidas

Na hora do almoço nem o cardápio escapa: O Bar da Devassa na região da Berrini, em São Paulo, remenda os preços com etiquetas à caneta. Coisa linda de fazer quando se está cercado de grandes empresas e hotéis caríssimos.

Cardápio remendado do Bar da Devassa, na região da Berrini, São Paulo

No caminho pro cafezinho um estupro visual: Escada rolante inteira envelopada da HP. Pra quem a desce não dá mais pra ver a arquitetura do lugar nem o jardim: banner da mesma campanha tapa toda a visão.

Escada rolante com publicidade da HP

Tomar um café, relaxar e se preparar para o famoso “segundo tempo” também não escapa do acúmulo de informações. Além das telas, na mesa também tem tentativas de vender mais. Essa é da Ofner.

Café com publicidade na mesa, na Ofner

Claro que existem mais N exemplos, mas acho que já dá pra parar por aqui.

Bom, pelo menos na região central/comercial aqui em São Paulo a coisa anda assim, feia. Imagino que uma hora isso vai transbordar e algo precisará ser feito. Enquanto isso não ocorre você poderia deixar nos comentários:

1. O que acha dessa enxurrada de informações?
2. Onde ir pra ter um momento de “área em branco”?
3. Como isso pode influenciar na nossa profissão?

Manda bala, tem bastante espaço em branco aqui embaixo pra você refletir ;)

Sempre vejo propagandas de “produtos design”. Produtos que nas suas próprias naturezas já são resultado de um projeto de design evidentemente envolvido com outras áreas. Daí tenho acompanhado esse carro (um belo carro da Kia, por sinal) chamado Soul e que é vendido  como “carro design”. E tem hotéis design (como o “Hotel Unique-Melancia” aqui em São Paulo), objetos design, capas de celulares e tablets design e assim vai. Tudo design. E por acaso como é um carro sem design? Existe? Os outros não tem design, então? O Fiat Uno, o Ford Ka, o Volkswagen New Beetle poderiam ser vendidos também como carros design?

Pra quem tiver na dúvida, leia antes algumas boas definições sobre O que é design, que atualizo sempre com o que encontro por aí de interessante.

Concordo que o projeto do Kia Soul é realmente diferente do que se tem por aí atualmente, o que lhe dá uma certa personalidade no mínimo exótica e as vezes, usando um lindo termo de briefings vazios, criativa. Assim como o hotel. Assim como todo o resto. Percebo que a palavra design tem sido empregada nesses casos estranhos. Seria design o termo correto? O que isso pode acarretar pra quem ouve o termo e não é da área?

Kia Soul, o carro design

No descritivo do site temos detalhes curiosos também, provavelmente propostos e lapidados por quem tem que vender a qualquer custo e não precisa nem conhecer o produto e seu entorno. Esse é o máximo: “por fora o carro esbanja estilo e seu desenho desafia conceitos”. Ah, é? Quais conceitos? Fiquei curioso.

Será que falar que um carro de projeto exótico é um carro design ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão de designer? Será que vira um sinônimo de algo criativo e peculiar ou apenas algo exótico e que não agrada todo mundo? E o restante dos carros do planeta que não seguem esse padrão, será que perdem o caráter projetual de design que eles têm? Uma Ferrari não seria um carro design também? E um Cadillac? E um Shelby Cobra? Nossa, quantas perguntas…

Ah, eu adoro o Kia Soul, acho lindo mesmo. Por sinal, se alguém da Kia ler post e quiser me dar um de presente, vou adorar. Vermelho, por favor. E pelamordedeus, já que gostam tanto de usar o design, pensem também no design principalmente o de interação do site. É ruim de dar azia.

Sei que já usei muito mais pontos de interrogação do que deveria nesse post, mas a ideia é a mesma de sempre, questionar. Então é o que vou fazer: O que você acha da denominação carro design e tudo-exótico-design? Ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão e da função do design?

Comerciais vintage são sempre interessantes. Curioso perceber as peculiaridades da falta de recurso pra fazer uma “macro”, da ausência de trilha sonora, de crianças correndo e dando cambalhotas mortais na cozinha pra mostrar a vitalidade que o produto supostamente entrega. No lugar de tudo isso tem uma moça apresentando, se deliciando com os cereais matinais e rapidamente interagindo com a voz em off. Fora as referências visuais da embalagem, da roupa, dos móveis e do ritmo do comercial. Interessante também é notar as imperfeições da caixa, como é uma caixa de verdade quando compramos, e não necessidade da perfeição utópica de tudo que vemos hoje anunciado.

Aí vieram os anos 1960, as agências de publicidade “faca na caveira” e acabaram com tudo…

Os vídeos desses comerciais foram encontrados no site www.archive.org, com conteúdo de domínio público.

Aêêêêêêêê! Depois de muita enrolação aí está o novo layout do blog, não ficou uma lindeza? Desde o começo, em setembro de 2009, eu queria expor minhas ideias, atiçar discussões e exibir referências que eu curto e que não estão nos sites com seis quizilhões de acessos por dia. Eu usei dois layouts como repositório de ideias até que chegou o dia que eu precisaria pensar visualmente no projeto, ter uma identidade mais forte, sólida. E daí eu tomei algumas decisões, abri mão de algumas coisas, não arredei o pé de outras. Deixa eu falar um pouquinho do processo e dos elementos:

De 1024px para 1280px

Resoluções e menores de 1024px correspondem apenas a menos de 10% dos leitores, e mais de 30% desses usam tablets. Ou seja: se eu posso explorar um 1280px de largura, por que não? Daí já me baseei em proporção áurea pra criar as divisões em três colunas, onde uma é só pro título. Eu queria trabalhar muito o branco e os respiros, essa solução caiu como uma luva

Tipografia: Stafford Regular

É muita Arial, muita Times e muita Georgia nesse mundo dos headlines, meu deus. Aos poucos as webfonts vão aparecendo mais rápido, com menos problemas no crossbrowsing e de kerning. Aos poucos. Procurei, procurei até esbarrar numa que realmente me tocasse, me conquistasse. E foi ela, Stafford Regular, devidamente comprada, legalizada. Tudo certinho =)

Cores

Quero conforto pra leitura, os textos geralmente abusam da boa vontade dos leitores. É coisa demais pra ler (e vocês lêem, OBRIGADO!). Aí o pessoal vem e PIMBA, detona nos comentários e vem mais texto. E vocês, novamente, lêem. Acredito que dessa maneira eu consiga tornar a leitura o mínimo cansativa possível na tela.

Botões, botões, botões

Cada hora aparece algo novo, uma rede social nova, um app, tudo. Daí os sites vão ganhando cada vez mais cores, e cores. Logo tudo vira uma massaroca de coisas. É um tom de azul que não combina aqui com aquele outro. Um monte de carinhas de um lado, botão vermelho do outro. Botão que muda com o tempo e fica estranho. Chega. Aqui vai ser do jeito que eu quero, dentro da identidade do site. Aliás, somente Twitter e Facebook por enquanto, que estão funcionando exatamente como desejei. Aboli o Google PLUS. Não gosto do projeto deles e não quero ser mais um na ação do Google de povoar todos os produtos com essa ferramenta. Enquanto eles não mudarem a postura, DESIGNICES não participa dessa rede. E ponto final.

Um cara chamado Marcelo Gorzoni

Esse site só está no ar por causa de um grande amigo (designer, analista de SEO, desenvolvedor e o maior companheiro pros cafés pós-almoço de 2011/12) que além de codificar todo meu layout nos mínimos detalhes ele também me cobrava “cadê o layout? Não vai passar? Quero fazer logo, vamos subir isso, não seja um VAGABUNDO“. E eu não fui um vagabundo mesmo. Gorzoni, meu irmãozinho, muito obrigado.

Layout de comentários mais bonito

Ainda, claro, tenho coisinhas pra ajustar no blog, mas a maioria tá aí, completa belezura. Essa parte foi feita exclusivamente pra você caprichar. Pode estreá-la comentando o que achou do DESIGNICES 3.0 e sugerindo o que quiser! Topa?

Ah, os livros! De design e não-de-design, todos os livros.

Eu acho uma delícia o ritual de comprar, abrir, cheirar a tinta, sentir o papel, folhear pra ter um panorama da publicação. Não tem problema se ele chega na minha mão numa livraria ou se os Correios entregam na minha casa. O prazer é o mesmo: um imponente livro novo!

Muita gente que conheço quando vai em casa ou quando falamos sobre livros pergunta:

- Mas você já leu TUDO isso?

Claro que não. Acho que nunca vou querer ler todos meus livros: sempre terei novos não-lidos. Quando lê-los, terei outros e assim temos o ciclo!

Creio que comprar um livro e ler um livro são ações independentes e que não precisam acontecer na sequência “comprar-e-ler”. Ainda mais quando se trata de um book freak como eu. Muitas vezes aproveito promoções e não vou interromper uma leitura pra encarar nos novos. Numa comparação boba: Você também come TODA a comida que compra de uma vez quando sai do mercado? Bebe TODO refrigerante? Nenhuma cerveja vai pra adega porque já foram TODAS bebidas na mesma hora? Então não queira fazer isso com os livros também, oras! Hihihi!

Livros de design Aí eu comecei pensar o que me fazia comprar um livro e qual motivação eu teria pra encarar a leitura.

Eu compro um livro quando tenho interesse direto nele ou no assunto, quando vou aos lançamentos (como a Tupigrafia 9 e a TIPOITALIA 2), quando acho num sebo algo incrível (como História da Tipografia no Brasil), quando encontro promoções insanas como as Feiras do Livro da USP e promoções nos sites das livrarias ou então quando passeio numa bookstore (física ou digital) e me deparo com algo interessante.

Eu leio um livro quando tenho a necessidade ou desejo saber sobre um tema (claro que muitas vezes começo ler logo no calor da compra), mas também de uma  curiosidade ansiosa, do saudosismo do conteúdo (um livro que na época da faculdade teve uma interpretação e agora outra, como Navegar No Ciberespaço), do momento que passo (como o Jogo da Amarelinha e A Cleópatra do Jazz: Josephine Baker).

Se o livro for físico (são esses que eu gosto) você pode emprestá-lo, dá-lo de presente, expô-lo na sua casa e o mais legal: esbarrá-lo ao acaso e redescobri-lo, quase como se fosse algo perdido por décadas, esquecido, que vem renovado e quase que com o convite gigante na capa: CHEGOU A HORA DE VOCÊ ME LER, NÉ?! Daí eu eu não me seguro: leio mesmo!

Um dia eu li em algum canto que um livro não lido tem mais valor do que um lido: você ainda tem a chance de aprender algo novo nele. Eu concordo!

E você, tem muitos livros pra ler em casa? Qual vai ser o próximo?

O ano foi bem bom pra mim. Saí da Editora Abril depois de cinco anos, palestrei na Cásper Líbero sobre um ebook que participei, freelei, fui pra outro emprego, conheci dezenas de pessoas legais por causa do meu trabalho e do blog, fiz cursos incríveis e acredito ter evoluído bastante. E li livros, muitos livros. E fiz posts, muitos posts. Engraçado que o post-vovô O que é design? foi o mais acessado em 2011. Os Cartazes de Cigarro de 1920 a 1950 e Cartazes de Fique em Silêncio da Segunda Guerra Mundial também foram bem. Mas dos posts feitos em 2011, aí vai o TOP5:

5. Por que você [ainda] é designer?

Muita gente respondeu e questionou qual é o real “mojo” de ser designer

4. Quando e como você virou designer?

Como tudo começou? Comentários e comentários deixaram esse post bem rico e com muitas histórias interessantes e completamente diferentes.

3. Futura-Ferrugem

O segundo experimento da série Trocadilhos Tipográficos rendeu bastante acesso e foi chamado por blogs gringos. Até no Japão teve uma editora de livros de design que seguiu o passo-a-passo e fez por lá. Depois de meses corroendo as chapas eu fotografei novamente e atualizei o post.

2. O design nas mídias sociais (no ebook grátis “Para Entender as Mídias Sociais”)

Participei desse ebook maravilhoso e muita gente fez download dele por aqui. Aliás, você já fez? Demorô, o trabalho da Ana Brambilla foi nota 1000. Por conta desse livro veio o post Paradigmas gráficos no design pra web, não foi TOP5 mas teve bons acessos.

1. Cada vez que um designer…

O meio-post-meio-brincadeira agradou bastante gente, incomodou alguns e bombou de comentários. Foi, de longe, o primeiro lugar.

;)

A volta

A volta do DESIGNICESO DESIGNICES parou em outubro, mas junto dessa retrospectiva ele vai voltar. Com força total? Não sei ainda, mas vai voltar. Aliás, voltou! Descobri que não consigo ficar sem o blog. Não consigo ficar sem postar. Um dia eu procuro ajuda profissional pra resolver isso, hihihi!

Passei meus últimos dias do ano de 2011 inteirinhos arrumando o novo visual depois de um bom tempo sem andar nada com isso. No final das contas meu tema ferrou o WordPress e não havia gnomo no mundo que fizesse funcionar de volta. Tive que pedir restauração do backup, inclusive. Mas nada disso importa. Não tem layout novo mas tem muitas ideias novas, DESIGNICES de volta e vamo que vamo. As suas sugestões podem cabem muito bem nos comentários, não?

MUITO obrigado a todos pela força, valeu mesmo. E vamos juntos, novamente.

Pois é. Vou parar um tempo. Não sei se um mês, dois ou cinco, mas preciso. O blog precisa de um cuidado com o estrutural, conceitual, tudo precisa ser pensado novamente, com mais carinho e dentro da minha atual realidade, ganhar uma [nova?] cara, faxina nos posts que ficaram perdidos no tempo e não mais fazem sentido. Como sou sozinho nessa, o tempo que levo pra fazer o UX, layoutar e programar tudo, fazer os ajustes de SEO… É coisa pra caramba. O DESIGNICES vai parar um poucoEstruturar o conteúdo, bater as fotos, criar as imagens, transformar tudo isso em posts e me preocupar com todo o redesign do blog ficaria, pra mim, inviável.

Esse, provavelmente, será o último post antes do DESIGNICES 3.0. Digo provavelmente porque pode ser que aconteça alguma coisa [MUITO] extraordinária. O meu twitter [http://twitter.com/rfratin] vai continuar bem ativo com o que há de mais legal na minha timeline e tudo aquilo que cavoco e encontro nos sites por aí, principalmente dos meus grandes amigos. É provável que vez ou outra eu requente um postzinho daqui ou dacolá, cartazes, livros ou boas discussões, pra matar a [minha] saudade. Espero vê-los com conteúdo e layout novos ainda nesse ano.

E como o mais legal daqui são os comentários, não poderia deixar essa pausa acontecer sem eles. Sem muitos deles! Uma pergunta com um toque de “me ajude“:

Quais sugestões pro novo DESIGNICES, seja em layout, temas dos posts e suas profundidades?

Outras sugestões e tudo que puder melhorar o blog serão bem-vindo. Abuse dos comentários, vou precisar mesmo deles pra desenhar o novo.

O ego do designer. Foto: Rogerio Fratin

Há alguns anos que procuro identificar junto de profissionais de outras áreas, como jornalismo, desenvolvimento, marketing, publicidade, contabilidade, os principais problemas que existem junto de nós, designers, e a relação com nosso trabalho. As respostas sempre passeiam entre horários de entrada e saída, de falta de tato na hora de conversar, de vivermos em um mundo paralelo, mas o fator mais significativo [segundo as dezenas de pessoas que papeei] é o EGO do designer. É, EGO inflado. Aquele sentimento demais da conta que torna uma peça intocável, como uma obra de arte única, Renascentista. Confesso que eu mesmo já fiquei de bode de ego de designers que convivi, acredito que você também. Entretanto, não poderia ser preciso em dizer que nunca dei motivos pra acharem isso de mim. Me policio muito em relação a isso, mas pode ter escapado e eu nem me liguei. O Chico Homem de Melo fala disso no livro Os Desafios do Designer, e um dos parágrafos pode ser lido aqui.

De qualquer maneira, isso que eu chamo de EGO inflado pode ser muita coisa, inclusive a nosso favor, por exemplo para proteger as peças que desenvolvemos de avalanches de modificações pelo EGO inflado de outras profissões.

Mas e aí, como tratamos disso? O EGO inflado do designer é algo a ser corrigido, é apenas parte da profissão, uma defesa ou minha “pesquisa” tá errada? Detone nos comentários!