Designices

Já promovi discussões sobre os micreirosregulamentação, e os motivos de se manter designer. Mas quais seriam os limites da nossa profissão? Até onde é digno, ético chegar? Comecei olhar para os arredores, para os profissionais à nossa volta e questionar seus comportamentos e perceber se eram ou não éticos. Quais seriam os limites?

Não é ético para um jornalista (e nem para o jornalismo como profissão, eu acredito) deixar de noticiar os escândalos que envolvem uma corporação simplesmente porque ela é anunciante da publicacão que ele trabalha. Ainda com os jornalistas, não é ético prometer nas capas das revistas dietas mágicas que podem trazer problemas de saúde para quem as segue, simplesmente porque a palavra “barriga” aumenta em 20% a venda de uma edição. Para um médico, não acho ético indicar um medicamento porque existe uma recompensa em dinheiro (uma comissão) pela venda do remédio indicado, nem fazer seus pacientes que tinham horário marcado esperarem uma, duas horas depois da hora acordada. Não é ético para um professor indicar livros só porque foram escritos por pessoas conhecidas ou porque a editora o suborna com dinheiro. Um apresentador de programa de televisão não é ético quando usa mulheres de enfeite nos palcos, como vasos de planta ou móveis decorativos. Enfim, se eu fosse escrever aqui tudo que não é ético, provavelmente esse texto só iria pro ar daqui muito tempo. Acredito que já tenha dado pra pegar o “tom” do que quero questionar.

O que é ético pra um designer?

Antes de tudo, o que é ética?

Pelo dicionário Michaelis online:
1 Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. 2 Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; deontologia.

Pelo dicionário online Aulete, a definição é bem próxima:
1. Parte da filosofia que trata das questões e dos preceitos que se relacionam aos valores morais e à conduta humana. 2. Conjunto de princípios, normas e regras que devem ser seguidos para que se estabeleça um comportamento moral exemplar.

Agora sim, prossigo:
Não dá pra achar que tudo que fizemos é lindo, perfeito pro mundo, né? Fazer propaganda de produtos que prejudicam à saúde? Criar folderes, santinhos, vídeos para políticos com sérios problemas judiciais? Ajudar as vendas de comida rica em gordura trans, colesterol, açúcar? Isso tudo é “legal”? Não, não vou aceitar a justificativa do tipo “eu só fiz a propaganda, compra quem quer” que isso não cola. Vivemos num mundo que as pessoas acreditam cegamente nas revistas, nos jornais e na televisão. Quando você participa de algum desses trabalhos tenha certeza que muita, mas muita gente compra o produto porque viu o comercial. E sim, a culpa também é sua. Fez campanha pra vender carro chinês de péssima qualidade que tenta se apoiar em seis nos de garantia pra fingir que é bom? Fez diagramação de livro com ideal nazista? Fez a placa que deixou a criancinha com vontade de se entupir de lixo no fast food? Então tem culpa. Mais gente obesa? Você participou. Idiotas batendo em gays na Avenida Paulista? Você participou.

Ok, aí podem vir as justificativas (com razão) que seria um trabalho impossível se o designer (e todos os membros da equipe preocupados com a ética) analisar todas os setores da empresas que fazem parte da carteira de clientes da agência, escritório, editora. Claro, isso seria impossível. Mas não é disso que falo. Me refiro àquelas empresas descaradas, que todo mundo sabe que não valem nada e fingem que tá tudo certo. Aquelas que estão em escândalos ambientais, aquelas que usam trabalho de colheita escravo. E fazer capa do CD e DVD pro pagodeiro-traficante? Seria ético promover que as pessoas consumissem esse tipo de coisa? E fazer a marca, a embalagem e o site de uma empresa de tabaco?

E nem entrei nos méritos da ética para com fontes tipográficas, fotos, vetores e ícones roubados. Deixo esses assuntos pra outro texto.

Tudo bem, nos comentários poderão aparecer justificativas como “eu não me preocupo com isso, só quero entrar, trabalhar, voltar pra casa e ter o salário no final do mês”. A história do design nos mostra que nossa profissão ajudou com uma baita força o consumismo louco, a cultura de massa, o capitalismo. E isso tudo, pra mim, não tem mais cura. Talvez dê para ajustar aqui e segurar um pouco acolá, mas sanar, não. E se as consequências dessa falta de ética de hoje representarem problemas de mesma grandeza ou maiores no futuro?

Nossa, acho que já usei interrogações demais nesse texto. Então coloco a última: como você vê a ética na profissão do designer?

Abuse dos comentários ;)

Cada vez que um designer usa mais de dois efeitos na mesma layer do Photoshop uma cobra sucuri come um coelhinho branco que passeava no bosque.

Cada vez que um designer fala LOGOMARCA morre uma fêmea de tatu no Pantanal.

Cada vez que um designer faz um retângulo no Photoshop sem usar vetor morre um personagem do Chaves.

Cada vez que um designer deixa o entrelinhas de texto no “auto” morre um urso panda gigante na China.

Cada vez que um designer mistura Arial e Verdana uma freira boazinha que ajudava crianças carentes é assassinada com tiros à queima-roupa.

Cada vez que um designer rouba foto do Getty Images e apaga a marca d’água um console original de época do Atari 2600 explode.

Cada vez que um designer interrompe o job pra falar com a menina do atendimento o Luan Santana grava uma música nova.

Cada vez que um designer ROUBA o post de outro blog um parente próximo dele pega sífilis.

Cada vez que um designer estica uma tipografia não-proporcionalmente uma vaca-louca é ordenhada e tem seu leite distribuído.

Cada vez que um designer usa o Corel Draw um cara resolve compartilhar com todos o CD do Fiuk no potente som de seu Chevete 1987.

Cada vez que um designer se sente artista plástico instantaneamente um protozoário flagelado trypanosoma cruzi aparece começa a passear pelo sangue do sujeito.

E você, sabe mais #cadaVezQueUmDesigner facts? Deixa aí nos comentários!

Nota: Quem lembra o que é o trypanossoma cruzi? :)

Esse post se chamaria apenas “Por que você é designer?”, mas como estava dando uma certa confusão porque alguns achavam que era pra falar sobre como decidiram ser designer, resolvi colocar o [ainda] junto.

Tenho acompanhado guias estudantis desses que falam das profissões e tento compará-los com os descritivos dos cursos nos sites das universidades, no que se refere aos cursos de design, seja de qual área for.  Um grande problema que encontro em ambos é a falta de apurar MESMO o que acontece com os designers no mercado. Conheço gente de vinte e poucos que desistiu da área e também profissionais com mais de 60, 70, 80 anos (viva Wollner!) de idade e desde sempre trabalhando com design. Os salários que saem nessas listas sempre são bem fora da realidade e o glamour falsamente inserido – tanto nos guias de estudantes (talvez pra empolgar mais ainda o jovem) quanto nos sites das universidades com esses cursos (para, evidentemente, vender mais e trazer alunos) – e parece que não se tem muito a preocupação de falar com quem está na área há algum tempo pra ver como é.

Qualquer um é livre pra trocar de profissão quando quiser, inclusive os designers. E quem se mantém nessa profissão – que é meu caso e NÃO pretendo sair – deve ter bons motivos pra contar. É isso que pretendo saber nesse post. Afinal de contas, as piadas com designers sempre falam um monte de salários, de manias, comportamentos, defeitos, tudo que se pode tratar como ruim de uma profissão. Hora de falar bem, reunir opiniões e debater.

Então aí vai: Por que você, que é designer, continua sendo? Quais são os chamarizes e vantagens dessa profissão no teu ponto de vista?

Aguardo esses comentários! :)

Graham Bell (1862-1939)

Embora haja uma discussão (que talvez fora finalizada na H.Res.269 do Congresso dos Estados Unidos, onde conta que o verdadeiro inventor do telefone é o italiano Antonio Meucci) sobre quem realmente criou o telefone, por muito tempo esse “cargo” ficou com Alexander Graham Bell (1962-1939). E curioso também é que existem os sketches de Graham Bell desse e outros projetos.

Por falar em sketch, a importância deles e dos sketchbooks na vida dos designers é tão grande quanto a invenção do Graham Bell (ou do Meucci). E não sou eu quem defende isso, aprendi lendo publicações de grandes designers de todos os tempos valorizam seus sketchbooks e até os mostram inteiros ou algumas partes deles, como faz Claudio Ferlauto, no livro “O Efêmero e o Paródico”, das Edições Rosari. Não vou propor aqui a discussão se todo projeto deve ou não começar no papel, isso é papo pra outro post, mas arrumar um bom caderninho (ou até fazê-lo manualmente!) é mais que essencial. Aliás, quem também adora sketches é o Marco Moreira do MagelStudio e quase todos projetos ele documenta assim (confira alguns, valem a pena!).

Voltando ao Graham Bell, é bem interessante ver as ideias do sujeito colocadas no papel. Ele não era um desenhista muito habilidoso. Aliás, NADA habilidoso. Mas é um sketchbook, não uma exposição de arte. Não precisa necessariamente ser visto por outras pessoas, mas se for é mais legal. Alguns dos sketches do bom e velho Graham Bell, entre as décadas de 1870 e 1900:

Telefone

Sketch do telefone, de Graham Bell

Sketch do telefone, de Graham Bell

Gyroscope

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Sketch do "gyroscope", de Graham Bell

Radiophonical interruptor

Sketch do "radiophonical interruptor", de Graham Bell

As imagens são “public domain” e foram baixadas do site Library of Congress

Não sei se ele realmente inventou o telefone (tudo indica que não, mas vai saber…), nem procurei informações sobre esses outros sketches tornaram-se projetos realizados. Essa é outra fase, outra coisa. Aqui o que vale é documentar as ideias, pirar um pouco e soltar a mão. E não tem tempo nem hora pra isso. No trem, avião, ônibus, parque, praça, casa da sogra, de manhã, de madrugada… qualquer lugar é lugar pra brincar de sketchbook.

E você, usa um sketchbook? Que tal reunirmos vários links de belos sketchs nos comentários? Colabora aí!
:)

Tenho me incomodado com alguns padrões visuais adotados pra web que não são questionados, nem revistos, sobrevivem ao tempo e ninguém faz nada. Já questionei os grids de 960px algum tempo atrás e agora vou colocar em jogo alguns outros desses hábitos gráficos aparentemente inexplicáveis:

Wikipedia

Paradigma: Wikipedia

Decerto que é um dos projetos colaborativos que mais me agrada. Confesso que quando ouvi falar de Wikipedia eu jurava que não daria certo e ainda bem que me enganei. Hoje podemos “confiar” mais em seu conteúdo, checar as fontes das informações e ter um aprofundamento maior sobre os assuntos. Por falar em assuntos, tem absolutamente TUDO lá e está sempre bem rankeada nos buscadores. Além de ser esse projetão bacana, a Wikipedia é livre e também foi replicada em diversos outros sites, mesmo funcionamento, mesmo layout, pra servir como glossário, guia, manual etc. O que ninguém muda é o layout da Wikipedia. Talvez, em 2001 quando foi criada pros monitores de resolução 800×600 ou 1024×768, funcionasse. Hoje, com quase 2000 px de largura, os textos ficam ilegíveis. Quase QUARENTA palavras por linha: certeza que o eterno Jan Tschichold morreria do coração ao ver isso.

Orkut

Acho um projeto revolucionário (no seu tempo), acredito que por conta dele muita gente aprendeu a navegar na internet e ter consciência das mídias sociais. Já forneceu muita audiência pra grandes e pequenos sites. Me lembro que o primeiro topo de acessos que um site sobre São Paulo (que eu trabalhei por 2 anos) foi através do Orkut, quando rolou uma discussão entre fãs do Radiohead e do Iron Maiden por causa de uma matéria do site. Discussões nas comunidades apontavam o link pra matéria, negando, questionando, xingando, elogiando, tudo. O Orkut ainda é bem significativo (por incrível que pareça) pra muitos sites de grandes empresas, mas aos poucos ele perde espaço pro Twitter e Facebook, principalmente. Diferente do que muitos pensam, não dá pra simplesmente abandonar o Orkut porque gostamos mais do Facebook ou porque, redundantemente, ele foi “orkutizado”. De qualquer modo essa grande comunidade nunca foi boa referência de design. Ainda mais agora, totalmente perdida, tentando beber da água do Facebook (que é visualmente limpo, direto) mas misturando animações desnecessárias, títulos e fotos que gritam com o público. Se funciona para o seu público? Não sei… mas sei que o visual não me agrada nem um pouco.

Always Beta

Uma das frases que mais sinto medo é “Sobe assim mesmo, depois a gente arruma…”. Antes de qualquer coisa: Eu acredito no Always Beta, quando ele é feito de modo inteligente. O que seria um modo inteligente? Bem, imaginem um jornalista chegar com um texto sem acentos nem pontuação e tudo em caixa alta. Alguém diria “sobe assim mesmo depois a gente arruma”? Com certeza não. Acredito que o Always Beta pra design seja do mesmo jeito: Não subir qualquer coisa indepentende de como esteja. Acredito no mínimo de dignidade de um layout, mesmo que seja o “mínimo do mínimo”, mas que atenda uma demanda sem passar vergonha ou trazer problemas diretos aos usuários.

Twitter

Esse microblog mudou muita coisa na vida de muita gente. Hoje vejo tweets incontroláveis saindo dos celulares nos cafés, restaurantes, parques, ônibus, metrô, todo lugar. Cartões de visita que ganharam um “campo” a mais com o username do twitter. E tem gente que vende tuitada, que retuita tudo dos famosos, que sabe das novidades por conta dos #TTs. É como uma grande mesa de bar onde tem gente conversando de tudo. Além disso, o acesso ao API do Twitter proporcionou que desenvolvedores fizessem infinitas ferramentas pra ele. Aí começa o paradigma. O Twitter tem uma cara infantil, fofinho, como a Pucca ou a Hello Kitty. Até aí tudo bem, porque nem sei se passou pela cabeça dos criadores que seria tamanho sucesso. Mas a maioria esmagadora de ferramentas pro microblog (e as vezes até ferramentas que não se limitam a ele) usa a mesma identidade dele, não importa pra que sirva. O logo é com uma tipografia similar, com aparência de cópia mal feita. As cores sempre em tons de bebê. Projeto gráfico pra quê, né? Pra mim parece que junto com a API as equipes também se davam o direito de se apropriar do visual da ferramenta. Um ótimo exemplo disso é o TwitPic:

Paradigma: Twitpic

Tem o TwitCam, que além de problema de projeto gráfico também tem problema com o nome. Se “tweet” é um “pio”, um texto curto como se propõe, como poderíamos ter isso numa transmissão de vídeo de uma hora?

Paradigma: Twitcam

O Foursquare, que não usa os mesmos elementos do Twitter no logo, mantém os tons bebê nos layouts:

Paradigma: Foursquare

Ainda bem que tem gente que foge dessa armadilha, como o Instagram:

Instagram

Além do problema de falta de projeto existem também a amarra com o do Twitter. Nessas últimas semanas o Twitter ficou com a home bem séria, com mais cara de empresarial:

Twitter

E agora, o que farão os “chupinhadores de layout”? Manter o antigo ou mudar tudo pra ficar igual ao novo? #fail

HTML 5

O HTML 5 é bem interessante, vai permitir mudanças visuais na web como um todo, mas só será totalmente homologado daqui uns anos. O problema é que agora tudo “tem que ser HTML 5″ (mesmo que seja apenas um HTML 4 + javascript e tratado como 5 como vi algumas vezes). Além de testar a linguagem, não consigo entender o motivo dessa necessidade tão doentia. Fiz o redesenho de um grande portal de tecnologia que estaria integrado com um monte de coisas, na  nuvem e complexo banco de dados e todos queria fugir por tudo do HTML 5:

“- Enquanto não tiver devidamente homologado eu não me meto nessa, não. Não vou arriscar meu conteúdo só pra ter HTML 5″, dizia o especialista do site.

Muitas vezes uma animação simples feita em uma tarde no Flash resolveria o problema e teria sua manutenção muito mais fácil. E levaria uma tarde, invés de uma semana. Claro, as decisões da Apple pro iPhone, iPod e iPad não rodarem essa ferramenta da Adobe pode influenciar totalmente nessa decisão. Mas não estou defendendo o HTML 5, nem o Flash, nem nada. O que defendo é o uso consciente disso tudo, se é ou não pertinente, se vale ou não a pena fazer em HTML 5. Se for pra um público Classe C ou D, se for pra rodar em escolas públicas do interior do interior de algum estado, que talvez não tenham um browser devidamente atualizado e não tem a necessidade de ver em gadgets da Apple, não teria porquê fazer em HTML 5. Tudo depende, como sempre, do público alvo. Daqui uns anos, como a parte que falo do Orkut, esse texto do HTML será descartável, mas até lá brigo pelo bom uso das ferramentas. O ferramental não pode ser um paradigma, precisa ser solução.

Facebook

http://facebook.com/designices

O Facebook mantém uma linha visual bem simples e bastante eficaz. Azul, branco e preto, se encaixa em quase todos os projetos, já que essas cores foram absorvidas como algo comum na experiência dos usuários. O “quase todos os projetos” é algo interessante de questionar. Já vi o Facebook reclamar quando houve uma tentativa de mudar um mínimo detalhe do box de “curtir” a página. E quando o azul simplesmente não for algo bem-vindo? Me lembrei da rivalidade entre os times de futebol Sport Club Internacional (também conhecido como Inter de Porto Alegre) e o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. O primeiro, apelidado de Colorado, usa vermelho e branco pra tudo. O segundo compartilha das mesmas cores do Facebook. Será que o Internacional usaria um box do Facebook em seu site? Duvido. TUDO é vermelho lá:

Imagem de abre do site do time Internacional de Porto Alegre

Home do site do time Internacional de Porto Alegre

 

Nesse caso, ou o Facebook se deixa modificar ou o site abre mão da identidade pra ter o serviço de compartilhamento que essa mídia social proporciona. Quem vence? Não sei, mas o design pode perder.

Esse post foi inspirado no material que produzi pra exposição do tema “Como fugir das fórmulas prontas de design nas redes?” na faculdade Cásper Líbero, no evento de lançamento do ebook “Para entender as mídias sociais(baixe grátis), organizado por Ana Brambilla (veja seu blog | siga no twitter @anabrambilla). As fotos a seguir são do evento e foram gentilmente cedidas pelo fotógrafo Pedro Brum de Mello (pedrobmello[arroba]gmail.com) :

Apresentação do tema "Como fugir das fórmulas prontas de design nas redes?", na Faculdade Cásper Líbero. Foto: Pedro Brum de Mello

Apresentação do tema "Como fugir das fórmulas prontas de design nas redes?", na Faculdade Cásper Líbero. Foto: Pedro Brum de Mello

E vocês, o que acham? Quais outros paradigmas gráficos do design de web podemos citar? Deixem nos comments! :)

- No canto direito, com tela de 9,7 polegadas, processador Dual-core A5, resiste a 10 horas de uso contínuo: IPAD.. “The Tablet”… DOIS! … DOIS! (clap clap clap clap! êeeeeeeeeee!)

- No canto esquerdo, pesando 70Megabytes, gratuito, funciona em qualquer computador e especialista em ler PDFs: ADOBE… “The Reader”… READER! …READER! (uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!)

iPad versus Adobe Reader

Round 1: Fight!

Vi coisas bem legais em iPad, principalmente livros interativos, que usam a plataforma como algo diferente de um livro impresso, coisa, que obviamente, ela é. E não falo só do iPad, não. Falo de todos os tablets que estão no mercado ou vindo por aí .Tenho acompanhado algumas revistas nacionais e gringas em suas versões pro iPad. Que calamidade. Tudo me lembra a internet precária de 1997 e a falta de visão de narrativas digitais de quem produzia o conteúdo. Era uma tentativa natural de reproduzir o meio físico, já que a base dos menus e paginação vieram daí. Mas espera um pouco, 1997 já passou, as pessoas que produzem conteúdo pra meios digitais já aprenderam bastante (pelo menos deveriam) e ainda insistem em reproduzir exatamente o que vêem no papel. Lamento informar, mas o iPad não é feito de papel. Desculpe dar essa má notícia assim, tão seco, tão direto, como um soco na cara. O Adobe Reader também não, mas nunca foi tratado como. iPad caiu, foi salvo pelo gongo.

Round 2 – Os usuários

As pessoas colaboram bastante com a falta de uso criativo do iPad. Tudo que vejo são extensões das mídias sociais (como se não bastasse ter um computador, um notebook e um celular com Twitter, Facebook…). Além disso sempre percebo no Starbucks iPads sendo sacados por pessoas solitárias com pinta de bem sucedidas ou descoladas, e logo a Wired ou a Esquire pinta na telinha. A reação é sempre a mesma: Folheada de leve, girada da tablet, folheada neurótica e… TWITTER! INSTAGRAM! FACEBOOK! Pra quem viveu nos anos 1980, é como ter um Aquaplay, só que digital. Oh, quanto status! Quanto glamour! E lá voltamos a cambalear na questão das novas tecnologias pessimamente utilzadas. O Adobe Reader permanece em pé,  intacto, abrindo PDFs como se deve e de graça, não cai no Twitter nem no Facebook numa “curtida” porque quem usa em teoria quer ler.

Round 3 – Os veículos de comunicação

Quem tem colaborado bastante pras não-mudanças na apresentação do conteúdo e o uso da mídia, na minha opinião, são os veículos de comunicação. Calma, não tô contando aqui dos livros de alto nível de interatividade e construídos pro suporte que serão feitos. Falo das revistas. Aparece a tablet, todos querem aparecer primeiro com suas publicações mensais, quinzenais e semanais. Tudo no pique da revista, que gera exatamente o que é produzido na versão impressa. E que também tem igualzinho no site. Aí alguém fala “ah, mas eu vi uma revista que não era igual, não, eu passava a mão no carrinho e ouvia o barulho do motor e o farol acendia!”. É? E daí? O que isso, enquanto experiência, muda quando alguém “lê” o conteúdo do iPad? Temos plataformas poderosíssimas (literalmente) nas mãos e tudo que se tem são navegações de baixo nível de interação em abinhas bonitas (como o Flash poporcionou a partir de 1999), splashes que piscam e uma mulher que fala comigo na capa da revista invés de uma foto estática? Não tem diferença experiencial entre o PDF que você lê no teu Adobe Reader e o que tem sido feito pela maior parte dos veículos de comunicação. E os leitores ainda babam nesse PDF de luxo sem luxo. K.O! Adobe Reader venceu a luta por nocaute!

(Designices) – Vamos agora falar com o vencedor, Adobe Reader, como se sente após esse duelo tão esperado?
(Adobe Reader) – Eu nem esperava lutar com o iPad. Não somos da mesma categoria. Achei que continuaria nos Macs e nos PCs, nos celulares e pronto. Mas as pessoas e os veículos de comunicação nos propuseram lutar… e eu aceitei. Tô feliz com a vitória. Gostaria de mandar um beijo pra minha mãe: Acrobat, eu te amo!
(Designices) – Obrigado, Reader!

(Designices) – Estamos agora com o derrotado de hoje, o iPad2. iPad, o que pretende fazer pra revanche que teremos daqui uns meses?
(iPad2) – Olha, fui colocado pra lutar onde não sou especializado. Me jogaram aqui. Fui preparado pra muitas coisas, pra revolucionar as relações das pessoas com os equipamentos de informática. Assim como toda minha equipe da academia “Tablet Tiger Fighters”. Mas os organizadores insistem em nos usar com o mínimo que temos, aí perdemos no custo benefício. Afinal, quem precisa de um baita processador, tela high-definition e tudo o mais pra apenas ser usado com aplicativos engraçadinhos e ler PDFs? Mas vamos nos reunir com o Professor Steve e nos preparar muito pro próximo duelo. Espero ganhar…
(Designices) – Também espero, iPad… também espero…

Informação importante antes de ler o post: Eu sou a favor dos grids. Totalmente a favor, a aliás. E viva o Swiss Style!

Tenho visto diversos projetos de web que seguem o “bom e velho padrão do grid de 960px“.  Afinal de contas dá pra ter 6 ou 12 pequenas colunas devidamente espaçadas que, como são divisíveis tanto por 2, como por 3 e 4, permitem uma grande gama de combinações, como 3 colunas de 300px ou 6 de 150, mais os espaçamentos. E tem também uma infinidade de sites que disponibilizam gratuitamente modelos prontos pra você, é só baixar os códigos limpinhos e se divertir a valer com seu grid multi-uso. Todos usam esse padrão e o serviço fica mais rápido, inclusive para dos desenvolvedores. Parece um sonho, né? Pra mim é um pecado e um pesadelo.

As limitações do design na internet

Que tal se todas as revistas do mundo tivessem o mesmo tamanho? E o projeto tipográfico, como seria? Tudo igual também? Pois é, assim vejo o design para internet atualmente. Calma, não estou falando de (hot)sites promocionais, nem dos que vão pro Festival de Cannes. Estou falando de portais ou sites de conteúdo e/ou serviços. Faça um teste: Abra uns dois ou três sites desse tipo, numa página de texto, desça a rolagem até esconder o topo e veja se algum deles tem uma identidade forte, sólida, que possa ser reconhecida. Não, não tem. Pelo menos não na grande maioria das vezes. Isso vale tanto pra nacionais quanto pra sites gringos. E o design aí, como fica?

Tipografia
Sabemos que cada navegador se comporta de um jeito com as fontes que usamos. Mais suavizada aqui, menos acolá. E se falarmos entre sistemas operacionais então, aí que a coisa muda total mesmo. Os PCs utilizam fontes pequenas sem suavizar nada. Pros fãs de Mac, as letras são suavizadas. Não estou falando que um ou outro é melhor. São diferentes e nada podemos fazer a respeito. E quando o usuário dá um CTRL + no browser e tudo aumenta? E quando usamos fontes compradas pra web que essas variações são maiores ainda (e em alguns casos nem funcionam)? Fora que o tamanho dos textos pode varia pacas por serem dinâmicos, como num portal de notícias. E isso vai depender do repórter, porque o designer não terá como ver 3500 páginas por dia pra saber se estão todas ok. Ou seja, NÃO temos pleno controle total da tipografia nos nossos projetos digitais.

Cor
Dezenas (ou cententas?) de tipos diferentes de monitor. LCD, LED e até alguns remanacentes com tubo. De 15, 17, 21, 30 polegadas. Notebooks, netbooks, Macbooks, PCs e MACs. Tudo isso com uma grande quantidade de ajustes em brilho, contraste, matiz e afins. A luz do ambiente onde estão usando o computador. O número de fatores também define: também NÃO temos controle total de como os usuários verão as cores que usamos.

Pausa breve 1: concordo que temos que levar em conta nosso público alvo. Mas as variações são tantas que, se fecharmos muito o leque (e o site precisa de pageviews) a audiência que verá o projeto como se deve será de 10 ou 15% do total.

Enfim, o que quero dizer com isso até agora é que ferramentas do design não podem ser tão exploradas como deveriam ser quando as utilizamos em projetos de web. O grid é uma ferramenta interessante, que sofre nada ou quase nada com essas variações. Ou seja, o designer pode fazer um BAITA grid planejadinho, certinho e tudo a ver com o projeto. Mas não. Vai lá o fulano e pega a desgraça pronta dum grid de 960px e pronto. Vamos para a próxima etapa. Não e não! :)

Pausa breve 2: Claro, eu prefiro que se use um grid de 960px do que não se use nada. Pelo menos fica mais fácil de organizar e outra pessoa que for mexer no projeto pode ter menos dificuldade pra entender as regras visuais.

Num grid de 960px e 6 colunas, por exemplo, teremos 150px em cada coluna e um espaçamento de 12px entre elas. Por que 12px? Qual o tamanho da fonte de corpo de texto que será usada? Então como o espaçamento pode estar errado. E certamente estará. E os títulos? Imagens? E a relação grid + tipografia vai pra onde? Será que 12px resolve TODOS os problemas do planeta Terra em grids? E se não tiver wallpaper add nessa página, pra que o espaço entre as margens do navegador e a página? Essas e outras várias questões me fazem ter certeza: usar um grid de 960px faz com que o projeto web já comece sem projeto. “Mas Rogério, esse blog tem 960px! O que me diz disso?” Sim, tem. Essa foi uma medida que cheguei através de cálculos e projeto. Veio do número de palavras que eu queria na parte do post versus o tamanho base de elementos que eu colocaria na coluna da direita. O novo lay que estou fazendo é um pouco mais largo. Nada contra a medida de 960px. Ela pode ser usada. E é disso que estou falando. Usar a medida de grid que for, contanto que tenha sido planejada, não baixada dum site qualquer e levada como verdade absoluta.

Usa? Gosta? Odeia? Concorda? Discorda? Deixa aí nos comentários, então! :)

Não, não quero saber quanto tempo faz que você, amigo leitor, trabalha na área. Quero saber quando e como você se deu conta que era, atuava como designer, que estava capacitado. Sabe, aquele momento que te deu o “plim! Sou designer mesmo“? Diferente de um advogado, que se transforma num depois da prova da OAB ou um médico que ganha o diploma e “pronto”, nossa vida é diferente.

Falei com alguns amigos antes, as respostas foram bem diferentes, como momentos importantes no mercado de trabalho, na faculdade, em projetos pessoais, por conta de terceiros (como um chefe). Interessante notar que NENHUM dos meus amigos responderam rápido (alguns até “pô, Roger, pergunta difícil…”). Refletiram e relembraram esse momento, que eu julgo bastante importante na vida de um designer. Creio que, como meus amigos e eu, muitos tenham essa “chave ligada” em algum momento. Isso ajudaria pacas principalmente quem está começando inseguro na profissão e também renderia um arquivo bacana de depoimentos. Colabora? Como foi tua experiéncia de “agora sou designer”?

Aêêêê! Feliz Ano Novo a todos! :)

2010 foi um ano muito bacana pro DESIGNICES. Recebi comentários incríveis, emails simpáticos, retuitadas certeiras, troquei (e continuo trocando) ideias com ótimos profissionais que conheci através do blog, comprei livros, li, postei, pesquisei… Enfim, gostei bastante dos resultados.  Alguns posts, como por exemplo o Matte Leão rétro teve um grande número de acessos muito rapidamente. Os Presentes de Natal para designers, mesmo em pouco tempo, ganharam bastante audiência (e espero que os designers também tenham se dado bem nessa!). O primeiro grande “boom” de visitas veio com o lançamento da Revista Tupigrafia 9. Mas os posts de maior destaque do ano de 2010* foram:

5. Dez cartazes de cigarro das décadas de 1920 à 1950

Talvez o uso de bebês pedindo determinada marca e conselhos médicos que o fumo não faz mal à saúde chamou a atenção da galera pra esse post. Talvez junto com isso ainda tenha boas composições visuais e lindas ilustrações. Ou talvez não seja nem um nem outro! O que vale é que esses cartazes fizeram sucesso no Twitter e renderam o quinto lugar.

4. Cartazes “fique em silêncio” da Segunda Guerra Mundial

É bastante curioso (e triste) ver o design como arma de comunicação durante as Grandes Guerras. Nesse post a ideia é “cale a boca senão alguém pode morrer por conta do que falou”. Aí vale tudo pra informar, de soldados até cachorros…

3. Catálogo LINOTYPE Faces

Um raro catálogo de fontes da LINOTYPE dos anos 1930 que fotografei na Oficina Tipográfica São Paulo. Rolou até tuitada de blog gringo disso!

2. O que é design?

Uma coleção de definições (9 até agora) citadas de livros e vídeo sobre essa questão tão discutida. Para responder, grandes nomes como Alexandre Wollner, Beat Schneider, Lucy Niemeyer, Mônica Moura, Vilém Flusser entre outros.

1. Não piadas com designers

Foi o post que deu ao blog até agora o maior número de pageviews num único dia. É a página com mais pageviews “ever” do DESIGNICES e está regada de ótimos comentários. Quando fiz a retrospectiva esse post estava com 250 retuítes e mais de 170 likes no Facebook.

Mas e você? Qual post acha o mais bacana de 2010?
Fala aí nos comentários, vai? :)

* levei em consideração o número de pageviews, retuítes, likes do Facebook e comentários para determinar a ordem do ranking