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Coisinhas legais sobre design

Como fazer um brainstorm

Como fazer um brainstorm? Como fazer um brainstorming?

1. Tempo de brainstorming

O brainstorm é bem gostoso de ser feito mas não pode durar pra sempre. Defina um tempo pra que ele aconteça de acordo com o projeto. Nunca vi um padrão muito rígido pra isso, ora são de 10 minutos, ora de 30, ora de 60. Cada profundidade do tema deve ser abordada e tratada de uma maneira.

2. Um de cada vez

Como todos querem chover as ideias, fica bem fácil rolar uma inundação e ninguém ouvir nada com todos falando junto. É importante que cada um fale de uma vez para que todos possam compreender certinho cada uma das ideias durante o brainstorm. É um método conjunto e as peculiaridades são a diferença.

3. Foco (e nada de blur!)

A novela tava legal? O time deu uma goleada? Fale de tudo isso, mas NÃO durante o processo de brainstorming. Vai pro boteco depois, sei lá. AQUI É FOCO! A imersão no tema é necessário para que as ideias fluam com mais naturalidade e perder tempo com outros assuntos é o que chamariam de “tiro no pé”.

4. Quantidade é essencial

Fazer julgamentos ou cortar um colega durante o brainstorm não é nada interessante. É, como o nome diz, uma tempestade de ideias. Deixa chover tudo que tiver, depois verifica se dá ou não pra fazer, se terá dinheiro ou não, se o departamento de TI vai ou não entregar na data…

5. Co-criação e interdisciplinaridade

Por mais absurdas possam ser algumas ideias é importante que se trabalhe em cima delas. Mais gente trabalhando uma ideia significa mais chances dela se adaptar ao projeto e concretizar bem o brainstorm. Tornar as ideias gráficas ajuda muito a compreensão geral e misturar diferentes profissões e disciplinas também: o design thinking que o diga!

6. Censurar é censurado!

Aqui não é permitido censurar. A ditadura militar no Brasil acabou em 1985. Se quiser fazê-lo, faça em casa com teu filho, irmão menor, sei lá.

7. Documentar o brainstorm

Depois de 3 minutos de muitas ideias ninguém lembra das primeiras. Isso se repete durante todo o brainstorm. Deixe um responsável em anotar as ideias, entregue post its para cada membro, grave o áudio e/ou o vídeo (afinal de contas os smartphones devem ser usados de maneira “smart”, não?), enfim, existem mil maneiras de documentar o que foi trabalhado.

8. Tabulação das ideias

De quase nada adianta um bom brainstorm se ele não for tabulado, dividido em clusters e preparado para algo como um pós-brainstorming, onde todas as ideias reunidas, as principais escolhidas, estudadas, e organizadas para se tornarem algo concreto. É como uma peneira: tudo foi aceito mas no final sai o que é mais relevante. O que não foi usado pode ser engavetado, nunca sabemos quando podemos retomar as ideias ou juntar parte da discussão desse projeto com outro ou outros diferentes. É muito papel pra guardar? Tudo bem, organize, fotografe e mande pro lixo reciclado.

E você? Tem mais dicas para um bom brainstorm? Deixe nos comentários, vamos co-criar!

3 anos de DESIGNICES!

DESIGNICES faz 3 anos!

AEEEEEEEEE! AEEEEEEEEE! AEEEEEEEEE! AEEEEEEEEE! AEEEEEEEEE!
Mas que beleza! TRÊS aninhos na ativa!

Ok, ok, eu assumo: De 21 de setembro do ano passado pra cá foi o período menos postado do blog, é que muita coisa aconteceu nesse tempo. E muita coisa legal. O blog ganhou novo layout com os códigos mágicos do meu irmãozinho Marcelo Gorzoni e renasceu como um lindo e amável zumbi. Fui convidado para dar aulas/palestras que me demandaram muito tempo e foram extremamente prazerosas: Design de Interação para um MBA em Gestão de Projetos Digitais, Projetos Autorais no Processo Criativo para um bacharelado de design gráfico (que eu voltei depois de dois meses e, junto do Gustavo Piqueira e o professor Tadeu Costa, demos as notas para a turma) e Processos Referenciais para um curso superior de design de games.

Na parte dos livros eu fui parecerista de um muito legal da Editora Campus Elsevier, que vai ser traduzido e lançado ainda esse ano aqui no Brasil. Eu aprovei a tradução e livro aprovado é livro postado, logo mais tá por aqui. Aí fiz uma capa de livro pra Editora Record como freela. Criei vergonha na minha cara (crie também, se ainda não o fez) e subi meu portfólio no FRATIN.com.br e logo depois mudei de emprego. Criei pela primeira vez apps pra Smart Tvs, iPad e Android, além do iPhone que eu já tinha feito em outras oportunidades. O Windows 8 vai ser lançado com um app legal que fizemos no meu emprego anterior.

Ufa! Quanta coisa, né? E nesse tempo também frequentei palestras, workshops, brinquei bastante com projetos pessoais e mergulhei no Design Thinking. Enfim, foi um período legal pra cuidar da minha evolução profissional e pessoal, logo logo os resultados dessas atividades se transformam em textos e as baitas discussões legais que os leitores fomentam. E não adianta, nenhum outro blog em português de design tem tanta gente bacana quanto o meu. Que me desculpem os colegas donos dos outros blogs, mas é a mais pura verdade!

MUITO obrigado pelos acessos, pelas curtidas e pelos riquíssimos comentários. Valeu mesmo!

E claro, não é porque estamos no aniversário do blog que o post não acaba com uma pergunta, né? Então lá vai:

Qual assunto você gostaria de ver aqui no DESIGNICES para o próximo ano de atividade?

 

Por que você, designer, deve ficar atento a celulares e tablets

Web 1.0, 2.0, 3.0 ou 20.0? Sei lá em qual está agora, acho que nunca levei muito em consideração esse tipo de nomenclatura. Pra mim é tão importante quanto o conceito de Geração X ou Y: Nenhuma utilidade. Em 2005, quando me formei, não imaginei que o rumo do design digital fosse entrar tanto em experiências em suportes móveis. Muito se especulava sobre a chegada da Tv digital ao Brasil, eu acreditava nas mudanças que isso poderia causar e não me empolgava nada com o que se podia fazer com os celulares nessa época. Os smartphones não me seduziam muito até uns quatro anos atrás. A internet não era legal, era cara, os sites WAP eram terríveis e pareciam sempre ter sido feito às pressas. Talvez fossem, mesmo. A integração entre os suportes/plataformas era baixa. Que bom que esse cenário, muito rapidamente, mudou.

Apps de iPhone default da Apple

Os apps tem influenciado muito nas experiências digitais. Repare o que tem acontecido com as tablets, como são vendidas, quanto simbolizam da audiência da internet no Brasil. Olhe como Apple, Microsoft e Google tem se comportado. Note como o sistema operacional tem ficado “escondido” e os apps aparecem cada vez mais. Olha como os sistemas em si tem ficado mais focados nos apps e não no seu próprio funcionamento. Veja como um “explorer” ou um “finder”, em mobile, deve ser cada vez menos utilizado, já que se um app não lê arquivos MP3, por exemplo, não importa pra ele se o dispositivo tiver 3 ou 200 arquivos desse tipo. A Apple já trabalha nessa integração de sistemas operacionais tem algum tempo. Pesquise sobre o sistema Metro, da Microsoft, no Windows 8. A proposta é a mesma navegação e experiência num computador desktop, numa tablet como a Surface e num celular com esse sistema. O usuário aprende uma vez e pronto, tudo reconhecido, experiência com sucesso é quase que garantida. O que antes só se imaginava fazer pela web ganha a possibilidade em apps e não me refiro a instant messengers, que seria o óbvio, mas exemplifico com o app de download em alta qualidade de cartazes construtivistas russos. E aulas de mil disciplinas universitárias grátis, como o iTunes U.

Fotografias, documentação visual do mundo e inversão digital/analógico
Apps como o Instagram (que só existe pra mobile, não tem um site como o Linkedin ou Four Square) entre tantos outros de fotografia, por exemplo, sites como o Flickr ou Picasa, além do Facebook, tem ajudado a documentar o mundo na nossa era (ou pelo menos enquanto não inventarem algo melhor). As câmeras fotográficas dos celulares mais novos estão bem satisfatórias. Ainda não substituem uma máquina-fotográfica-que-é-só-máquina-fotográfica. Cada vez mais tem gente com fotos na rede. Escolhe efeitos, cores, detalhes. Aprende, bem ou mal, como melhorar a foto com efeitos simples, quase prontos. Há quem diga que isso banaliza a fotografia, eu acho tremenda bobagem. O mundo precisa aprimorar sua cultura gráfica e com isso nosso trabalho de designer vai ser mais valorizado e reconhecido. As máquinas fotográficas Lomo voltaram a vender, inclusive em território tupiniquim. Junto com a modinha rétro tem um app que simula fotos antigas e junto dele, as próprias máquinas que fazem fotos antigas. E pessoas passaram a conhecer o método analógico por conta do que foi feito no digital.

Calma, não sou adepto da ideia que tudo deve ser conectado com tudo no mundo, de geladeira USB, fogão com wi-fi e espingarda 3G que tuíta os tiros e gera estatísticas de acertos e erros no Google Docs. Me refiro a como os apps dão forma ao que veremos nos próximos anos com as interações digitais, sejam lá onde forem feitas. Até lá esperamos pra ver e curtimos o que valer a pena.

Qual tua relação com os apps? Como vê essas mudanças? Concorda? Discorda? Comente ;)

Nota: Legal essa “valorizada” da palavra app, né? Pra mim é apenas um software com outro nome…

 

A internet não-internet

Que o conceito de internet nasceu pra compartilhar informações já não é segredo nem novidade pra ninguém. Tudo bem que eram informações de guerra, mas a ideia era disseminar as informações. Claro que houve adaptações daqui e dali, muita coisa mudou, muito tempo ficou pra trás, mas a base da rede ainda é a troca de informações. É evidente que junto dessa troca de informações toda apareceram muitos conteúdos ilegais, textos, fotos, músicas e vídeos, mas acredito que processos dessa natureza devem ser revertidos depois como evolução. É só olhar as MP3 vendidas em diversas lojas online. Será que hoje em dia teríamos tocadores de MP3 em todo lugar se não tivessem sido tão ferozmente difundidas ilegalmente? Repare nos filmes alugados e vendidos direto nos dispositivos móveis como celulares e tablets, nas smart TVs, nos videogames e tocadores de bluray. E também o conceito de Torrent e tantos outros modos de passar os arquivos de um canto pra outro, como os discos virtuais, as nuvens, os emails que permitem cada vez mais armazenamento e transferência. Me lembro quando o Hotmail permitia, no máximo, 500kb por mensagem enquanto agora o Yahoo Mail, por exemplo, permite 50 vezes mais. De um modo ou de outro as informações, legais ou ilegais, pagas ou gratuitas passam de um lado para o outro.

Tenho notado que provavelmente por conta dos negócios a internet como era está virando outra coisa. Algo um pouco estranho mas que se explica na necessidade de grana, como sempre. Reparem como as informações na rede tem sido duplicada. É complicado encontrar o “vídeo original” no Youtube com tanta gente querendo ter aquilo também em seu canal, como se fosse seu. Os blogs replicam infinitamente as imagens de outros e muitos ganham com isso via publicidade. Se transformaram em pequenas maquininhas de grana e conteúdo de baixo nível de produção de conteúdos. Replicam mais que máquina copiadora, mas produzir, nada. Veja o meu, por exemplo, que porcaria. E os grandes portais? Milhões de dinheiros envolvidos em cada pedacinho deles e ainda assim não creditam com link as fontes das imagens e dos textos. Galerias e galerias de fotos são criadas com fotos provenientes de um “Salvar imagem como…“, os pageviews aumentam, os anúncios ficam mais caros e o sujeito que produziu aquilo não ganha nem um linkzinho sequer de volta. Só um texto mirrado, na maioria das vezes, de canto. Fonte: Fulano de Tal. Quem quiser que procure no buscador de sua preferência. E viva a não-usabilidade.

Não sei se minha visão é chata demais, crítica demais ou sem noção demais. Mas sei que a ideia de dividir, compartilhar conteúdo como seria bem legal, seja pago ou grátis, está cada dia mais escondida no meio dos negócios e da necessidade de ganhar dinheiro a todo custo.

Enquanto isso eu prossigo aqui, produzindo meus conteúdos e repartindo o que posso, inclusive minhas dúvidas. Alguém mais no clube?

A incrível arte de omitir elementos

De incrível isso não tem nada, muito menos tem de arte. O que é admirado nos benchmarks (aliás eu até brinco com isso aqui), a sensação de “clean” sempre colocada à mesa pelos mais empolgados, o poder de ir direto ao ponto e as facilidades do que é mais utilizado estar sempre à mão é simplesmente esquecido na hora de planejar e refinar um projeto. Coloca um botãozinho aqui, enfia uma listinha ali, arruma espaço pra um link patrocinado acolá. Em dois ou três movimentos você sai do estado inteligível quando se bate o olho num projeto e vai pro estágio esquizofrênico, cheio de opções, para atender todas as pessoas do planeta que são ou não público alvo, afinal de contas dá pra encontrar referência de tudo que é bom na internet, mas mesmo assim muita gente insiste em pegar as piores, descontextualizadas ou misturar diversos benchmarks sem o critério de adaptá-los ou reformatá-los para o projeto desenvolvido. Ou tudo junto. Na cabeça dessas pessoas tudo precisa estar presente, o que é prioridade mil e a zero. Tudo ali, pronto para alguém clicar, como se alguém fosse mesmo.

- Mas por que esse elemento tá aqui? Ele não ficava lá do outro lado…?

- Eu acho bom ficar onde está agora, eu pedi pra mudar. Por exemplo eu tenho um vizinho com sete dedos na mão direita e ele clica com mouse meio de lado, seria ideal essa opção estar aí assim.

E aí entram discussões infinitas pra não falar de nada útil.

Quando você vai à uma pizzaria e o cardápio tem 180 sabores de pizza, eu duvido que você leia todos antes de escolher. DUVIDO mesmo. Provavelmente aquele que tem 20 sabores será devidamente analisado, sem preguiça e sem demandar três horas e meia pra fazer o pedido pro garçom. E a escolha vai ser precisa, exatamente o que quer. É a valorização da diversidade sem cair no exagero. Uma pizzaria típica em São Paulo não precisa ter opções que atendam o gosto de um vietnamita que quer desfrutar de um sabor especial de pizza baseado nos sabores e ingredientes da cultura de seu pais e ainda que não tenha glúten. Se um vietnamita nessas condições quiser comer algo assim, não é numa pizzaria típica em São Paulo que ele deve procurar (e nem vai achar caso o faça). Por que num projeto digital as coisas nem sempre funcionam assim?

Eu arrisco uma resposta…

A falta de planejamento dos produtos, as reuniões que nunca resolvem nada, a falta de brainstorms feitos de maneira correta (quando são feitos…), não existir um gerenciamento efetivo dos processos criativos, a grande quantidade de profissionais desqualificados que nem sabem do que o suporte é capaz e nem o que querem de fato proporcionam quase 100% dos casos interfaces mal resolvidas e muito mais elementos que qualquer pessoa do mundo (e de for a dele também) pode analisar e clicar. O produto reflete a equipe que o fez. Mais cedo ou mais tarde isso aparece e, muitas vezes, é irremediável.

Tem alguma outra resposta pra minha pergunta? Os comentários agradecem.

Os “espaços em branco” da vida real: Cadê?

É de comum conhecimento que produtos com espaços coloquialmente chamados de “áreas de respiro” se fazem mais confortáveis visualmente para quem os consome, assim como podem proporcionar melhor percepção, entendimento e até interação, seja uma revista, um livro, um controle remoto de home theater ou um smartphone. Uma oferta muito grande de opções pode gerar confusão ou desvalorização do todo. O Mc Donald’s, por exemplo, notou lá no comecinho que se simplificasse o cardápio e padronizasse os sanduíches evitaria que os clientes tivessem dúvidas na hora de fazer o pedido e o atendente da cozinha, por sua vez, teria menos dificuldade de prepará-lo (quem quiser saber mais sobre isso dê uma olhada no livro Design de Negócios, de Roger Martin, Editora Campus. O John Maeda, em uma de suas Leis da Simplicidade, fala sobre reduzir o número de itens, só mostrar o necessário e eu sou adepto disso, acho que dá pra notar aqui no DESIGNICES a valorização do espaço em branco para a pausa, reflexão, pra retomar o pensamento e, quem sabe, arriscar um comentário. Já até fiz um post só pra falar da falta de espaços em branco na internet.

Mas e na cidade em que moramos, como isso tem se mostrado?

Tem cinco anos que aqui em São Paulo uma lei chamada Cidade Limpa removeu a poluição visual pelas ruas padronizando as fachadas e proibindo outdoors, faixas e afins. O Marco Moreira mostrou bons exemplos disso, vale conferir aqui e aqui. E o Rio de Janeiro tá entrando nessa também, para a alegria dos olhos de quem passeia e nota a cidade, sem parecer que você mora num jornal de classificados.

Acontece que se por fora houve o suposto cuidado de não nos soterrar com marcas e anúncios, aos poucos, os ambientes internos estão cada vez mais lotados de informação como se fosse pra compensar o que se proibe nas ruas. Não tem mais momento de reflexão no que foi visto, não tem mais pausa pra pensar na vida: sempre há algo pra ver, além dos smartphones pipocando notícias, emails e alertas de redes sociais em tempo integral. E esse último “sempre” usado acima se torna cada vez mais, infelizmente, quase que literal.

Perceber como a cultura visual das pessoas pode apodrecer com tamanha quantidade de informação me preocupa. Acredito até que de alguma forma prejudique nossa profissão, já que a desvalorização da exclusividade de informação (seja ela qual for, até mesmo a publicitária) tende aumentar já que segundos depois algo novo toma o lugar do que, precocemente, vai ser chamado de antigo. Em trinta minutos caminhando na hora do almoço mais de uma dezena de informações foram metralhadas na cara dos “usuários da cidade”. Impossível lembrar da primeira, da segunda, da quinta. O Metrô, que era limpo visualmente, tem até propaganda na catraca. Elevadores tem a atenção dividida entre as tvs com anúncios irrelevantes e emails (duvido que tão urgentes assim que não podem aguardar até a chegada na mesa) nos iPhones, Blackberries e Androids. Telas nas praças de alimentação. Nem escada rolante escapa mais. Tá difícil a coisa, viu?

Para mostrar o que me refiro, saí caminhando na hora do meu almoço e dando cliques com o celular (por isso as fotos não estão lá essas coisas) o que vi em poucos metros. A sobreposição e acúmulo de informações além da falta de cuidado com elas me assusta e tenho certeza que muita gente não dá mais conta disso porque foi acostumando e agora parece tudo normal, por mais absurdo que pareça.

No Metrô Linha Amarela de São Paulo, o mais nova da cidade, a sinalização é muitas vezes feita assim, com pincel atômico, com rasura e papel colado por cima. Bem legal para uma obra de tantos milhões investidos.

Cartaz de sinalização do Metro Linha Amarela

Os elevadores (à esquerda), dos poucos lugares que as pessoas não tem pra onde correr, tem telas pra tomar a atenção. E um roubo de atenção mais que idiota, nesse caso é pra falar das tais fotos roubadas da Carolina Dieckmann nua. Ao passar na catraca do Metrô (à direita) tem publicidade aplicada, afinal de contas é muito gostoso tomar iogurte na multidão.

Fotos da Carolina Dieckmann e publicidade na catraca do Metro

Essa sequência de três telões frente-e-verso (acima) mostrando as mesmas imagens é totalmente desnecessária. Por que não um só? Depois dos telões (abaixo), uma tremenda confusão de foco de informação: Sinalização do shopping no alto, telão gigante no meio e placa no chão com o horário de funcionamento (e além de tudo você tem que descer uma escada). Shopping Nações Unidas / Shopping D&D, São Paulo.

Sequência de telões no Shopping Nações Unidas

Na hora do almoço nem o cardápio escapa: O Bar da Devassa na região da Berrini, em São Paulo, remenda os preços com etiquetas à caneta. Coisa linda de fazer quando se está cercado de grandes empresas e hotéis caríssimos.

Cardápio remendado do Bar da Devassa, na região da Berrini, São Paulo

No caminho pro cafezinho um estupro visual: Escada rolante inteira envelopada da HP. Pra quem a desce não dá mais pra ver a arquitetura do lugar nem o jardim: banner da mesma campanha tapa toda a visão.

Escada rolante com publicidade da HP

Tomar um café, relaxar e se preparar para o famoso “segundo tempo” também não escapa do acúmulo de informações. Além das telas, na mesa também tem tentativas de vender mais. Essa é da Ofner.

Café com publicidade na mesa, na Ofner

Claro que existem mais N exemplos, mas acho que já dá pra parar por aqui.

Bom, pelo menos na região central/comercial aqui em São Paulo a coisa anda assim, feia. Imagino que uma hora isso vai transbordar e algo precisará ser feito. Enquanto isso não ocorre você poderia deixar nos comentários:

1. O que acha dessa enxurrada de informações?
2. Onde ir pra ter um momento de “área em branco”?
3. Como isso pode influenciar na nossa profissão?

Manda bala, tem bastante espaço em branco aqui embaixo pra você refletir ;)

Carro design, hotel design, objetos design?

Sempre vejo propagandas de “produtos design”. Produtos que nas suas próprias naturezas já são resultado de um projeto de design evidentemente envolvido com outras áreas. Daí tenho acompanhado esse carro (um belo carro da Kia, por sinal) chamado Soul e que é vendido  como “carro design”. E tem hotéis design (como o “Hotel Unique-Melancia” aqui em São Paulo), objetos design, capas de celulares e tablets design e assim vai. Tudo design. E por acaso como é um carro sem design? Existe? Os outros não tem design, então? O Fiat Uno, o Ford Ka, o Volkswagen New Beetle poderiam ser vendidos também como carros design?

Pra quem tiver na dúvida, leia antes algumas boas definições sobre O que é design, que atualizo sempre com o que encontro por aí de interessante.

Concordo que o projeto do Kia Soul é realmente diferente do que se tem por aí atualmente, o que lhe dá uma certa personalidade no mínimo exótica e as vezes, usando um lindo termo de briefings vazios, criativa. Assim como o hotel. Assim como todo o resto. Percebo que a palavra design tem sido empregada nesses casos estranhos. Seria design o termo correto? O que isso pode acarretar pra quem ouve o termo e não é da área?

Kia Soul, o carro design

No descritivo do site temos detalhes curiosos também, provavelmente propostos e lapidados por quem tem que vender a qualquer custo e não precisa nem conhecer o produto e seu entorno. Esse é o máximo: “por fora o carro esbanja estilo e seu desenho desafia conceitos”. Ah, é? Quais conceitos? Fiquei curioso.

Será que falar que um carro de projeto exótico é um carro design ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão de designer? Será que vira um sinônimo de algo criativo e peculiar ou apenas algo exótico e que não agrada todo mundo? E o restante dos carros do planeta que não seguem esse padrão, será que perdem o caráter projetual de design que eles têm? Uma Ferrari não seria um carro design também? E um Cadillac? E um Shelby Cobra? Nossa, quantas perguntas…

Ah, eu adoro o Kia Soul, acho lindo mesmo. Por sinal, se alguém da Kia ler post e quiser me dar um de presente, vou adorar. Vermelho, por favor. E pelamordedeus, já que gostam tanto de usar o design, pensem também no design principalmente o de interação do site. É ruim de dar azia.

Sei que já usei muito mais pontos de interrogação do que deveria nesse post, mas a ideia é a mesma de sempre, questionar. Então é o que vou fazer: O que você acha da denominação carro design e tudo-exótico-design? Ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão e da função do design?

Comerciais vintage de Corn Flakes da Post

Comerciais vintage são sempre interessantes. Curioso perceber as peculiaridades da falta de recurso pra fazer uma “macro”, da ausência de trilha sonora, de crianças correndo e dando cambalhotas mortais na cozinha pra mostrar a vitalidade que o produto supostamente entrega. No lugar de tudo isso tem uma moça apresentando, se deliciando com os cereais matinais e rapidamente interagindo com a voz em off. Fora as referências visuais da embalagem, da roupa, dos móveis e do ritmo do comercial. Interessante também é notar as imperfeições da caixa, como é uma caixa de verdade quando compramos, e não necessidade da perfeição utópica de tudo que vemos hoje anunciado.

Aí vieram os anos 1960, as agências de publicidade “faca na caveira” e acabaram com tudo…

Os vídeos desses comerciais foram encontrados no site www.archive.org, com conteúdo de domínio público.

Novo layout do DESIGNICES!

Aêêêêêêêê! Depois de muita enrolação aí está o novo layout do blog, não ficou uma lindeza? Desde o começo, em setembro de 2009, eu queria expor minhas ideias, atiçar discussões e exibir referências que eu curto e que não estão nos sites com seis quizilhões de acessos por dia. Eu usei dois layouts como repositório de ideias até que chegou o dia que eu precisaria pensar visualmente no projeto, ter uma identidade mais forte, sólida. E daí eu tomei algumas decisões, abri mão de algumas coisas, não arredei o pé de outras. Deixa eu falar um pouquinho do processo e dos elementos:

De 1024px para 1280px

Resoluções e menores de 1024px correspondem apenas a menos de 10% dos leitores, e mais de 30% desses usam tablets. Ou seja: se eu posso explorar um 1280px de largura, por que não? Daí já me baseei em proporção áurea pra criar as divisões em três colunas, onde uma é só pro título. Eu queria trabalhar muito o branco e os respiros, essa solução caiu como uma luva

Tipografia: Stafford Regular

É muita Arial, muita Times e muita Georgia nesse mundo dos headlines, meu deus. Aos poucos as webfonts vão aparecendo mais rápido, com menos problemas no crossbrowsing e de kerning. Aos poucos. Procurei, procurei até esbarrar numa que realmente me tocasse, me conquistasse. E foi ela, Stafford Regular, devidamente comprada, legalizada. Tudo certinho =)

Cores

Quero conforto pra leitura, os textos geralmente abusam da boa vontade dos leitores. É coisa demais pra ler (e vocês lêem, OBRIGADO!). Aí o pessoal vem e PIMBA, detona nos comentários e vem mais texto. E vocês, novamente, lêem. Acredito que dessa maneira eu consiga tornar a leitura o mínimo cansativa possível na tela.

Botões, botões, botões

Cada hora aparece algo novo, uma rede social nova, um app, tudo. Daí os sites vão ganhando cada vez mais cores, e cores. Logo tudo vira uma massaroca de coisas. É um tom de azul que não combina aqui com aquele outro. Um monte de carinhas de um lado, botão vermelho do outro. Botão que muda com o tempo e fica estranho. Chega. Aqui vai ser do jeito que eu quero, dentro da identidade do site. Aliás, somente Twitter e Facebook por enquanto, que estão funcionando exatamente como desejei. Aboli o Google PLUS. Não gosto do projeto deles e não quero ser mais um na ação do Google de povoar todos os produtos com essa ferramenta. Enquanto eles não mudarem a postura, DESIGNICES não participa dessa rede. E ponto final.

Um cara chamado Marcelo Gorzoni

Esse site só está no ar por causa de um grande amigo (designer, analista de SEO, desenvolvedor e o maior companheiro pros cafés pós-almoço de 2011/12) que além de codificar todo meu layout nos mínimos detalhes ele também me cobrava “cadê o layout? Não vai passar? Quero fazer logo, vamos subir isso, não seja um VAGABUNDO“. E eu não fui um vagabundo mesmo. Gorzoni, meu irmãozinho, muito obrigado.

Layout de comentários mais bonito

Ainda, claro, tenho coisinhas pra ajustar no blog, mas a maioria tá aí, completa belezura. Essa parte foi feita exclusivamente pra você caprichar. Pode estreá-la comentando o que achou do DESIGNICES 3.0 e sugerindo o que quiser! Topa?

Comprar livros e ler livros são atividades independentes

Ah, os livros! De design e não-de-design, todos os livros.

Eu acho uma delícia o ritual de comprar, abrir, cheirar a tinta, sentir o papel, folhear pra ter um panorama da publicação. Não tem problema se ele chega na minha mão numa livraria ou se os Correios entregam na minha casa. O prazer é o mesmo: um imponente livro novo!

Muita gente que conheço quando vai em casa ou quando falamos sobre livros pergunta:

– Mas você já leu TUDO isso?

Claro que não. Acho que nunca vou querer ler todos meus livros: sempre terei novos não-lidos. Quando lê-los, terei outros e assim temos o ciclo!

Creio que comprar um livro e ler um livro são ações independentes e que não precisam acontecer na sequência “comprar-e-ler”. Ainda mais quando se trata de um book freak como eu. Muitas vezes aproveito promoções e não vou interromper uma leitura pra encarar nos novos. Numa comparação boba: Você também come TODA a comida que compra de uma vez quando sai do mercado? Bebe TODO refrigerante? Nenhuma cerveja vai pra adega porque já foram TODAS bebidas na mesma hora? Então não queira fazer isso com os livros também, oras! Hihihi!

Livros de design Aí eu comecei pensar o que me fazia comprar um livro e qual motivação eu teria pra encarar a leitura.

Eu compro um livro quando tenho interesse direto nele ou no assunto, quando vou aos lançamentos (como a Tupigrafia 9 e a TIPOITALIA 2), quando acho num sebo algo incrível (como História da Tipografia no Brasil), quando encontro promoções insanas como as Feiras do Livro da USP e promoções nos sites das livrarias ou então quando passeio numa bookstore (física ou digital) e me deparo com algo interessante.

Eu leio um livro quando tenho a necessidade ou desejo saber sobre um tema (claro que muitas vezes começo ler logo no calor da compra), mas também de uma  curiosidade ansiosa, do saudosismo do conteúdo (um livro que na época da faculdade teve uma interpretação e agora outra, como Navegar No Ciberespaço), do momento que passo (como o Jogo da Amarelinha e A Cleópatra do Jazz: Josephine Baker).

Se o livro for físico (são esses que eu gosto) você pode emprestá-lo, dá-lo de presente, expô-lo na sua casa e o mais legal: esbarrá-lo ao acaso e redescobri-lo, quase como se fosse algo perdido por décadas, esquecido, que vem renovado e quase que com o convite gigante na capa: CHEGOU A HORA DE VOCÊ ME LER, NÉ?! Daí eu eu não me seguro: leio mesmo!

Um dia eu li em algum canto que um livro não lido tem mais valor do que um lido: você ainda tem a chance de aprender algo novo nele. Eu concordo!

E você, tem muitos livros pra ler em casa? Qual vai ser o próximo?