design, livros, tipografia e referências

Archive for the 'Designice' Category

Comprar livros e ler livros são atividades independentes

Ah, os livros! De design e não-de-design, todos os livros.

Eu acho uma delícia o ritual de comprar, abrir, cheirar a tinta, sentir o papel, folhear pra ter um panorama da publicação. Não tem problema se ele chega na minha mão numa livraria ou se os Correios entregam na minha casa. O prazer é o mesmo: um imponente livro novo!

Muita gente que conheço quando vai em casa ou quando falamos sobre livros pergunta:

- Mas você já leu TUDO isso?

Claro que não. Acho que nunca vou querer ler todos meus livros: sempre terei novos não-lidos. Quando lê-los, terei outros e assim temos o ciclo!

Creio que comprar um livro e ler um livro são ações independentes e que não precisam acontecer na sequência “comprar-e-ler”. Ainda mais quando se trata de um book freak como eu. Muitas vezes aproveito promoções e não vou interromper uma leitura pra encarar nos novos. Numa comparação boba: Você também come TODA a comida que compra de uma vez quando sai do mercado? Bebe TODO refrigerante? Nenhuma cerveja vai pra adega porque já foram TODAS bebidas na mesma hora? Então não queira fazer isso com os livros também, oras! Hihihi!

Livros de design Aí eu comecei pensar o que me fazia comprar um livro e qual motivação eu teria pra encarar a leitura.

Eu compro um livro quando tenho interesse direto nele ou no assunto, quando vou aos lançamentos (como a Tupigrafia 9 e a TIPOITALIA 2), quando acho num sebo algo incrível (como História da Tipografia no Brasil), quando encontro promoções insanas como as Feiras do Livro da USP e promoções nos sites das livrarias ou então quando passeio numa bookstore (física ou digital) e me deparo com algo interessante.

Eu leio um livro quando tenho a necessidade ou desejo saber sobre um tema (claro que muitas vezes começo ler logo no calor da compra), mas também de uma  curiosidade ansiosa, do saudosismo do conteúdo (um livro que na época da faculdade teve uma interpretação e agora outra, como Navegar No Ciberespaço), do momento que passo (como o Jogo da Amarelinha e A Cleópatra do Jazz: Josephine Baker).

Se o livro for físico (são esses que eu gosto) você pode emprestá-lo, dá-lo de presente, expô-lo na sua casa e o mais legal: esbarrá-lo ao acaso e redescobri-lo, quase como se fosse algo perdido por décadas, esquecido, que vem renovado e quase que com o convite gigante na capa: CHEGOU A HORA DE VOCÊ ME LER, NÉ?! Daí eu eu não me seguro: leio mesmo!

Um dia eu li em algum canto que um livro não lido tem mais valor do que um lido: você ainda tem a chance de aprender algo novo nele. Eu concordo!

E você, tem muitos livros pra ler em casa? Qual vai ser o próximo?

Postado por Rogério Fratin em Designice,Livro e tem (13) Comentários

Restrospectiva + TOP5 2011 e a volta do DESIGNICES

O ano foi bem bom pra mim. Saí da Editora Abril depois de cinco anos, palestrei na Cásper Líbero sobre um ebook que participei, freelei, fui pra outro emprego, conheci dezenas de pessoas legais por causa do meu trabalho e do blog, fiz cursos incríveis e acredito ter evoluído bastante. E li livros, muitos livros. E fiz posts, muitos posts. Engraçado que o post-vovô O que é design? foi o mais acessado em 2011. Os Cartazes de Cigarro de 1920 a 1950 e Cartazes de Fique em Silêncio da Segunda Guerra Mundial também foram bem. Mas dos posts feitos em 2011, aí vai o TOP5:

5. Por que você [ainda] é designer?

Muita gente respondeu e questionou qual é o real “mojo” de ser designer

4. Quando e como você virou designer?

Como tudo começou? Comentários e comentários deixaram esse post bem rico e com muitas histórias interessantes e completamente diferentes.

3. Futura-Ferrugem

O segundo experimento da série Trocadilhos Tipográficos rendeu bastante acesso e foi chamado por blogs gringos. Até no Japão teve uma editora de livros de design que seguiu o passo-a-passo e fez por lá. Depois de meses corroendo as chapas eu fotografei novamente e atualizei o post.

2. O design nas mídias sociais (no ebook grátis “Para Entender as Mídias Sociais”)

Participei desse ebook maravilhoso e muita gente fez download dele por aqui. Aliás, você já fez? Demorô, o trabalho da Ana Brambilla foi nota 1000. Por conta desse livro veio o post Paradigmas gráficos no design pra web, não foi TOP5 mas teve bons acessos.

1. Cada vez que um designer…

O meio-post-meio-brincadeira agradou bastante gente, incomodou alguns e bombou de comentários. Foi, de longe, o primeiro lugar.

;)

A volta

A volta do DESIGNICESO DESIGNICES parou em outubro, mas junto dessa retrospectiva ele vai voltar. Com força total? Não sei ainda, mas vai voltar. Aliás, voltou! Descobri que não consigo ficar sem o blog. Não consigo ficar sem postar. Um dia eu procuro ajuda profissional pra resolver isso, hihihi!

Passei meus últimos dias do ano de 2011 inteirinhos arrumando o novo visual depois de um bom tempo sem andar nada com isso. No final das contas meu tema ferrou o WordPress e não havia gnomo no mundo que fizesse funcionar de volta. Tive que pedir restauração do backup, inclusive. Mas nada disso importa. Não tem layout novo mas tem muitas ideias novas, DESIGNICES de volta e vamo que vamo. As suas sugestões podem cabem muito bem nos comentários, não?

MUITO obrigado a todos pela força, valeu mesmo. E vamos juntos, novamente.

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (6) Comentários

o DESIGNICES vai parar um pouco

Pois é. Vou parar um tempo. Não sei se um mês, dois ou cinco, mas preciso. O blog precisa de um cuidado com o estrutural, conceitual, tudo precisa ser pensado novamente, com mais carinho e dentro da minha atual realidade, ganhar uma [nova?] cara, faxina nos posts que ficaram perdidos no tempo e não mais fazem sentido. Como sou sozinho nessa, o tempo que levo pra fazer o UX, layoutar e programar tudo, fazer os ajustes de SEO… É coisa pra caramba. O DESIGNICES vai parar um poucoEstruturar o conteúdo, bater as fotos, criar as imagens, transformar tudo isso em posts e me preocupar com todo o redesign do blog ficaria, pra mim, inviável.

Esse, provavelmente, será o último post antes do DESIGNICES 3.0. Digo provavelmente porque pode ser que aconteça alguma coisa [MUITO] extraordinária. O meu twitter [http://twitter.com/rfratin] vai continuar bem ativo com o que há de mais legal na minha timeline e tudo aquilo que cavoco e encontro nos sites por aí, principalmente dos meus grandes amigos. É provável que vez ou outra eu requente um postzinho daqui ou dacolá, cartazes, livros ou boas discussões, pra matar a [minha] saudade. Espero vê-los com conteúdo e layout novos ainda nesse ano.

E como o mais legal daqui são os comentários, não poderia deixar essa pausa acontecer sem eles. Sem muitos deles! Uma pergunta com um toque de “me ajude“:

Quais sugestões pro novo DESIGNICES, seja em layout, temas dos posts e suas profundidades?

Outras sugestões e tudo que puder melhorar o blog serão bem-vindo. Abuse dos comentários, vou precisar mesmo deles pra desenhar o novo.

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (11) Comentários

Sou enfermeira e quero fazer pós em design pra mudar de área

A senhorita que vá fazer a sua pós-graduação em design e mudar de área com isso no raio que o parta.

Obrigado.

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Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (22) Comentários

O ego do designer

O ego do designer. Foto: Rogerio Fratin

Há alguns anos que procuro identificar junto de profissionais de outras áreas, como jornalismo, desenvolvimento, marketing, publicidade, contabilidade, os principais problemas que existem junto de nós, designers, e a relação com nosso trabalho. As respostas sempre passeiam entre horários de entrada e saída, de falta de tato na hora de conversar, de vivermos em um mundo paralelo, mas o fator mais significativo [segundo as dezenas de pessoas que papeei] é o EGO do designer. É, EGO inflado. Aquele sentimento demais da conta que torna uma peça intocável, como uma obra de arte única, Renascentista. Confesso que eu mesmo já fiquei de bode de ego de designers que convivi, acredito que você também. Entretanto, não poderia ser preciso em dizer que nunca dei motivos pra acharem isso de mim. Me policio muito em relação a isso, mas pode ter escapado e eu nem me liguei. O Chico Homem de Melo fala disso no livro Os Desafios do Designer, e um dos parágrafos pode ser lido aqui.

De qualquer maneira, isso que eu chamo de EGO inflado pode ser muita coisa, inclusive a nosso favor, por exemplo para proteger as peças que desenvolvemos de avalanches de modificações pelo EGO inflado de outras profissões.

Mas e aí, como tratamos disso? O EGO inflado do designer é algo a ser corrigido, é apenas parte da profissão, uma defesa ou minha “pesquisa” tá errada? Detone nos comentários!

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (11) Comentários

O ensino de design e os “professores-vintage”

Me interesso bastante pelo meio acadêmico. Vira-e-mexe eu dou uma palestrinha aqui, faço banca de TCC (trabalho de conclusão de curso) ali, leio trabalhos de estudantes acolá. É uma boa maneira de me manter atualizado e não deixar a “pegada acadêmica” se perder no tempo. E me lembro da época que estudava a faculdade de Design Digital. E me lembro dos professores que tive, diversos deles muito bons, não somente que me ensinavam fundamentos do design, mas como aqueles que me encorajaram a ler filosofia, conhecer a cultura e a socidade, ver um filme europeu. Decerto que esse período foi um dos mais transformadores da minha vida.

Mas no meio de tanta boa vontade e dedicação de vários lá estava ele: o “professor-vintage”. Ok, “professor-vintage” é um apelido meigo e irônico pra um tipo específico de profissional que, pelo que tenho acompanhado, cresce assustadoramente em quantidade nas instituições de ensino. E não tem um único foco de atuação, eles atacam todas: as mais tradicionais, as moderninhas-inovadoras e as uni-bocas-de-porco. Mas o que seria, de fato, o “professor-vintage”?

Professor-vintage é aquele sujeito que até pode parecer que conhece algo no começo, só que logo é desmascarado. Pode ou não ser showman. No caso de ser, alguns alunos o idolatrarão para sempre, sem se dar conta. É aquele que não atuou no mercado, não pode falar a respeito. Mas fala. É aquele que não tem conhecimento acadêmico pra nos transmitir e proporcionar experimentos livres de influências mercadológicas. Mas transmite e proporciona. É aquele infeliz que te passa livros pra ler da época que foi aluno sem nunca tê-los questionado. Sorte a sua se o professor dele não for um professor-vintage também, senão tu tá lascado, meu amigo: leu coisas que não fazem sentido há anos. Penso nas indicações de livros de design que tive na faculdade, logo no início do curso, em 2002. Acho que não aproveitaria nada ou quase nada. E nem é tão difícil ter essa noção: basta entrar numa boa livraria e futricar umas prateleiras. Dezenas de livros de cada assunto, coisa que 10 anos atrás era muito mais difícil. Fundamentos do design? Muitos de qualidade, de diversas editoras. Traduções minunciosas e cuidado com o papel, encadernação, tudo nos mínimos detalhes. Eu acho atualmente um tremendo absurdo recomendar o livro “Design para que não é designer” (da Robbin Williams) para iniciantes da área, já que temos “Novos fundamentos do design” (da Ellen Lupton), “Ensopado de design gráfico” (de Timothy Samara) ou “Layout” (de Allen Hurlburt) fáceis de serem encontrados em qualquer livraria física e online. Tipografia? Temos de dúzias. Mas ler seria uma tarefa muito chata para nosso astro enganador. É aquele que se contenta com seu conhecimento antigo e só se vale disso, nunca se atualiza. É do tipo que vangloria desse fato com o valor de um artefato vintage (aliás, sabe qual a diferença entre vintage e rétro?). É um charlatão que gosta de ser bajulado pelos alunos, de ser chamado de professor, de falar que é professor da instituição tal. Muitas vezes os professores-vintage falam com tanta convicção que só damos conta da falta de conhecimento do sujeito anos depois, quando estamos no mercado de trabalho [ou em meio acadêmico, dependendo do caso]. É aquele que deixa alunos com falhas de aprendizado por conta de sua incompetência e falta de respeito pelo tempo e grana dos alunos, pela instituição e pelo seu cargo.

Só na minha época (e na minha profissão) tinham professores assim? Você tem (ou teve) algum professor-vintage? Os casos serão bem-vindos (sem citar nomes nem as instituições, por favor) nos comentários.

 

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (14) Comentários

2 anos de DESIGNICES!

Quando eu notei: PIMBA! O blog faria dois anos e nem tempo de fazer um especial eu consegui. Também pudera, passou tão rápido. Mas foi bem legal.

DESIGNICES: 2 anos!Durante o segundo ano do DESIGNICES muitas coisas novas surgiram, como os posts mais “engraçadinhos” que deram picos de acesso e ainda ficam no top5 dos últimos 365 dias, como as Não-piadas com designers e o recordista Cada vez que um designer. Essas brincadeiras eram pra espantar um pouco o teor carrancudo e rabugento que eu passei com o Ícones, conceitos e mudanças tecnológicas. Muita gente legal contou nos comentarios Como/quando virou designer [você já? vai lá e comenta, oras!]. Profissionalmente eu também mudei: Deixei a Editora Abril, depois de quase 5 anos, pra freelar e tocar projetos pessoais, mas logo depois entrei no Terra Networks e minha vida institucional voltou.

Também começaram os experimentos tipográficos. O mal-sucedido TRIPOGRAFIA foi legal, mas enojou alguns, em compensação o FUTURA FERRUGEM foi até pra seleção de trabalhos em sites nacionais e gringos.

Outro acontecimento muito importante foi a palestra “pocket” que fiz na Faculdade Cásper Líbero pra falar de um ebook. A galera de lá foi tão bacana que fiz o post Paradigmas gráficos do design pra web, pra continuar a saudável discussão.

Pra quem gosta de coisinhas com cara de antigas também teve bastante material e o maior sucesso foram as lindas latinhas de chá Matte Leão Rétro.

E os cartazes antigos? Nossa, foram muitos. Todos com algo relacionado ao que gosto, como os Cartazes vintage de circo.

Curioso é ver conteúdo requentado rendendo acessos e comentários. O post-piada Dicionário de marketing para designers, de 2009, teve um baita monte de acessos do nada esses tempos. Vai entender, né? O que é design?, onde uso definições com as referências dos livros, é o post mais lido do último período de um ano.

E quanta gente legal veio opinar aqui, hein? Nossa, perdi a conta do números de comentários que o blog teve. E comentário DE VERDADE, parrudos, embasados. O povo daqui não gosta de falar apenas “Ai, adorei!” ou “Lindos!” como tem nos blogs miguxos de esmaltes de unha. Tive a sorte de ter leitores nota 1000 que turbinaram o blog, somaram no Twitter e participaram bastante no Facebook. Muitos emails, muitos contatos, tudo gente boa.

Me desculpem por não ter o SUPERESPECIALMEGABLASTERDESIGNICES2ANOS, mas prometo pro terceiro aniversário. Até lá sigo com a ótima companhia que sei que tenho aqui.
Muito obrigado!

AAAAAHHHHH! Achou que ia passar por aqui sem ter que falar nada? Ra, ra, ra. Imenso engano! Mas hoje pego leve:
Qual o post mais bacana do segundo [21/09/2010 - 20/09/2011] ano do DESIGNICES, hein?
O sistema de comentários está aquecido, prontinho para trabalhar bastante!
;)

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (10) Comentários

O design aplicado na web precisa, desesperadamente, de mais espaços em branco

É, não tem nada aqui, mesmo. Mesmo, mesmo. Foi só uma piada baseada na minha indignação do formato “Tetris” que os layouts de sites de conteúdo usam. Espaço em branco é visto como “possibilidade de alguma coisa entrar ali”, simplesmente pra não ficar “muito branco”. Ser simples está muito complicado, a publicidade só falta querer escrever junto dos textos das matérias pra vender, dezenas de informações devem dividir espaços nobres nos templates e todas são principais. É como ter uma página com todo o texto em negrito. Os destaques somem, tudo vira um mingau de conteúdo, consumido por ninguém.

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Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (7) Comentários

Livrarias online: Cadê os livros de design?

Quem já acessou a página inicial desse blog deve ter percebido como eu gosto de ler livros de design e comentá-los. Até leio bastante coisa sobre outros assuntos, mas aqui [por motivos óbvios] eu foco nos livros de design. Tão bacana quanto comprar os livros é encontrá-los. Pode ser lendo a bibliografia recomendada de alguma publicação que eu gosto, pode ser pela indicação de algum amigo, mas o mais comum é esbarrar com eles nas grandes livrarias físicas. E o procedimento é bem simples: Eu entro na livraria, procuro a seção de design [quando tem…] e fico fuçando nas publicações. Existem, claro, aqueles títulos mais populares [e muito bons, na maioria das vezes], só que é mais divertido quando aquele livrinho escondido na prateleira surge, você estranha, abre, folheia e se surpreende, não é? Quase uma recompensa pela dedicação de revirar e xeretar tantas capas e lombadas. Foi assim que eu encontrei pérolas, como o Livro dos Coelhos Suicidas e o Good Husband Guide.

No geral as livrarias online são mais baratas do que as físicas e claro, muito mais cômodas pra comprar. Nessa nossa falta de tempo generalizada, em 3 minutos você vai até o site com o valor mais barato, pede no cartão de crédito e pimba! Em poucos dias chega pelos Correios. Isso quando se sabe do livro. Mas e quando precisamos comprar um livro nas lojas online? Como seria a versão digital dessa busca pelas publicações? Como encontrar títulos diferentes dos convencionais?

Notei algumas dificuldades em lojas escolhidas aleatoriamente e então resolvi fazer uma [simples] metodologia pra analisar esse tipo de serviço. As tarefas:
I. Chegar na página principal [geralmente suma subhome] de livros da loja
II. Procurar pra ver se existe uma seção [a "estante"] de livros de design
III. Buscar pela palavra DESIGN na seção de livros
IV. Clicar no primeiro resultado e analisá-lo quanto a relevância na busca e qualidade do resultado, os detalhes do livro e informações/outros livros relacionados

Importante:
1. Por motivos óbvios eu não executei o teste nos sites das editoras nem na 2AB, que é especializada em livros de design.
2. Claro que existem muito mais sites de livrarias, mas fiz apenas nos que mais frequento e compro.
3. Mantive os prints inteiros, com a barra de endereços com a URL, barras de rolagem etc. Acredito que dessa maneira os fluxos fiquei mais fáceis de serem compreendidos.
4. Essas interfaces foram “printadas” em 05/08/2011. É provável que com o tempo, a chegada de novos livros e término do estoque de outros, a ordem dos resultados mudem. Não vou atualizar aqui se uma ou outra livraria mudar a ordem, já que mais cedo ou mais tarde outros livros – mais ou menos relevantes – podem aparecer no topo da busca. A ideia é documentar o que testei.

Livraria Cultura

O site já começa com a home de livros, mas não mostra as categorias.

Livros de design na Livraria Cultura - 1

 

Basta um mouse over no link “livros” do menu horizontal para que as categorias sejam exibidas. O site da Livraria Cultura tem a categoria Design gráfico e industrial.

Livros de design na Livraria Cultura - 2

 

Quando é buscada a palavra design, o primeiro resultado é SACRED BUILDINGS – A DESIGN MANUAL, um livro importado da categoria ARQUITETURA. Estranho esse livro ser relevante para a busca. Além de nem ter a imagem da capa, a categoria com mais resultados de busca é DESIGN GRÁFICO E INDUSTRIAL e não a de ARQUITETURA.

Livros de design na Livraria Cultura - 3

 

Na página do livro não tem descrição nem indicações de outros livros, nem relacionados.

Livros de design na Livraria Cultura - 4

 

FNAC

A subhome de livros da FNAC não mostra as categorias abertas. Nada de design à vista por enquanto.

Livros de design na Fnac

 

No mouse over do link “livros” o sistema mostra as categorias, não tem design.

Livros de design na Fnac

 

Para a busca da palavra design o resultado é HISTÓRIA DO DESIGN GRÁFICO, de Phillip Meggs, um ótimo livro. Interessante é notar que o segundo é o Novos Fundamentos do Design, da Ellen Lupton; e o terceiro é DESIGN RETRO – 100 ANOS DE DESIGN GRÁFICO, a primeira rolagem dos resultados é bem relevante.

Livros de design na Fnac

 

Na página do primeiro resultado da busca um dado falho-curioso: no breadcrumb o DESIGN fica dentro da categoria ARTES. Embora exista uma relação, discussões, diferenças e blablablás a respeito, DESIGN também poderia estar em alguma outra categoria, como COMUNICAÇÃO E LINGUÍSTICA. Acredito que deixar DESIGN onde ele está não é a melhor opção. Poderia, sim, deixá-lo junto das opções do menu. Na página do livro existe descrição da publicação e livros relacionados na parte “Clientes também compraram”.

Livros de design na Fnac

 

 

Americanas

A subhome de livros já mostra as categorias todas abertas. Nada de design nas categorias.

Livros de design na Americanas.com

 

O primeiro resultado de busca para design é NAMORICO, de JOANA D’ARC TORRES DE ASSIS. Não vi a palavra design em lugar algum nesse resultado. Nos filtros da esquerda podemos notar que existem 12940 resultados para design em INFANTO-JUVENIL, 6072 para MEDICINA, 11174 para DIREITO. Existem problemas graves nesse resultado de busca, não? O segundo resultado é um livro de design em espanhol. Não conheço esse título, mas tenho certeza que não é mais relevante do que vários bons títulos em português.

Livros de design na Americanas.com

 

Na página do livro encontrado também não tem a palavra design. Na descrição a categoria é INFANTO-JUVENIL.

Livros de design na Americanas.com

 

Outro detalhe bem interessante são as sugestões: Máquinas de lavar! Ou seja, você quer comprar um livro de design e, além de não encontrar dessa forma, ainda recebe terríveis sugestões.

Livros de design na Americanas.com

 

Submarino

Na subhome de livros podem ser feitas buscas pelo título, autor, editora ou seção, além de sugestões de autores mais populares.

Livros de design no Submarino

 

As categorias aparecem abertas, e como na Americanas.com não tem design entre elas.

Livros de design no Submarino

 

Mesmo escolhendo a opção LIVROS e não LIVROS IMPORTADOS, os primeiros resultados são de publicações estrangeiras. LOGO DESIGN, da TASCHEN é o primeiro. Até são livros que podem despertar algum interesse, mas não respeitam a regra definida na hora de realizar a busca. Vale também olhar que no Submarino existem mais livros de INFORMÁTICA do que de ARTES, por exemplo, para uma busca da palavra design. Note que ele também mostra resultados de DESIGN em CAMA, MESA E BANHO.

Livros de design no Submarino

 

Na página do primeiro resultado da busca a descrição é toda em inglês, consta que o livro é nacional e não apresenta categoria. Ele define que a tag mais usada pra definir esse livro é ESTUDO, com 8 ocorrências. Nos livros relacionados ele mostra como CONFIRA MAIS MUSEU [?] e livros com esse assunto. Seria LOGO DESIGN, para o Submarino, um livro sobre MUSEU?

Livros de design no Submarino

Importante: Busquei outros livros de design no Submarino e verifiquei a categoria que eles se encontram. Não existe coerência. O livro das Edições Rosari, Linguagens Do Design: Compreendendo o Design Gráfico, por exemplo, aparece na categoria GERAL. O mesmo apareceu para livros de TIPOGRAFIA.

Saraiva

A home de livros da Saraiva começa com a busca detalhada de livro na esquerda e com todas as categorias abertas.

Livros de design na Saraiva

 

Não existe DESIGN na lista de categorias

Livros de design na Saraiva

 

Quando se busca DESIGN, ele mistura tudo, DVD [que inclusive aparece com mais resultados no filtro], livros, livros importados, audiobooks. Tem resultados pra DESIGN até em livros de AGROPECUÁRIA, TURISMO e produtos em INFORMÁTICA/TECNOLOGIA

Livros de design na Saraiva

 

O primeiro resultado é DEXTER – DESIGN DE UM ASSASSINO. Obviamente não é o tipo de livro que procuramos. A categorias é LITERATURA ESTRANGEIRA/ROMANCE. Note que não existe DESIGN no descritivo do livro e as indicações de “compre junto” são para mais livros aparentemente dessa coleção.

Livros de design na Saraiva

Nobel

A home do site já começa com uma seleção de livros, na subhome específica tem outras opções.

Livros de design na Nobel

 

As categorias aparecem abertas, assim como as editoras. Inicialmente achei que não haviam mais editoras que a NOBEL trabalhava, mas depois, com buscas específicas, descobri que tem várias mais e que eles simplesmente não listam e nem colocam algo como “ver todas”.

Livros de design na Nobel

 

O resultado de busca mostra que existem livros em categorias “perdidas no limbo”, repare que a última que ele mostra é PUBLICIDADE, DESIGN E ARTES GRÁFICAS. Aliás, reunir PUBLICIDADE e DESIGN numa mesma categoria é bem estranho, incoerente. Note também que nas editoras apareceu a 2AB, que não estava na lista anterior.

Livros de design na Nobel

 

O primeiro resultado de busca é o DESIGN GRÁFICO VOL. 02 – PHOTOSHOP, um livro de técnica ferramental e não mostra categoria alguma. O breadcrumb está como HOME > NOBEL > DESIGN GRÁFICO VOL 02. NOBEL, ali no meio, seria uma categoria? Sinceramente não entendi.

Livros de design na Nobel

Martins Fontes

A Martins Fontes tem um detalhe curioso: CADA uma das suas lojas tem um site. Eu testei na que tem perto de onde moro [a São Paulo - Cerqueira César]. As categorias aparecem na lateral, mas DESIGN não é exibido.

Livros de design na Martins Fontes

 

Eles colocaram a categoria DESIGN E DECORAÇÃO na lista, mas só mostra depois de clicar em “+ veja todos”, no final da lista. Outro agrupamento infeliz dos produtos de design.

 

Livros de design na Martins Fontes

 

A busca encontra, como algumas livrarias que analisei, DESIGN em diversas categorias, entre elas DIREITO, ESOTERISMO, AGRICULTURA E PECUÁRIA. A que mais tem resultados é DESIGN E DECORAÇÃO.

Livros de design na Martins Fontes

 

O primeiro resultado de busca é bem relevante: DESIGN GRÁFICO – UMA HISTÓRIA CONCISA, de Richard Hollis, um bom livro, mas com bem pouca informação a respeito. Geralmente colocam uma ou duas linhas, inclusive quando os livros são da própria Martins Fontes, como o DAS COISAS NASCEM COISAS, de Bruno Munari.

Livros de design na Martins Fontes

Siciliano

A Siciliano segue a linha da maioria: Subhome de livros com todas as categorias abertas. Não tem DESIGN.

Livros de design na Siciliano

 

A busca, como na Saraiva, se perde em diversas categorias, como CIÊNCIAS EXATAS, ECONOMIA, CONTABILIDADE.

Livros de design na Siciliano

 

O primeiro resultado, também como na Saraiva, retorna DEXTER – DESIGN DE UM ASSASSINO em primeiro. O terceiro resultado, DESIGN THINKING, até é bem interessante, mas muitas vezes passa em branco por não estar no topo, assim como os buscadores da web.

Livros de design na Siciliano

Repare nas indicações de livro, todas relacionadas ao tema do Dexter, livros que viraram seriados e coisas do tipo.

Livros de design na Siciliano

 

E onde você quer chegar com isso, Fratin?

Bem, sinceramente se minha amada vozinha Maria Tereza ainda fosse viva, BEM provavelmente ela não saberia dizer o que seu neto mais velho faz da vida. Nem o meu vô Antonio. E isso não me incomoda. O que me chateia é saber que quem Relação de assuntos de livros da Biblioteca Nacionalfaz diferença pra gente, como as livrarias, não estão preparadas pra atender nossas demandas. Nem sabem quais são. No site da Biblioteca Nacional, entre os assuntos disponíveis, não tem design, mas tem ARTES GRÁFICAS, que e muito melhor do que DECORAÇÃO ou PUBLICIDADE, não? Os funcionários vendem livros de design e não sabem do que se trata. Não, não precisa ser expert no assunto, só saber o mínimo, coisa que poucas testadas sabiam. Imagina que uma mãe, tia, namorado pretende comprar um livro de design de presente? É provável que eles façam bem parecido com o “caminho” que fiz na busca dos sites. Se eles não acertassem um ou outro site que retornou um resultado interessante, você ganharia o livro do Dexter ou então o Namorico. Mas alguém pode dizer “Ah, mas ele tá procurando a palavra design apenas, e isso aparece em muitas categorias”. Não deve aparecer. Então quer dizer que se eu buscar a palavra AUTOR ou ISBN ele deve retornar todos os livros, já que em todos tem esse termo?

PAUSA MEDONHA: Na dúvida eu fiz esse teste em alguns dos sites que testei. Pasme. SIM, eles retornaram TODOS os livros… Não prossegui para testar as demais para não intervir na minha sanidade mental.

Encontrar bons livros de design no período que fiz graduação era bem mais complicado e caro do que agora. Hoje temos uma infinidade de títulos para fundamentos do design, tipografia, referências visuais, livros de artigos, tudo. Não deixá-los “acháveis” é algo que não deve/pode acontecer. Se você tem, como eu, a cultura de fazer compras online, tem muito menos chances de achar bons títulos do que indo na loja física e geralmente pagando mais caro. Design não é decoração, nem publicidade. Algo tem que ser feito.

Gostaria que esse estudo fosse visto pelas livrarias que citei – e outras que nem testei – e que nos dessem respostas nos comentários. Como isso é um pouco difícil, pelo menos meu registro foi feito.

Deixo duas perguntas aqui, peço a gentileza de ajudar nos comentários:
1. O que achou desse estudo?
2. Quais seriam os três livros de design mais importantes que mereceriam aparecer no topo de um resultado de busca coerente?

Sei que o post é grande e demorado pra carregar. Obrigado por ter chegado até aqui
;)

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (10) Comentários

A ética do designer

Já promovi discussões sobre os micreirosregulamentação, e os motivos de se manter designer. Mas quais seriam os limites da nossa profissão? Até onde é digno, ético chegar? Comecei olhar para os arredores, para os profissionais à nossa volta e questionar seus comportamentos e perceber se eram ou não éticos. Quais seriam os limites?

Não é ético para um jornalista (e nem para o jornalismo como profissão, eu acredito) deixar de noticiar os escândalos que envolvem uma corporação simplesmente porque ela é anunciante da publicacão que ele trabalha. Ainda com os jornalistas, não é ético prometer nas capas das revistas dietas mágicas que podem trazer problemas de saúde para quem as segue, simplesmente porque a palavra “barriga” aumenta em 20% a venda de uma edição. Para um médico, não acho ético indicar um medicamento porque existe uma recompensa em dinheiro (uma comissão) pela venda do remédio indicado, nem fazer seus pacientes que tinham horário marcado esperarem uma, duas horas depois da hora acordada. Não é ético para um professor indicar livros só porque foram escritos por pessoas conhecidas ou porque a editora o suborna com dinheiro. Um apresentador de programa de televisão não é ético quando usa mulheres de enfeite nos palcos, como vasos de planta ou móveis decorativos. Enfim, se eu fosse escrever aqui tudo que não é ético, provavelmente esse texto só iria pro ar daqui muito tempo. Acredito que já tenha dado pra pegar o “tom” do que quero questionar.

O que é ético pra um designer?

Antes de tudo, o que é ética?

Pelo dicionário Michaelis online:
1 Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. 2 Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; deontologia.

Pelo dicionário online Aulete, a definição é bem próxima:
1. Parte da filosofia que trata das questões e dos preceitos que se relacionam aos valores morais e à conduta humana. 2. Conjunto de princípios, normas e regras que devem ser seguidos para que se estabeleça um comportamento moral exemplar.

Agora sim, prossigo:
Não dá pra achar que tudo que fizemos é lindo, perfeito pro mundo, né? Fazer propaganda de produtos que prejudicam à saúde? Criar folderes, santinhos, vídeos para políticos com sérios problemas judiciais? Ajudar as vendas de comida rica em gordura trans, colesterol, açúcar? Isso tudo é “legal”? Não, não vou aceitar a justificativa do tipo “eu só fiz a propaganda, compra quem quer” que isso não cola. Vivemos num mundo que as pessoas acreditam cegamente nas revistas, nos jornais e na televisão. Quando você participa de algum desses trabalhos tenha certeza que muita, mas muita gente compra o produto porque viu o comercial. E sim, a culpa também é sua. Fez campanha pra vender carro chinês de péssima qualidade que tenta se apoiar em seis nos de garantia pra fingir que é bom? Fez diagramação de livro com ideal nazista? Fez a placa que deixou a criancinha com vontade de se entupir de lixo no fast food? Então tem culpa. Mais gente obesa? Você participou. Idiotas batendo em gays na Avenida Paulista? Você participou.

Ok, aí podem vir as justificativas (com razão) que seria um trabalho impossível se o designer (e todos os membros da equipe preocupados com a ética) analisar todas os setores da empresas que fazem parte da carteira de clientes da agência, escritório, editora. Claro, isso seria impossível. Mas não é disso que falo. Me refiro àquelas empresas descaradas, que todo mundo sabe que não valem nada e fingem que tá tudo certo. Aquelas que estão em escândalos ambientais, aquelas que usam trabalho de colheita escravo. E fazer capa do CD e DVD pro pagodeiro-traficante? Seria ético promover que as pessoas consumissem esse tipo de coisa? E fazer a marca, a embalagem e o site de uma empresa de tabaco?

E nem entrei nos méritos da ética para com fontes tipográficas, fotos, vetores e ícones roubados. Deixo esses assuntos pra outro texto.

Tudo bem, nos comentários poderão aparecer justificativas como “eu não me preocupo com isso, só quero entrar, trabalhar, voltar pra casa e ter o salário no final do mês”. A história do design nos mostra que nossa profissão ajudou com uma baita força o consumismo louco, a cultura de massa, o capitalismo. E isso tudo, pra mim, não tem mais cura. Talvez dê para ajustar aqui e segurar um pouco acolá, mas sanar, não. E se as consequências dessa falta de ética de hoje representarem problemas de mesma grandeza ou maiores no futuro?

Nossa, acho que já usei interrogações demais nesse texto. Então coloco a última: como você vê a ética na profissão do designer?

Abuse dos comentários ;)

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Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (18) Comentários