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Archive for the 'Designice' Category

15 cartazes vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Cartaz vintage de cigarros Camel

Esses cartazes e muitos outros fazem parte da exposição da Stanford Medicine School.

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Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (3) Comentários

O que é design?

Reuni respostas em livros pra essa pergunta, talvez a mais debatida e menos respondida nos cursos de design.

O que é design? Por Alexandre Wollner

O pioneiro do design no Brasil definiu design no livro “Textos Recentes e Escritos Históricos“, das Edições Rosari, página 91:

“Uma definição de design… É muito difícil, porque a evolução da linguagem, dos elementos técnicos é tão rápida que se fala de uma coisa hoje e ela é diferente amanhã. Mas a gente pode dizer que é dimensionar uma estrutura onde todos os elementos visuais nos vários meios de comunicação visual. Não é só fazer uma marquinha sem se preocupar com o comportamento que essa marca vai ter em todo o contexto, não só da indústria, mas também da comunicação visual. Ela precisa estar baseada em toda uma estruturação e prever aplicações bastante coerentes. Essa  é a proposta do design, que não está preocupado com a estética, mas com a função, com materiais, com a ergonomia visual, com aplicações planas e não planas. Deve saber, por exemplo, como uma embalagem redonda se comporta, como ela pode ser fragmentada e como a públicidade vai ser usada dentro dessa estrutura. Um trabalho de design gráfico deve durar no mínimo vinte a trinta anos, Um logotipo não perde a atualidade, e a potencialidade está em torno desse sinal, desse elemento”.

Já no livro+DVD da Cosac NaifyAlexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” (leia o post) tem um capítulo guardado só pra essa questão. O video a seguir é desse DVD, cedido gentilmente pela sua produtora, a Tecnopop (www.tecnopop.com.br)

O que é design? Por Beat Schneider

O professor de história da cultura e do design define design em sua obra “Design – Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico”, página 197, da Editora Blücher:

“Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores”

O que é design? Pelo Dicionário Michaelis

(dizáin) sm (ingl)
1 Concepção de um projeto ou modelo; planejamento.
2 O produto deste planejamento.

O que é design? Pelo Dicionário Houaiss

Rubrica: desenho industrial.
1. a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), esp. no que se refere à sua forma física e funcionalidade
2. Derivação: por metonímia.
o produto desta concepção
3. Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
m.q. desenho industrial
4. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho-de-produto
5. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. programação visual
6. Derivação: por extensão de sentido.
m.q. desenho (‘forma do ponto de vista estético e utilitário’ e ‘representação de objetos executada para fins científicos, técnicos, industriais, ornamentais’)

Locuções
d. gráfico
Rubrica: desenho industrial, artes gráficas.
conjunto de técnicas e de concepções estéticas aplicadas à representação visual de uma idéia ou mensagem, criação de logotipos, ícones, sistemas de identidade visual, vinhetas para televisão, projeto gráfico de publicações impressas etc.

Etimologia
ing. design (1588) ‘intenção, propósito, arranjo de elementos ou detalhes num dado padrão artístico’, do lat. designáre ‘marcar, indicar’, através do fr. désigner ‘designar, desenhar’; ver sign-

O que é design? Por Mônica Moura

Na página 118 do livro “Faces do Design” (leia o post) das Edições Rosari, a designer, artista plástica, mestre e doutora Mônica Moura define:
“Design significa ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir. Criar, desenvolver, implantar um projeto – o design – significa pesquisar e trabalhar com referências culturais e estéticas, com o conceito da proposta. É lidar com a forma, com o feitio, com a configuração, a elaboração, o desenvolvimento e o acompanhamento do projeto”

O que é design? Por Vilém Flusser

Em “O mundo codificado“, da Cosac Naify , o autor define primeiro a palavra design como verbo e substantivo, na páigna 181:

“Em inglês a palavra design funciona como substantivo e verbo (circunstância que caracteriza muito bem o espírito da língua inglesa). Como substantivo significa entre outras coisas: ‘propósito’, ‘plano’, ‘intenção’, ‘meta’, ‘esquema malígno’, ‘conspiração’, ‘forma’, ‘estrutura básica’, e todos esses significados estão relacionados a ‘astúcia’ e a ‘fraude’. Na situação de verbo – to design – significa, entre outras coisas ‘tramar algo’, ‘simular’, ‘projetar’, ‘esquematizar’, ‘configurar’, ‘proceder de modo estratégico’. A palavra é de origem latina e contem em si o termo signum, que significa o mesmo que a palavra alemã Zeichen (‘signo’, ‘desenho’). (…) ”

Depois, Flusser explica o que se tornou o vocábulo design, na página 184:

“(…) design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, conseqüentemente, pensamentos, valorativo científico) caminham juntas, com pesos equivalente, tornando possível uma nova forma de cultura”

O que é design? Por Lucy Niemeyer

O livro da Editora 2ABDesign no Brasil: Origens e instalação” tem um capítulo só pra origem e significado do termo design. Na introdução do capítulo a Doutora Anamaria de Moraes cita a própria Lucy definindo design:

“(…) ao longo do tempo o design tem sido entendido segundo três tipos distintos de prática e conhecimento. No primeiro o design é visto como atividade artiística, em que é valorizado no profissional o seu compromisso com artífice, com a fruição do uso. No segundo entende-se que o design como um invento, um planejamento em que o designer tem compromisso prioritário com a produtividade do processo de fabricação e com a atualização tecnológica. Finalmente, no terceiro aparece o design como coordenação, onde o designer tem a função de integrar os aportes de diferentes especialistas, desde a especificação de matéria-prima, passando pela produção à utilização e ao destino final do produto. Neste caso a interdisciplinaridade é a tônica. (…) estes conceitos tanto se sucederam como coexistiram, criando uma tensão entre as diferentes tendências simultâneas.”

A intenção é sempre atualizar esse post com as definições que cruzarem meu caminho. Mas me diga, você tem alguma definição pra o que é design? Discorda de alguma das que eu selecionei? Então deixa nos comentários! :)

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Função do design x função do designer

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (9) Comentários

Phillumeny: Rótulos de caixas de fósforo

Sinceramente eu nunca tinha ouvido falar sobre Phillumenies (que são rótulos de produtos que as pessoas colecionam) até ler o “Linguagens do design – Compreendendo o design gráfico”, de Steven Heller, publicado no Brasil pelas Edições Rosari. Aliás, um ótimo livro que aponta dezenas de peças de design muito interessantes. Nesse capítulo o autor te encoraja a procurar sobre os tais phillumenies na internet, principalmente os de caixas de fósforos japonesas. Aí eu dei uma bela pesquisada no Flickr e encontrei diversos exemplos muito interessantes (e não somente japoneses).

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Crack Dog”, em http://www.flickr.com/photos/crackdog/




Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Clinton Fowler”, em http://www.flickr.com/photos/clintonfowler/



Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)
Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos) Phillumeny (Rótulos de caixa de fósforos)

Imagens gentilmente cedidas por “Shailesh Chavda”, em http://www.flickr.com/photos/shaileshc/

Postado por Rogério Fratin em Designice,Embalagem,Inspiração e tem (3) Comentários

Função do design X função do designer

Tenho reparado em alguns jovens designers e estudantes da profissão um certo descomprometimeto ou desconhecimento a respeito de questões importantes do design. Ora me deparo com alguns que pensam que ficarão sentados num puff na agência até ter uma ideia genial que será executada rapidamente e levará um Leão de Cannes, seguido de aumento do salário e claro, a fama. Outros que tratam seus layouts como uma obra de arte única e intocável. Tem também os que não querem saber de nada, só fazer (?). Acho que devemos relembrar algumas coisas que, decerto, aprendemos no curso superior e revimos em artigos e livros da área.

O que é design?

Depois de qual era meu nome e idade, essa foi a primeira pergunta que me fizeram na faculdade. E eu saí de lá sem um significado definitivo. Acho até que essa é mesmo a ideia: você ouve, fala, analisa, pesquisa e lê as opiniões de estudiosos e representantes profissão e tira suas conclusões, até porque várias das definições tem até itens excludentes entre elas. E claro, numa profissão tão importante e rica como a nossa, se contentar com apenas uma definição é um erro no meu modo de perceber.

O mestre Wollner, por exemplo, fala em suas entrevistas de design de uma maneira bem direta: Design é projeto.

Para Rafael Cardoso Denis, “o ato de projetar tem na sua essência um componente básico de criação, de artifício, que não difere substancialmente daquele mesmo elemento factício que está por trás do artesanato, da arte e até da magia (…). O que distingue o design de grande parte do artesanato, da arte e – presumo eu – da magia, é que no design o fato material que se pretende gerar não é feito pelo mesmo indivíduo que deu início ao processo de conceber a ideia. Quero sugerir, portanto, que a atividade de design caracteriza-se mais como um exercício de processos mentais do que de processos manuais”.

André Villas-Boas acredita que o design “é realizado para a produção, é reproduzível e é efetivamente reproduzido a partir de um original (ainda que virtual). Do contrário é uma peça única circunscrita ao campo da arte”.

São infinitas definições, cada uma de um viés, cada uma com seu valor e discórdia. Não acho que essa pergunta seja menos importante que outra, que é bem menos falada: Qual a FUNÇÃO do design?

O que é designer?

Acredito que aqui existam menos discussões: Designer é quem “faz design”, quem projeta. Parece simples, né? Nem sempre. Mas designer também é o sujeito que se preocupa que a nem a tia-avó nem a sogra e o bizavô entendem o que ele faz. Será que o designer de fato sabe o que faz ou, melhor ainda, o que ele PODE fazer? Visto que uma das funções principais do designer é ter uma visão holística, global do projeto (e é aí que tem crescido muito a área de design estratégico junto das grandes corporações), por que tantos se fecham apenas onde atuam ou gostam e perdem o contexto que ele está inserido?

Temos muito poder nas mãos a cada clicada do mouse ou no deslizar do lápis, da caneta, do pincel e nem sempre damos conta disso. Basta pensar que trabalhamos com comunicação e que as pessoas são influenciadas, nem que minimamente, com o que criamos. Nós, designers, sabemos quando compramos um produto única e exclusivamente por causa de sua embalagem. Muitos de outras profissões também compram e nem sempre tem consciência disso. É numa grande amostragem que, por “nossa causa”, uma revista é selecionada entre muitas outras, uma matéria é lida pelo seu layout convidativo. Evidenciamos livros que fazem rir, chorar, pensar e até mudam a vida de alguém pela sua capa. Damos ao mundo bons exemplos de combinação de cores onde tudo parece mais calmo, tranquilo ou adrenado. Providenciamos acesso à cultura por nossos sites bem feitos que até pessoas da terceira idade tem pouca dificuldade de navegar.

E a parte ruim da coisa? Ah… essa não falta! Nós que fizemos as propaganda fascista e nazista. Nós que ajudamos a fazer calar a boca através dos cartazes de guerra (veja o post). Proliferamos a cultura de massa, fazemos com que certos produtos sejam exclusivos de grupos com maior poder econômico, deixamos as pessoas com desejos de consumo tecnologia (como o iPhone ou iPad) pelo visual e isso tudo vai virar lixo não-reciclável que em algum canto do planeta vai ser depositado. Até criar “produtos bonitos” simplesmente pra alavancar a economia já fizemos, como no caso do STYLING, nos EUA. Poderia prolongar bastante essa lista, mas acho que já está bom.

Ei, você aí… Qual é a sua?

Nesses dias recebi uma ligação pedindo (quase intimando) que eu divulgasse um evento aqui no blog. Evento esse que foi criado por um site que se sustenta de trabalho dos outros em troca de uma suposta visualização dos profissionais (que eu nem acredito que seja significativa assim). E eles fazem livro com os trabalhos, ganham dinheiro e crescem cada vez mais com tantos talentos participando. E quem de fato cria, projeta, transpira pra fazer, não recebe um só centavo. Só a “fama”. Quando disse que não colocaria o evento aqui a moça se assustou: “Mas tem tudo a ver com seu blog. E nosso diretor adoraria ver o evento dele no designices. Ele adora seu blog…”. Arrã. E eu sou bobo. Meu blog é de reflexões, discussões riquíssimas que surgem nos comentários, estudos, livros e de coisas que eu vivencio e gosto. Aqui não entra jabá em hipótese alguma. Esse é o projeto e a função. Uma organização que ganha nas custas do suor dos outros, a praticamente custo zero, acha que pode também me explorar propondo um anúncio de graça? De “serviços” desses está repleto por aí. Pra mim é tão grave quanto ouvir “Olha, esse trabalho você faz de graça, mas a partir do próximo, você começa a receber”. Só que a vez de receber nunca chega. Definitivamente a “minha”, respondendo o último sutítulo, não é essa.

Um designer não deveria nem pleitear determinado emprego nem executar um determinado trabalho sem essas questões bem resolvidas. Saber o que é o design especificamente e pra que ele serve, além de todas as impactos que isso pode causar na sociedade em caráter cultural, econômico, tecnológico etc é ter a visão holística, global que disse no início do texto. O designer pode ter feito “um cartaz de cala a boca” sem imaginar que estava fazendo. Pode ter promovido uma ideia que ele não concorda (e abomina) sem saber. E esse “não saber” pode ocorrer por infinitos fatores, tanto por parte do designer quanto por parte do meio que ele está inserido.

Se eu precisar resumir esse texto em apenas uma frase, será com essa: “O designer deve entender seu poder e suas funções para, aí então, se denominar designer”. Infelizmente muitos me parecem desestabilizados nessa questão.

Eu não poderia terminar o post senão com a seguinte pergunta:
Como você entende e de que modo você executa sua profissão?

Bibliografia recomendada:
Design – Uma introdução (O design no contexto social, cultural e econômico), de Beat Shneider,  Editora Blücher
Faces do design, de professores da Universidade Anhembi Morumbi, Editora Rosari
Linguagens do design – Compreendendo o design gráfico, de Steven Heller, Editora Rosari
Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty, Editora Cosac Naify

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (10) Comentários

Design não tem regulamentação. Ainda bem!

Esses dias li a indignação de alguns designers por conta da regulamentação da profissão de astrólogo ou algo assim. Será que eles consultavam os seus mapas astrais pra fazer as cores do layout? Bah… E entramos de novo em discussões sem fim, como a dos designers e micreiros.

Sério, eu sou extremamente feliz do jeito que está e farei tudo possível pra profissão de designer NÃO ser regulamentada. Antes de colocar meu nome na boca do sapo, deixe-me explicar direitinho.

A ideia é obrigar o sujeito ser formado pra exercer a profissão? Então ferrou. Formação superior atualmente não significa nada. Quantos formados péssimos você conhece? Qual a garantia que temos da formação? O melhor e o pior aluno de cada curso tem o diploma. Fora o fato de que não falta são cursos porcos de terrível qualidade em instituições com professores de conhecimento questionável (pra não falar sem conhecimento algum). E eu asseguro que conheço tantos designers formados que não têm qualidade quanto designers não formados com qualidade bem interessante. Que tal se a gente continuar se apoiando em portfolios pra contratar os serviços de um designer? Quase nunca falha. E a formação que se lasque.

Vamos pensar na sequência de fatos:
1. Design passa a ser profissão regulamentada
2. Passa a ser OBRIGAÇÃO ser formado
Nesse momento, além de dezenas de faculdades porcas aparecerem e “prepararem” o profissional para exercer a profissão (sem ajudar em nada pela causa da regulamentação), todo mundo vai TER que fazer design. Diploma passa a ser importante. O legal de um curso é ter pessoas interessadas em aprender, não em se formar e “se livrar logo”. Se hoje temos um bando de vagabundo entrando nos cursos porque acham que vão ficar sem fazer nada e terem uma megaideia que revoluciona o mundo, achando que design vai formá-lo como artista, que design é uma profissão que não precisa ler, nem nada, tentem pensar como seria se além disso o design fosse obrigatório pra exercer? Pensem no número de pessoas que fariam por obrigação.
3. Mais desvalorização do profissional
Estaremos cercados de designers apoiados em diploma, formados, que poderão trabalhar como os nossos micreiros o fazem agora. Mas está regulamentado. Grande coisa.

Ainda acha que regulamentar resolve? Nem a ADG briga por isso. Sei que isso dá “pano pra manga”.  Comenta aí, vai? :)

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (57) Comentários

Mc Donald’s: Design para reposicionar

Antes de começar, gostaria de deixar bem claro que todos os estudos que vou falar são de percepção de consumidor (e designer) e não foram baseados em leituras de reposicionamento de marca nem nada. Como entre o planejamento de uma mudança e o que o público entende pode haver uma abismo gigante de diferenças, fiz questão de não procurar nada dessas referências pra não influenciar meu posicionamento e análises.

Bem, tudo começou numa palestra que fui da type foundry inglesa Dalton Maag que, entre outras coisas, falou rapidamente da familia tipográfica que eles criaram pro Mc Donald’s, que precisaria ser bem estreita pra poder escrever bastante coisa e também tinha que ter uma ideia de natureza. Fui conferir de perto e de fato, conseguiram:

Copo com tipografia referenciando a natureza
Comecei a analisar outras características dessas (não tão) novas embalagens dos produtos e notei que se trataria de de uma ação de reposicionamento. Aí fiz um rápido feedback do que acontecera com o Mc Donald’s nos últimos anos:

Bem, era muito comum nossos pais, tios e todos os outros que têm atualmente mais de 50 anos falar que a comida de lá parece feita de plástico, tem “gosto de química”, que é muito artificial. Além disso, em 2004, o filme Super Size Me detonou a imagem do Mc Donald’s, mostrando tudo de ruim que poderia acontecer se você comesse lá muitas vezes num curto período. Depois disso era um tal de colocar as informações nutricionais no verso da lâmina (aquele papel que vem em cima da bandeja), depois eles colocaram essa mesma lâmina, só que com essas informações viradas pra cima, destacavam chamadas que diziam ser possível encaixar as refeições do Mc Donald’s dentro de uma dieta saudável, começaram a vender maçã, saladas, wraps “leves”… Imagino que tudo isso pra limpar a imagem de junk food, que você poderia ser saudável comendo no Mc Donald’s.

Enfim, e quanto aos ingredientes dos produtos? Talvez faltasse ainda ressaltar que tudo que lá é vendido é feito com “ingredientes naturais” mesmo, frescos, como você os vê na sua casa e que são fortalecidos pela tipografia da Dalton Maag. Repare nas laterais da caixinha dos sanduíches, nesse caso o Big Mac:

Embalagem Big Mac

Embalagem Big Mac

Note como tudo é como você vê na sua mesa de casa. Queijo, alface inteira, picles sendo cortado, cebola com casca.

A batata, que por mais que seus pais (ou você mesmo) tentem e nunca farão igual, tem uma imagem de uma batata crua sendo descascada. Qual outro lugar, além da sua casa, você vê isso? Nenhum, né? Confira na imagem:

Batada descascada na embalagem das Mc Fritas

Além de tudo isso outra família tipográfica entra nas embalagens, como anotações pessoais, algo bem próximo do consumidor:

Tipografia manuscrita na embalagem das Mc Fritas

Embalagem Big Mac - Detalhe da tipografia manuscrita
E não somente as embalagens dos produtos foi modificada. Repare que no site o apelo é o mesmo: Fotos dos ingredientes frescos, in natura, num fundo de papel meio reciclado/pessoal e elementos que lembram até o velho caderno de receitas da sua avó, como os ingredientes impressos e anotações ao redor:

Site do Mc Donalds

E você, acha que funcionou o apelo ao design para reposicionar a marca e os produtos do Mc Donald’s? Acha que eu viajei muito nas interpretações? Vamos continuar nos comentários, então.

Postado por Rogério Fratin em Designice,Embalagem,Tipografia e tem (13) Comentários

AnalfaBetismo, Cidadania e Design

Acho que todo mundo que começa a estudar design sonha em fazer trabalhos importantes pra grandes empresas, anúncios premiados, revistas incríveis, livros memoráveis. Uma das funções do designer é tornar a vida mais fácil, desde mais fácil pra ler um texto como quanto para fazer alguém se divertir mais no caminho pra casa, seja de carro, metrô ou de bicicleta. É pegar um problema e solucioná-lo ou então, transformá-lo em outra coisa. E olha que de problemas estamos bem servidos, não?

Sempre me deparo com professores de mil coisas, publicitários, marketeiros e arquitetos em projetos junto de ONGS, OSCIPS, comunidades carentes, crianças com dificuldades e muitos outros focos de problemas sociais, mas vejo poucos ou nenhum designer fazendo isso. Umas semanas atrás vi uma menininha de uns 8 anos, extremamente inteligente, lendo um livro numa grande Bookstore aqui em São Paulo. Ela usava óculos muito grossos e lia com o nariz encostado no papel, literalmente. Pensei o que poderia ser feito para que ela pudesse ler mais e melhor e amenizar suas deficiências. Aí pensei quantos problemas sociais poderiam ser menos agressivos se nós, designers, aceitássemos gastar um tempinho da nossa semana dedicados a essas causas.

E valeria força pra ajudar de qualquer modo. Para combater o analfabetismo, aumentar o contato de comunidades carentes com a arte, melhorar a caligrafia das crianças, ensinar desenho, pintura, fotografia, oficinas de design (e pode ser coisas simples, como as que tem no livro Eu Que Fiz da Ellen Lupton).

Afinal de contas, acho que recrutar dezenas de pessoas e ensinar a batucar é legal, mas já deu, né?

Ok, ok, talvez seu negócio não seja algo tão autruísta assim. Mas você pode pensar numa tipografia que seja mais fácil pra criança aprender a ler ou então numa que gaste menos tinta. Talvez possa pensar numa forma não-eletrônica que ajude com a economia de papel. Ainda você pode vender um projeto bacana para entretenimento em transporte público pro governo, sei lá.

Idependente de ser mais ou menos autruísta, acho que é de total valia se dedicar em projetos mais sociais. E é esse meu planejamento para quando eu terminar minha pós-graduação. Alguém mais se habilita? Ideias? Referências? Links?

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (4) Comentários

Design brasileiro e identidade nacional

Junto com a longa discussão de designers versus micreiros, a procura da identidade nacional ou o design autêntico brasileiro foram temas que tomaram muitas e muitas aulas durante minha graduação, entre 2002 e 2005.
Ok, aceito que é a partir de discussões que a gente resolve (quase) tudo. Só que mais uma vez (a outra era com os micreiros) encontrávamos “papagaios” que sempre repetiam as mesmas coisas. E todos resolviam cobrar a “cara do design brasileiro”. Acho que chegou a hora de perceber que nem todo palheiro vai ter uma agulha pra você procurar.

Qual cara tem nosso design? Aliás, que cara tem o design contemporâneo da Alemanha? E da Itália? E da Suíça? Se fôssemos falar de Bossa Nova, Carnaval, samba, Timbalada e futebol, tudo bem, entendo e concordo que sim, temos algo que é só nosso, único, quase inimitável. Mas e no design? Dá?

Eu duvido. Duvido mesmo. Qual é o Brasil visto de fora? Pelé, Ronaldo Gordo e Tom Jobim? Carnaval do Rio? Baianas? Bem, na porta da minha casa na Zona Leste de São Paulo, onde fui criado, nunca vi nada disso. Nem na pracinha que eu jogava bola. Nem no colégio e nem em lugar nenhum. Você já viu? Você foi criado com todas essas referências sempre presentes?

Como nos últimos dois parágrafos eu terminei com pontos de interrogação, vou parar de criar dúvidas e começar a dar meu ponto de vista. Desde 2002 eu busco saber o que é a tal da identidade do design nacional e nunca achei. Olhava as grandes revistas, não encontrava o poder do design brasileiro, visto que a maior parte delas se inspira (até mais do que deveriam) nas suas “originais” gringas. Olhava os cartazes e não os encontrava. Os websites? Não. Esses sempre são “bem fiéis” aos seus benchmarks. Nem as embalagens, nem os livros. Nem nas aberturas das novelas da Rede Globo (isso foi uma piada!). Pensei que poderiam ser as capas de LPs da Gravadora Elenco, nos anos 1950 e 60. Quem sabe então é a coleção das Revistas Senhor. Pode ser que estejam nas ilustrações de J. Carlos. Não. Nada disso.

Talvez nesse momento você esteja pensando que existe SIM identidades bem definidas em diversos países. E vai deixar nos comentários dicas da facilidade de identificar os projetos alemães da Bauhaus ou então as tipografias suíças. Mas isso não trata da identidade alemã nem suíça e sim de escolas desses países. Elas que tiveram uma identidade. Inclusive, falando de Bauhaus, muitos dos professores foram para os Estados Unidos quando o nazismo acabou com a escola, incorporando suas experiências nos projetos que fizeram por lá. Eram projetos americanos com cara de alemães? Não. Eram com cara da Escola Bauhaus. Da mesma forma temos a “cara” da Pop Art, do Expressionismo, do anti-design do Memphis Studio.

Na editora que trabalho tenho contato com gente de todo o Brasil. De cidades próximas a São Paulo e outras muito distantes. E cada pessoa, seja da mesma cidade que eu ou não, teve suas referências e vivências. O Brasil é um país enorme, que abrange todas as classes sociais e econômicas. Tem lugar com seca e tem lugar com enchentes. Você pode num canto se incomodar com uma geada e noutro com calor 40 graus. E cada lugar tem seus valores, suas tradições e a vista das “portas de cada casa”. E nenhuma porta de casa tem as baianas, o Pelé,  o Ronaldo Gordo e nem o Tom Jobim juntos. Seria possível amarrar todas essas pontas com uma só cara? Repito: Duvido. Afinal de contas, não podemos usar  sempre e somente a paleta da bandeira pra justificar nossa identidade.Nem acho que exista um “design paulista”, um “design carioca” e nem gaúcho.

Acredito que precisamos parar logo com essa necessidade louca de ter identidade nacional e aceitar logo que somos um grande mix de coisas e, dentro dessa mistura, tem um monte de gente que tem seus próprios mixes de conteúdo. Assim como muitos outros lugares do mundo. Eu cresci ouvindo músicas que eu gostava, que minha mãe gostava, que meu pai gostava. Isso me deu vontade de vasculhar antiguidades atrás de outros sucessos e assim aprendi a reconhecer as capas dos discos desses segmentos. E eram bem diferentes das de heavy metal que alguns amigos gostavam. E diferentes por sua vez de um ou outro que curtiam o psicodelismo do Caetano. Ganhei muitas referências visuais com os filmes que assistia, bem diferente por exemplo das que minha namorada tem. E assim vai.

Acho estranho isso não ser escancaradamente assumido. Ou então quem sabe eu esteja errado. Enfim, de posts cheio de imagens os blogs de design estão cheios. Aproveita e coloca tua opinião aí nos comments, concordando ou não.

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (10) Comentários

8 livros de design por menos de R$ 50 cada

Há alguns meses fiz um post de (quase) mesmo título (leia!) , mas percebi que ele ficou desatualizado em quase todos os livros. Os preços subiram, invés de 10, agora são 8, mas são muito bons, valem a pena. Aí vai uma lista atualizadíssima e claro, preços valendo apenas na data do post!

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 44,00

Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski

Livro + DVD de uma entrevistona com o Alexandre Wollner, talvez o pioneiro do design contemporâneo brasileiro. Ele fala da relação de design e arte, design e publicidade e do que está sendo produzido atualmente.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 44,90
Leia o post Livro: Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil [Um projeto de André Stolarski - Ed. Cosac Naify]

As Leis da Simplicidade, de John Maeda

O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 27,90

Do Maíz à Maizena – Um Layout de 140 Anos, de Tadeu Costa

A embalagem de Maizena sempre pareceu “igual” pra todos. E num mundo de propagandas e logos que não duram muito, como permanecer sem modificações por muito tempo (afinal, 140 anos é muita coisa, né?)? É o que Tadeu Costa explica nesse livro, rápido e gostoso de ler, além de mostrar todas as mudanças da embalagem, comerciais de TV, anúncios e calendários de receitas.

Lugar mais barato: Fnac R$ 25,50

Linguagens do Design – Compreendendo o Design Gráfico, de Steven Heller

A possibilidade da leitura não-linear e o ótimo conteúdo me agradaram bastante. O autor mostra diversos “ícones” do design e conta sua história e curiosidades, como a Suástica, o símbolo da paz, cartazes, caixas de fósforos japonesas, embalagens de aparelhos de barbear…

Lugar mais barato: Fnac, R$ 38,25

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,90

O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson

A simplicidade e inocência do Calvin nessa coletânea de suas tirinhas. Ideal pra dar aquela “quebrada” entre um livro de design e outro.

Lugar mais barato: Submarino, R$ 19,90

Projeto Tipográfico, de Cláudio Rocha

Cláudio Rocha é tipógrafo brasileiro, trabalha com isso desde 1975, é diretor da Oficina Tipográfica São Paulo (leia o post “Curso de composição tipográfica manual Módulo I – Cartão de visita” e também o “Módulo II – Cartaz” e editor da Revista TIPOITALIA, idealizador e editor da Revista Tupigrafia, entre muitas outras atribuições. Nessa publicação ele conta de características da tipografia digital e analógica, a trajetória das fontes tanto técnica quanto estética, além de comentar tipos serifados, sem serifa e manuscritos. Essa é uma reedição revisada e ampliada do primeiro livro de tipografia que li na vida :)

Lugar mais barato: 2AB Editora, R$ 33,48

Alguém tem mais sugestões nessa faixa de preço? Pode deixar nos comments :)

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Arquivo Público do Estado de SP

Revista "O Echo", de 1906

Revista "O Malho", de 1906

Revista "O Pharol", de 1908

Revista "A Cigarra", de 1914

Revista "O Fazendeiro", de 1920

Fiquei muito feliz quando vi essas e muitas outras imagens em tamanho grande pra ser ver na tela (eles, infelizmente, não deixam baixar…) e consultar referências visuais do começo dos anos 1900.

O Governo abriu esse acervo, segundo eles com mais de 250.000 imagens. As revistas podem ser folheadas e dá pra ler tudo (ou quase tudo), além de diversos jornais da época, anuários… Tá tudo aqui: Arquivo Público do Estado de São Paulo

Pra quem gosta do design de coisas antigas, pode dar uma espiadas nos meus posts com itens estilo retrô

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (4) Comentários