Designices

Por diversas vezes em conversas informais, aulas ou palestras que assisti, artigos e livros sobre arquitetura de informação ou design de interface, o pobre do botão Voltar do browser atuava como um vilão. Se o usuário clicasse nele, o projeto digital estava capengando em organização, em uma boa arquitetura ou com problemas de elementos visuais não muito bem definidos. O termômetro do fracasso do projeto web (não necessariamente de todo, mas no que se refere à navegação) era o clique no botão Voltar.

As justificativas eram diversas, mas giravam em torno de algo como  “ele clicou no Voltar porque não encontrou como fazê-lo na interface do site”. Clicou no Voltar, tá errado e ponto final.

Estamos num momento das mídias digitais bem interessante, onde o que foi dito no começo dos anos 2000 que eram as verdades da época, podem e devem ser questionadas. Quando eu escrevi sobre os professores vintage me referia ao tipo de profissional que se apegava às antigas verdades e nunca mais queria abandoná-las. Com os avanços em banda larga, linguagens de programação, equipamentos é claro que as experiências mudam e, quem as executa, também. No final da década de 1990 foi quando aqui no Brasil tivemos uma explosão de provedores de acesso, contas de email gratuitas e tudo. Os usuários vem treinando o acesso à internet já tem certo tempo, sei lá, 10, 12, 15 anos. Nesse cenário inicial – e que se agora tem empresa que não entendeu que precisa de um arquiteto de informação, imagine na época – a internet era uma tremenda zona: o Macromedia Flash permitia explorar ao máximo a questão de interatividade com música e vídeos de um modo impossível em outras tecnologias. A banda larga dava conta do que se precisava. Muitas possibilidades se abriram e com elas, claro, muitos experimentos. Não havia um padrão, um formato, um design pattern tão bem definido. E nem poderia haver se a questão era experimentar, testar.

Botão Voltar do navegador

Uma nova maneira de conhecer conteúdos versus experimentos atrás de experimentos: claro que não tinha como o usuário aprender o geral nem criar um padrão mental de nada. Se o usuário não identificava relações comuns entre os projetos, ele apelaria – e nem sei se apelar é a palavra correta – para o que ele conhecia muito bem que era o próprio navegador. Por mais que os sites fossem diferentes em cores, tipos, navegação, o botão Voltar estaria sempre lá, esperando pra resolver o problema imediato do cidadão: voltar para a página anterior. Só isso. A navegação do Windows 8, por exemplo, é toda baseada no botão de voltar. No Android o botão voltar faz parte do hardware do aparelho. Ah, óbvio que a arquitetura de informação do projeto tem que ser bem feita para poder ser navegada sem a ajuda do botão Voltar, mas caso o usuário não utilize os meios criados e apelar para o navegador, não será uma heresia do projeto nem necessariamente um erro de projeto.

Talvez os reclamões da época que faziam do botão Voltar uma obra do capeta pensassem que o único projeto digital em questão era o site e não o todo, afinal de contas o navegador também é um projeto digital, tem sua curva de aprendizado e afins, tal qual o sistema operacional que o suporta. Olhar o todo é o segredo, que nem é tão secreto assim.

Um exercício muito legal é pegar literatura sobre cultura digital, design de interfaces, de interação de 8 anos atrás (ou mais) e tentar verificar com o que temos agora. Sempre gera um bom estudo e resultados as vezes bem inesperados.

E você? Conhece mais questões do design gráfico, digital ou tipografia erroneamente sustentadas como essa? Deixe nos comentários!
;-)

Tipografia ou tipologia?

Cada vez que alguém fala TIPOLOGIA numa mesa de bar com designers alguns bicos são torcidos e olhadas de lado acontecem. Da mesma maneira quando alguém, aqui em São Paulo, fala A logo no lugar de O logo. Em Curitiba e no Rio de Janeiro é comum usar essa palavra no feminino, aqui em São Paulo, no masculino e talvez isso seja por alguma questão cultural que não fui capaz de identificar e entendê-la. Entretanto eu acredito que um pensamento mais evoluído do que jogar se O logo ou A logo estão corretos ou incorretos é a coerência na hora de criar um. É um bando de gente chiando tanto com o gênero da palavra que acho que lhes falta tempo para cuidar da qualidade de seus trabalhos. Vale dizer que o correto é o logo, se for referenciado ao logotipo. Se for de logomarca, a discussão é outra (e não vou potencializá-la por aqui).

Para a dúvida inicial, TIPOGRAFIA ou TIPOLOGIA: confesso que a segunda me incomoda ouvir ou ler, talvez por puro preconceito. Nos livros, congressos e eventos sempre encontro o termo TIPOGRAFIA e nunca o outro. Acho justo apelar para o local onde as palavras são definidas em sua mais pura essência, o dicionário. Ou melhor, oS dicionárioS, que são livres da visão poética de definição que uma Ellen Lupton ou um Wolfgang Weingart e vão direto ao assunto.

De acordo com o dicionário Aulete, tipografia e tipologia são a mesma coisa:

(ti.po.gra.fi:a) sf.

1. Técnica de impressão a partir de matrizes de madeira ou de metal fundido em alto relevo, cujos caracteres e imagens são compostos um a um manualmente ou em linhas, por linotipia; imprensa. [Cf.: fotocomposição.]
2. Pequena indústria onde se faz essa modalidade de impressão.
3. O mesmo que tipologia .
[F.: tipo- + -grafia.]

(ti.po.lo.gi:a) sf.

1. Biol. Estudo das características básicas e tendências dos seres vivos por meio da identificação de tipos, de modelos; BIOTIPOLOGIA
2. Coleção dos caracteres de impressão mobilizados para um projeto gráfico.
3. Ling. Classificação das línguas com base no estudo comparativo de suas diferenças.
[F.: tipo- + -logia.]

Pelo Michaelis, por incrível que pareça, tipologia se parece mais com o que fazemos do que tipografia, que é definida como a arte (nesse caso, técnica) de compor com tipos, e não o conjunto deles especificamente:

tipografia

ti.po.gra.fi.a
sf (tipo2+grafo1+ia11 Arte de compor e imprimir com tipos. Estabelecimento onde essa arte é praticada. Tip A seção da oficina onde se realiza o trabalho de composição. gír Exploração disfarçada do lenocínio.

tipologia

ti.po.lo.gi.a
sf (tipo2+logo2+ia11 Caracterização dos tipos humanos, dos seres vivos, ou de realidades quaisquer considerados num estudo. 2 Descrição geral desses tipos em cada caso. 3 Por abreviação, o mesmo que biotipologia4 Conjunto de caracteres tipográficos usados em um projeto gráfico

Concluo com essas definições, então, que tanto as palavras TIPOGRAFIA e TIPOLOGIA podem ser usadas da mesma maneira, para o desespero dos puristas.

Ah, claro: não estou falando aqui de etimologia, de história dos termos nem nada parecido. Me refiro às aplicações cotidianas dos termos, como escritos em uma matéria de revista (que não é da área), uma reportagem de televisão ou coisa assim.

Qual é a sua fonte?

O jornalista me respondeu que não podia me revelar a sua, já que lhe fornecia tantas informações valiosas;

O arquiteto me mostrou a que fica na Praça da Sé, na capital paulista, que enfeita a cidade e também é onde os moradores de rua usam pra se banhar quando a polícia não vê;

O geógrafo me levou até Águas de Lindoia (SP) e falou que a água lá é de ótima qualidade;

O eletricista apontou pro alto de um poste e contou que aquela era responsável pela energia elétrica do prédio onde eu moro;

O médico me perguntou qual dos lados da cabeça, direito ou esquerdo, que eu queria saber;

Que me desculpem os jornalistas, os arquitetos, os geógrafos, os eletricistas, os médicos, mas nenhuma dessas fontes é mais linda e interessante que uma Garamond, uma Caslon ou uma Bodoni. Perdão!

Ah, e antes que alguém me pergunte da fonte dessas informações, foi o Dicionário Aulete ;-)

Cultura gráfica #0: Você é o que você vê

Me perdoem pelo clichê, mas você, enquanto designer, é o que você vê e principalmente o que procura ver. A conta é simples: se você ficar atrás de lixos visuais, provavelmente teus trabalhos e tua percepção ficarão viciadas em lixos. Não que você necessariamente faça lixos exatamente como os que vê, mas no mínimo deixa de fazer melhor. Simples e objetivamente, é isso. Mas não é só isso: se você opta por disseminar o que não presta visualmente, quem vê deixa de aguçar sua percepção também. Se forem designers, um problema. Se não forem, também. Talvez maior.

Antes de seguir: O que eu quero dizer com cultura gráfica?
A cultura gráfica poderia, talvez, ser chamada apenas de cultura, que vem do cultivo e do contrário da ignorância, como diz a definição do dicionário que usei pra ilustrar esse artigo. Optei por reforçar que me refiro à parte visual do que pretendo expor com o complemento “gráfica” no nome. A cultura, como cultivo de algo, nunca consegue ser instantânea. Sempre depende de tempo e de bastante trabalho. No caso da cultura gráfica, por exemplo, não é uma única ida ao Museu de Artes de São Paulo ou assistindo aos incríveis Durval Discos e O Carteiro e o Poeta que tá tudo certo. São necessárias dezenas, centenas, milhares de referências – boas e diversificadas referências – para que as camadas sedimentares culturais visuais se depositem e formem, cada vez mais solidamente, um repertório mais sólido e favorável ao mundo do design e da arte, seja para um designer, um artista, um advogado ou bancário.

Num flashback aos meus anos de ensino fundamental e médio, algumas perguntas eram sempre repetidas nas aulas de matemática, por exemplo:

- Mas quando eu vou usar uma equação do segundo grau na minha vida?
- Pra que serve eu saber o volume de um tetraedro regular?

A equação, pela equação, talvez nunca. E talvez nunca também precise saber a área de um tetraedro regular. Mas não é pra isso que serve a matemática na escola. Ela serve pra ensinar a lógica. Da mesma forma que temos que aprender português pra que nos expressemos de maneira correta, nas mais diversas situações. As aulas de educação artística, que muitas vezes são deixadas de lado ou não são levadas tão a sério como as das outras disciplinas, servem para “ensinar a sensibilidade” e iniciar a cultura gráfica a partir de um método educacional. E uma pena que nem sempre isso ocorra.

É bem comum que um observador se incomode quando os padrões visuais de uma paisagem natural ou urbana seja quebrado. Uma casa extremamente popular no meio de um bairro rico, uma árvore centenária que não pode ser derrubada no meio de um shopping center glamuroso, um Fusca estacionado em frente à uma concessionária da Ferrari. Esses contrastes mesmo que comuns, além de chamarem a atenção do observador, causam certa estranheza que pode e deve ser valorizada. Tão importante quanto essas quebras visuais externas é quebrar o padrão de repertório que um observador tem, até que isso seja mais usual e absorvido por ele. Dessa forma a cultura gráfica é, me desculpem o trocadilho, cultivada. Em exemplos mais diretos: é mostrar o grunge para o clean, a Caslon para a Helvetica, a máquina de escrever para o iPad e os contrários. E claro, a ideia não é que o grunge tome banho ou o clean brinque na lama: é que cada um deles abra seus leques e perceba o que há ao redor e, de repente, absorva alguma característica, o conceito, o comportamento ou o visual propriamente dito.

E por que é importante que designers e não designers aumentem sua cultura gráfica?
Os designers em geral precisam beber da água cultural sempre, e de todas as fontes. O Claudio Ferlauto sempre me ensinou que o norte do design é a cultura. Quando mais cultura um designer tem, mais reflexos dos bons ele tem em seus trabalhos. Quem mora na Europa, por exemplo, é acostumado sair de casa e praticamente tropeçar em História da Arte na ida à padaria, coisa que não ocorreria numa cidadezinha do interior de Roraima. Nesse caso nem o europeu pode se dizer plenamente abastecido de cultura nem o interiorano pode se dizer sem. Como citei anteriormente, o processo de promoção cultural é lento e, quiçá, vitalício.

Para os não designers é bem simples entender o motivo: quanto mais repertório visual eles têm, mais valor ao nosso trabalho vão dar. E as coisas mudam. Demoram, mas mudam.

Eu sou um eterno defensor e militante da propagação da cultura gráfica e acredito que essa atitude só tem a melhorar a vida de quem é envolvido.

Como você promove a sua cultura gráfica? E a dos outros?

Detone nos comentários, hein?

Nota: esse tema será dividido em quatro partes. Em breve as demais aparecem por aqui, também. Volte sempre ;)

Provavelmente haja um momento da história do design que você goste mais. Ou uma escola, um movimento, um estilo, tanto faz. E também provavelmente você seja capaz de citar cartazes, objetos, tipografia, cores e outros detalhes dessa sua preferência. Confesso que as minhas mudam com o tempo. Mas sempre tenho algum.

Tenho feito tentativas de categorizar ou identificar como é nosso design atual e não tenho conseguido muito sucesso. O que é efêmero parece tomar conta de quase tudo. Muita coisa rápida, sem planejamento, feitas pra durar por pouco tempo (e não falo de móveis ou veículos, falo de publicações, mesmo). Como será que vão falar do nosso design daqui 50 anos, em 2063? Quais seriam as características? Percebo tudo clean e sóbrio e repentimanete vira muito caótico, grunge, underground (ah, os anos 1990…) e de repente, PLIM!, o clean toma de volta a atenção dos holofotes e tudo volta no começo desse ciclo. Um minimalismo (ou falso minimalismo/minimalismo preguiçoso) as vezes também dá suas caras. A exploração tipográfica anda em alta, os processos de criação parece que têm caído na “Bolsa do Design”. E a proporção áurea, hein? Alguém aí já usou num projeto? Mas seriam essas as características estudadas pelos alunos da década de 2060? Será que algo vai se segurar visualmente até lá, como fez a Maizena nos últimos 150 anos?

Desculpe, acho que soltei uma rajada de perguntas de uma só vez. Uma respiradinha:

Transformers, Estrela, anos 1980

Eu nasci em 1980, consigo mapear o que era visualmente explorado na época, as cores berrantes, o 3D, uma volta ao rétro (sabe qual a diferença entre vintage e rétro?), posso falar dos objetos de desejo da época, os brinquedos, carros, eletrodomésticos, discos, filmes. E hoje? O que temos?

Outro questionamento que faço é sobre vanguarda de hoje, será que o que produzimos é a vanguarda ou serão os suportes (como os smartphone, as tablets, as smart tvs…) que ocuparão esses espaços na história do design? Ainda existe vanguarda? E o design gráfico? Stephan Sagmeister? John Maeda? Gustavo Piqueira?

Em suma: Como você imagina que falarão do design da década de 2010 na década de 2060? Quais seriam os objetos de desejo? Abuse nos comentários!

Não sei se daqui vão sair respostas precisas pra todas essas perguntas, mas eu volto pra esse post aos 83 anos pra conferir. O legal vai ser a discussão e a troca de ideias, como sempre ocorre por aqui. E quem acertar ganha um doce ;)

 

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Capa

O design thinking e os meios de inovação aplicados aos negócios têm se provado cada vez mais eficazes e imprescindíveis para as empresas que analisam o que ocorre no mundo, desejam mudar a mentalidade dos corpo de funcionários, como são vistas no mercado e, pode-se dizer, evoluir. Evoluir, sim. A humanização dos processos atinge cada vez mais áreas e quem tem feito coisas realmente interessantes por aí tem perdido o comportamento quadrado e tradicional. A novidade agora é buscar a novidade. É só olhar quantas startups aparecem por aí e buscam atender os nichos, algum momento do dia, suprir algo que atrapalha um pouquinho ou um montão o cotidiano. Isso é traduzido com serviços pra população, como aplicativos para smartphones, bicicletas grátis em programas junto aos bancos (é, até os bancos, “quadrados” como são, estão cada vez mais dentro desses processos), projetos sustentáveis, ONGs, projetos que vivem das Caudas Longas. Nesse cenário, claro, as publicações sobre os processos de design thinking aumentaram significativamente. Ainda bem.

Algumas traduções importantes chegaram ao Brasil, como o Design De Negócios (do Roger Martin) e o Design Thinking (do Tim Brown), além do tupiniquim Design Thinking Brasil (ou DTBr, do Tennyson Pinheiro e o Luis Alt, da LiveWork), todos pela Campus Elsevier. Em todas essas publicações são abordados bons exemplos de inovação, processos criativos e essas aplicações que geraram bons, ótimos negócios.

Design Works [Heather Fraser]De qualquer modo, a aplicação das ideias e ferramentas inovadoras é bastante prática. Os estudos podem sair de ações práticas, os produtos, tudo. Aí vem aquela imagem na cabeça de quilos de post-its grudados em quadros, pessoas sentadas em roda, escritórios coloridos etc. Esses ambientes e essas abordagens são propícias pra trabalhar com esse tipo de ação inovadora, mas restava saber pelas literaturas do tema como e quais eram as ferramentas utilizadas durante os processos práticos do design thinking. É nessa linha que entra o livro Design Para Negócios Na Prática – Como Gerar Inovação e Crescimento Nas Empresas Utilizando o Business Design (do original Design Works – conheça o site em inglês), da Heather Fraser. A autora, aliás, que é pupila do Roger Martin que citei anteriormente e que escreve o prefácio dessa obra.
O sumário:

PARTE I
A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS (BUSINESS DESIGN)
PANORAMA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS – Criando, entregando e sustentando valor
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO -Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia
PREPARAÇÃO PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
TRANSFORMAÇÃO – Incorporando o Design para Negócios na empresa

PARTE II
FERRAMENTAS E DICAS PARA A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS
LISTA DE FERRAMENTAS E DICAS
PREPARANDO-SE PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO – Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia

A autora usa uma metáfora para os capítulos como as marchas de um carro: uma engata na outra e o veículo desenvolve coerentemente. E nada de pular marchas! Na PARTE I tem alguns exemplos e definição do design de negócios, o básico para seguir. A PARTE II, que corresponde a mais da metade da publicação e é pra mim o grande trunfo da autora, é repleta de ferramentas da aplicação do conteúdo, uma a uma, explicadinha porque é importante e como fazer.

Nota 1: Essa obra foi “revisada” pela Symnetics, uma empresa de Business Design. Como eu li antes a publicação original em inglês (como parecerista desse livro) e não vi nenhuma necessidade das intervenções feitas. Da mesma forma, inclusive, que ocorre com o Design de Negócios, do Roger Martin. Nada que influencie na versão em português, nem positiva e nem negativamente.

Nota 2: A capa da edição brasileira ficou muito mais bonita do que a original e o título é mais específico do que simplesmente “Design Funciona” ou algo assim. De qualquer modo acho que vale a pena a Campus Elsevier dar uma olhada com carinho na mancha de texto e entrelinha/entreletras desse livro. Talvez um ajustezinho possa ajudar. Nada GRAVE, mas podemos melhorar, né?

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Verso

E você? Participa de eventos, palestras, workshops de design thinking? Aplica na prática os conceitos?

Design + ice = Designice!

Quando eu criei o blog em setembro de 2009 muita gente me perguntava o que significava DESIGNICES. Alguns achavam que era uma mistura de design com nice, outros que era alguma coisa qualquer sem significado. Na real, como explico no sobre, DESIGNICES seria algo como “coisas de design”. Mas a mais legal dessas percepções foi quando alguém – e eu não lembro mesmo quem – me perguntou se meu blog era sobre “design de gelo”. Não, não é… MAS já que sugeriu, aí vai: Design + ice!

Design + ice = DESIGNICE

Design + ice = DESIGNICE

Design + ice = Designice!

Design + ice = Designice!

Como fazer design+ice?

Antes de DESIGN+ICE eu escrevi apenas DESIGN para ver como ia ficar e tirei foto com a câmera do iPhone 4s:

Design + ice = Designice!

Achei bem interessante o resultado mas queria modificar um pouco a iluminação. Não queria usar cores nem nada pra destacar as letras, apenas o gelo. O visual que queria era como escrito num iceberg à noite. E que tivesse um casal chamado Rose e Jack num navio próximo e OPS! Desculpe, me empolguei. Conforme eu fazia os testes, o gelo dava uma leve derretida e as letras perdiam os floquinhos e ficava mais liso e com brilho. A palavra foi montada dentro de um prato com gelo. Para tais fotos eu coloquei a câmera dentro do freezer e fechava, fotografei com o temporizador. As letras passaram a ficar como eu queria com a iluminação improvisada de uma lanterna de led com a tampa de um pote por cima, pra não estourar a luz no gelo. Pra não molhar a lanterna tinha um pratinho plástico de bolo por baixo. E viva as gambiarras:

Design + ice = Designice!

Que tal?

Da série de trocadilhos tipográficos ainda tem a FUTURA FERRUGEM e a TRIPOGRAFIA :)

Fixei meu foco aqui e acolá, futriquei de longe e de perto, relacionei, pesquisei, olhei reto, olhei torto. Tenho reparado em algumas movimentações no mercado de design nesses tempos e resolvi listar, agora no comecinho do ano, o que acredito que vamos nos deparar nos próximos meses. Antes de começar vale dizer que fiz questão de não tratar esse assunto como fruto de uma pesquisa formal mas sim de percepções. E são essas percepções que quero trocar por aqui. Topa? Design em 2013

Tipografia

Muita coisa tem mudado, me parece que a tipografia está cada vez mais em evidência, tanto nas aplicações profissionais quanto nas experimentais, nos cartazes, em workshops, cursos superiores e até em pós-graduação. Livros de todo tipo apareceram no mercado. As soluções alltype chegam pra mim cada vez mais. Com tanta exploração vem junto muita… hmmm… “liberdade poética”, que faz com que entrelinhamentos, kerning, proporções e combinações de fontes sejam meio que deixadas de lado. Tipografia está cool. Se alguns anos atrás existia uma preocupação em não usar muitas fontes num projeto, parece que nesses casos tudo pode. Um, dois, quinze tipos diferentes e pronto, tudo supostamente lindo. Vejam a quantidade de projetos que utilizam fontes estilo sketch ou como rabiscados de giz, mesmo quando nada naquele serviço ou produto se relaciona a isso. Que bom que podemos explorar mais a tipografia mas o cuidado para não perder a mão numa dessas deve ser tomado. Ah, e pixação não é tipografia, me desculpe se decepcionei.

Web

O javascript e os recursos de CSS3 e HTML5 tem surpreendido. Muita produção experimental como jogos, simulações de terceira dimensão e animações a la Flash rolam por aí. As bandas largas aumentam a capacidade e trabalhar com imagens mais pesadas parecem cada vez mais comuns e pertinentes. A tipografia para uso online tem funcionado bem e os sites tem se diferenciado com isso. Não dava mais pra ver tudo com Times New Roman e Arial, né?

Smartphones e tablets

A briga entre as marcas tá boa. O Android, depois de chupinhar toda a navegação e afins do iPhone, parece agora que vai beber da água do Windows 8. Vamos ver no que dá. Se fizerem com coerência pode virar um terceiro sistema, mais autêntico. Senão vai virar colcha de retalhos como é atualmente. Tem opções mais baratas e permitem colocar tudo, pra quem gosta… até vírus pela loja do Google dá pra colocar num Android. A Apple me parece um pouco perdida, mas é traiçoeira. Pode renascer como Fênix… ou decair em queda livre. Tem ótimo hardware mas deve se mexer com os recursos. É bom pensar novamente no visual do IOS, tá ficando um pouco velho e enjoativo com os degradezinhos e afins. Mais um tempo e isso fica cafona. O Windows 8 me parece bem conciso. De qualquer maneira houve procupação da Microsoft em criar algo novo, explorar o design, tipografia, simplicidade. Independente dos resultados (me agradam bastante, confesso), a Microsoft pensou, testou, inovou. Vamos acompanhar. Eu quero que as três grandes se esgoelem e no final, quem sai ganhando é a gente, seja com a marca que for. As tablets estão melhor exploradas, até pra tirar fotos. Aliás, reparem no absurdo de gente que fica no smartphone ou tablet por aí, inclusive com outras pessoas na mesa, no elevador, no mictório (mesmo). Quando eu falava pra ficar atento aos apps não era de brincadeira.

O físico versus o virtual

Algumas pequenas manifestações tem surgido no formato físico. É uma máquina fotográfica analógica, uma Lomo, outra que imprime as fotos na hora como fazia a antiga Polaroid, mas que também guardam a versão digital. Talvez isso seja um movimento contrário à tendência. Do outro lado as imitações digitais para o físico, principalmente em fotografia (Instagram e seus mil concorrentes) e tipografia me parecem crescer bastante. Largue um pouco teu Photoshop, Illustrator e afins. Arrisque nos sketches, nas fotografias analógicas, nos traços a lápis, caneta, nanquim. Já tem um sketchbook? Tenha.

Design gráfico

Infelizmente não tenho visto tanta sacudida no mercado de design gráfico. Já faz uns bons 8 anos que não boto a mão na massa pra criar trabalhos em suportes físicos, mas o que chega até mim não me surpreende no que se diz novidade ou coisa assim. As capas das revistas estão confusas. Os textos cada vez mais compridos e a palavra “barriga” ou “abdômem” não param de estar presente em tudo. Alguém aí pode colaborar e contar as novidades pra gente?

Meus planos para 2013

Muita coisa me espera esse ano. Tomara que consiga fazer metade, já estou feliz. Quero trabalhar com um grupo de designers recém-formados num projeto social, estudar mais sobre criatividade (pratica e teoricamente), dar algumas aulas como fiz no ano passado, executar testes em arquiterura da informação e entender melhor sobre a história geral de São Paulo e suas revoluções. Visitar alguns museus que não conheço. Alguns workshops já estão marcados. E vâmo que vâmo.

Você em 2013

O que chega até você sobre design? O que acha que vai acontecer esse ano? Tendências? Tem livros na fila? Cursos? Restaurantes pra provar? Viagens? Vamos lá, coragem, deixa teu registro no comentário, mesmo que uma, duas, dez ou oitenta linhas. No final do ano a gente conversa de novo pra fazer o checklist!

;)

Alô você, chefe (ou cliente) de um designer! Ou jornalista! Ou do atendimento, ou a pessoa do marketing. Você sabe bem como ele cuidou bem de seu produto, seja site, revista, livro, material off-line, vídeos… Pois é, e como está chegando o Natal, nada mais justo que essa pessoa tão importante ganhe pelo menos uma lembrancinha, né? Bem, fiz uma seleção fácil de achar, com diversas opções de preços.
Livros

Criar Grids, capa

Princípios Universais do Design

Além do fundamental das bases do design, esse livro da Editora Bookman aborda 125 princípios do design muito interessantes de extrema importãncia que, com o passar do tempo, parecem que se perdem ou ficam esquecidos. Dou mais detalhes sobre ele no post “Princípios Universais do Design

Criar Grids, capa

Criar Grids

Muito legal essa publicação da Editora Blucher. Da coleção “100 fundamentos de layout”, o livro é um beabá sobre a criação de grids para diversos tipos de projetos e avança o nível dos trabalhos à medida que as páginas vão passando. Com explicações bem precisas, a autora Beth Tondreau detalha cada parte dos projetos e seus grids. Mais detalhes no post “Criar Grids

Tipografia Comparada, de Claudio Rocha

Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas

Claudio Rocha, um dos grandes nome da tipografia nacional (e com materiais internacionais também), destrincha fonte a fonte, as compara, pequenos detalhes, curvas, inclusive comparação da mesma tipografia feita por type foundries diferentes. Livro lançado pelas Edições Rosari. Mais informações no post “Tipografia Comparada [Claudio Rocha]

Morte aos Papagaios, de Gustavo Piqueira

Morte aos Papagaios

O designer Gustavo Piqueira (veja uma minibio + portfolio) mais premiado da ADG e lider da Casa Rex e que tem trabalhos fenomenais em tipografia, design gráfico e embalagem, trata como papagaios com os “repetidores” de soluções e de jargões do design. As propostas de reflexão do livro são daquelas que chacoalham a nossa cabeça e fazem diversos assuntos serem repensados. Para saber mais veja o post “Morte aos Papagios [Gustavo Piqueira]

Ex-Libris

Ex-Libris

Os ex-libris, cada vez mais em desuso, são etiquetas coladas no começo do livro que designiva quem era o dono. São retratos da identidade de cada tempo, de cada personalidade (inclusive personalidades da política e literatura), que essa publicação da Ateliê Editorial, por Plínio Martins Filho, os categoriza e reúne. Mais informações no post Ex-Libris

Geometria do Design, Cosac Naify

Geometria do Design

Ótimo livro que mostra como a razão áurea (presente em infinitos exemplos na natureza) e a geometria e os cálculos podem ser fundamentais nos nossos projetos e como isso foi utilizado na arquitetura, design de produtos, escultura e principalmente no design gráfico. Além de ensinar como se trabalha com polígonos com razão áurea, tem também diversos exemplos de cada uma dessas áreas, com folha vegetal por cima da imagem pra ver o grid. Como ainda não fiz post pra esse, tá aqui no site da CosacNaify

Filmes

DVD As Bicicletas de Belleville

As Bicicletas de Belleville

É o desenho animado mais impressionante que já vi. Os personagens, o enredo, o ritmo… É tudo diferente de tudo que existe por aí. As mesclas de ilustrações manuais com 3d (e você nem percebe!) e vídeos tornam o desenho bem híbrido e bem peculiar. Além de tudo isso tem um mini-documentário que conta como as inspirações chegaram, as referências visuais, o processo criativo. Ou seja, 100% design! Veja o site oficial [em inglês]

DVD O Mágico

O Mágico

Do mesmo criador de As Bicicletas de Belleville, O Mágico (L’illusionniste) é também uma excelente animação. A linguagem é parecida, a narrativa é calma, gostosa e com alto teor de melancolia. Ótima referência visual, roteiro, ilustração, fora do tradicional

Para trabalhos manuais

Caneta-pincel (fude pen). Foto: Marco Moreira (@ximarquinho)

Caderno estilo sketchbook + canetas-pincel (fude pens)

Nada melhor que trabalhos feitos à mão pra espantar um pouco a dependência do computador que podemos ganhar com o tempo. Um bom sketchbook e algumas cores de canetas-pincel (fude pens) podem proporcionar horas e horas de diversão. É fácil de achar nas lojas de material artístico ou papelarias mais bacanas. Tem um texto bacana do Marco Moreira que fala de sketchbooks

Cursos

Oficina Tipográfica São Paulo

Curso de composição tipográfica manual na OTSP, Composição Manual

Uma chance incrível de criar peças como era feito no começo do século passado. No módulo um com os mestres Marcos Mello e Claudio Rocha com sua equipe, o aluno faz um cartão de visita, como eu conto no post Curso de composição tipográfica manual I: Cartão de visita

Curso de caligrafia para designers com Andrea Branco

Cursos de caligrafia

Uma ótima opção para quem quer apurar o olhar e praticar caligrafia, que ganha cada vez mais espaço no mercado. A Andrea Branco é calígrafa há mais de 20 anos, dá aulas maravilhosas. Dê uma olhadinha no Flickr dela e acompanhe a agenda dos workshops. Outro mestre da arte caligráfica é o Cláudio Gil, paciente e didático, além do clássico também passeia pelos experimentos com materiais não convencionais.

Veículo

Chevrolet Camaro 2011

Chevrolet Camaro 2013

Uma outra ótima opção pro presente de Natal é um maravilhoso Chevrolet Camaro 2014! São 406cv num motorzão V8, de 6.2l. Eu gosto bastante desse, amarelo. Foi pro Salão do Automóvel como carro-conceito e agora é comercializado. É praticamente a mesma relação de quando um designer faz um projeto pessoal que vira produto… Mais informações no site da Chevrolet

Mande pro seu chefe, cliente, namorada (o), irmão, sei lá. Mande pra todo mundo, vai que você ganha algum! :) E aí? Mais sugestões de presentes para designers? Então deixe nos comentários!

Sim, escolhemos “humanas” na hora de seguir a carreira, eu sei. Isso, claro, não exclui por completo as exatas da nossa vida, seja na hora de cobrar por um freela, seja na hora de se planejar financeiramente. Pelo menos não deveria. Fato é que no mercado de trabalho temos uma “matemática” muito importante a seguir: o famoso e temido prazo de entrega.

Ok, aí podem vir todas aquelas argumentações de “ai, mas tudo é pra ontem”, “ai, mas meu cliente não sabe de xyz”, “lá no trabalho ninguém tá nem aí pra nada…”, só que não é essa parte do prazo de entrega que pretendo tratar. Como diria o poeta: Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem. Quero falar sobre como pode ser (e efetivamente é) exato o tempo dedicado ao trabalho e as consequências disso tudo.

Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem

Bem, do meu lado, tenho um processo de trabalho muito bem definido. Atuo como diretor de arte (mas confesso que prefiro o termo designer, apenas) em produtora digital e os passos são bem respeitados. Todos eles são seguidos, toda a estrutura é bem feita porque quero um projeto bem feito. O cálculo é simples e certeiro, como deve ser uma conta de boteco bem feita. Não existe anjo salvador nem pacto com capeta.

Pode até parecer bobagem, mas me deparo com muitos que não conseguem entender como funciona a Matemática dos Danos. Aliás, Matemática dos Danos é um termo que criei pra definir isso, não está nos melhores livros de matemática do mercado, nem foi dito numa palestra do TED, nem escrito em algum Kotler. Funciona assim: Um projeto deve ser feito. Pra que ele fique como deve ser são necessárias, por exemplo, 100 horas de trabalho. Se você inventar de querer fazer em 50 horas, algo vai se perder do processo: ou o projeto não vai ficar como deve, ou ficará errado, ou ficará incompleto, ou precisará ser refeito, vai custar mais grana, quebrar mais pra frente e precisar ser estruturado como se deve (ou devia ser feito de cara). Se alguma etapa do processo for removida pra “adiantar”, algo vai atrasar depois.. Pela Matemática dos Danos, como dizem por aí, é preto no branco. Ou vai ou não vai. Se for como deve, ok, se não for, algo vai ser perdido (além do tempo…) e, novamente, não vai ter reza que solucione.

Você pode ser dessas pessoas mais felizes que não ligam pro trabalho e o tocam apenas como algo de baixa importância na vida. Você sim, é feliz. Pra quem é, como eu, que sempre procura melhorar profissionalmente e “sofre” com o que há de errado por aí no mercado, participar sempre de processos e projetos dentro da Matemática dos Danos é um indício quase que definitivo que onde você trabalha não é um lugar interessante pra ti.

Pergunto: Qual tua relação com processos dentro da Matemática dos Danos? Qual foi o pior? Como resolve isso?