“Chegou a hora do Design Thinking” ou “prá você que fica de mimimi na internet”

Mimimi

Um, dois, três, duzentos. Em poucos minutos. É assim que tenho visto o número de comentários e posts nas redes sociais principalmente sobre questões políticas, como a falta d’água que acontece aqui em São Paulo. É tão tentador reclamar de tudo, as vezes me pego envolvio com mimimizagens, também. Não tenho os números nem pesquisei cientificamente a respeito, mas posso assegurar que são milhares de horas utilizadas para fazer comentários em portais de notícias e declarações mimadas no Facebook, Twitter, Whatsapp e quaisquer outras plataformas. São milhares, milhões de pessoas se juntando pra… RECLAMAR. E não é reclamar na porta da Prefeitura de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes ou qualquer outro lugar que poderia trazer algo em troca. É “na internet”. Sabe o que adianta fazer todo esse mimimi? Eu respondo, sem piedade nem pudor: NADA. É, isso mesmo, absolutamente NADA.

Do outro lado, há alguns anos, a cultura de inovação tem sido aproveitada por muitas organizações no Brasil e no mundo. Mudanças disruptivas aparecem. São diversos escritórios de extrema competência (como a Design Echos / Escola de Design Thinking, a Live | Work, a IDEO…) que implementem ferramentas para explorar a criatividade, o Design Thinking, a Confiança Criativa (ou Creative Confidence) nos mais diversos segmentos: para alavancar os lucros de uma empresa, para resolver o problema de um aparelho de ressonância magnética que faz crianças precisarem ser sedadas para realizar o exame, otimizar o tempo fazendo compras pelo smartphone em prateleiras impressas na estação do metrô, criando filtros de água para povos extremamente problemáticos da África e tantos outros. O Design Thinking une as pessoas das mais diferentes áreas (e só vai funcionar num esforço coletivo), potencializa as ideias de todos, quebra barreiras criativas e abre um novo universo de exploração para todos os envolvidos. E não importa se é para resolver um problema de uma igreja, de uma parada de ônibus, de um equipamento de pesca ou pra melhorar a experiência de alguém com algo, o Design Thinking está disponível e pode (ou seria DEVE?) ser usado.

Voltando aos mimimizentos digitais: Se 10% de todo esse esforço de mimimi fosse convertido em ações conjuntas com objetivo de propor soluções para o problema da água ou qualquer outro da cidade, tenho certeza que muita coisa boa nasceria daí. E seria feita, realizada, colocada em prática e os frutos colhidos. Mudaria a realidade que tanto incomoda tanta gente, bem diferente de toneladas de bytes jogados ao léu.

Aguardo ansioso pelas reclamações nos comentários 😉

O botão VOLTAR do navegador é do Coisa Ruim, coisa do Demônio, do Tinhoso, do Cramulhão

Por diversas vezes em conversas informais, aulas ou palestras que assisti, artigos e livros sobre arquitetura de informação ou design de interface, o pobre do botão Voltar do browser atuava como um vilão. Se o usuário clicasse nele, o projeto digital estava capengando em organização, em uma boa arquitetura ou com problemas de elementos visuais não muito bem definidos. O termômetro do fracasso do projeto web (não necessariamente de todo, mas no que se refere à navegação) era o clique no botão Voltar.

As justificativas eram diversas, mas giravam em torno de algo como  “ele clicou no Voltar porque não encontrou como fazê-lo na interface do site”. Clicou no Voltar, tá errado e ponto final.

Estamos num momento das mídias digitais bem interessante, onde o que foi dito no começo dos anos 2000 que eram as verdades da época, podem e devem ser questionadas. Quando eu escrevi sobre os professores vintage me referia ao tipo de profissional que se apegava às antigas verdades e nunca mais queria abandoná-las. Com os avanços em banda larga, linguagens de programação, equipamentos é claro que as experiências mudam e, quem as executa, também. No final da década de 1990 foi quando aqui no Brasil tivemos uma explosão de provedores de acesso, contas de email gratuitas e tudo. Os usuários vem treinando o acesso à internet já tem certo tempo, sei lá, 10, 12, 15 anos. Nesse cenário inicial – e que se agora tem empresa que não entendeu que precisa de um arquiteto de informação, imagine na época – a internet era uma tremenda zona: o Macromedia Flash permitia explorar ao máximo a questão de interatividade com música e vídeos de um modo impossível em outras tecnologias. A banda larga dava conta do que se precisava. Muitas possibilidades se abriram e com elas, claro, muitos experimentos. Não havia um padrão, um formato, um design pattern tão bem definido. E nem poderia haver se a questão era experimentar, testar.

Botão Voltar do navegador

Uma nova maneira de conhecer conteúdos versus experimentos atrás de experimentos: claro que não tinha como o usuário aprender o geral nem criar um padrão mental de nada. Se o usuário não identificava relações comuns entre os projetos, ele apelaria – e nem sei se apelar é a palavra correta – para o que ele conhecia muito bem que era o próprio navegador. Por mais que os sites fossem diferentes em cores, tipos, navegação, o botão Voltar estaria sempre lá, esperando pra resolver o problema imediato do cidadão: voltar para a página anterior. Só isso. A navegação do Windows 8, por exemplo, é toda baseada no botão de voltar. No Android o botão voltar faz parte do hardware do aparelho. Ah, óbvio que a arquitetura de informação do projeto tem que ser bem feita para poder ser navegada sem a ajuda do botão Voltar, mas caso o usuário não utilize os meios criados e apelar para o navegador, não será uma heresia do projeto nem necessariamente um erro de projeto.

Talvez os reclamões da época que faziam do botão Voltar uma obra do capeta pensassem que o único projeto digital em questão era o site e não o todo, afinal de contas o navegador também é um projeto digital, tem sua curva de aprendizado e afins, tal qual o sistema operacional que o suporta. Olhar o todo é o segredo, que nem é tão secreto assim.

Um exercício muito legal é pegar literatura sobre cultura digital, design de interfaces, de interação de 8 anos atrás (ou mais) e tentar verificar com o que temos agora. Sempre gera um bom estudo e resultados as vezes bem inesperados.

E você? Conhece mais questões do design gráfico, digital ou tipografia erroneamente sustentadas como essa? Deixe nos comentários!
😉

O usuário é burro!

O usuário é burro!

O usuário é (muito) burro, o usuário não sabe nada, o usuário é uma anta, o usuário é um idiota. Essas e outras frases, infelizmente, estão presentes muitas vezes nas discussões dos processos de arquitetura da informação e design de interface (e todos esses nomes que foram dissociados e que eu nem sei quem faz o que…) e que mostram que ainda tem gente que não entendeu nada sobre design, projeto, usuário.

Antes de tudo, garanto que quem acha o usuário burro nem sabe nada sobre ele. Nesse ponto já temos dois erros: (a.) generalizar (b.) algo que não se conhece. O usuário é alguém que vai usar o projeto que fizemos. É isso, simplesmente. Se ele é letrado ou não, tem experiência ou não, habilidades mil ou não, não importa. Nossa função, enquanto designers, é fazer algo que o atenda, no caso dele ser o público alvo. Fácil, né? Mas ainda tem muita gente que não entendeu essa conta simples.

Cadastre-se em 100 formulários com problemas de programação e concorra a uma tv de 60 polegadas

Mensurar como um usuário se comporta quando há o “desespero” atrás de uma informação como essa que brinco no subtítulo acima não vale de muito. É algo que ele quer desesperadamente. Assim como comprar ingressos online, usar serviços do governo, Poupatempo e similares. No caso desse tipo de serviço:
1. É a única opção do usuário de executar uma ação, como tirar um CPF novo, por exemplo
2. É a única opção que tem pra ganhar algo ou para concorrer: pode esconder a informação que ele dá jeito de achar

Em outras palavras: se estiver bem planejado ou não, quase que tanto faz. O usuário vai atrás da informação porque não há outra escolha.

Como o mundo (ainda bem) não é feito apenas por frutos da publicidade e a informação e o conteúdo ainda é valorizado, temos uma diferença imensa, quase que oposta na hora de projetar conteúdos informacionais, culturais ou editoriais para os usuário. Primeiro porque ele pode ter caído nesse conteúdo diretamente por um resultado de busca ou mídia social. Segundo porque esse projeto pode não ser o único lugar que ele vai encontrar a informação desejada. Ou ele vai pra outro ou ele desencana e segue a vida, afinal de contas é “só informação” e não um carro zero ou Playstation 6. Lá deve ter a informação que ele deseja, não a que você quer que ele queira.

O projeto não deve ser feito pro cliente: deve ser feito para o usuário do produto do cliente

Algo que parece simples (mas não faço ideia porque não se faz) e no fim é complicado de entender é que o projeto deve atender quem usa, não quem faz, tampouco quem paga pra ser feito. Clichê de primeiro ano de faculdade. Em apresentações de trabalhos (seja em cliente ou palestra, evento) é comum rolar uma pirotecnia vendida por um showman sorridente. Bela porcaria. O usuário não sabe disso, não vê isso, nem acessa. Uma mesa escolar feita para crianças canhotas deve ser feita para crianças que, por acaso, são canhotas. E essas crianças tem um porte físico que é diferente em cada região do Brasil. Não é tudo a mesma coisa. E uma criança do sul, geralmente maior do que uma do nordeste, não é burra porque não cabe direito no espaço disponível. Da mesma maneira, aquele senhor de 89 anos que está num site de idosos e não vê o botão gigante que “era pra ser clicado” ou não consegue ler a Arial 9px não é burro. Aqui eu falo sobre projetos digitais, mas isso pode ser aplicado a uma embalagem, a um livro, revista, sofá.

Post em versão resumida

O usuário é quem usa, quem deve usar. Se o usuário não consegue fazê-lo, o problema não é dele, é seu.

 

A imagem veio do Library of Congress

Qual é a tua fonte?

Qual é a sua fonte?

O jornalista me respondeu que não podia me revelar a sua, já que lhe fornecia tantas informações valiosas;

O arquiteto me mostrou a que fica na Praça da Sé, na capital paulista, que enfeita a cidade e também é onde os moradores de rua usam pra se banhar quando a polícia não vê;

O geógrafo me levou até Águas de Lindoia (SP) e falou que a água lá é de ótima qualidade;

O eletricista apontou pro alto de um poste e contou que aquela era responsável pela energia elétrica do prédio onde eu moro;

O médico me perguntou qual dos lados da cabeça, direito ou esquerdo, que eu queria saber;

Que me desculpem os jornalistas, os arquitetos, os geógrafos, os eletricistas, os médicos, mas nenhuma dessas fontes é mais linda e interessante que uma Garamond, uma Caslon ou uma Bodoni. Perdão!

Ah, e antes que alguém me pergunte da fonte dessas informações, foi o Dicionário Aulete 😉

Cultura gráfica #0: Você é o que você vê

Cultura gráfica #0: Você é o que você vê

Me perdoem pelo clichê, mas você, enquanto designer, é o que você vê e principalmente o que procura ver. A conta é simples: se você ficar atrás de lixos visuais, provavelmente teus trabalhos e tua percepção ficarão viciadas em lixos. Não que você necessariamente faça lixos exatamente como os que vê, mas no mínimo deixa de fazer melhor. Simples e objetivamente, é isso. Mas não é só isso: se você opta por disseminar o que não presta visualmente, quem vê deixa de aguçar sua percepção também. Se forem designers, um problema. Se não forem, também. Talvez maior.

Antes de seguir: O que eu quero dizer com cultura gráfica?
A cultura gráfica poderia, talvez, ser chamada apenas de cultura, que vem do cultivo e do contrário da ignorância, como diz a definição do dicionário que usei pra ilustrar esse artigo. Optei por reforçar que me refiro à parte visual do que pretendo expor com o complemento “gráfica” no nome. A cultura, como cultivo de algo, nunca consegue ser instantânea. Sempre depende de tempo e de bastante trabalho. No caso da cultura gráfica, por exemplo, não é uma única ida ao Museu de Artes de São Paulo ou assistindo aos incríveis Durval Discos e O Carteiro e o Poeta que tá tudo certo. São necessárias dezenas, centenas, milhares de referências – boas e diversificadas referências – para que as camadas sedimentares culturais visuais se depositem e formem, cada vez mais solidamente, um repertório mais sólido e favorável ao mundo do design e da arte, seja para um designer, um artista, um advogado ou bancário.

Num flashback aos meus anos de ensino fundamental e médio, algumas perguntas eram sempre repetidas nas aulas de matemática, por exemplo:

– Mas quando eu vou usar uma equação do segundo grau na minha vida?
– Pra que serve eu saber o volume de um tetraedro regular?

A equação, pela equação, talvez nunca. E talvez nunca também precise saber a área de um tetraedro regular. Mas não é pra isso que serve a matemática na escola. Ela serve pra ensinar a lógica. Da mesma forma que temos que aprender português pra que nos expressemos de maneira correta, nas mais diversas situações. As aulas de educação artística, que muitas vezes são deixadas de lado ou não são levadas tão a sério como as das outras disciplinas, servem para “ensinar a sensibilidade” e iniciar a cultura gráfica a partir de um método educacional. E uma pena que nem sempre isso ocorra.

É bem comum que um observador se incomode quando os padrões visuais de uma paisagem natural ou urbana seja quebrado. Uma casa extremamente popular no meio de um bairro rico, uma árvore centenária que não pode ser derrubada no meio de um shopping center glamuroso, um Fusca estacionado em frente à uma concessionária da Ferrari. Esses contrastes mesmo que comuns, além de chamarem a atenção do observador, causam certa estranheza que pode e deve ser valorizada. Tão importante quanto essas quebras visuais externas é quebrar o padrão de repertório que um observador tem, até que isso seja mais usual e absorvido por ele. Dessa forma a cultura gráfica é, me desculpem o trocadilho, cultivada. Em exemplos mais diretos: é mostrar o grunge para o clean, a Caslon para a Helvetica, a máquina de escrever para o iPad e os contrários. E claro, a ideia não é que o grunge tome banho ou o clean brinque na lama: é que cada um deles abra seus leques e perceba o que há ao redor e, de repente, absorva alguma característica, o conceito, o comportamento ou o visual propriamente dito.

E por que é importante que designers e não designers aumentem sua cultura gráfica?
Os designers em geral precisam beber da água cultural sempre, e de todas as fontes. O Claudio Ferlauto sempre me ensinou que o norte do design é a cultura. Quando mais cultura um designer tem, mais reflexos dos bons ele tem em seus trabalhos. Quem mora na Europa, por exemplo, é acostumado sair de casa e praticamente tropeçar em História da Arte na ida à padaria, coisa que não ocorreria numa cidadezinha do interior de Roraima. Nesse caso nem o europeu pode se dizer plenamente abastecido de cultura nem o interiorano pode se dizer sem. Como citei anteriormente, o processo de promoção cultural é lento e, quiçá, vitalício.

Para os não designers é bem simples entender o motivo: quanto mais repertório visual eles têm, mais valor ao nosso trabalho vão dar. E as coisas mudam. Demoram, mas mudam.

Eu sou um eterno defensor e militante da propagação da cultura gráfica e acredito que essa atitude só tem a melhorar a vida de quem é envolvido.

Como você promove a sua cultura gráfica? E a dos outros?

Detone nos comentários, hein?

Nota: esse tema será dividido em quatro partes. Em breve as demais aparecem por aqui, também. Volte sempre 😉

História do design em 2063

Provavelmente haja um momento da história do design que você goste mais. Ou uma escola, um movimento, um estilo, tanto faz. E também provavelmente você seja capaz de citar cartazes, objetos, tipografia, cores e outros detalhes dessa sua preferência. Confesso que as minhas mudam com o tempo. Mas sempre tenho algum.

Tenho feito tentativas de categorizar ou identificar como é nosso design atual e não tenho conseguido muito sucesso. O que é efêmero parece tomar conta de quase tudo. Muita coisa rápida, sem planejamento, feitas pra durar por pouco tempo (e não falo de móveis ou veículos, falo de publicações, mesmo). Como será que vão falar do nosso design daqui 50 anos, em 2063? Quais seriam as características? Percebo tudo clean e sóbrio e repentimanete vira muito caótico, grunge, underground (ah, os anos 1990…) e de repente, PLIM!, o clean toma de volta a atenção dos holofotes e tudo volta no começo desse ciclo. Um minimalismo (ou falso minimalismo/minimalismo preguiçoso) as vezes também dá suas caras. A exploração tipográfica anda em alta, os processos de criação parece que têm caído na “Bolsa do Design”. E a proporção áurea, hein? Alguém aí já usou num projeto? Mas seriam essas as características estudadas pelos alunos da década de 2060? Será que algo vai se segurar visualmente até lá, como fez a Maizena nos últimos 150 anos?

Desculpe, acho que soltei uma rajada de perguntas de uma só vez. Uma respiradinha:

Transformers, Estrela, anos 1980

Eu nasci em 1980, consigo mapear o que era visualmente explorado na época, as cores berrantes, o 3D, uma volta ao rétro (sabe qual a diferença entre vintage e rétro?), posso falar dos objetos de desejo da época, os brinquedos, carros, eletrodomésticos, discos, filmes. E hoje? O que temos?

Outro questionamento que faço é sobre vanguarda de hoje, será que o que produzimos é a vanguarda ou serão os suportes (como os smartphone, as tablets, as smart tvs…) que ocuparão esses espaços na história do design? Ainda existe vanguarda? E o design gráfico? Stephan Sagmeister? John Maeda? Gustavo Piqueira?

Em suma: Como você imagina que falarão do design da década de 2010 na década de 2060? Quais seriam os objetos de desejo? Abuse nos comentários!

Não sei se daqui vão sair respostas precisas pra todas essas perguntas, mas eu volto pra esse post aos 83 anos pra conferir. O legal vai ser a discussão e a troca de ideias, como sempre ocorre por aqui. E quem acertar ganha um doce 😉

 

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser]

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Capa

O design thinking e os meios de inovação aplicados aos negócios têm se provado cada vez mais eficazes e imprescindíveis para as empresas que analisam o que ocorre no mundo, desejam mudar a mentalidade dos corpo de funcionários, como são vistas no mercado e, pode-se dizer, evoluir. Evoluir, sim. A humanização dos processos atinge cada vez mais áreas e quem tem feito coisas realmente interessantes por aí tem perdido o comportamento quadrado e tradicional. A novidade agora é buscar a novidade. É só olhar quantas startups aparecem por aí e buscam atender os nichos, algum momento do dia, suprir algo que atrapalha um pouquinho ou um montão o cotidiano. Isso é traduzido com serviços pra população, como aplicativos para smartphones, bicicletas grátis em programas junto aos bancos (é, até os bancos, “quadrados” como são, estão cada vez mais dentro desses processos), projetos sustentáveis, ONGs, projetos que vivem das Caudas Longas. Nesse cenário, claro, as publicações sobre os processos de design thinking aumentaram significativamente. Ainda bem.

Algumas traduções importantes chegaram ao Brasil, como o Design De Negócios (do Roger Martin) e o Design Thinking (do Tim Brown), além do tupiniquim Design Thinking Brasil (ou DTBr, do Tennyson Pinheiro e o Luis Alt, da LiveWork), todos pela Campus Elsevier. Em todas essas publicações são abordados bons exemplos de inovação, processos criativos e essas aplicações que geraram bons, ótimos negócios.

Design Works [Heather Fraser]De qualquer modo, a aplicação das ideias e ferramentas inovadoras é bastante prática. Os estudos podem sair de ações práticas, os produtos, tudo. Aí vem aquela imagem na cabeça de quilos de post-its grudados em quadros, pessoas sentadas em roda, escritórios coloridos etc. Esses ambientes e essas abordagens são propícias pra trabalhar com esse tipo de ação inovadora, mas restava saber pelas literaturas do tema como e quais eram as ferramentas utilizadas durante os processos práticos do design thinking. É nessa linha que entra o livro Design Para Negócios Na Prática – Como Gerar Inovação e Crescimento Nas Empresas Utilizando o Business Design (do original Design Works – conheça o site em inglês), da Heather Fraser. A autora, aliás, que é pupila do Roger Martin que citei anteriormente e que escreve o prefácio dessa obra.
O sumário:

PARTE I
A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS (BUSINESS DESIGN)
PANORAMA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS – Criando, entregando e sustentando valor
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO -Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia
PREPARAÇÃO PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
TRANSFORMAÇÃO – Incorporando o Design para Negócios na empresa

PARTE II
FERRAMENTAS E DICAS PARA A PRÁTICA DO DESIGN PARA NEGÓCIOS
LISTA DE FERRAMENTAS E DICAS
PREPARANDO-SE PARA A JORNADA – Estabelecendo as bases
MARCHA 1: EXPLORAÇÃO – Reformulando a oportunidade
MARCHA 2: DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO – Renovando a visão
MARCHA 3: DESIGN ESTRATÉGICO PARA NEGÓCIOS – Reorientando e ativando a estratégia

A autora usa uma metáfora para os capítulos como as marchas de um carro: uma engata na outra e o veículo desenvolve coerentemente. E nada de pular marchas! Na PARTE I tem alguns exemplos e definição do design de negócios, o básico para seguir. A PARTE II, que corresponde a mais da metade da publicação e é pra mim o grande trunfo da autora, é repleta de ferramentas da aplicação do conteúdo, uma a uma, explicadinha porque é importante e como fazer.

Nota 1: Essa obra foi “revisada” pela Symnetics, uma empresa de Business Design. Eu li antes a publicação original em inglês (como parecerista desse livro) e não vi nenhuma necessidade das intervenções feitas. Da mesma forma, inclusive, que ocorre com o Design de Negócios, do Roger Martin. Nada que influencie na versão em português, nem positiva e nem negativamente.

Nota 2: A capa da edição brasileira ficou muito mais bonita do que a original e o título é mais específico do que simplesmente “Design Funciona” ou algo assim. De qualquer modo acho que vale a pena a Campus Elsevier dar uma olhada com carinho na mancha de texto e entrelinha/entreletras desse livro. Talvez um ajustezinho possa ajudar. Nada GRAVE, mas podemos melhorar, né?

Design Para Negócios Na Prática [Heather Fraser] - Verso

E você? Participa de eventos, palestras, workshops de design thinking? Aplica na prática os conceitos?

Os projetos de design e a Matemática dos Danos

Sim, escolhemos “humanas” na hora de seguir a carreira, eu sei. Isso, claro, não exclui por completo as exatas da nossa vida, seja na hora de cobrar por um freela, seja na hora de se planejar financeiramente. Pelo menos não deveria. Fato é que no mercado de trabalho temos uma “matemática” muito importante a seguir: o famoso e temido prazo de entrega.

Ok, aí podem vir todas aquelas argumentações de “ai, mas tudo é pra ontem”, “ai, mas meu cliente não sabe de xyz”, “lá no trabalho ninguém tá nem aí pra nada…”, só que não é essa parte do prazo de entrega que pretendo tratar. Como diria o poeta: Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem. Quero falar sobre como pode ser (e efetivamente é) exato o tempo dedicado ao trabalho e as consequências disso tudo.

Se o job é pra ontem, me passe antes de ontem

Bem, do meu lado, tenho um processo de trabalho muito bem definido. Atuo como diretor de arte (mas confesso que prefiro o termo designer, apenas) em produtora digital e os passos são bem respeitados. Todos eles são seguidos, toda a estrutura é bem feita porque quero um projeto bem feito. O cálculo é simples e certeiro, como deve ser uma conta de boteco bem feita. Não existe anjo salvador nem pacto com capeta.

Pode até parecer bobagem, mas me deparo com muitos que não conseguem entender como funciona a Matemática dos Danos. Aliás, Matemática dos Danos é um termo que criei pra definir isso, não está nos melhores livros de matemática do mercado, nem foi dito numa palestra do TED, nem escrito em algum Kotler. Funciona assim: Um projeto deve ser feito. Pra que ele fique como deve ser são necessárias, por exemplo, 100 horas de trabalho. Se você inventar de querer fazer em 50 horas, algo vai se perder do processo: ou o projeto não vai ficar como deve, ou ficará errado, ou ficará incompleto, ou precisará ser refeito, vai custar mais grana, quebrar mais pra frente e precisar ser estruturado como se deve (ou devia ser feito de cara). Se alguma etapa do processo for removida pra “adiantar”, algo vai atrasar depois.. Pela Matemática dos Danos, como dizem por aí, é preto no branco. Ou vai ou não vai. Se for como deve, ok, se não for, algo vai ser perdido (além do tempo…) e, novamente, não vai ter reza que solucione.

Você pode ser dessas pessoas mais felizes que não ligam pro trabalho e o tocam apenas como algo de baixa importância na vida. Você sim, é feliz. Pra quem é, como eu, que sempre procura melhorar profissionalmente e “sofre” com o que há de errado por aí no mercado, participar sempre de processos e projetos dentro da Matemática dos Danos é um indício quase que definitivo que onde você trabalha não é um lugar interessante pra ti.

Pergunto: Qual tua relação com processos dentro da Matemática dos Danos? Qual foi o pior? Como resolve isso?

O “visual designer” e o panachê de legumes

Panachê de legumes Me surpreendi a primeira vez que vi. Lá no restaurante a quilo que eu almoçava não tinha mais os deliciosos legumes no vapor. Simplesmente desapareceram da bancada. No lugar dele tinha um tal de panachê de legumes. Caceta, como eles se pareciam visualmente. Arrisquei e, com o pegador, me servi de uma pequena porção, seja lá o que fosse. O sabor era exatamente o mesmo dos famigerados legumes no vapor. Com o passar do tempo resolvi aceitar o novo nome e almoçava normalmente, como se nada tivesse ocorrido. Mas, de certa forma, ocorreu. Não sei qual foi o fenômeno, mas LEGUMES NO VAPOR, talvez, não parecesse tão gostoso quanto PANACHÊ DE LEGUMES. O mesmo aconteceu quando o meu pai comeu a primeira vez um filé de saint peter. “Que nome é esse? Isso é tilápia“, reclamava meu bom e velho genitor. É, Seo Rodolfo, é tilápia vermelha, sim, daquelas que a gente pescava no sítio do Mirto em Cambuí (MG), lembra? Sei lá que infernos ocorreram no planeta e PIMBA!, tilápia sai de campo e entra de volta, com gel no cabelo e decidiu ser chamada de saint peter. E “ai” de quem não chamar assim.

Meu finado e saudoso cachorrinho, o Leitão, nasceu cachorro em 1991 e morreu cachorro em 2009. Tem alguns por aí que nascem cachorro e misteriosamente se transformam em pet. O creme de abacate se transformou em creme de avocado.

Esses tempos eu descobri que mudei de profissão sem ter feito absolutamente nada. Isso mesmo. Num dia eu era designer, especializado em mídias digitais, de repente noutro eu era “visual designer” ou “front end design”. HEIN? Me querem disfarçar de saint peter, me querem de panachê de legumes. As vezes os termos ganham subdivisões estranhas. Oitocentos trilhões de divisões no rock tipo heavy metal. Todas as variações da Igreja Presbiteriana. Os legumes no vapor e o panachê de legumes. São citados como outros seres, quase alienígenas, parecem algo totalmente novo, que não fazem parte do mesmo império, domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero nem espécie, como diria nosso amigo Lineu e sua taxonomia marota.

Ok, ok, aceito, as segmentações são necessárias conforme as mudanças ocorrem e, como temos infinitas mudanças dessas por ano, é aceitável que algumas subdivisões apareçam. Uma ou outra. Só. Agora tá uma festa. A festa das terminologias felizes que muitas vezes não são bem explicadas nem por quem ocupa as vagas, nem por quem contrata. Dá uma olhada no número de vertentes que tem dentro do design de interaçãoarquitetura de informação, designer de interação, human-interection designer… Talvez um dia cheguemos no que disse Alexandre Wollner muitos anos atrás, sobre os “designers de pão-doce”. Já tem de bolo, quase lá. Ainda não sabem definir o que é design, mas a vida segue mesmo assim.

Prefiro prosseguir, se o mercado me permitir ou não, como designer especializado em mídias digitais e que atua como designer especializado em mídias digitais. E já tá bem bom.

Receita de panachê de legumes

Ingredientes:
1 xícara de cenouras fatiadas em rodelas
1 xícara de buquês de brócolos
1 xícara de vagens fatiadas em rodelas
1/2 xícara de água
1 colher de manteiga sem sal
1 sal a gosto

Modo de preparo:
Cozinhe os legumes com água e sal no microondas por aproximadamente 8 minutos. Eles devem ficar bem macios. Salteie-os na manteiga. Podem ser servidos com parmesão ralado por cima. Couve-flor e batatas também podem compor bem o panachê, vale tentar 😉

Dica:
Anote a receita com o título a lápis. Quem sabe o nome da receita muda novamente, né?

 

Como fazer um brainstorm

Como fazer um brainstorm? Como fazer um brainstorming?

1. Tempo de brainstorming

O brainstorm é bem gostoso de ser feito mas não pode durar pra sempre. Defina um tempo pra que ele aconteça de acordo com o projeto. Nunca vi um padrão muito rígido pra isso, ora são de 10 minutos, ora de 30, ora de 60. Cada profundidade do tema deve ser abordada e tratada de uma maneira.

2. Um de cada vez

Como todos querem chover as ideias, fica bem fácil rolar uma inundação e ninguém ouvir nada com todos falando junto. É importante que cada um fale de uma vez para que todos possam compreender certinho cada uma das ideias durante o brainstorm. É um método conjunto e as peculiaridades são a diferença.

3. Foco (e nada de blur!)

A novela tava legal? O time deu uma goleada? Fale de tudo isso, mas NÃO durante o processo de brainstorming. Vai pro boteco depois, sei lá. AQUI É FOCO! A imersão no tema é necessário para que as ideias fluam com mais naturalidade e perder tempo com outros assuntos é o que chamariam de “tiro no pé”.

4. Quantidade é essencial

Fazer julgamentos ou cortar um colega durante o brainstorm não é nada interessante. É, como o nome diz, uma tempestade de ideias. Deixa chover tudo que tiver, depois verifica se dá ou não pra fazer, se terá dinheiro ou não, se o departamento de TI vai ou não entregar na data…

5. Co-criação e interdisciplinaridade

Por mais absurdas possam ser algumas ideias é importante que se trabalhe em cima delas. Mais gente trabalhando uma ideia significa mais chances dela se adaptar ao projeto e concretizar bem o brainstorm. Tornar as ideias gráficas ajuda muito a compreensão geral e misturar diferentes profissões e disciplinas também: o design thinking que o diga!

6. Censurar é censurado!

Aqui não é permitido censurar. A ditadura militar no Brasil acabou em 1985. Se quiser fazê-lo, faça em casa com teu filho, irmão menor, sei lá.

7. Documentar o brainstorm

Depois de 3 minutos de muitas ideias ninguém lembra das primeiras. Isso se repete durante todo o brainstorm. Deixe um responsável em anotar as ideias, entregue post its para cada membro, grave o áudio e/ou o vídeo (afinal de contas os smartphones devem ser usados de maneira “smart”, não?), enfim, existem mil maneiras de documentar o que foi trabalhado.

8. Tabulação das ideias

De quase nada adianta um bom brainstorm se ele não for tabulado, dividido em clusters e preparado para algo como um pós-brainstorming, onde todas as ideias reunidas, as principais escolhidas, estudadas, e organizadas para se tornarem algo concreto. É como uma peneira: tudo foi aceito mas no final sai o que é mais relevante. O que não foi usado pode ser engavetado, nunca sabemos quando podemos retomar as ideias ou juntar parte da discussão desse projeto com outro ou outros diferentes. É muito papel pra guardar? Tudo bem, organize, fotografe e mande pro lixo reciclado.

E você? Tem mais dicas para um bom brainstorm? Deixe nos comentários, vamos co-criar!