Designices

“Para que o design tenha sucesso, ele deve atender às necessidades básicas dos usuários antes que possa satisfazer às de nível mais alto.”

“As necessidades de funcionalidade relacionam-se ao atendimento dos requisitos mais básicos do design. Por exemplo, um gravador de vídeo deve no mínimo aferecer a possibilidade de gravar, reproduzir e rebobinar os programas gravados. Nesse nível, os designs são considerados algo de pouco ou nenhum valor” – William Lidwell, Kristina Holden e Jill Butler, no livro Princípios Universais do Design, Editora Bookman

“Antes da Revolução Industrial, quase todas as culturas eram locais. A economia era agrária, o que distribuía as populações com tanta dispersão quanto as terras disponíveis, e a distância dividia as pessoas. A cultura era fragmentada, gerando sotaques regionais e músicas folclóricas. A falta de meios de comunicação e de transportes rápidos limitava a miscigenação cultural e a propagação de novas ideias e tendências. Essa foi uma primeira era da cultura de nicho, determinada mais pela geografia do que pela afinidade.” – Chris Anderson, no livro A Cauda Longa, Editora Campus Elsevier

“Todas as histórias do design publicadas até hoje, e isso também se aplica em grande parte ao presente trabalho, têm o design das metrópoles como objeto. Nas obras de referência e nos livros ilustrados sobre o design gráfico e industrial, aparecem apenas objetos de design dos países capitalistas industrializados e altamente desenvolvidos da Europa e da América do Norte. Por que isso acontece? Devamos acusar os autores de uma limitada visão eurocentrista que ignora uma parte da prática do design? (*)” – Beat Schneider , no livro Design – Uma Introdução, da Editora Blucher

*: Claro que no livro o autor continua e conclui esses questionamentos, exemplifica e questiona mais. Trouxe esse trecho pra cá para propor discussões.

“Em nenhum projeto o designer é senhor absoluto das decisões. Elas estarão sempre balisadas pela interlocução dele com as vozes dos demais atores que participam do processo. Essas vozes são múltiplas: São do cliente, dos outros profissionais envolvidos, dos produtores, dos usuários, da história do assunto específico tratado no projeto, da história do próprio design”.  – Chico Homem de Melo, no livro Os desafios do designer, das Edições Rosari

Sobre a criação de logos como o da Copa do Mundo de 2014:

“(…) é que o processo de fazer esse tipo de logo é complicado e geralmente o resultado é ruim mesmo. Conversando com Stefan Sagmeister há algum tempo, ele comentou bem isso. Todos os logos bons, que vêm durando muito tempo, foram criados por uma pessoa, não por uma equipe” – Julius Wiedemann, diretor de publicações digitais e responsável pela seleção dos títulos de design da editora Taschen, em entrevista na abcDesign # 34 (jan/fev 2011).

“(…) Só em 1808, o Rio de Janeiro recebe sua primeira oficina tipográfica (a tentativa de Antonio Isidoro da Fonseca em 1746 fracassou). (…) esses episódios ‘vade retro’ e a inauguração, os começos e o desenvolvimento que sucintamente relata e que, num certo sentido, é a própria história da política, da cultura e da ciência do Brasil independente.

(…) Já em 1809 era construído um prelo de madeira no Rio de Janeiro, destinado à Impressão Régia; em 1822 contava com 11 prelos e, em ’45, possuía seu primeiro prelo mecânico. Com o tempo, a denominação da oficina foi sendo mudada: ‘Imprensa Nacional’, ‘Typographia Real’, ‘Typographia Régia’, ‘Typographia Nacional’, ‘Régia Typographia’ e, finalmente, a atual que é ‘Departamento da Imprensa Nacional’.” – livro de 1979, do MASP, História da Tipografia no Brasil

“O design é divertido e funcional. Utilize-o para anunciar um bazar no quintal de casa, convidar pessoas para uma festa ou dar nome à sua banda. Ponha sua marca em camisetas, ímãs, pulseiras, bolsas e capas de livros. Compartilhe seus produtos com parentes e amigos. Ao invés de comprar ou usar as marcas que você encontra nas lojas, crie a sua própria, por meio da arte do design” – Ellen Lupton e Julia Lupton, no livro Eu Que Fiz, da Cosac Naify.

Sobre o excesso ou a falta de elementos em um projeto:

“O quanto devemos aparecer? Como tudo relacionado a design gráfico, não existe uma resposta única e verdadeira. Devemos aparecer o quanto cada projeto exigir que apareçamos. Nossa relação com os projetos não pode ser uma relação de servidão, nem deste com relação a nossa linguagem, nem nosso com a relação às suas solicitações. A sofisticação de um projeto não pode ser medida pelo número de elementos nele presentes. Nem pela simples ruptura de paradigmas. Não podemos resumir o processo a uma equação lógica ou a um impulso pessoal. (…)” – Gustavo Piqueira (minibio + portfólio | veja os posts com a tag Gustavo Piqueira), no livro Morte aos Papagaios, da Ateliê Editorial.

“O gosto é uma convenção socialmente determinada e específica de uma classe (dominante) sobre formas de percepção obrigatoriamente valorativas e normas ou modelos de comportamento, nas quais entram em jogo não apenas hábitos e tradições, mas também uma forte coerção por adaptação.” – Beat Schneider (citando Gert Selle, no livro Ideologie und Utopie des Design, p. 46), no livro Design – Uma Introdução, da Editora Blucher

Sobre a separação e as diferenças entre design e arte:

“(…) o que o campo do design ganha enquanto espaço de reflexão, ao se separar do campo da arte? Não que ambos sejam de fato uma única coisa, mas será que pensar as aproximações não seria mais enriquecedor que medir as diferenças entre arte e design?” – Carlos Alberto Barbosa, no livro Faces do Design, das Edições Rosari