Designices

Depois de passar um sábado inteiro extremamente divertido e curioso compondo meu cartão de visita com tipografia manual, resolvi juntar a patota novamente para dois outros sábados, dessa vez, criando um cartaz. Se o resultado dos cartões de visita superaram as expectativas, decerto os cartazes também o fariam. Aproveito para mostrar, junto com o meu, alguns cartões de amigos que também cursaram o Módulo I:

Cartões de visita feitos com tipografia manual

A carga horária do Módulo II é o dobro do I (dois sábados), o que resulta num aprendizado fuido e eficaz, já que além da composição propriamente dita também existe a decisão individual do tema, escolha de cores e papéis para impressão. Na hora de imprimir (no segundo sábado), contamos com a experiência do Marcos Mello e da sua infalível pupila Edineide Oliveira, além do impressor-mestre Senhor Pérsio. Muito legal é trocar os cartazes com os outros profissionais que também cursam (aliás, como os meus foram impressos depois eu tô devendo pra todo mundo…). Os resultados:

Meu grande amigo Marco Moreira (do site MAGELSTUDIO) compôs com todo o alfabeto e o interferiu com a frase “Designers amadores geralmente são de opinião que letras maiores são mais legíveis”, retirada de um livro de tipografia:

Cartaz produzido com tipografia manual, por Marco Moreira

A designer Gina Muccillo brincou com o amor e o ódio e o inverso deles em seu cartaz:

Cartaz produzido com tipografia manual, por Gina Muccillo

Cássia D’Elia veio do Rio de Janeiro “só” para fazer o curso e aproveitou para executar um de seus trabalhos. A capa do CD Samba Quadrado (que além da composição manual tipográfica também contou com uma gravura em madeira) foi produzida em tamanho grande, como um “cartaz quadrado”:

Cartaz produzido com tipografia manual, por Cássia D'Elia

A artista plástica Giorgia Mesquita aproveitou a sua composição como item de decoração, que pode ser repetido como textura até preencher toda o espaço, como um papel de parede:

Cartaz produzido com tipografia manual, por Giorgia Mesquita

Já a Leony Corazza, grande amiga, inventou jogos panamericanos de 1976 em Denver para fazer sua composição com direito até aos atletas em ação dividindo o espaço com os tipos de madeira:

Cartaz produzido com tipografia manual, por Leony Corazza

Me baseei na medida 23,5mm, que significa a altura do tipo para a impressão, para compor o meu. Para indicar tal medida, fiz uma régua com o alfabeto, regulando os espaçamentos entre-letras para que todos os “milímetros” ficassem sempre do mesmo tamanho, já que cada tipo tem sua largura e não formariam espaços homogêneos, como uma régua de verdade. Na sequência tem parte da primeira rafe e detalhes das provas de impressão e por fim, meu cartaz:

Rafe e provas para cartaz produzido com tipografia manual, por Rogério Fratin

Cartaz produzido com tipografia manual, por Rogério Fratin

O “Módulo II – Cartaz tipográfico” tem duração de dois sábados (das 8:30 – 17:00, com material didático, café da manhã e almoço incluídos). Você ainda tem opção de comprar papéis como bem entender para imprimir seu cartaz, além das 20 cópias que fazem parte desse módulo. Dê uma olhada no Flickr da Oficina Tipográfica SP que tem bastante fotos de cartazes por lá. Quem quiser saber mais pode acessar os cursos da Oficina Tipográfica ou enviar e-mail para mello@oficinatipografica.com.br. Uma boa dica é arrumar uma turma e falar com o Marcos. Geralmente rola um bom descontinho pra todos.

Sempre voto na quebra brusca de padrões, maneiras e suporte para potencializar a capacidade de “criar coisas diferentes”. Depois de tanto tempo “só trabalhando com internet”, achei um curso incrível de composição tipográfica manual, juntei mais sete amigos e passamos um sábado inteiro na Oficina Tipográfica São Paulo, que fica na Rua Bresser, 2315, quase esquina com a Avenida Alcântara Machado (mais conhecida como Radial Leste), em São Paulo.

Fizemos o primeiro módulo, conhecemos os tipos, aprendemos a identificar, medir, montar, entintar e imprimir uma gravura criada pelo grupo. Também fizemos um cartão de visita com tipos móveis de madeira e metal junto de uma linha com o e-mail ou o site gerada numa linotipo dos anos 1940, operada e reparada por profissionais que atuaram em gráficas de jornais importantes na época da ditadura. Cada um ganha 50 cartões de visita em papéis especiais de cores diferentes e a linha da linotipo. Veja alguns trabalhos no Flickr da Oficina Tipográfica.

Quem dá a aula é o Marcos Mello, que eu já conhecia da Anhembi Morumbi. Além de formado num curso profissionalizante em artes gráficas na escola alemã Waldorfschulen, ele tem formação universitários nas áreas de arte e pedagogia, pós-graduação em design gráfico, mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Faculdade Presbiteriana Mackenzie e ainda tá fazendo doutorado em História Social na USP.

Algumas fotos do curso:

Tipo em madeira - Letra DMarcos Mello, lecionando o Módulo I de composição tipográfica manualOficina Tipográfica São PauloLinotipo dos anos 1940Original HeiderlbergEntrelinhasAdornos tipográficos antigosCartões de visita tipográficosRogério Fratin e Marco MoreiraMeu cartão de visita tipográfico, pouco antes de passar pela primeira prova

Esse primeiro módulo do curso tem preço mais que justo, dura um sábado (das 8:30 – 17:00, com material didático, café da manhã e almoço incluídos). Estou fazendo o segundo módulo, de cartaz, logo posto aqui também. Quem quiser saber mais pode acessar os cursos da Oficina Tipográfica ou enviar e-mail para mello@oficinatipografica.com.br. Uma boa dica é arrumar uma turma e falar com o Marcos. Geralmente rola um bom descontinho pra todos.