About Rogério Fratin

Me formei como Bacharel em Design Digital em 2005 pela Universidade Anhembi Morumbi. Hoje faço cursos, frequento palestras, workshops e busco tempo pra tocar meus projetos pessoais.

Inicio aqui uma nova categoria no DESIGNICES: A Trilha Sonora! A ideia é trazer inspirações musicais grátis, free e na faixa, em canções cheias de inspirações e referências, multidisciplinares como o design, naturalmente interessantes. Para começar…

Pitanga em Pé de Amora

Mp3 donwload grátisMúsicas autenticamente brasileiras, muito bem elaboradas que incorporam chorinhos, marchas, tangos, baiões, jazz… Tudo numa doçura e fluidez muito interessante de arranjos precisos e músicas que viciam pela qualidade,  pelas cadências e pelas narrativas, ao passo que nenhuma das faixas tem caráter apelativo ou refrões “chiclete”.

Download de Pitanga em Pé de Amora
(70,3MB)

Quem quiser saber mais sobre esse incrível grupo, pode acessar o site oficial.

E você? Tem alguma dica de som legal e legalmente gratuito pra inspirar nossos expedientes? Deixa aí nos comentários ;-)

Por diversas vezes em conversas informais, aulas ou palestras que assisti, artigos e livros sobre arquitetura de informação ou design de interface, o pobre do botão Voltar do browser atuava como um vilão. Se o usuário clicasse nele, o projeto digital estava capengando em organização, em uma boa arquitetura ou com problemas de elementos visuais não muito bem definidos. O termômetro do fracasso do projeto web (não necessariamente de todo, mas no que se refere à navegação) era o clique no botão Voltar.

As justificativas eram diversas, mas giravam em torno de algo como  “ele clicou no Voltar porque não encontrou como fazê-lo na interface do site”. Clicou no Voltar, tá errado e ponto final.

Estamos num momento das mídias digitais bem interessante, onde o que foi dito no começo dos anos 2000 que eram as verdades da época, podem e devem ser questionadas. Quando eu escrevi sobre os professores vintage me referia ao tipo de profissional que se apegava às antigas verdades e nunca mais queria abandoná-las. Com os avanços em banda larga, linguagens de programação, equipamentos é claro que as experiências mudam e, quem as executa, também. No final da década de 1990 foi quando aqui no Brasil tivemos uma explosão de provedores de acesso, contas de email gratuitas e tudo. Os usuários vem treinando o acesso à internet já tem certo tempo, sei lá, 10, 12, 15 anos. Nesse cenário inicial – e que se agora tem empresa que não entendeu que precisa de um arquiteto de informação, imagine na época – a internet era uma tremenda zona: o Macromedia Flash permitia explorar ao máximo a questão de interatividade com música e vídeos de um modo impossível em outras tecnologias. A banda larga dava conta do que se precisava. Muitas possibilidades se abriram e com elas, claro, muitos experimentos. Não havia um padrão, um formato, um design pattern tão bem definido. E nem poderia haver se a questão era experimentar, testar.

Botão Voltar do navegador

Uma nova maneira de conhecer conteúdos versus experimentos atrás de experimentos: claro que não tinha como o usuário aprender o geral nem criar um padrão mental de nada. Se o usuário não identificava relações comuns entre os projetos, ele apelaria – e nem sei se apelar é a palavra correta – para o que ele conhecia muito bem que era o próprio navegador. Por mais que os sites fossem diferentes em cores, tipos, navegação, o botão Voltar estaria sempre lá, esperando pra resolver o problema imediato do cidadão: voltar para a página anterior. Só isso. A navegação do Windows 8, por exemplo, é toda baseada no botão de voltar. No Android o botão voltar faz parte do hardware do aparelho. Ah, óbvio que a arquitetura de informação do projeto tem que ser bem feita para poder ser navegada sem a ajuda do botão Voltar, mas caso o usuário não utilize os meios criados e apelar para o navegador, não será uma heresia do projeto nem necessariamente um erro de projeto.

Talvez os reclamões da época que faziam do botão Voltar uma obra do capeta pensassem que o único projeto digital em questão era o site e não o todo, afinal de contas o navegador também é um projeto digital, tem sua curva de aprendizado e afins, tal qual o sistema operacional que o suporta. Olhar o todo é o segredo, que nem é tão secreto assim.

Um exercício muito legal é pegar literatura sobre cultura digital, design de interfaces, de interação de 8 anos atrás (ou mais) e tentar verificar com o que temos agora. Sempre gera um bom estudo e resultados as vezes bem inesperados.

E você? Conhece mais questões do design gráfico, digital ou tipografia erroneamente sustentadas como essa? Deixe nos comentários!
;-)

Letterscapes

Essa linda publicação importada reúne referências muito legais de aplicações de tipografia no cenário urbano de algumas cidades. Diferente do que o título diz (global survey), não existem projetos dos quatro cantos do mundo. O foco está nos Estados Unidos e Europa, um pouquinhozinho da Ásia e o restante do planeta fica fora da pesquisa. Claro, as referências são muito interessantes e passeiam por prédios, parques, ruas, lojas. Grandes projetos indoor e outdoor. Alguns exemplos:

Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes
Letterscapes

Para ter ideia do calhamaço de páginas (352) que o livro tem, olha a comparação com a altura de um iPhone:
Letterscapes
Letterscapes

Infelizmente não documentaram o belo trabalho que a Aflalo & Gasperini Arquitetos fizeram para o Parque da Juventude, em São Paulo, nem as quase vernaculares expressões do fileteado (ou pintura de filete) de Buenos Aires.

Depois de todas as belas imagens do livro ainda tem algumas interessantes entrevistas com os arquitetos e designers que criaram as instalações, falando sobre o processo, os materiais, as ideias.

A versão disponível é de capa dura e custa em torno de U$ 50 na Amazon

 

Tipografia ou tipologia?

Cada vez que alguém fala TIPOLOGIA numa mesa de bar com designers alguns bicos são torcidos e olhadas de lado acontecem. Da mesma maneira quando alguém, aqui em São Paulo, fala A logo no lugar de O logo. Em Curitiba e no Rio de Janeiro é comum usar essa palavra no feminino, aqui em São Paulo, no masculino e talvez isso seja por alguma questão cultural que não fui capaz de identificar e entendê-la. Entretanto eu acredito que um pensamento mais evoluído do que jogar se O logo ou A logo estão corretos ou incorretos é a coerência na hora de criar um. É um bando de gente chiando tanto com o gênero da palavra que acho que lhes falta tempo para cuidar da qualidade de seus trabalhos. Vale dizer que o correto é o logo, se for referenciado ao logotipo. Se for de logomarca, a discussão é outra (e não vou potencializá-la por aqui).

Para a dúvida inicial, TIPOGRAFIA ou TIPOLOGIA: confesso que a segunda me incomoda ouvir ou ler, talvez por puro preconceito. Nos livros, congressos e eventos sempre encontro o termo TIPOGRAFIA e nunca o outro. Acho justo apelar para o local onde as palavras são definidas em sua mais pura essência, o dicionário. Ou melhor, oS dicionárioS, que são livres da visão poética de definição que uma Ellen Lupton ou um Wolfgang Weingart e vão direto ao assunto.

De acordo com o dicionário Aulete, tipografia e tipologia são a mesma coisa:

(ti.po.gra.fi:a) sf.

1. Técnica de impressão a partir de matrizes de madeira ou de metal fundido em alto relevo, cujos caracteres e imagens são compostos um a um manualmente ou em linhas, por linotipia; imprensa. [Cf.: fotocomposição.]
2. Pequena indústria onde se faz essa modalidade de impressão.
3. O mesmo que tipologia .
[F.: tipo- + -grafia.]

(ti.po.lo.gi:a) sf.

1. Biol. Estudo das características básicas e tendências dos seres vivos por meio da identificação de tipos, de modelos; BIOTIPOLOGIA
2. Coleção dos caracteres de impressão mobilizados para um projeto gráfico.
3. Ling. Classificação das línguas com base no estudo comparativo de suas diferenças.
[F.: tipo- + -logia.]

Pelo Michaelis, por incrível que pareça, tipologia se parece mais com o que fazemos do que tipografia, que é definida como a arte (nesse caso, técnica) de compor com tipos, e não o conjunto deles especificamente:

tipografia

ti.po.gra.fi.a
sf (tipo2+grafo1+ia11 Arte de compor e imprimir com tipos. Estabelecimento onde essa arte é praticada. Tip A seção da oficina onde se realiza o trabalho de composição. gír Exploração disfarçada do lenocínio.

tipologia

ti.po.lo.gi.a
sf (tipo2+logo2+ia11 Caracterização dos tipos humanos, dos seres vivos, ou de realidades quaisquer considerados num estudo. 2 Descrição geral desses tipos em cada caso. 3 Por abreviação, o mesmo que biotipologia4 Conjunto de caracteres tipográficos usados em um projeto gráfico

Concluo com essas definições, então, que tanto as palavras TIPOGRAFIA e TIPOLOGIA podem ser usadas da mesma maneira, para o desespero dos puristas.

Ah, claro: não estou falando aqui de etimologia, de história dos termos nem nada parecido. Me refiro às aplicações cotidianas dos termos, como escritos em uma matéria de revista (que não é da área), uma reportagem de televisão ou coisa assim.

O usuário é burro!

O usuário é (muito) burro, o usuário não sabe nada, o usuário é uma anta, o usuário é um idiota. Essas e outras frases, infelizmente, estão presentes muitas vezes nas discussões dos processos de arquitetura da informação e design de interface (e todos esses nomes que foram dissociados e que eu nem sei quem faz o que…) e que mostram que ainda tem gente que não entendeu nada sobre design, projeto, usuário.

Antes de tudo, garanto que quem acha o usuário burro nem sabe nada sobre ele. Nesse ponto já temos dois erros: (a.) generalizar (b.) algo que não se conhece. O usuário é alguém que vai usar o projeto que fizemos. É isso, simplesmente. Se ele é letrado ou não, tem experiência ou não, habilidades mil ou não, não importa. Nossa função, enquanto designers, é fazer algo que o atenda, no caso dele ser o público alvo. Fácil, né? Mas ainda tem muita gente que não entendeu essa conta simples.

Cadastre-se em 100 formulários com problemas de programação e concorra a uma tv de 60 polegadas

Mensurar como um usuário se comporta quando há o “desespero” atrás de uma informação como essa que brinco no subtítulo acima não vale de muito. É algo que ele quer desesperadamente. Assim como comprar ingressos online, usar serviços do governo, Poupatempo e similares. No caso desse tipo de serviço:
1. É a única opção do usuário de executar uma ação, como tirar um CPF novo, por exemplo
2. É a única opção que tem pra ganhar algo ou para concorrer: pode esconder a informação que ele dá jeito de achar

Em outras palavras: se estiver bem planejado ou não, quase que tanto faz. O usuário vai atrás da informação porque não há outra escolha.

Como o mundo (ainda bem) não é feito apenas por frutos da publicidade e a informação e o conteúdo ainda é valorizado, temos uma diferença imensa, quase que oposta na hora de projetar conteúdos informacionais, culturais ou editoriais para os usuário. Primeiro porque ele pode ter caído nesse conteúdo diretamente por um resultado de busca ou mídia social. Segundo porque esse projeto pode não ser o único lugar que ele vai encontrar a informação desejada. Ou ele vai pra outro ou ele desencana e segue a vida, afinal de contas é “só informação” e não um carro zero ou Playstation 6. Lá deve ter a informação que ele deseja, não a que você quer que ele queira.

O projeto não deve ser feito pro cliente: deve ser feito para o usuário do produto do cliente

Algo que parece simples (mas não faço ideia porque não se faz) e no fim é complicado de entender é que o projeto deve atender quem usa, não quem faz, tampouco quem paga pra ser feito. Clichê de primeiro ano de faculdade. Em apresentações de trabalhos (seja em cliente ou palestra, evento) é comum rolar uma pirotecnia vendida por um showman sorridente. Bela porcaria. O usuário não sabe disso, não vê isso, nem acessa. Uma mesa escolar feita para crianças canhotas deve ser feita para crianças que, por acaso, são canhotas. E essas crianças tem um porte físico que é diferente em cada região do Brasil. Não é tudo a mesma coisa. E uma criança do sul, geralmente maior do que uma do nordeste, não é burra porque não cabe direito no espaço disponível. Da mesma maneira, aquele senhor de 89 anos que está num site de idosos e não vê o botão gigante que “era pra ser clicado” ou não consegue ler a Arial 9px não é burro. Aqui eu falo sobre projetos digitais, mas isso pode ser aplicado a uma embalagem, a um livro, revista, sofá.

Post em versão resumida

O usuário é quem usa, quem deve usar. Se o usuário não consegue fazê-lo, o problema não é dele, é seu.

 

A imagem veio do Library of Congress

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Mais uma publicação, desculpe o clichê (ups!), imperdível do Gustavo Piqueira. Dessa vez a ideia foi compor uma narrativa visual, usando “apenas” clichês tipográficos, para contar a história do Brasil. E tem as caravelas, os portugueses chegando, o escambo com a população nativa, a catequização católica, a Bolsa do Café e outras muitas passagens nas 112 páginas.

A publicação é da Ateliê Editorial, que havia publicado em 2003 um fac-símile da coleção de clichês de D. Salles Monteiro, utilizada para a confecção desse livro. São mil exemplares (apenas) em tiragem única e as cópias são numeradas.

Algumas páginas para degustação:

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

A capa do livro tem uma lâmina de madeira impressa em serigrafia, adesivos e costura aparente.

Clichês Brasileiros, Gustavo Piqueira

 

Qual é a sua fonte?

O jornalista me respondeu que não podia me revelar a sua, já que lhe fornecia tantas informações valiosas;

O arquiteto me mostrou a que fica na Praça da Sé, na capital paulista, que enfeita a cidade e também é onde os moradores de rua usam pra se banhar quando a polícia não vê;

O geógrafo me levou até Águas de Lindoia (SP) e falou que a água lá é de ótima qualidade;

O eletricista apontou pro alto de um poste e contou que aquela era responsável pela energia elétrica do prédio onde eu moro;

O médico me perguntou qual dos lados da cabeça, direito ou esquerdo, que eu queria saber;

Que me desculpem os jornalistas, os arquitetos, os geógrafos, os eletricistas, os médicos, mas nenhuma dessas fontes é mais linda e interessante que uma Garamond, uma Caslon ou uma Bodoni. Perdão!

Ah, e antes que alguém me pergunte da fonte dessas informações, foi o Dicionário Aulete ;-)

Cultura gráfica #0: Você é o que você vê

Me perdoem pelo clichê, mas você, enquanto designer, é o que você vê e principalmente o que procura ver. A conta é simples: se você ficar atrás de lixos visuais, provavelmente teus trabalhos e tua percepção ficarão viciadas em lixos. Não que você necessariamente faça lixos exatamente como os que vê, mas no mínimo deixa de fazer melhor. Simples e objetivamente, é isso. Mas não é só isso: se você opta por disseminar o que não presta visualmente, quem vê deixa de aguçar sua percepção também. Se forem designers, um problema. Se não forem, também. Talvez maior.

Antes de seguir: O que eu quero dizer com cultura gráfica?
A cultura gráfica poderia, talvez, ser chamada apenas de cultura, que vem do cultivo e do contrário da ignorância, como diz a definição do dicionário que usei pra ilustrar esse artigo. Optei por reforçar que me refiro à parte visual do que pretendo expor com o complemento “gráfica” no nome. A cultura, como cultivo de algo, nunca consegue ser instantânea. Sempre depende de tempo e de bastante trabalho. No caso da cultura gráfica, por exemplo, não é uma única ida ao Museu de Artes de São Paulo ou assistindo aos incríveis Durval Discos e O Carteiro e o Poeta que tá tudo certo. São necessárias dezenas, centenas, milhares de referências – boas e diversificadas referências – para que as camadas sedimentares culturais visuais se depositem e formem, cada vez mais solidamente, um repertório mais sólido e favorável ao mundo do design e da arte, seja para um designer, um artista, um advogado ou bancário.

Num flashback aos meus anos de ensino fundamental e médio, algumas perguntas eram sempre repetidas nas aulas de matemática, por exemplo:

- Mas quando eu vou usar uma equação do segundo grau na minha vida?
- Pra que serve eu saber o volume de um tetraedro regular?

A equação, pela equação, talvez nunca. E talvez nunca também precise saber a área de um tetraedro regular. Mas não é pra isso que serve a matemática na escola. Ela serve pra ensinar a lógica. Da mesma forma que temos que aprender português pra que nos expressemos de maneira correta, nas mais diversas situações. As aulas de educação artística, que muitas vezes são deixadas de lado ou não são levadas tão a sério como as das outras disciplinas, servem para “ensinar a sensibilidade” e iniciar a cultura gráfica a partir de um método educacional. E uma pena que nem sempre isso ocorra.

É bem comum que um observador se incomode quando os padrões visuais de uma paisagem natural ou urbana seja quebrado. Uma casa extremamente popular no meio de um bairro rico, uma árvore centenária que não pode ser derrubada no meio de um shopping center glamuroso, um Fusca estacionado em frente à uma concessionária da Ferrari. Esses contrastes mesmo que comuns, além de chamarem a atenção do observador, causam certa estranheza que pode e deve ser valorizada. Tão importante quanto essas quebras visuais externas é quebrar o padrão de repertório que um observador tem, até que isso seja mais usual e absorvido por ele. Dessa forma a cultura gráfica é, me desculpem o trocadilho, cultivada. Em exemplos mais diretos: é mostrar o grunge para o clean, a Caslon para a Helvetica, a máquina de escrever para o iPad e os contrários. E claro, a ideia não é que o grunge tome banho ou o clean brinque na lama: é que cada um deles abra seus leques e perceba o que há ao redor e, de repente, absorva alguma característica, o conceito, o comportamento ou o visual propriamente dito.

E por que é importante que designers e não designers aumentem sua cultura gráfica?
Os designers em geral precisam beber da água cultural sempre, e de todas as fontes. O Claudio Ferlauto sempre me ensinou que o norte do design é a cultura. Quando mais cultura um designer tem, mais reflexos dos bons ele tem em seus trabalhos. Quem mora na Europa, por exemplo, é acostumado sair de casa e praticamente tropeçar em História da Arte na ida à padaria, coisa que não ocorreria numa cidadezinha do interior de Roraima. Nesse caso nem o europeu pode se dizer plenamente abastecido de cultura nem o interiorano pode se dizer sem. Como citei anteriormente, o processo de promoção cultural é lento e, quiçá, vitalício.

Para os não designers é bem simples entender o motivo: quanto mais repertório visual eles têm, mais valor ao nosso trabalho vão dar. E as coisas mudam. Demoram, mas mudam.

Eu sou um eterno defensor e militante da propagação da cultura gráfica e acredito que essa atitude só tem a melhorar a vida de quem é envolvido.

Como você promove a sua cultura gráfica? E a dos outros?

Detone nos comentários, hein?

Nota: esse tema será dividido em quatro partes. Em breve as demais aparecem por aqui, também. Volte sempre ;)

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Não seria minha intenção agrupar num post da série “No meio do caminho tinha uma letra” alguma categoria dos textos curiosos que encontrava por aí. Acontece que esses tempos encontrei tanta coisa com esse visual grunge e feito pela ação do tempo que vi muita beleza junta e, finalmente, reuni 10 exemplos dessa estética visual bem típica dos anos 1980 e 90, a sujeira, a corrosão e mais um monte de coisas que os modistas do design ficam se matando pra fazer no Photoshop, sem ter especificamente uma função no contexto da peça. Aqui a coisa simplesmente aconteceu – e continua acontecendo. Se passear atento na região central da cidade de São Paulo pode se deparar com algum desses.

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Tinha uma letra no meio do caminho 2 - Naturalmente grunge

Veja também o No meio do caminho tinha uma letra 1

Operador de Linotype, 1943, Texas

Sou completamente louco por essas máquinas. Nunca canso de assisti-las funcionando e de pegar rapidinho as linhas de texto ainda quentes que saem enquanto são operadas. É o barulho, o caminho das letras voltando, o chumbo quente… Bom, é tanta coisa que me atrai nessa geringonça que nem sei mais. Só sei que é apaixonante e cada fase do processo é essencial. Nas minhas incansáveis buscas sobre material a respeito, dessa vez ao acaso, encontrei fotos bacanas de operadores de Linotype nos Estados Unidos e fiz uma seleção delas das décadas de 1900 e 1940.

Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, abril de 1942, Illinois Operador de Linotype, abril de 1941, Illinois Operadores de Linotype, 1902, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operadores de Linotype, 1909, Nova York Operador de Linotype, 1942, Nova York Operador de Linotype, 1943, Texas

Essas fotografias vieram do Library of Congress

Pra que curte Linotype, também pode ver um catálogo gigante e incrível dos anos 1930 e o manual de operação brasileiro dos anos 1940