AnalfaBetismo, Cidadania e Design

Acho que todo mundo que começa a estudar design sonha em fazer trabalhos importantes pra grandes empresas, anúncios premiados, revistas incríveis, livros memoráveis. Uma das funções do designer é tornar a vida mais fácil, desde mais fácil pra ler um texto como quanto para fazer alguém se divertir mais no caminho pra casa, seja de carro, metrô ou de bicicleta. É pegar um problema e solucioná-lo ou então, transformá-lo em outra coisa. E olha que de problemas estamos bem servidos, não?

Sempre me deparo com professores de mil coisas, publicitários, marketeiros e arquitetos em projetos junto de ONGS, OSCIPS, comunidades carentes, crianças com dificuldades e muitos outros focos de problemas sociais, mas vejo poucos ou nenhum designer fazendo isso. Umas semanas atrás vi uma menininha de uns 8 anos, extremamente inteligente, lendo um livro numa grande Bookstore aqui em São Paulo. Ela usava óculos muito grossos e lia com o nariz encostado no papel, literalmente. Pensei o que poderia ser feito para que ela pudesse ler mais e melhor e amenizar suas deficiências. Aí pensei quantos problemas sociais poderiam ser menos agressivos se nós, designers, aceitássemos gastar um tempinho da nossa semana dedicados a essas causas.

E valeria força pra ajudar de qualquer modo. Para combater o analfabetismo, aumentar o contato de comunidades carentes com a arte, melhorar a caligrafia das crianças, ensinar desenho, pintura, fotografia, oficinas de design (e pode ser coisas simples, como as que tem no livro Eu Que Fiz da Ellen Lupton).

Afinal de contas, acho que recrutar dezenas de pessoas e ensinar a batucar é legal, mas já deu, né?

Ok, ok, talvez seu negócio não seja algo tão autruísta assim. Mas você pode pensar numa tipografia que seja mais fácil pra criança aprender a ler ou então numa que gaste menos tinta. Talvez possa pensar numa forma não-eletrônica que ajude com a economia de papel. Ainda você pode vender um projeto bacana para entretenimento em transporte público pro governo, sei lá.

Idependente de ser mais ou menos autruísta, acho que é de total valia se dedicar em projetos mais sociais. E é esse meu planejamento para quando eu terminar minha pós-graduação. Alguém mais se habilita? Ideias? Referências? Links?

Autor: Rogério Fratin

Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2016, com a pesquisa Design Thinking Aplicado à Educação. Bacharel em Design Digital pela Universidade Anhembi Morumbi, 2005.

4 pensamentos em “AnalfaBetismo, Cidadania e Design”

  1. Olá sou o tiago, li seu texto e me interessei pois de certa forma passei por ongs e hoje estou trabalhando em agencia como assistente de arte e fazendo freelas de web e animação. Fiz curso na ONG Cenlep de web design que vale apena dar uma passada lá e conferir a dedicação das pessoas que trabalham e estudam e no Instituto Criar de Tv, cinema e novas mídias que abriu as portas para mim neste mercado.

    Acho que com essas duas bases você pode ter uma idéiado que esses lugares fazem, e da importancia para sociedade.

    Como eu muitos jovens estão trabalhando na area e melhor de vida.

    abraços!

  2. Ola!

    Entrei em seu site atraves do post do Follow the Colours no Twitter.

    Gostei do seu texto e super apoio “essa causa”! Foi pensando nisso que o tema do meu tcc foi criar uma licença de personagens que tivesse um conceito diferente dos desenhos que circulam pelo mercado e que não levam nada de útil para formação das crianças. Hoje, o projeto de tcc virou realidade e temos produtos no mercado no ramo de brinquedos e móveis infantis. “Raridades do Brasil” foi o nome dado ao projeto que tem como objetivo apresentar para as crianças alguns dos nossos animais que estão em extinção, a importância da preservação da natureza e de nossos animais. Cada produto vem acompanhado de um material informativo com dados sobre o animal, seu habitat, quais as principais causas da extinção, etc. Essa foi uma maneira que encontrei através da minha profissão de “contribuir” com a natureza e levar conteúdo útil as nossas crianças.
    Fico muito feliz quando vejo o retorno de venda desses produtos e imaginar que isto pode ser uma “sementinha” da idéia de preservação na vida desses pequeninos. Como designer, essa foi minha contribuição para preservação da nossa natureza, uma causa não citada em seu texto, mas que acredito fazer parte do conceito que você quis passar. Caso queira conhecer, o site ainda está em desenvolvimento, mas a cara dos bichinhos ja está no ar e em algumas prateleiras atraves da marca Stalo.

    Também como mulher de um piloto de balão e engenheiro florestal, posso citar outra importante ferramenta na area publicitária que se encaixa em seus pensamentos: Publicidade aerea com balões de ar quente, um importante instrumento de marketing que não agride o meio ambiente pois não gera residuos na natureza, como por exemplo as toneladas de papel gastas na impressao de folders e propagandas em geral, distribuídas aos montes em semáforos por todo país. E podemos comprovar através do retorno de nossos clientes, que uma empresa que utiliza a publicidade aerea como ferramenta de marketing, tem um retorno muito satisfatório quanto a fixação da marca no público que ve um balão voando no céu levando a faixa com a logo de sua empresa. Retorno garantido sem agredir a natureza.

    São duas formas totalmente distintas mas que esperamos fazer parte da causa por um futuro melhor.

    Boa sorte em seus projetos!

    Abçs
    Lu Matosinho

  3. Roger, como eu já disse antes, parabéns pela matéria. Acho super relevante o tema e pode ter certeza que ja fiquei “matutando” como exercer essa cidadania.

    Um abraço!

  4. gostei muito do seu post e gostaria que mais pessoas pensassem como você.

    semana passada fui a uma exposição do oi kabum!; você já ouviu falar neles? é um projeto que nasceu no rio e já funciona em recife e aqui em bh. me parece que em salvador também, mas não tenho certeza.

    vale a pena dar uma olhada: http://www.oikabum.com.br/

    infelizmente nunca me envolvi com causas assim, mas gostaria muito. se cada um de nós fizesse o mínimo possível, já conseguiríamos melhorar em muito esse nosso mundo…

    um abraço

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