A internet não-internet

Que o conceito de internet nasceu pra compartilhar informações já não é segredo nem novidade pra ninguém. Tudo bem que eram informações de guerra, mas a ideia era disseminar as informações. Claro que houve adaptações daqui e dali, muita coisa mudou, muito tempo ficou pra trás, mas a base da rede ainda é a troca de informações. É evidente que junto dessa troca de informações toda apareceram muitos conteúdos ilegais, textos, fotos, músicas e vídeos, mas acredito que processos dessa natureza devem ser revertidos depois como evolução. É só olhar as MP3 vendidas em diversas lojas online. Será que hoje em dia teríamos tocadores de MP3 em todo lugar se não tivessem sido tão ferozmente difundidas ilegalmente? Repare nos filmes alugados e vendidos direto nos dispositivos móveis como celulares e tablets, nas smart TVs, nos videogames e tocadores de bluray. E também o conceito de Torrent e tantos outros modos de passar os arquivos de um canto pra outro, como os discos virtuais, as nuvens, os emails que permitem cada vez mais armazenamento e transferência. Me lembro quando o Hotmail permitia, no máximo, 500kb por mensagem enquanto agora o Yahoo Mail, por exemplo, permite 50 vezes mais. De um modo ou de outro as informações, legais ou ilegais, pagas ou gratuitas passam de um lado para o outro.

Tenho notado que provavelmente por conta dos negócios a internet como era está virando outra coisa. Algo um pouco estranho mas que se explica na necessidade de grana, como sempre. Reparem como as informações na rede tem sido duplicada. É complicado encontrar o “vídeo original” no Youtube com tanta gente querendo ter aquilo também em seu canal, como se fosse seu. Os blogs replicam infinitamente as imagens de outros e muitos ganham com isso via publicidade. Se transformaram em pequenas maquininhas de grana e conteúdo de baixo nível de produção de conteúdos. Replicam mais que máquina copiadora, mas produzir, nada. Veja o meu, por exemplo, que porcaria. E os grandes portais? Milhões de dinheiros envolvidos em cada pedacinho deles e ainda assim não creditam com link as fontes das imagens e dos textos. Galerias e galerias de fotos são criadas com fotos provenientes de um “Salvar imagem como…“, os pageviews aumentam, os anúncios ficam mais caros e o sujeito que produziu aquilo não ganha nem um linkzinho sequer de volta. Só um texto mirrado, na maioria das vezes, de canto. Fonte: Fulano de Tal. Quem quiser que procure no buscador de sua preferência. E viva a não-usabilidade.

Não sei se minha visão é chata demais, crítica demais ou sem noção demais. Mas sei que a ideia de dividir, compartilhar conteúdo como seria bem legal, seja pago ou grátis, está cada dia mais escondida no meio dos negócios e da necessidade de ganhar dinheiro a todo custo.

Enquanto isso eu prossigo aqui, produzindo meus conteúdos e repartindo o que posso, inclusive minhas dúvidas. Alguém mais no clube?

8 comentários sobre “A internet não-internet

  1. Achei você #chatiado, mas corretíssimo meu querido…

    Mas acho que tem pouca gente produzindo por amor. Produz-se por dinheiro e sem qualquer importância com próximo (seja o próximo o produtor original ou consumidor final)

    Coisa triste :/

  2. A sensação que tenho é a de que sempre houve gente idiota e falta de originalidade por aí. A internet apenas facilitou a disseminação dessas duas pragas.

    A despeito do cansaço diante de tanta bobagem ganhando espaço, não creio que desistir e se deixar levar por essa tendência seja o melhor caminho. É o perigoso caminho do “nivelar por baixo”.

    Meus alunos são preguiçosos? Vamos mastigar tudo e facilitar na avaliação. Meus clientes querem ver o site deles igual o da concorrência? Vamos copiar o leiaute e pegar a grana fácil.

    Apesar de mais prático e bem menos cansativo, esse comportamento só piora a situação, reforçando a cópia indiscriminada e o compartilhamento de inutilidades.

    Enquanto professora, continuo cobrando mais dos meus alunos, e me esforçando por levar a eles o melhor de mim. Enquanto blogueira, posso demorar um tempo a colocar algo novo lá no Interpretante, mas quando coloco, ainda que seja algo que vi em outro lugar, eu sempre acrescendo opiniões, reflexões, informações.

    Vamos lá, remar contra a maré e ficar com braços fortes e o fôlego cada vez melhor!

    PS: não passou despercebida a tolice de chamar seu blog de porcaria. Pare com isso já!

  3. Puta post, Roginho!!

    Olha só, o meu Blog também é uma merda, só tem conteúdo próprio, fotos, textos tudo meu, sem nenhuma publicidade pulando na cara do leitor e olha, nem por isso eu fui reconhecido nas listas duvidosas por aí como um dos “100 melhores blogs de design”, ninguém vê, ninguém descobre o trabalho autoral que venho fazendo a alguns anos…
    Tá, imaginou se eu fosse levar isso aí a sério mesmo? eu já teria ido para o outro lado (o lado da maior parte).

    Mas sabe de uma coisa, apesar disso eu não desisto e prefiro ser autêntico a copiar ou seguir o que a grande parte dos Blogs faz: Reproduzir e ganhar dinheiro com conteúdo que não é próprio. Mas faço as minhas palavras a da Tereza. Remar contra a maré só me faz sentir mais seguro e mais forte e, apesar do desabafo acima, só tenho recebido elogios de visitantes e colegas, por isso acho que o caminho é a da autenticidade mesmo, que embora não seja o mais curto é o meu, é próprio e isso ninguém copia.

    Na minha vida, acredito muito na QUALIDADE e não na quantidade das coisas – Leia-se amigos, bens materiais, no lazer, etc e acho que com o Blog funciona da mesma forma. Eu prefiro mesmo é ter uma audiência mediana e continuar seguindo com o meu conteúdo de qualidade, independente do quanto de tráfego está dando.

    O que mais me assusta nisso tudo é a falta de senso crítico dos novos designers. Qualquer sketch, photoshop ou migalha é “nooossa que foda isso!”. Parem, por favor!!!

    E mais uma coisa não menos importante desse lance da cópia se chama CEGUEIRA. Fulano critica todo mundo sobre direitos autorais, aprende na faculdade que é “feio” copiar sem dar créditos, mas não sei o que acontece no meio do caminho e este mesmo cara que faz altas críticas comete o crime e finge que não viu nada. Acho lamentável esse tipo de atitude.

    Assim como tem pessoas que fogem de SP para ir para o interior e ter mais qualidade de vida, pessoas que deixam o carro na garagem para ir de bike a algum lugar, espero que uma hora a ficha caia e os leitores passem a ser mais críticos a respeito da enxurrada de conteúdo que é gerada todos os dias na internet e aprendam a filtrar melhor o que lêem. Aí finalmente é onde a gente ganha :)

  4. Existe muito conteúdo original na internet, assim como existe os que são meras cópias. Escolha o que irá consumir, simples assim. ;)

    #Enjoy

  5. É Marco, uma hora a ficha cai. Mas, como disse anteriormente, não fico esperando e torcendo para que um dia isso aconteça.

    Aliás, uma das razões pelas quais escolhi a carreira acadêmica desde antes mesmo de saber em que área isso aconteceria, é justamente a possibilidade de participar ativamente desse processo.

    Ser professor é ter nas mãos a chance de mostrar caminhos aos futuros profissionais no mercado, seja de que área for. Minha visão de academia passa longe daquela sala onde o professor simplesmente ministra um conteúdo aos alunos.

    Academia é construção de conhecimento. Aprender a usar o Photoshop é moleza, o que não faltam são tutoriais em passos e vídeos por aí, ensinando cada uma das várias ferramentas disponíveis. Para mim, o aluno deve entrar no curso superior para aprender a pensar, a criticar, a desenvolver seu próprio aprendizado; e o professor é um mero facilitador nesse processo.

    Talvez esteja aí mesmo uma das raízes desse problema. O Morandini outro dia comentou na fanpage do Interpretante sobre como as instituições têm formado profissionais pré-formatados (https://www.facebook.com/interpretante/posts/370023289717424), e penso que seja isso mesmo. Não se ensina mais a pensar, a criticar. Professores não estão preocupados em abrir a mente dos seus alunos, até porque isso pode implicar em críticas ao seu próprio trabalho, e questionamentos às suas metodologias. Nem todos estão preparados para tal enfrentamento…

  6. Pra mim no fundo todo mundo quer a mesma coisa, reconhecimento. Tanto quem copia, como as pessoas que fazem por “amor”.

    E tenho cá pra mim que as pessoas que realmente fazem por amor, não se preocupam se vão receber um link de volta, elas querem é mais contribuir com o todo e ver suas ideias compartilhadas.

    Beijos! Pri

  7. Continue repartindo, compartilhando e dividindo! Acho que tem espaço para todo mundo, seja o meio qual for!

    “No futuro toda a gente será famosa durante quinze minutos.” Andy Warhol

    Seu blog é fantástico. Original. Diferente! Parabéns! É Simples! É Direto! Virei fã! Seu público é seleto!

    Opa, continue no caminho contrário da maioria. A gente sempre colhe o que planta!

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