Designices

A incrível arte de omitir elementos

12/06/2012

De incrível isso não tem nada, muito menos tem de arte. O que é admirado nos benchmarks (aliás eu até brinco com isso aqui), a sensação de “clean” sempre colocada à mesa pelos mais empolgados, o poder de ir direto ao ponto e as facilidades do que é mais utilizado estar sempre à mão é simplesmente esquecido na hora de planejar e refinar um projeto. Coloca um botãozinho aqui, enfia uma listinha ali, arruma espaço pra um link patrocinado acolá. Em dois ou três movimentos você sai do estado inteligível quando se bate o olho num projeto e vai pro estágio esquizofrênico, cheio de opções, para atender todas as pessoas do planeta que são ou não público alvo, afinal de contas dá pra encontrar referência de tudo que é bom na internet, mas mesmo assim muita gente insiste em pegar as piores, descontextualizadas ou misturar diversos benchmarks sem o critério de adaptá-los ou reformatá-los para o projeto desenvolvido. Ou tudo junto. Na cabeça dessas pessoas tudo precisa estar presente, o que é prioridade mil e a zero. Tudo ali, pronto para alguém clicar, como se alguém fosse mesmo.

- Mas por que esse elemento tá aqui? Ele não ficava lá do outro lado…?

- Eu acho bom ficar onde está agora, eu pedi pra mudar. Por exemplo eu tenho um vizinho com sete dedos na mão direita e ele clica com mouse meio de lado, seria ideal essa opção estar aí assim.

E aí entram discussões infinitas pra não falar de nada útil.

Quando você vai à uma pizzaria e o cardápio tem 180 sabores de pizza, eu duvido que você leia todos antes de escolher. DUVIDO mesmo. Provavelmente aquele que tem 20 sabores será devidamente analisado, sem preguiça e sem demandar três horas e meia pra fazer o pedido pro garçom. E a escolha vai ser precisa, exatamente o que quer. É a valorização da diversidade sem cair no exagero. Uma pizzaria típica em São Paulo não precisa ter opções que atendam o gosto de um vietnamita que quer desfrutar de um sabor especial de pizza baseado nos sabores e ingredientes da cultura de seu pais e ainda que não tenha glúten. Se um vietnamita nessas condições quiser comer algo assim, não é numa pizzaria típica em São Paulo que ele deve procurar (e nem vai achar caso o faça). Por que num projeto digital as coisas nem sempre funcionam assim?

Eu arrisco uma resposta…

A falta de planejamento dos produtos, as reuniões que nunca resolvem nada, a falta de brainstorms feitos de maneira correta (quando são feitos…), não existir um gerenciamento efetivo dos processos criativos, a grande quantidade de profissionais desqualificados que nem sabem do que o suporte é capaz e nem o que querem de fato proporcionam quase 100% dos casos interfaces mal resolvidas e muito mais elementos que qualquer pessoa do mundo (e de for a dele também) pode analisar e clicar. O produto reflete a equipe que o fez. Mais cedo ou mais tarde isso aparece e, muitas vezes, é irremediável.

Tem alguma outra resposta pra minha pergunta? Os comentários agradecem.

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8 comentários:

  1. A comparação com o cardápio da pizzaria foi muito apropriada!

    Como exemplo contrário, posso citar uma hamburgueria relativamente nova daqui de Belém, a The Nine Burguer. Adivinha só… são nove tipos de sandubas! E um bem diferente do outro, o que, na minha opinião, facilita a escolha. Além disso, o cardápio coube lindamente em uma folha só, contendo ainda detalhes dos ingredientes de cada opção.

    Quanto à tua pergunta, eu arriscaria dizer que o bicho homem, apesar de ter um cérebro que busca sempre equilíbrio e simplicidade (alô, gestalt!), anda com uma mania estranha de querer deixar disponíveis todas as opções possíveis, talvez querendo abraçar o mundo com as pernas…

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  4. Pois é, Jardim. Eu talvez devesse fazer um curso superior de psicologia pra tentar endender mais o que se passa na mente humana. Mas não vou…
    =/
    E você… sempre com altíssimo aproveitamento de “primeiro comentário” dos posts, né? Valeuzão!
    =*

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  8. *polêmica*, mas não somos nós mesmo que queremos cada vez mais opções? curtir, compartilhar, tuitar, cagar,cancelar, pare o mundo que quero descer.

    Apps que só fazem um coisa ou softwares que fazem tudo, life manager?

    O que precisamos é de melhores arquitetos ou menos possíbilidades? Concordo com o ilustre autor, melhores arquitetos com mais informações e mais inteligência seria melhor.

    PS:. menu com somente 9 opções é top.
    PS2:.talvez assim o vietnamita, acessando o site, vai ter uma pizza mais indicada a ele. “hello mcdonalds”