design, livros, tipografia e referências

Archive for September, 2011

O ensino de design e os “professores-vintage”

Me interesso bastante pelo meio acadêmico. Vira-e-mexe eu dou uma palestrinha aqui, faço banca de TCC (trabalho de conclusão de curso) ali, leio trabalhos de estudantes acolá. É uma boa maneira de me manter atualizado e não deixar a “pegada acadêmica” se perder no tempo. E me lembro da época que estudava a faculdade de Design Digital. E me lembro dos professores que tive, diversos deles muito bons, não somente que me ensinavam fundamentos do design, mas como aqueles que me encorajaram a ler filosofia, conhecer a cultura e a socidade, ver um filme europeu. Decerto que esse período foi um dos mais transformadores da minha vida.

Mas no meio de tanta boa vontade e dedicação de vários lá estava ele: o “professor-vintage”. Ok, “professor-vintage” é um apelido meigo e irônico pra um tipo específico de profissional que, pelo que tenho acompanhado, cresce assustadoramente em quantidade nas instituições de ensino. E não tem um único foco de atuação, eles atacam todas: as mais tradicionais, as moderninhas-inovadoras e as uni-bocas-de-porco. Mas o que seria, de fato, o “professor-vintage”?

Professor-vintage é aquele sujeito que até pode parecer que conhece algo no começo, só que logo é desmascarado. Pode ou não ser showman. No caso de ser, alguns alunos o idolatrarão para sempre, sem se dar conta. É aquele que não atuou no mercado, não pode falar a respeito. Mas fala. É aquele que não tem conhecimento acadêmico pra nos transmitir e proporcionar experimentos livres de influências mercadológicas. Mas transmite e proporciona. É aquele infeliz que te passa livros pra ler da época que foi aluno sem nunca tê-los questionado. Sorte a sua se o professor dele não for um professor-vintage também, senão tu tá lascado, meu amigo: leu coisas que não fazem sentido há anos. Penso nas indicações de livros de design que tive na faculdade, logo no início do curso, em 2002. Acho que não aproveitaria nada ou quase nada. E nem é tão difícil ter essa noção: basta entrar numa boa livraria e futricar umas prateleiras. Dezenas de livros de cada assunto, coisa que 10 anos atrás era muito mais difícil. Fundamentos do design? Muitos de qualidade, de diversas editoras. Traduções minunciosas e cuidado com o papel, encadernação, tudo nos mínimos detalhes. Eu acho atualmente um tremendo absurdo recomendar o livro “Design para que não é designer” (da Robbin Williams) para iniciantes da área, já que temos “Novos fundamentos do design” (da Ellen Lupton), “Ensopado de design gráfico” (de Timothy Samara) ou “Layout” (de Allen Hurlburt) fáceis de serem encontrados em qualquer livraria física e online. Tipografia? Temos de dúzias. Mas ler seria uma tarefa muito chata para nosso astro enganador. É aquele que se contenta com seu conhecimento antigo e só se vale disso, nunca se atualiza. É do tipo que vangloria desse fato com o valor de um artefato vintage (aliás, sabe qual a diferença entre vintage e rétro?). É um charlatão que gosta de ser bajulado pelos alunos, de ser chamado de professor, de falar que é professor da instituição tal. Muitas vezes os professores-vintage falam com tanta convicção que só damos conta da falta de conhecimento do sujeito anos depois, quando estamos no mercado de trabalho [ou em meio acadêmico, dependendo do caso]. É aquele que deixa alunos com falhas de aprendizado por conta de sua incompetência e falta de respeito pelo tempo e grana dos alunos, pela instituição e pelo seu cargo.

Só na minha época (e na minha profissão) tinham professores assim? Você tem (ou teve) algum professor-vintage? Os casos serão bem-vindos (sem citar nomes nem as instituições, por favor) nos comentários.

 

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (14) Comentários

2 anos de DESIGNICES!

Quando eu notei: PIMBA! O blog faria dois anos e nem tempo de fazer um especial eu consegui. Também pudera, passou tão rápido. Mas foi bem legal.

DESIGNICES: 2 anos!Durante o segundo ano do DESIGNICES muitas coisas novas surgiram, como os posts mais “engraçadinhos” que deram picos de acesso e ainda ficam no top5 dos últimos 365 dias, como as Não-piadas com designers e o recordista Cada vez que um designer. Essas brincadeiras eram pra espantar um pouco o teor carrancudo e rabugento que eu passei com o Ícones, conceitos e mudanças tecnológicas. Muita gente legal contou nos comentarios Como/quando virou designer [você já? vai lá e comenta, oras!]. Profissionalmente eu também mudei: Deixei a Editora Abril, depois de quase 5 anos, pra freelar e tocar projetos pessoais, mas logo depois entrei no Terra Networks e minha vida institucional voltou.

Também começaram os experimentos tipográficos. O mal-sucedido TRIPOGRAFIA foi legal, mas enojou alguns, em compensação o FUTURA FERRUGEM foi até pra seleção de trabalhos em sites nacionais e gringos.

Outro acontecimento muito importante foi a palestra “pocket” que fiz na Faculdade Cásper Líbero pra falar de um ebook. A galera de lá foi tão bacana que fiz o post Paradigmas gráficos do design pra web, pra continuar a saudável discussão.

Pra quem gosta de coisinhas com cara de antigas também teve bastante material e o maior sucesso foram as lindas latinhas de chá Matte Leão Rétro.

E os cartazes antigos? Nossa, foram muitos. Todos com algo relacionado ao que gosto, como os Cartazes vintage de circo.

Curioso é ver conteúdo requentado rendendo acessos e comentários. O post-piada Dicionário de marketing para designers, de 2009, teve um baita monte de acessos do nada esses tempos. Vai entender, né? O que é design?, onde uso definições com as referências dos livros, é o post mais lido do último período de um ano.

E quanta gente legal veio opinar aqui, hein? Nossa, perdi a conta do números de comentários que o blog teve. E comentário DE VERDADE, parrudos, embasados. O povo daqui não gosta de falar apenas “Ai, adorei!” ou “Lindos!” como tem nos blogs miguxos de esmaltes de unha. Tive a sorte de ter leitores nota 1000 que turbinaram o blog, somaram no Twitter e participaram bastante no Facebook. Muitos emails, muitos contatos, tudo gente boa.

Me desculpem por não ter o SUPERESPECIALMEGABLASTERDESIGNICES2ANOS, mas prometo pro terceiro aniversário. Até lá sigo com a ótima companhia que sei que tenho aqui.
Muito obrigado!

AAAAAHHHHH! Achou que ia passar por aqui sem ter que falar nada? Ra, ra, ra. Imenso engano! Mas hoje pego leve:
Qual o post mais bacana do segundo [21/09/2010 - 20/09/2011] ano do DESIGNICES, hein?
O sistema de comentários está aquecido, prontinho para trabalhar bastante!
;)

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Design Shot! #11- O design do Terceiro Mundo nos livros

“Todas as histórias do design publicadas até hoje, e isso também se aplica em grande parte ao presente trabalho, têm o design das metrópoles como objeto. Nas obras de referência e nos livros ilustrados sobre o design gráfico e industrial, aparecem apenas objetos de design dos países capitalistas industrializados e altamente desenvolvidos da Europa e da América do Norte. Por que isso acontece? Devamos acusar os autores de uma limitada visão eurocentrista que ignora uma parte da prática do design? (*)” – Beat Schneider , no livro Design – Uma Introdução, da Editora Blucher

*: Claro que no livro o autor continua e conclui esses questionamentos, exemplifica e questiona mais. Trouxe esse trecho pra cá para propor discussões.

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Postado por Rogério Fratin em Design Shot! e tem 1 comentário

O design aplicado na web precisa, desesperadamente, de mais espaços em branco

É, não tem nada aqui, mesmo. Mesmo, mesmo. Foi só uma piada baseada na minha indignação do formato “Tetris” que os layouts de sites de conteúdo usam. Espaço em branco é visto como “possibilidade de alguma coisa entrar ali”, simplesmente pra não ficar “muito branco”. Ser simples está muito complicado, a publicidade só falta querer escrever junto dos textos das matérias pra vender, dezenas de informações devem dividir espaços nobres nos templates e todas são principais. É como ter uma página com todo o texto em negrito. Os destaques somem, tudo vira um mingau de conteúdo, consumido por ninguém.

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Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (7) Comentários