- No canto direito, com tela de 9,7 polegadas, processador Dual-core A5, resiste a 10 horas de uso contínuo: IPAD.. “The Tablet”… DOIS! … DOIS! (clap clap clap clap! êeeeeeeeeee!)
- No canto esquerdo, pesando 70Megabytes, gratuito, funciona em qualquer computador e especialista em ler PDFs: ADOBE… “The Reader”… READER! …READER! (uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!)

Round 1: Fight!
Vi coisas bem legais em iPad, principalmente livros interativos, que usam a plataforma como algo diferente de um livro impresso, coisa, que obviamente, ela é. E não falo só do iPad, não. Falo de todos os tablets que estão no mercado ou vindo por aí .Tenho acompanhado algumas revistas nacionais e gringas em suas versões pro iPad. Que calamidade. Tudo me lembra a internet precária de 1997 e a falta de visão de narrativas digitais de quem produzia o conteúdo. Era uma tentativa natural de reproduzir o meio físico, já que a base dos menus e paginação vieram daí. Mas espera um pouco, 1997 já passou, as pessoas que produzem conteúdo pra meios digitais já aprenderam bastante (pelo menos deveriam) e ainda insistem em reproduzir exatamente o que vêem no papel. Lamento informar, mas o iPad não é feito de papel. Desculpe dar essa má notícia assim, tão seco, tão direto, como um soco na cara. O Adobe Reader também não, mas nunca foi tratado como. iPad caiu, foi salvo pelo gongo.
Round 2 – Os usuários
As pessoas colaboram bastante com a falta de uso criativo do iPad. Tudo que vejo são extensões das mídias sociais (como se não bastasse ter um computador, um notebook e um celular com Twitter, Facebook…). Além disso sempre percebo no Starbucks iPads sendo sacados por pessoas solitárias com pinta de bem sucedidas ou descoladas, e logo a Wired ou a Esquire pinta na telinha. A reação é sempre a mesma: Folheada de leve, girada da tablet, folheada neurótica e… TWITTER! INSTAGRAM! FACEBOOK! Pra quem viveu nos anos 1980, é como ter um Aquaplay, só que digital. Oh, quanto status! Quanto glamour! E lá voltamos a cambalear na questão das novas tecnologias pessimamente utilzadas. O Adobe Reader permanece em pé, intacto, abrindo PDFs como se deve e de graça, não cai no Twitter nem no Facebook numa “curtida” porque quem usa em teoria quer ler.
Round 3 – Os veículos de comunicação
Quem tem colaborado bastante pras não-mudanças na apresentação do conteúdo e o uso da mídia, na minha opinião, são os veículos de comunicação. Calma, não tô contando aqui dos livros de alto nível de interatividade e construídos pro suporte que serão feitos. Falo das revistas. Aparece a tablet, todos querem aparecer primeiro com suas publicações mensais, quinzenais e semanais. Tudo no pique da revista, que gera exatamente o que é produzido na versão impressa. E que também tem igualzinho no site. Aí alguém fala “ah, mas eu vi uma revista que não era igual, não, eu passava a mão no carrinho e ouvia o barulho do motor e o farol acendia!”. É? E daí? O que isso, enquanto experiência, muda quando alguém “lê” o conteúdo do iPad? Temos plataformas poderosíssimas (literalmente) nas mãos e tudo que se tem são navegações de baixo nível de interação em abinhas bonitas (como o Flash poporcionou a partir de 1999), splashes que piscam e uma mulher que fala comigo na capa da revista invés de uma foto estática? Não tem diferença experiencial entre o PDF que você lê no teu Adobe Reader e o que tem sido feito pela maior parte dos veículos de comunicação. E os leitores ainda babam nesse PDF de luxo sem luxo. K.O! Adobe Reader venceu a luta por nocaute!
(Designices) – Vamos agora falar com o vencedor, Adobe Reader, como se sente após esse duelo tão esperado?
(Adobe Reader) – Eu nem esperava lutar com o iPad. Não somos da mesma categoria. Achei que continuaria nos Macs e nos PCs, nos celulares e pronto. Mas as pessoas e os veículos de comunicação nos propuseram lutar… e eu aceitei. Tô feliz com a vitória. Gostaria de mandar um beijo pra minha mãe: Acrobat, eu te amo!
(Designices) – Obrigado, Reader!
(Designices) – Estamos agora com o derrotado de hoje, o iPad2. iPad, o que pretende fazer pra revanche que teremos daqui uns meses?
(iPad2) – Olha, fui colocado pra lutar onde não sou especializado. Me jogaram aqui. Fui preparado pra muitas coisas, pra revolucionar as relações das pessoas com os equipamentos de informática. Assim como toda minha equipe da academia “Tablet Tiger Fighters”. Mas os organizadores insistem em nos usar com o mínimo que temos, aí perdemos no custo benefício. Afinal, quem precisa de um baita processador, tela high-definition e tudo o mais pra apenas ser usado com aplicativos engraçadinhos e ler PDFs? Mas vamos nos reunir com o Professor Steve e nos preparar muito pro próximo duelo. Espero ganhar…
(Designices) – Também espero, iPad… também espero…