design, livros, tipografia e referências

Archive for May, 2010

Faces do Design

Faces do Design - Capa

Eu estava no segundo ano do Curso Superior de Design Digital, em 2003, quando os professores da instituição que eu estudava, a Universidade Anhembi Morumbi, lançaram o primeiro livro da série Faces do Design (depois lançaram o Faces do Design 2), pela Edições Rosari, mas só fui estudar o livro todo há pouco tempo. Uma pena. Os oito textos, um de cada  professor, informam e opinam a respeito de história do design, arte, hipermídia e tipografia.

Os capítulos:
O processo de criação em expressão tridimensional, por Adriana Valese
Bauhaus – um pouco da história de um projeto pedagógico, por Ana Lúcia Ribeiro Lupinacci
Tékne e design: uma relação entre o conceito aristotélico de arte e o conceito contemporâneo do design, por Carlos Alberto Barbosa
Tipografia experimental, por Cecília Abs
A influência do objeto industrial na arte, por Gisela Berlluzzo de Campos
Texto na web, por Marcelo Prioste
Design Digital: universo da cultura e da hipermídia, por Mônica Moura
As fronteiras entre o design e a arte, por Priscila Arantes e Jorge Luís Antonio

Faces do Design - Quarta capa

Mesmo um texto mais datado como o de “Texto na Web” tem seu valor pois foram escritos entre 2000 e 2001. Os valores atribuídos e questionamentos sobre o uso do Macromedia Flash e da popularização da internet banda larga nos fazem perceber como os interesses e preocupações com os projetos eram muito diferentes dos atuais. Os demais textos não tem “data de validade” e questionam e estudam pontos interessantes, como o valor e importância da referência na hora de desenvolver um projeto, como o design e a arte podem andar mais próximos para beneficiar um ao outro, como era a Bauhaus e qual a função do seu projeto de ensino, a riqueza da relação design e tecnologia etc.

Acredito que os textos atinjam diversos públicos-alvos no campo do design, desde estudantes, profissionais da área e professores (ou aspirantes de), pois os estudos e pesquisas envolvem diversas disciplinas e possuem diferentes níveis de aprofundamento.

Postado por Rogério Fratin em Livro e tem (3) Comentários

Função do design X função do designer

Tenho reparado em alguns jovens designers e estudantes da profissão um certo descomprometimeto ou desconhecimento a respeito de questões importantes do design. Ora me deparo com alguns que pensam que ficarão sentados num puff na agência até ter uma ideia genial que será executada rapidamente e levará um Leão de Cannes, seguido de aumento do salário e claro, a fama. Outros que tratam seus layouts como uma obra de arte única e intocável. Tem também os que não querem saber de nada, só fazer (?). Acho que devemos relembrar algumas coisas que, decerto, aprendemos no curso superior e revimos em artigos e livros da área.

O que é design?

Depois de qual era meu nome e idade, essa foi a primeira pergunta que me fizeram na faculdade. E eu saí de lá sem um significado definitivo. Acho até que essa é mesmo a ideia: você ouve, fala, analisa, pesquisa e lê as opiniões de estudiosos e representantes profissão e tira suas conclusões, até porque várias das definições tem até itens excludentes entre elas. E claro, numa profissão tão importante e rica como a nossa, se contentar com apenas uma definição é um erro no meu modo de perceber.

O mestre Wollner, por exemplo, fala em suas entrevistas de design de uma maneira bem direta: Design é projeto.

Para Rafael Cardoso Denis, “o ato de projetar tem na sua essência um componente básico de criação, de artifício, que não difere substancialmente daquele mesmo elemento factício que está por trás do artesanato, da arte e até da magia (…). O que distingue o design de grande parte do artesanato, da arte e – presumo eu – da magia, é que no design o fato material que se pretende gerar não é feito pelo mesmo indivíduo que deu início ao processo de conceber a ideia. Quero sugerir, portanto, que a atividade de design caracteriza-se mais como um exercício de processos mentais do que de processos manuais”.

André Villas-Boas acredita que o design “é realizado para a produção, é reproduzível e é efetivamente reproduzido a partir de um original (ainda que virtual). Do contrário é uma peça única circunscrita ao campo da arte”.

São infinitas definições, cada uma de um viés, cada uma com seu valor e discórdia. Não acho que essa pergunta seja menos importante que outra, que é bem menos falada: Qual a FUNÇÃO do design?
(se quiser insistir em “O que é design?“, leia o post só disso)

O que é designer?

Acredito que aqui existam menos discussões: Designer é quem “faz design”, quem projeta. Parece simples, né? Nem sempre. Mas designer também é o sujeito que se preocupa que a nem a tia-avó nem a sogra e o bizavô entendem o que ele faz. Será que o designer de fato sabe o que faz ou, melhor ainda, o que ele PODE fazer? Visto que uma das funções principais do designer é ter uma visão holística, global do projeto (e é aí que tem crescido muito a área de design estratégico junto das grandes corporações), por que tantos se fecham apenas onde atuam ou gostam e perdem o contexto que ele está inserido?

Temos muito poder nas mãos a cada clicada do mouse ou no deslizar do lápis, da caneta, do pincel e nem sempre damos conta disso. Basta pensar que trabalhamos com comunicação e que as pessoas são influenciadas, nem que minimamente, com o que criamos. Nós, designers, sabemos quando compramos um produto única e exclusivamente por causa de sua embalagem. Muitos de outras profissões também compram e nem sempre tem consciência disso. É numa grande amostragem que, por “nossa causa”, uma revista é selecionada entre muitas outras, uma matéria é lida pelo seu layout convidativo. Evidenciamos livros que fazem rir, chorar, pensar e até mudam a vida de alguém pela sua capa. Damos ao mundo bons exemplos de combinação de cores onde tudo parece mais calmo, tranquilo ou adrenado. Providenciamos acesso à cultura por nossos sites bem feitos que até pessoas da terceira idade tem pouca dificuldade de navegar.

E a parte ruim da coisa? Ah… essa não falta! Nós que fizemos as propaganda fascista e nazista. Nós que ajudamos a fazer calar a boca através dos cartazes de guerra (veja o post). Proliferamos a cultura de massa, fazemos com que certos produtos sejam exclusivos de grupos com maior poder econômico, deixamos as pessoas com desejos de consumo tecnologia (como o iPhone ou iPad) pelo visual e isso tudo vai virar lixo não-reciclável que em algum canto do planeta vai ser depositado. Até criar “produtos bonitos” simplesmente pra alavancar a economia já fizemos, como no caso do STYLING, nos EUA. Poderia prolongar bastante essa lista, mas acho que já está bom.

Ei, você aí… Qual é a sua?

Nesses dias recebi uma ligação pedindo (quase intimando) que eu divulgasse um evento aqui no blog. Evento esse que foi criado por um site que se sustenta de trabalho dos outros em troca de uma suposta visualização dos profissionais (que eu nem acredito que seja significativa assim). E eles fazem livro com os trabalhos, ganham dinheiro e crescem cada vez mais com tantos talentos participando. E quem de fato cria, projeta, transpira pra fazer, não recebe um só centavo. Só a “fama”. Quando disse que não colocaria o evento aqui a moça se assustou: “Mas tem tudo a ver com seu blog. E nosso diretor adoraria ver o evento dele no designices. Ele adora seu blog…”. Arrã. E eu sou bobo. Meu blog é de reflexões, discussões riquíssimas que surgem nos comentários, estudos, livros e de coisas que eu vivencio e gosto. Aqui não entra jabá em hipótese alguma. Esse é o projeto e a função. Uma organização que ganha nas custas do suor dos outros, a praticamente custo zero, acha que pode também me explorar propondo um anúncio de graça? De “serviços” desses está repleto por aí. Pra mim é tão grave quanto ouvir “Olha, esse trabalho você faz de graça, mas a partir do próximo, você começa a receber”. Só que a vez de receber nunca chega. Definitivamente a “minha”, respondendo o último sutítulo, não é essa.

Um designer não deveria nem pleitear determinado emprego nem executar um determinado trabalho sem essas questões bem resolvidas. Saber o que é o design especificamente e pra que ele serve, além de todas as impactos que isso pode causar na sociedade em caráter cultural, econômico, tecnológico etc é ter a visão holística, global que disse no início do texto. O designer pode ter feito “um cartaz de cala a boca” sem imaginar que estava fazendo. Pode ter promovido uma ideia que ele não concorda (e abomina) sem saber. E esse “não saber” pode ocorrer por infinitos fatores, tanto por parte do designer quanto por parte do meio que ele está inserido.

Se eu precisar resumir esse texto em apenas uma frase, será com essa: “O designer deve entender seu poder e suas funções para, aí então, se denominar designer”. Infelizmente muitos me parecem desestabilizados nessa questão.

Eu não poderia terminar o post senão com a seguinte pergunta:
Como você entende e de que modo você executa sua profissão?

Bibliografia recomendada:
Design – Uma introdução (O design no contexto social, cultural e econômico), de Beat Shneider,  Editora Blücher
Faces do design, de professores da Universidade Anhembi Morumbi, Editora Rosari
Linguagens do design – Compreendendo o design gráfico, de Steven Heller, Editora Rosari
Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750, de Adrian Forty, Editora Cosac Naify

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (13) Comentários

Exposição de cartazes do Alexandre Wollner no SESC Pinheiros

Guia da Exposição: Alexandre Wollner - Cartazes, no SESC Pinheiros

Há pouco tempo que começou uma bela exposição de cartazes do designer Alexandre Wollner no SESC Pinheiros, claro, de graça.

As quase seis décadas de trabalho do pioneiro Alexandre Wollner rendem estudos nos mais diversos pontos de vista do design. Ele sempre propõe discussões com seus textos e analises profundas do seu minuncioso trabalho na maior essência do design modernista. É impressionante como seus grids, estudos e resultados fazem sentido e parecem “fáceis de fazer”. Por essas e outras você entende facilmente porque o Wollner foi e é tão importante pra história do design no Brasil.

É bem legal ver bem de perto cada detalhe de cada tipo, cada grafismo e cada elementodos seus cartazes da época da Escola de Ulm, do aniversário de 400 anos de São Paulo (aí você entende porque ele ficou tão revoltado com o logo dos 450 anos), da despedida do Pelé entre muitos outros.

A exposição fica até o dia 20/06/2010, acontece da terça a sábado, das 10h30 às 21h30, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30 no SESC Pinheiros,  Rua Paes Leme, 195, Pinheiros  (veja o mapa do local). Telefone: 3095-9400

Post relacionado:
Alexandre Wollner e a formação do design no Brasil

Postado por Rogério Fratin em Exposição e tem 1 comentário

Revista Tupigrafia 9

A Revista anual TUPIGRAFIA do Claudio Rocha e Tony de Marco vai fazer o lançamento da sua nona edição. E o mais legal, serão dois lançamentos! As datas e horários:

na Loja Pintar (http://www.pintar.com.br/)
Rua Cotoxó, 110, Perdizes (ver mapa)
Quinta-feira, 13,
de 2010, a partir de 19:30

no Istituto Europeo di Design (http://www.iedbrasil.com.br/sao_paulo/)
Rua Maranhão, 617, Higienópolis (ver mapa)
Sábado, 15, de 2010, a partir das 18:00. Esse evento faz parte da Virada Cultural SP e terá uma palestra com os editores.

Os artigos da Tupigrafia #9 são:
Passeie pelo reinos da Mesopotâmia e Bamum (nos Camarões) e pelo Egito dos faraós, Guatemala maia, México asteca e descubra um pouco da história da escrita.
Conheça como vivia e trabalhava o mestre tipógrafo Frederic William Goudy.
Redescubra a revolução tipográfica do Futurismo.
Navegue nas letras dos barcos da Amazônia e nos tipos portugueses d’além mar.
Encante-se com o design do dinheiro e dos selos holandeses.
Deslumbre-se com os misteriosos Crop Circles.
Divirta-se com o SynType, o sintetizador de fontes.
Olhe de perto as fontes brasileiras: Foco, UnB e Concreta.
Olhe mais de perto ainda as Musas das Tintas, direto da Playboy para as páginas da Tupigrafia.
Ainda tem, Ben Shahn, Palíndromo, Rebus, Processing, Quartz Composer, Rubens Matuck, Tide Hellmeinster, Guto Lacaz, Dimitre Lima e muito mais.

As capas da Tupigrafia # 9:

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Dimitre Lima

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Claudio Rocha

Revista Tupigrafia # 9 - Capa de Guto Lacaz

O flyer “oficial” do evento (apenas da Pintar)

Lançamento da Revista Tupigrafia #9

Quem gostou dessa revista também pode ver também o Lançamento da Revista TIPOITALIA 2

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Tipografia Comparada [Claudio Rocha]

Tipografia Comparada - Capa

Acredito que todo designer, uma vez na vida pelo menos, procurou detalhes nas tipografias favoritas para reconhecê-las e saber diferenciá-las entre tantas outras. É uma haste diferente aqui, uma barra horizontal mais esticada ali, uma perna mais grossa acolá. Aí chega o Claudio Rocha e “estraga a brincadeira”! Em mais espetacular de seus livros, o Tipografia Comparada – 108 Fontes Clássicas Analisadas e Comentadas ele detalha praticamente letra por letra de cada uma dessas tipografias, maiúsculas e minúsculas. Além do tipógrafo, ano, typefoundry e variações, também pode-se encontrar comparações entre a “mesma” fonte, mas criadas por typefoundries diferentes,   como a ADOBE Garamond e a ITC Garamond, por exemplo.

O livro é dividido em serif, slab serif e sans serif. Além das 108 fontes comparadas, tem também uma relação de anatomia das fontes, com todas as partes dos tipos nomeada.

Alguns exemplos:

Tipografia Comparada - Interna 1

Tipografia Comparada - Interna 2

Tipografia Comparada - Interna 3

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