design, livros, tipografia e referências

Archive for March, 2010

História da Tipografia no Brasil

Capa do livro História da Tipografia no Brasil

Sempre ouvimos falar da história da Garamond, Times, Helvetica, dos cartazes construtivistas russos, das belas composições da Bauhaus, entre muitos outros. A maior parte dos livros que temos acesso trata de designers gringos e de ótimos trabalhos projetuais pelo mundo. Mas e aqui na terra Tupiniquim, como essa ‘coisa toda’ aconteceu?

Infelizmente nas livrarias temos poucas coisas que falam diretamente das origens do design brasileiro. O “Design brasileiro antes do design”, de Rafael Cardoso, é um deles. Mas é fora das lojas de livros (novos) que podemos encontrar essa maravilha de publicação do MASP, no final dos anos 1970: A História da Tipografia no Brasil trata em 18 páginas (de texto) um pouco dos primórdios do uso de tipos móveis em território nacional brasileiro contextualizado pelo que acontecia no exterior, fala da repressão que era evidente na época (afinal, o meio mais forte da difusão de ideias eram os impressos). As outras mais de 240 páginas são de referências das publicações da época. E haja referência! São anúncios reais, decretos, certificados, capas de livro, receitas e uma infinidade de outros. A base das imagens é a partir de 1808, quando chegou no Brasil a família real e “trouxe” a Imprensa Régia.
Alguns exemplos das páginas e das imagens:

Folha de rosto do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de página interna do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Ilustração do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Exemplo de layout tipográfico do livro História da Tipografia no Brasil

Atualmente é difícil encontrar esse belo livro por menos de R$ 80,00 nos sebos, mas vale uma boa vasculhada. Dá pra tentar também online, no site Estante Virtual e também no Mercado Livre.

Postado por Rogério Fratin em Livro,Tipografia e tem (3) Comentários

Design brasileiro e identidade nacional

Junto com a longa discussão de designers versus micreiros, a procura da identidade nacional ou o design autêntico brasileiro foram temas que tomaram muitas e muitas aulas durante minha graduação, entre 2002 e 2005.
Ok, aceito que é a partir de discussões que a gente resolve (quase) tudo. Só que mais uma vez (a outra era com os micreiros) encontrávamos “papagaios” que sempre repetiam as mesmas coisas. E todos resolviam cobrar a “cara do design brasileiro”. Acho que chegou a hora de perceber que nem todo palheiro vai ter uma agulha pra você procurar.

Qual cara tem nosso design? Aliás, que cara tem o design contemporâneo da Alemanha? E da Itália? E da Suíça? Se fôssemos falar de Bossa Nova, Carnaval, samba, Timbalada e futebol, tudo bem, entendo e concordo que sim, temos algo que é só nosso, único, quase inimitável. Mas e no design? Dá?

Eu duvido. Duvido mesmo. Qual é o Brasil visto de fora? Pelé, Ronaldo Gordo e Tom Jobim? Carnaval do Rio? Baianas? Bem, na porta da minha casa na Zona Leste de São Paulo, onde fui criado, nunca vi nada disso. Nem na pracinha que eu jogava bola. Nem no colégio e nem em lugar nenhum. Você já viu? Você foi criado com todas essas referências sempre presentes?

Como nos últimos dois parágrafos eu terminei com pontos de interrogação, vou parar de criar dúvidas e começar a dar meu ponto de vista. Desde 2002 eu busco saber o que é a tal da identidade do design nacional e nunca achei. Olhava as grandes revistas, não encontrava o poder do design brasileiro, visto que a maior parte delas se inspira (até mais do que deveriam) nas suas “originais” gringas. Olhava os cartazes e não os encontrava. Os websites? Não. Esses sempre são “bem fiéis” aos seus benchmarks. Nem as embalagens, nem os livros. Nem nas aberturas das novelas da Rede Globo (isso foi uma piada!). Pensei que poderiam ser as capas de LPs da Gravadora Elenco, nos anos 1950 e 60. Quem sabe então é a coleção das Revistas Senhor. Pode ser que estejam nas ilustrações de J. Carlos. Não. Nada disso.

Talvez nesse momento você esteja pensando que existe SIM identidades bem definidas em diversos países. E vai deixar nos comentários dicas da facilidade de identificar os projetos alemães da Bauhaus ou então as tipografias suíças. Mas isso não trata da identidade alemã nem suíça e sim de escolas desses países. Elas que tiveram uma identidade. Inclusive, falando de Bauhaus, muitos dos professores foram para os Estados Unidos quando o nazismo acabou com a escola, incorporando suas experiências nos projetos que fizeram por lá. Eram projetos americanos com cara de alemães? Não. Eram com cara da Escola Bauhaus. Da mesma forma temos a “cara” da Pop Art, do Expressionismo, do anti-design do Memphis Studio.

Na editora que trabalho tenho contato com gente de todo o Brasil. De cidades próximas a São Paulo e outras muito distantes. E cada pessoa, seja da mesma cidade que eu ou não, teve suas referências e vivências. O Brasil é um país enorme, que abrange todas as classes sociais e econômicas. Tem lugar com seca e tem lugar com enchentes. Você pode num canto se incomodar com uma geada e noutro com calor 40 graus. E cada lugar tem seus valores, suas tradições e a vista das “portas de cada casa”. E nenhuma porta de casa tem as baianas, o Pelé,  o Ronaldo Gordo e nem o Tom Jobim juntos. Seria possível amarrar todas essas pontas com uma só cara? Repito: Duvido. Afinal de contas, não podemos usar  sempre e somente a paleta da bandeira pra justificar nossa identidade.Nem acho que exista um “design paulista”, um “design carioca” e nem gaúcho.

Acredito que precisamos parar logo com essa necessidade louca de ter identidade nacional e aceitar logo que somos um grande mix de coisas e, dentro dessa mistura, tem um monte de gente que tem seus próprios mixes de conteúdo. Assim como muitos outros lugares do mundo. Eu cresci ouvindo músicas que eu gostava, que minha mãe gostava, que meu pai gostava. Isso me deu vontade de vasculhar antiguidades atrás de outros sucessos e assim aprendi a reconhecer as capas dos discos desses segmentos. E eram bem diferentes das de heavy metal que alguns amigos gostavam. E diferentes por sua vez de um ou outro que curtiam o psicodelismo do Caetano. Ganhei muitas referências visuais com os filmes que assistia, bem diferente por exemplo das que minha namorada tem. E assim vai.

Acho estranho isso não ser escancaradamente assumido. Ou então quem sabe eu esteja errado. Enfim, de posts cheio de imagens os blogs de design estão cheios. Aproveita e coloca tua opinião aí nos comments, concordando ou não.

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (13) Comentários

Do maíz à MAIZENA – Tadeu Costa

Capa do livro Do Maíz à MAIZENA, de Tadeu Costa

Agradável foi a minha surpresa quando, no Lançamento da Revista TIPOITALIA, encontrei tanto meu ex-professor Tadeu Costa quanto o seu livro, Do Maíz à MAIZENA®, da Editora Rosari. E lá mesmo resolvi comprá-lo. O Tadeu fez essa pesquisa por muito tempo, 15 anos, e a utilizou em 2001, na sua pós-graduação na Cásper Líbero, em 2001. Em 2005 saiu o livro.

A leitura é rápida (em torno de 4 ou horas) e gostosa. A ideia principal do livro é mostrar o layout que se mantém o mesmo há mais de 140 anos e mostrar o pouco que mudou, seja uma tipografia aqui, seja um detalhe na ilustração dos índios ali. O autor detalha e explica tudinho, desde a história do início do amido de milho, passa pelas referências das plantações brasileiras como o Visconde de Sabugosa de Monteiro Lobato e em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Dezenove comerciais de TV são analisados e relacionados com a marca MAIZENA, além dos cartazes, anúncios de revistas, calendários de receitas e embalagens. É um trabalho bem completo, cheio de curiosidades e características do forte projeto de identidade da MAIZENA.

As únicas coisas que achei chato é que diversas imagens a editora não deve ter conseguido os direitos de mostrar (eu que imagino isso, não penso em outra explicação), então tem uma ilustra meio rafeada da embalagem, cartaz, comercial de tv. Fora que as imagens poderiam ser maiores para facilitar a análise visual de cada uma. Uma pena, mas não tira os méritos do conteúdo.

Ok, ok… Eu confesso: Depois de ler o livro a primeira coisa que fiz foi tomar um mingau de MAIZENA ®… É claro que eu teria que comprar a embalagem vigente pra comparar com a última do livro, que é de 2005:

Embalagem de Maizena em 2010

É engraçado como a gente as vezes “não nota” a mudança das embalagens ou então não sabe falar o que mudou. Também é curioso analisar como algumas marcas ficam com a mesma base da embalagem, como a MAIZENA®. Quem sabe até valeria a pena uma pesquisa, um estudo mais aprofundado em cada uma delas.

Embalagens do Chocolate "do Padre", do Antisséptico Granado, sopa Campbell's e Creme Nívea

Aliás, agradecimentos para Luciene Antunes (@luci_n) pela embalagem do Creme Nívea e para a Carol Hungria pela embalagem do antisséptico Granado.

E aí, alguém lembra de mais embalagens que seguem essa linha de “identidade imortal”? Pode deixar nos comentários, eu não ligo! :)

Postado por Rogério Fratin em Embalagem,Livro e tem (9) Comentários

8 livros de design por menos de R$ 50 cada

Há alguns meses fiz um post de (quase) mesmo título (leia!) , mas percebi que ele ficou desatualizado em quase todos os livros. Os preços subiram, invés de 10, agora são 8, mas são muito bons, valem a pena. Aí vai uma lista atualizadíssima e claro, preços valendo apenas na data do post!

ABC da Bauhaus – Bauhaus e a teoria do design, de Ellen Lupton e J. Abbott Miller

Mais do que referencial, histórico e cheio de imagens para inspiração, a dupla de autores contextualiza o movimento e discute como essa escola alemã de design se relaciona com outras áreas e como a psicanálise pode ser relacionar com a geometria das formas que a Bauhaus usava, o círculo, o quadrado e o triângulo. É bem nerd e diferente de todos os outros que vi de Bauhaus em português.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 44,00

Alexandre Wollner e a Formação do Design Moderno, de André Stolarski

Livro + DVD de uma entrevistona com o Alexandre Wollner, talvez o pioneiro do design contemporâneo brasileiro. Ele fala da relação de design e arte, design e publicidade e do que está sendo produzido atualmente.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 44,90
Leia o post Livro: Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil [Um projeto de André Stolarski - Ed. Cosac Naify]

As Leis da Simplicidade, de John Maeda

O designer-artista-e-professor-do-MIT John Maeda dá, em 10 lições, dicas para encontramos mais facilmente a simplicidade no trabalho e no que produzimos. Tem até um blog que ele lançou pra continuar o livro, o The Laws of Simplicity.
Lugar mais barato: Americanas, R$ 27,90

Do Maíz à Maizena – Um Layout de 140 Anos, de Tadeu Costa

A embalagem de Maizena sempre pareceu “igual” pra todos. E num mundo de propagandas e logos que não duram muito, como permanecer sem modificações por muito tempo (afinal, 140 anos é muita coisa, né?)? É o que Tadeu Costa explica nesse livro, rápido e gostoso de ler, além de mostrar todas as mudanças da embalagem, comerciais de TV, anúncios e calendários de receitas.

Lugar mais barato: Fnac R$ 25,50

Linguagens do Design – Compreendendo o Design Gráfico, de Steven Heller

A possibilidade da leitura não-linear e o ótimo conteúdo me agradaram bastante. O autor mostra diversos “ícones” do design e conta sua história e curiosidades, como a Suástica, o símbolo da paz, cartazes, caixas de fósforos japonesas, embalagens de aparelhos de barbear…

Lugar mais barato: Fnac, R$ 38,25

Nova York – A vida na cidade grande, de Will Eisner

Livro de quadrinhos, sim. Mas para os preconceituosos, não é qualquer tipo de quadrinhos. É Will Eisner. E nesse livro ele mostra o cotidiano dos moradores das grandes cidades em diversas situações divertidas, inteligentes e extremamente bem resolvidas. No mínimo é genial.
Lugar mais barato: Fnac, R$ 39,90

O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson

A simplicidade e inocência do Calvin nessa coletânea de suas tirinhas. Ideal pra dar aquela “quebrada” entre um livro de design e outro.

Lugar mais barato: Submarino, R$ 19,90

Projeto Tipográfico, de Cláudio Rocha

Cláudio Rocha é tipógrafo brasileiro, trabalha com isso desde 1975, é diretor da Oficina Tipográfica São Paulo (leia o post “Curso de composição tipográfica manual Módulo I – Cartão de visita” e também o “Módulo II – Cartaz” e editor da Revista TIPOITALIA, idealizador e editor da Revista Tupigrafia, entre muitas outras atribuições. Nessa publicação ele conta de características da tipografia digital e analógica, a trajetória das fontes tanto técnica quanto estética, além de comentar tipos serifados, sem serifa e manuscritos. Essa é uma reedição revisada e ampliada do primeiro livro de tipografia que li na vida :)

Lugar mais barato: 2AB Editora, R$ 33,48

Alguém tem mais sugestões nessa faixa de preço? Pode deixar nos comments :)

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (3) Comentários

Arquivo Público do Estado de SP

Revista "O Echo", de 1906

Revista "O Malho", de 1906

Revista "O Pharol", de 1908

Revista "A Cigarra", de 1914

Revista "O Fazendeiro", de 1920

Fiquei muito feliz quando vi essas e muitas outras imagens em tamanho grande pra ser ver na tela (eles, infelizmente, não deixam baixar…), baixar em PDF e consultar referências visuais do começo dos anos 1900.

O Governo abriu esse acervo, segundo eles com mais de 250.000 imagens. As revistas podem ser folheadas e dá pra ler tudo (ou quase tudo), além de diversos jornais da época, anuários, fotos bem legais… Tá tudo aqui: Arquivo Público do Estado de São Paulo

Pra quem gosta do design de coisas antigas, veja a tag vintage do blog. Mas você também pode dar uma espiada nos meus posts com itens estilo rétro

Postado por Rogério Fratin em Designice e tem (4) Comentários

1000 Type Treatments

1000 Type Treatments - Capa

Depois de muitos livros em português, resolvi mudar o destino e postar um gringo.  E um baita livro de referências tipográficas. Os autores Wilson Harvey e Loewy acertaram em cheio.

Essa publicação é uma coleção com mil (mil mesmo!) exemplos de tratamentos dados à tipografia, todas categorizadas e separadas pelos temas flyers, livros + revistas, logos, brochuras, pôsteres + banners e 3d + tipografia digital. Todas as imagens têm informação sobre a equipe que fez. São 400 páginas impressas num papel bem legal.

O livro é relativamente pequeno, um quadrado de 15x15cm, muito fácil de carregar e de dimensões suficientes pra ver bem cada layout. Alguns exemplos:

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

1000 Type Treatments - Interna

Na Amazon custa US$ 13,59 na data desse post.

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Postado por Rogério Fratin em Livro,Tipografia e tem (2) Comentários