design, livros, tipografia e referências

Archive for December, 2009

Infográfico: Como os micreiros prejudicam os designers

Eu até gostaria de colocar um belo info aqui, cheio de ilustras bacanas e texturas minunciosamente bem feitas. Tudo com o acabamento mais incrível que já fiz. Não coloquei porque não achei esses valores comparativos. Nem gráficos. Nem tabelas. Nem números.  Nunca tem nada. São centenas de pessoas reclamando por algo que, até hoje, nunca vi uma prova sequer.

Bem me lembro que durante meu curso superior de Design Digital alguns professores falaram e teve até um que deu um texto para ser interpretado, que atacava os micreiros (no texto eles chamavam “sobrinhos”) e basicamente falava que eles eram o pior terror para a profissão do designer. Pois é… E cadê a prova disso tudo?

Pra mim é tudo balela. Se eu estiver errado, então me prove com números. Os micreiros ficam lá, os designers ficam cá. Tem sempre um que fala “Ah, mas eles tiram meu emprego”. Tiram, é? Quantas vezes a Agência Click, por exemplo, contratou um micreiro pra fazer suas peças que concorreriam ao Cannes? A AlmapBBDO trouxe um grupo de micreiros pra conseguir a conta de algum cliente importante? A Editora Globo terceirizou micreiros pra fazer a identidade da revista X ou Y? Não, né? Então… Talvez o micreiro tenha feito por R$ 325,00 o site da papelaria que tem perto da sua casa (até porque eles não teriam os 2 ou 3.000 que você cobraria para fazê-lo). Talvez o sobrinho do amigo tio que sabe mexer no Corel Draw tenha cobrado R$ 8,50 pra fazer o cartaz de “Vende-se ovos” para a quitanda da amiga da sua tia. É com esses caras que você quer competir no mercado? É esse tipo de trabalho que você quer? São esses os caras que você compete numa entrevista? Ah, bom…

Micreiros x Postura profissional: Quem (ou o que) prejudica mais a profissão?

Muitas vezes me questiono da posição do designer dentro de uma empresa. Sempre me lembro de um passado remoto, quando eu era office-boy, junto de outros oito ou nove adolescentes. Pra eles não bastava ser office-boy, também era necessário se portar como. Todas as gírias de periferia possíveis, roupas largas e extravagantes, boné de basquete norte-americano, pouca cautela pra falar… Enfim. E não era da natureza deles, não. Era algo que contagiava quem começasse a trabalhar lá (e também nas outras empresas dos prédios ao redor). Por que será que nenhum deles pegaria aquela vaga de auxiliar de escritório? Porque a vaga não é pra alguém assim. Ah, nada contra as vestimentas, não. Mas acredito que elas devam ser de acordo com o tipo de negócio que você trabalha. Nesse caso, uma seguradora, cheia de regras e de bancos importantes como clientes principais e um povo de terno sempre ao redor. Não esperava que os meninos fossem trabalhar de fraque, apenas não acho interessante ir vestido como se vai para o clube no final de semana praticar esportes. Ah, é evidente que não estou exemplificando baseado em funcionários numa agência ou empresa descolada, que permitem e promovem essa casualidade (extremamente saudável e indicada) na aparência.

Da mesma forma que os estagiários de todos os lugares que trabalhei que se comportavam como estagiários NUNCA foram efetivados.

Dúvidas: Será que não falta para a profissão se preocupar com a NOSSA postura profissional invés de fazer o mesmo pela postura de um micreiro que nem sabe porque ele não é designer? Quão contente um gerente de marketing fica com explicações do tipo “NÃO DÁ pra mudar porque estou usando uma referência direta aos estudos de gestalt do objeto da Deutscher Werkbund”? Inclusive tem gente que fica sem resposta se as frases prontas “Não dá”, “Não tem como” e “É impossível” sumirem da Língua Portuguesa. O designer precisa ser o solucionador de problemas, não o causador de outros.

Designers mendigos

Ocasionalmente pelo Orkut eu encontrei uma comunidade chamada “Designers mendigos”, onde na descrição tinham coisas como “Se você tem 22 anos, está formado e não tem perspectiva de comprar um carro por conta do salário aqui é seu lugar”. Ok, ok, sei que sou ranzinza pacas. Sei que até pode parecer engraçado, mas mesmo que algumas vezes isso possa ser verdade, quanto será que uma coisa dessas ajuda as pessoas de fora a olharem para a profissão de designer de maneira digna (já que nem quem é designer olha)? Engraçado é que não tem nenhuma comunidade de “neuro-cirurgiões mendigos”, nem “vendedores de loja de shopping mendigos”, nem “frentistas de posto de gasolina mendigos”, nem marketeiros, nem programadores. E a comunidade tá lá, com mais de mil e duzentas pessoas. A comunidade brasileira de tipografia que tem mais membros não passa da casa dos três mil, ou seja, um terço desse valor se identifica designer mendigo (claro, não necessariamente os membros dessa comunidade, só estou comparando os valores). É curioso pensar que não gostamos de micreiros porque eles sujam nossa profissão e denigrem nossos valores, mas se comparar a mendigos não tem problema, né?

Só pra fechar

Quero deixar bem claro que não sou satisfeito com o que o mercado paga para os designers. Tampouco acho que nem os clientes nem nossos chefes tratam nossa profissão com a seriedade que deveriam. Mas também acho que muito disso não se deve apenas aos micreiros, sobrinhos nem a toda a turma deles. Se a cabeça de quem faz parte do grupo “prejudicado” não muda, mais complicado ainda mudar o pensamento de quem está apenas assistindo de fora. Nos últimos três anos quantas entrevistas em programas de talk-show foram com designers que fizeram algo grandioso pela sociedade? Quantos projetos de melhorias para o país foram idealizados por designers? Quantos designers você conhece que se envolvem com projetos para ONGs ou OSCIPs? Pois é… Que coisa, não?
Corcorda? Discorda? Não tem problema. Se design é projeto, como diria o Mestre Alexandre Wollner, ele pode ser fortalecido pelas discussões. Então comenta aí!

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Lata de Panettone rétro da Bauducco

Como de costume a Bauducco lançou latas especiais para seus panettones em versão “presente de Natal”. As embalagens antigas foram o tema dessa vez. A que achei mais interessante foi essa, baseada na década de 1950, década que Carlo Bauducco trouxe o panettone pro Brasil, segundo informações na própria lata. A face principal utiliza ilustrações de rostos de crianças que foram retiradas de um caderno de receitas, sem data definida. As demais faces incluem fotografias de época (e tem imagens das décadas de 1960 e 70 também…?).

Lata de Panettone Retro, Bauducco Lata de Panettone Retro, Bauducco
Lata de Panettone Retro, Bauducco Lata de Panettone Retro, Bauducco

Post relacionado:
20 american ads de 1951

Postado por Rogério Fratin em Designice,Embalagem e tem (4) Comentários

Revista TIPOITALIA

No último dia 15 foi lançada a Revista TIPOITALIA 2, do tipógrafo brasileiro Cláudio Rocha, que mora na Itália atualmente, onde editou toda essa publicação. O evento foi fantástico, muitos dos grandes nomes do design/tipografia nacional estavam lá, como o Alexandre Wollner, Tony de Marco, Marcos Mello… Tanta gente boa. Inclusive tem fotos do evento num post no Magelstudio. Além do evento prender a atenção por horas o local também foi propício: A loja Pintar é fantástica, dá pra perder horas, dias lá dentro vendo tanta coisa bacana. O triste da coisa é que não tem mais loja aqui no Brasil vendendo a revista (tinham algumas na Pintar, mas duvido que elas durem muito tempo depois desse post). Aliás, eu chamaria de LIVRO. Na dúvida, deixei as duas categorias nesse post! :)

Revista TIPOITALIA 2

É definitivamente essencial pros que admiram e querem ver referências europeias – mais precisamente italianas, de tipografia. Tem de tudo: Tipos em relógio, em selos de carta, em todo lugar. Junto com essas fantásticas fotos impressas num papel de alta qualidade, textos explicativos (em inglês e italiano) complementam a publicação. É tão inspirador quanto o “Novos Fundamentos do Design” ou de algum outro livro da Ellen Lupton… É só dar uma folheada e já dá vontade de pegar a camerazinha digital e sair pela cidade caçando boas referências.

Revista TIPOITALIA 1

Pra quem não foi ao lançamento da primeira edição da TIPOITALIA teve chance de comprá-la pelo mesmo valor da segunda, R$ 45,00. Vi que a segunda seguiu bem a fórmula da primeira, também recheada com referências de tipografia italiana de alta qualidade. Agora… Pra que perdeu esse evento, quem sabe no ano que vem o Cláudio Rocha não lança a TIPOITALIA3, hein?

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6 dicas pro webmaster não ser morto pelo designer

Atenção:
Esse post foi feito em 2009. Ele fazia sentido nessa época. Nesse tempo muitas mudanças aconteceram, tecnologias ficaram mais evidentes e recursos técnicos passaram a oferecer novas possibilidades. Alguns itens (e creio que em breve quase todos) dessa lista não tem mais utilidade ou não tem tanto quanto no ano que foi escrito, mas mantenho o post por documentar a época e a história do blog.

Depois do post “10 dicas pro webmaster não querer te matar“, que teve diversos picos de acesso e cada dia bate novo recorde pro blog, resolvi inverter o foco e ajudar o webmaster a não ser decapitado e exposto em praça pública pelo designer. São leves toques (PARA OS WEBMASTERS) que, junto com o outro post, ajudarão a manter o clima de designers x webmasters calmo, feliz e com aroma de rosas so campo. Vamos lá:

1. Alinhamentos

Não existem coisas quase alinhadas. Ou estão ou não estão, inclusive ele existe pra isso: tornar duas coisas exatamente na mesma linha. Não tente justificar com “Ah, mas são só 3 pixels” se o resultado final ficar com cara de amador. Claro, isso se aplica quando não bate de frente com o item “6. Desapego com a arte” da outra lista de dicas.

2. Cores

Muitas vezes, na hora de usar o conta-gotas do seu software favorito para pegar a cor de algum elemento, você pode pegar a “cor errada”, ainda mais quando os layouts são distribuídos em JPG compactado ou algo equivalente. Na maior parte das vezes ele cria “borrões”, principalmente próximo a letras e bordas de ilustrações. Caso você clique nesses borrões acidentalmente para identificar o hexadecimal da cor, pode ter resultados diferentes a cada uma das páginas do seu projeto. Veja no exemplo a seguir que fiz com uma das imagens do post “Pensar com tipos“, três cores diferentes, retiradas da mesma letra A:

Diversas cores encontradas na mesma parte da imagem, pela compactação demasiada do JPG

3. Compactação de imagem

É bem interessante alinhar com o designer (caso ele não as entregue recortadas) como as imagens serão compactadas pra web, seja em JPG, GIF, PNG 8 ou 24. As vezes as existem muitas perdas de qualidade ou cores essenciais para o projeto.

4. Tipografia

Não, Arial não é igual Tahoma e tampouco com a Verdana. Times New Roman não tem nada a ver com a Georgia. Ok, ok, as vezes é complicado de identificar pra quem não é acostumado, então vale a pena certificar-se de qual das tipografias é utilizada no projeto. Uma família trocada pode causar bastante estranheza por parte de quem vê, mesmo que não tenha o olho treinado. Fica aquela sensação de letreiro preto com letrinhas amarelas de padaria, onde sempre tem fontes diferentes pra compor o “menu”. Perceba como as famílias são diferentes:

Comparação entre alguns caracteres das tipografias Arial, Verdana, Tahoma, Times New Roman e Geogia

5. Entrelinhas e entreletras

Muito comum ser ajustada entre os designers gráfcos, muitas vezes esses dois recursos essenciais não são aplicados na web ou não seguidos pelos HTMLers à risca. Os projetos que precisam colocar mais texto em menos espaços, como portais de conteúdo ou notícias, podem usar uma redução no entreletras (no CSS, letter-spacing) e/ou no entrelinhas (line-height no CSS) para resolver esse problema. Fique atento nessas medidas pra não parecer que “tem texto demais e tá quebrando o layout”

6. – Deixa que eu faço, é só um botãozinho? – NÃO!

Sem radicalizar nada, mas é bem complicado inventar um botão, cor de algo ou posicionamento quando teve um cara que ficou cinco meses pensando e executando só isso. Essa dica não é relacionada ao apego com o produto e sim com a garantia de identidade posta à prova no site todo, desde decisões de estrutura para todo o layout até a cor do link do canto do rodapé. Se precisar criar algo, chegou a hora de trabalhar junto com seu amiguinho designer de novo! Ó que beleza! Pra você entender como é ruim uma pessoa não treinada inventar esses designices, seria como, depois de meses e meses de trabalho árduo e códigos lipíssimos e organizados, vir um designer infeliz e mexer em tudo via Dreamweaver, pelo modo layout. Entendeu? Dói, né?

Mais alguém tem dica aí? Ah, aproveita pra comentar e enviar pros amiguinhos codeiros que você conhece. :)

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Museu do Expedicionário

Museu do Expedicionário, fachada

Fã de elementos visuais militares, aproveitei minha estada em Curitiba (PR) e dei uma passada no Museu do Expedicionário. Além desses elementos, encontrei diversos artefatos que me surpreederam bastante.

Do lado de fora do Museu, tem um tanque de guerra, um avião, um torpedo marítmo da Marinha do Brasil, uma âncora e um canhão para ataques terra-ar. Lá dentro, além de outros canhões e dezenas e dezenas de metralhadoras, rifles e granadas, tem também os uniformes originais dos exércitos de diversos países da época da Segunda Guerra Mundial, período foco da atração, também pode-se encontrar distintivos, objetos pessoais dos soldados, blocos de anotações com diários de guerra, mapas originais com as estratégias bélicas, fotos dos militares lutando, andando, comendo, recebendo cuidados médicos (e de judeus sendo mortos pelos nazistas…), reproduções de jornais da época, embalagens de produtos que eram ilustradas com a guerra, manifestações conta o envolvimento brasileiro na guerra, cartas, materiais capturados dos alemães, mapas dos locais da Guerra e muitos outros. Aí vão umas fotos (do lado de fora, dentro não pode…):

Canhão em frente ao Museu do Expedicionário

Avião Thunderbird, da Segunda Guerra Mundial, em frente ao Museu do Expedicionário

Detalhe do avião Thunderbird, em frente ao Museu do Expedicionário

Tanque da Segunda Guerra Mundial, em frente ao Museu do Expedicionário

Detalhe do tanque da Segunda Guerra Mundial, em frente ao Museu do Expedicionário

Placa explicativa no Museu do Expedicionário, em Curitiba

Museu do Expedicionário, Curitiba (PR)

Praça do Expedicionário, Alto da XV
(41) 3362-8231
Funcionamento: De terça à sexta-feira, das 10h às 12h e das 13h às 17h. Aos sábados e aos domingos das 13h às 17h.
A entrada é franca, grátis e free!

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Lançamento da Revista TIPOITALIA 2, de Cláudio Rocha

Na próxima quinta-feira, dia 10 de dezembro de 2009, vai ter o lançamento da Revista TIPOITALIA, que foi editada na Itália pelo tipógrafo brasileiro Cláudio Rocha.

O evento será a partir das 19:30, na Pintar, Rua Cotoxó, 110, Pompeia (ver mapa). Tel: 3873 0099

Lançamento da Revista TIPOITÁLIA

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Pensar com tipos [Ellen Lupton]

Capa de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Falar que Pensar com tipos é o livro que aborda tipografia com mais profundidade não é verdade. A grande vantagem de mais um livro maravilhoso da Ellen Lupton é a refrescada que ele dá na cabeça em conceituar e exemplificar diversos pontos da tipografia, como formação do tipo em específico, os “faça” e “não faça” e muitas outras questões, com exercícios para praticar ao final cada capítulo. Tudo (tudo mesmo!) é muito bem ilustrado e dá pra devorar todo o livro quase sem perceber. Como de costume, Ellen Lupton mantém seu estilo didático com linguagem simples. Um detalhe interessante é que o “Pensar com tipos” tem várias cores na tipografia da capa. Isso é possível porque a capa é (mesmo!) feita com tipos móveis.

O sumário do livro:

Sumário de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Alguns exemplos de conteúdo das páginas internas:

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Exemplo de página de Pensar com tipos, de Ellen Lupton

Esse livro somado ao “Elemento do estilo tipográfico” (que eu já falei no post “10 livros essenciais por menos de R$ 50 cada“) são o grande começo pra quem quer se aprofundar em tipografia.

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