Designices

É de comum conhecimento que produtos com espaços coloquialmente chamados de “áreas de respiro” se fazem mais confortáveis visualmente para quem os consome, assim como podem proporcionar melhor percepção, entendimento e até interação, seja uma revista, um livro, um controle remoto de home theater ou um smartphone. Uma oferta muito grande de opções pode gerar confusão ou desvalorização do todo. O Mc Donald’s, por exemplo, notou lá no comecinho que se simplificasse o cardápio e padronizasse os sanduíches evitaria que os clientes tivessem dúvidas na hora de fazer o pedido e o atendente da cozinha, por sua vez, teria menos dificuldade de prepará-lo (quem quiser saber mais sobre isso dê uma olhada no livro Design de Negócios, de Roger Martin, Editora Campus. O John Maeda, em uma de suas Leis da Simplicidade, fala sobre reduzir o número de itens, só mostrar o necessário e eu sou adepto disso, acho que dá pra notar aqui no DESIGNICES a valorização do espaço em branco para a pausa, reflexão, pra retomar o pensamento e, quem sabe, arriscar um comentário. Já até fiz um post só pra falar da falta de espaços em branco na internet.

Mas e na cidade em que moramos, como isso tem se mostrado?

Tem cinco anos que aqui em São Paulo uma lei chamada Cidade Limpa removeu a poluição visual pelas ruas padronizando as fachadas e proibindo outdoors, faixas e afins. O Marco Moreira mostrou bons exemplos disso, vale conferir aqui e aqui. E o Rio de Janeiro tá entrando nessa também, para a alegria dos olhos de quem passeia e nota a cidade, sem parecer que você mora num jornal de classificados.

Acontece que se por fora houve o suposto cuidado de não nos soterrar com marcas e anúncios, aos poucos, os ambientes internos estão cada vez mais lotados de informação como se fosse pra compensar o que se proibe nas ruas. Não tem mais momento de reflexão no que foi visto, não tem mais pausa pra pensar na vida: sempre há algo pra ver, além dos smartphones pipocando notícias, emails e alertas de redes sociais em tempo integral. E esse último “sempre” usado acima se torna cada vez mais, infelizmente, quase que literal.

Perceber como a cultura visual das pessoas pode apodrecer com tamanha quantidade de informação me preocupa. Acredito até que de alguma forma prejudique nossa profissão, já que a desvalorização da exclusividade de informação (seja ela qual for, até mesmo a publicitária) tende aumentar já que segundos depois algo novo toma o lugar do que, precocemente, vai ser chamado de antigo. Em trinta minutos caminhando na hora do almoço mais de uma dezena de informações foram metralhadas na cara dos “usuários da cidade”. Impossível lembrar da primeira, da segunda, da quinta. O Metrô, que era limpo visualmente, tem até propaganda na catraca. Elevadores tem a atenção dividida entre as tvs com anúncios irrelevantes e emails (duvido que tão urgentes assim que não podem aguardar até a chegada na mesa) nos iPhones, Blackberries e Androids. Telas nas praças de alimentação. Nem escada rolante escapa mais. Tá difícil a coisa, viu?

Para mostrar o que me refiro, saí caminhando na hora do meu almoço e dando cliques com o celular (por isso as fotos não estão lá essas coisas) o que vi em poucos metros. A sobreposição e acúmulo de informações além da falta de cuidado com elas me assusta e tenho certeza que muita gente não dá mais conta disso porque foi acostumando e agora parece tudo normal, por mais absurdo que pareça.

No Metrô Linha Amarela de São Paulo, o mais nova da cidade, a sinalização é muitas vezes feita assim, com pincel atômico, com rasura e papel colado por cima. Bem legal para uma obra de tantos milhões investidos.

Cartaz de sinalização do Metro Linha Amarela

Os elevadores (à esquerda), dos poucos lugares que as pessoas não tem pra onde correr, tem telas pra tomar a atenção. E um roubo de atenção mais que idiota, nesse caso é pra falar das tais fotos roubadas da Carolina Dieckmann nua. Ao passar na catraca do Metrô (à direita) tem publicidade aplicada, afinal de contas é muito gostoso tomar iogurte na multidão.

Fotos da Carolina Dieckmann e publicidade na catraca do Metro

Essa sequência de três telões frente-e-verso (acima) mostrando as mesmas imagens é totalmente desnecessária. Por que não um só? Depois dos telões (abaixo), uma tremenda confusão de foco de informação: Sinalização do shopping no alto, telão gigante no meio e placa no chão com o horário de funcionamento (e além de tudo você tem que descer uma escada). Shopping Nações Unidas / Shopping D&D, São Paulo.

Sequência de telões no Shopping Nações Unidas

Na hora do almoço nem o cardápio escapa: O Bar da Devassa na região da Berrini, em São Paulo, remenda os preços com etiquetas à caneta. Coisa linda de fazer quando se está cercado de grandes empresas e hotéis caríssimos.

Cardápio remendado do Bar da Devassa, na região da Berrini, São Paulo

No caminho pro cafezinho um estupro visual: Escada rolante inteira envelopada da HP. Pra quem a desce não dá mais pra ver a arquitetura do lugar nem o jardim: banner da mesma campanha tapa toda a visão.

Escada rolante com publicidade da HP

Tomar um café, relaxar e se preparar para o famoso “segundo tempo” também não escapa do acúmulo de informações. Além das telas, na mesa também tem tentativas de vender mais. Essa é da Ofner.

Café com publicidade na mesa, na Ofner

Claro que existem mais N exemplos, mas acho que já dá pra parar por aqui.

Bom, pelo menos na região central/comercial aqui em São Paulo a coisa anda assim, feia. Imagino que uma hora isso vai transbordar e algo precisará ser feito. Enquanto isso não ocorre você poderia deixar nos comentários:

1. O que acha dessa enxurrada de informações?
2. Onde ir pra ter um momento de “área em branco”?
3. Como isso pode influenciar na nossa profissão?

Manda bala, tem bastante espaço em branco aqui embaixo pra você refletir ;)

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Diferente de muitos meninos que começam gostar de heróis como o Superman, Batman, Hulk, eu comecei com o personagem O Fantasma de Lee Falk, na Fantasma Magazine que meu pai se orgulha de ter mais de 80 unidades dos anos 1950 e 1960, todas que comprou na época, a maioria já usadas.

Era pra mim bem divertido ver um cara mascarado, com um anel de caveira, cavalo, cachorro (chamado Capeto! Ó que nome bom!) e que morava numa caverna com o formato de crânio humano. E nada de super-poderes, o Fantasma resolvia tudo na base da porrada, de tiros, facadas. Ótimo pra uma criança de três anos de idade, não? Mas não tinha problema, elas estavam (como mostra o selo) dentro do código de ética! E eu já estava BEM escolado com essas coisas, pra quem já lia O Amigo da Onça, o Fantasma era “café-pequeno”!

Eu passava um bom tempo folheando as revistas e ouvindo meu pai contar sobre onde e quando comprava, que ele queria tal que não conseguiu em lugar algum, que pagava barato na feira, num pano no chão que um vendedor colocava com as revistas por cima. Fazia tempo que eu não via esse material, mas o Seu Rodolfo resolveu o problema: Cavocou os armários e pegou sua coleção e algumas delas foram fotografadas, olha que legais:

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Meu pai conta que na banca de jornal, quando a revista era preto e branco, nunca sobrava uma sequer.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Daí mudaram para colorida…

O Fantasma [Fantasma Magazine]

E depois voltou ser preto e branco novamente.

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Além de tudo ainda vi algumas propagandas vintage de produtos que ainda existem, como essa do Nescau

O Fantasma [Fantasma Magazine]

Esses foram alguns dos primeiros contatos que tive com histórias em quadrinhos, talvez a primeira com a narrativa sequencial (e não em charges de um quadro) que eu vi.

E você? Qual era teu herói/heroína quando criança?

Sempre vejo propagandas de “produtos design”. Produtos que nas suas próprias naturezas já são resultado de um projeto de design evidentemente envolvido com outras áreas. Daí tenho acompanhado esse carro (um belo carro da Kia, por sinal) chamado Soul e que é vendido  como “carro design”. E tem hotéis design (como o “Hotel Unique-Melancia” aqui em São Paulo), objetos design, capas de celulares e tablets design e assim vai. Tudo design. E por acaso como é um carro sem design? Existe? Os outros não tem design, então? O Fiat Uno, o Ford Ka, o Volkswagen New Beetle poderiam ser vendidos também como carros design?

Pra quem tiver na dúvida, leia antes algumas boas definições sobre O que é design, que atualizo sempre com o que encontro por aí de interessante.

Concordo que o projeto do Kia Soul é realmente diferente do que se tem por aí atualmente, o que lhe dá uma certa personalidade no mínimo exótica e as vezes, usando um lindo termo de briefings vazios, criativa. Assim como o hotel. Assim como todo o resto. Percebo que a palavra design tem sido empregada nesses casos estranhos. Seria design o termo correto? O que isso pode acarretar pra quem ouve o termo e não é da área?

Kia Soul, o carro design

No descritivo do site temos detalhes curiosos também, provavelmente propostos e lapidados por quem tem que vender a qualquer custo e não precisa nem conhecer o produto e seu entorno. Esse é o máximo: “por fora o carro esbanja estilo e seu desenho desafia conceitos”. Ah, é? Quais conceitos? Fiquei curioso.

Será que falar que um carro de projeto exótico é um carro design ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão de designer? Será que vira um sinônimo de algo criativo e peculiar ou apenas algo exótico e que não agrada todo mundo? E o restante dos carros do planeta que não seguem esse padrão, será que perdem o caráter projetual de design que eles têm? Uma Ferrari não seria um carro design também? E um Cadillac? E um Shelby Cobra? Nossa, quantas perguntas…

Ah, eu adoro o Kia Soul, acho lindo mesmo. Por sinal, se alguém da Kia ler post e quiser me dar um de presente, vou adorar. Vermelho, por favor. E pelamordedeus, já que gostam tanto de usar o design, pensem também no design principalmente o de interação do site. É ruim de dar azia.

Sei que já usei muito mais pontos de interrogação do que deveria nesse post, mas a ideia é a mesma de sempre, questionar. Então é o que vou fazer: O que você acha da denominação carro design e tudo-exótico-design? Ajuda ou atrapalha no entendimento da profissão e da função do design?

A Referência no Design Gráfico, Editora Blucher
E cada vez mais aparecem bons livros de referências em design. Quem me dera na minha época de aluno da faculdade eu tivesse acesso a 1/4 dessa quantidade de títulos de hoje. Esse, A Referência no Design Gráfico – Um Guia Para a Linguagem, Aplicações e História do Design, da Editora Blucher é um ótimo exemplo disso. As 400 páginas são ricamente ilustradas e ainda por cima bem recheadas de informação. Dá só pra “ver”, dá só pra ler, dá pra ter os dois, que é minha sugestão. Do vintage pro contemporãneo, o impresso, o digital, designers, conceitos, tudo na medida certa. Tem texto suficiente pra você se interessar pelo assunto e na quantidade ideal para que o topico não fique cansativo e você parta logo pro próximo item, linear ou não-linearmente.

Os autores Bryony Gomez-Palacio e Armin Vit dão um breve contexto e mostram imagens de revistas como Emigre, Eye, IDEA, Critique e Esquire. Tem designers como Ladislav Sutnar, Joseph Müller-Brockmann, Paul Rand, Massimo Vignelli, Milton Glaser, Wolfgang Weingart, David Carson. Estúdios como a Pentagram, The Republic Designers e Push Pin. Tem type foundries como a ITC, The Font Bureau, Adobe Fonts, Emigre Fonts, House Industries e Fontshop International. E tem museus de arte e design, tem referências de podcasts e blogs de design, tem o DESIGNICES! Ok… não tem o DESIGNICES, não… Desculpe, me empolguei. E tem cartazes, capas de discos, mapas de metrô, embalagens, revistas, jornais, referências de outros livros… Enfim, dá pra se divertir por um bom tempo com essa publicação. Interessante é ver que além de todas essas figuras carimbadas do design mundial e atemporal também tem outros “menos conhecidos” com ótimos trabalhos. Eu sempre me pego esbarrando nesses nomes e procurando mais a respeito. Alguns foram tão legais que até gastei mais grana em livros a respeito, hehe! Coisas da vida!

Pra mais detalhes sobre o conteúdo:

Sumário

Apresentação
Uma modesta linha do tempo

Princípios
De design (Disciplinas, layout, cor)
De tipografia (Anatomia, genealogia, classificação, composição)
De produção impressa (Métodos de impressão, acabamento)

Conhecimento
Em papel (Periódicos e revistas, livros)
Online (Blogs, fóruns e diários; Arquivos, referências e acervos; Podcasts e rádios online )
Na sala de exposição (Museus, arquivos)
Nas salas de aula

Representantes
De design (1920-1960, 1980-2000)
De formas de letra (Origens, pós-1984)
De escrita
De designers

Prática
Nas paredes (Nas prateteiras, nas bancas de revista, em identidade, em letras)
Nas estantes (Livros, música, produtos de consumo)
Nas bancas de revista
Sobre identidade (Logotipos, programas de identidade)
Sobre formas de letras (Clássicas, inovadoras, novos clássicos, desprezadas)

A sobrecapa pode ser removida pra dar uma espiada nas cores e trabalhos da capa, mas nesse caso é interessante manter: ela é bem resistente e é plástica, não vai rasgar ou amassar fácil.

A Referência no Design Gráfico - Detalhe da sobrecapa

Alguns exemplos de como o conteúdo é exibido e ilustrado nas internas:

A Referência no Design Gráfico - Exemplo de internaA Referência no Design Gráfico - Exemplo de internaA Referência no Design Gráfico - Exemplo de internaA Referência no Design Gráfico - Exemplo de interna

A principal vantagem que encontro nesse livro é, além da qualidade da curadoria e quantidade das referências, elas estão devidamente contextualizadas e definidas, diferente do que geralmente encontramos em livros “somente de referências visuais” que geralmente não nos dão muita chance de procurar ou saber mais, nem entender onde aqueles projetos estavam envolvidos e porque foram feitos.

Esse é mais um título que recebe o “Selo DESIGNICES de qualidade reconhecida;)

Comerciais vintage são sempre interessantes. Curioso perceber as peculiaridades da falta de recurso pra fazer uma “macro”, da ausência de trilha sonora, de crianças correndo e dando cambalhotas mortais na cozinha pra mostrar a vitalidade que o produto supostamente entrega. No lugar de tudo isso tem uma moça apresentando, se deliciando com os cereais matinais e rapidamente interagindo com a voz em off. Fora as referências visuais da embalagem, da roupa, dos móveis e do ritmo do comercial. Interessante também é notar as imperfeições da caixa, como é uma caixa de verdade quando compramos, e não necessidade da perfeição utópica de tudo que vemos hoje anunciado.

Aí vieram os anos 1960, as agências de publicidade “faca na caveira” e acabaram com tudo…

Os vídeos desses comerciais foram encontrados no site www.archive.org, com conteúdo de domínio público.

Acredito que um dos maiores problemas que os designers entrentam são os briefings mal feitos e as demandas de trabalhos passadas sem certezas, sem conhecimento, sem nem fazerem ideia do que querem ao certo. Muitas vezes as pessoas que demandam os projetos mal sabem falar o nome delas com o sobrenome. E isso tem em todo lugar.

Mas não se desespere! O DESIGNICES criou o novo FLUXO DE TRABALHO INFALÍVEL pra você passar pro teu chefe, cliente, todo mundo. Basta quem for demandar trabalho pra você seguir e pronto, tudo resolvido. Dê uma olhada:

Fluxo de trabalho infalívelE aí? Quem vai ser o primeiro da tua lista a receber esse fluxo, hein? ;)

(Talvez você também goste de Cada vez que um designer… e de Dicionário de marketing para designers)

O Amigo da Onça, de Péricles

Um dos primeiros contatos que tive com a linguagem de HQs foi com certeza O Amigo da Onça (o outro foi nas revistas do Fantasma), num livro que meu pai comprou nos anos 1970 e que me explicava as piadas sarcásticas, desnecessariamente sacanas e politicamente incorretas do personagem do cartunista Péricles, que saíam na revista O Cruzeiro e faziam o maior sucesso. Mais algumas das charges do malandro carioca:

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

O Amigo da Onça, de Péricles

Todas as imagens das charges foram fotografadas da edição especial Nostálgica do Cruzeiro de O Amigo da Onça:

O Amigo da Onça, de Péricles

Pra quem quer saber um pouquinho mais…

Péricles (Péricles de Andrade Maranhão) nasceu em Recife em 1924 e muito novo, aos 17, foi tentar se aventurar desenhando profissionalmente. Deixou sua cidade e foi para o Rio de Janeiro. Participou das revistas O Guri com seu personagem “Oliveira, o Trapalhão“. Na revista A Cigarra desenhava os quadros “Cenas Cariocas“, “Miriato, o Gostosão” e o próprio “Oliveira“. Mas nenhum desses chegou próximo do sucesso que fez O Amigo Da Onça, que foram desenhados (pelo seu criador) de 1943 até 1961 na revista O Cruzeiro e eram, segundo as pesquisas, a seção mais lida e adorada de todas. Crianças, adultos e idosos se divertiam com o personagem que foi encomendado para expressar na época a essência cotidiana do Rio de Janeiro para todo mundo, inclusive que não morasse lá. Péricles se suicidou em 1961, no último dia do ano, se trancou em casa e deixou o gás ligado. Infelizmente não tem quase nada publicado sobre o ilustrador. Editoras, cadê vocês nessa hora?

E você, lia algo diferente do convencional quando era criança?

Aêêêêêêêê! Depois de muita enrolação aí está o novo layout do blog, não ficou uma lindeza? Desde o começo, em setembro de 2009, eu queria expor minhas ideias, atiçar discussões e exibir referências que eu curto e que não estão nos sites com seis quizilhões de acessos por dia. Eu usei dois layouts como repositório de ideias até que chegou o dia que eu precisaria pensar visualmente no projeto, ter uma identidade mais forte, sólida. E daí eu tomei algumas decisões, abri mão de algumas coisas, não arredei o pé de outras. Deixa eu falar um pouquinho do processo e dos elementos:

De 1024px para 1280px

Resoluções e menores de 1024px correspondem apenas a menos de 10% dos leitores, e mais de 30% desses usam tablets. Ou seja: se eu posso explorar um 1280px de largura, por que não? Daí já me baseei em proporção áurea pra criar as divisões em três colunas, onde uma é só pro título. Eu queria trabalhar muito o branco e os respiros, essa solução caiu como uma luva

Tipografia: Stafford Regular

É muita Arial, muita Times e muita Georgia nesse mundo dos headlines, meu deus. Aos poucos as webfonts vão aparecendo mais rápido, com menos problemas no crossbrowsing e de kerning. Aos poucos. Procurei, procurei até esbarrar numa que realmente me tocasse, me conquistasse. E foi ela, Stafford Regular, devidamente comprada, legalizada. Tudo certinho =)

Cores

Quero conforto pra leitura, os textos geralmente abusam da boa vontade dos leitores. É coisa demais pra ler (e vocês lêem, OBRIGADO!). Aí o pessoal vem e PIMBA, detona nos comentários e vem mais texto. E vocês, novamente, lêem. Acredito que dessa maneira eu consiga tornar a leitura o mínimo cansativa possível na tela.

Botões, botões, botões

Cada hora aparece algo novo, uma rede social nova, um app, tudo. Daí os sites vão ganhando cada vez mais cores, e cores. Logo tudo vira uma massaroca de coisas. É um tom de azul que não combina aqui com aquele outro. Um monte de carinhas de um lado, botão vermelho do outro. Botão que muda com o tempo e fica estranho. Chega. Aqui vai ser do jeito que eu quero, dentro da identidade do site. Aliás, somente Twitter e Facebook por enquanto, que estão funcionando exatamente como desejei. Aboli o Google PLUS. Não gosto do projeto deles e não quero ser mais um na ação do Google de povoar todos os produtos com essa ferramenta. Enquanto eles não mudarem a postura, DESIGNICES não participa dessa rede. E ponto final.

Um cara chamado Marcelo Gorzoni

Esse site só está no ar por causa de um grande amigo (designer, analista de SEO, desenvolvedor e o maior companheiro pros cafés pós-almoço de 2011/12) que além de codificar todo meu layout nos mínimos detalhes ele também me cobrava “cadê o layout? Não vai passar? Quero fazer logo, vamos subir isso, não seja um VAGABUNDO“. E eu não fui um vagabundo mesmo. Gorzoni, meu irmãozinho, muito obrigado.

Layout de comentários mais bonito

Ainda, claro, tenho coisinhas pra ajustar no blog, mas a maioria tá aí, completa belezura. Essa parte foi feita exclusivamente pra você caprichar. Pode estreá-la comentando o que achou do DESIGNICES 3.0 e sugerindo o que quiser! Topa?

Zumbis… Ah, que criaturazinhas doces!

Zumbi é amor, zumbi é vida, zumbi é poesia!

Bem… pelo menos eu vejo assim! Nesses tempos estamos numa moda louca de zumbis, lançam toda hora objetos, camisetas, filmes, seriados, apps de mobile que transformam fotos e criam avatares, mas essas doçuras de pessoas estão nos filmes já tem muito tempo. Fiz essa seleção de cartazes de filmes de zumbi todos antes de 1990. Adoro essa mistura de ilustrações com caligrafias/tipografias para amedrontar e um toque trash que só os zumbis sabem dar. Divirta-se!

Cartaz de filme de zumbi - Zombies on Broadway

Cartaz de filme de zumbi - Beyond

Cartaz de filme de zumbi - Zombie

Cartaz de filme de zumbi - Burial Ground

Cartaz de filme de zumbi - Voodoo Island

Cartaz de filme de zumbi - Revolt of the Zombies

Cartaz de filme de zumbi - Toxic Zombies

Cartaz de filme de zumbi - Dawn of the Dead

Cartaz de filme de zumbi - Tombs of the Blind Dead

Cartaz de filme de zumbi - The Dead Are Alive

Cartaz de filme de zumbi - The Plague of the Zombies

Cartaz de filme de zumbi - The House of Seven Corpses

Cartaz de filme de zumbi - The Dead One

Cartaz de filme de zumbi - I Walked With a Zombie
Cartaz de filme de zumbi - The Day of the Dead

Cartaz de filme de zumbi - Night of the Living Dead

Cartaz de filme de zumbi - Revenge of the Zombies

Cartaz de filme de zumbi - Night of the Zombies

Cartaz de filme de zumbi - Revenge of the Dead

Cartaz de filme de zumbi - Oasis of Zombies

Cartaz de filme de zumbi - Pet Sematery
Todos esses cartazes foram baixados do site Wrong Side of the Art, na categoria Zombie

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Já tem um bom tempo que sou fã e acompanho o trabalho da PENTRAGRAM, principalmente dos designers DJ Stout e Paula Scher. Designers velhos de guerra que se somam a experiência desses anos todos (ele com mais de 50 e ela com mais de 60 anos) com o que rola de atual. Resultados de impressionar. A Paula Scher, no começo dos anos 1990, iniciou uma série de mapas de todo jeito, em grandes dimensões (telas com mais de 2 metros), cheio de interferências cromáticas e tipográficas que formam texturas e tramas bem interessantes. E esses mapas ficaram bem famosos, ela fez uma série bem grande. Daí algum anjo resolveu lançar um livro (grande e bonitão!) com essa sequência de mapas e dados técnicos. A capa, aliás, vem com uma luva que é um mapa pra você enquadrar. A capa sem a luva é assim:

Paula Scher: MAPS

 

Os mapas usam diversas cores e estilos, mas a identidade fica sempre presente. Tem todo o jeitão de projeto pessoal, daqueles que fazemos exatamente como planejamos e que se lasque tudo e todos. Alguns exemplos dos mapas:

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna

Paula Scher: MAPS - Interna
Inclusive rolaram instalações com a linguagem que ela usa em seus mapas e o livro as documenta também:

Paula Scher: MAPS - Interna

Uma pena que esse livro não foi lançado no Brasil, então o jeito é pedir pra boa e velha Amazon.

Você conhece ou admira o projeto pessoal de algum designer/artista? Compartilha aí nos comentários!